O mais incrível era que, até certo ponto, eles conseguiram realizar um pouco dessa visão quixotesca.
Para tanto, eles construíram foguetes imensos... e ineficientes, e caríssimos, e de uma insegurança temerária.
Mesmo assim, eles alcançaram alguns sucessos que soavam extraordinários para Miguel. Talvez porque ele havia nascido em uma época onde as viagens espaciais estavam já mortas e enterradas há muito, muito tempo...
Mas, enfim, os Antigos conseguiram fazer sondas sobrevoar dezenas de mundos do Sistema Solar. Algumas delas até pousaram em outros planetas, luas e asteróides.
No campo dos voos espaciais tripulados, os sucessos foram bem mais modestos, mas ainda assim beiravam o impossível nos conceitos de Miguel.
Por exemplo, eles criaram estações orbitais permanentemente tripuladas ao redor da Terra. Além disso, em sua Magna Opus, eles mandaram pessoas... à Lua!
Apenas talvez uma meia dúzia de gatos pingados, e apenas umas poucas vezes, antes que o dinheiro e o entusiasmo acabassem. Mesmo assim, era assustador para Miguel pensar que existiam pegadas de botas por lá, ainda marcando a areia - mesmo depois de séculos - graças à falta de atmosfera.
De qualquer forma, aquele era um futuro perdido... e também desprovido de qualquer sentido prático, há no mínimo uns duzentos anos.
Afinal, depois do Plano Empíreo ser criado, a Humanidade tinha acesso a já dúzias de mundos. Um número que aliás continuava crescendo, à medida que o Plano se expandia do Outro Lado.
Mundos que não precisavam de foguetes imensos, montanhas de dinheiro, e ocasionais sacrifícios humanos para serem alcançados. Em vez disso, era possível ir até eles simplesmente... navegando!
Pelo mar!
Desde que, para isso, uma Nau Empírea fosse usada, é claro. Como era o caso da Alvorada... a hidronave exploratória a bordo da qual pai e filho viajavam.
Naturalmente, não bastava apenas ser uma Nau Empírea com um Sintonizador em sua Casa de Máquinas. Afinal, também só era possível adentrar o Plano Empíreo em locais especiais, onde a barreira entre o que se convencionou chamar de “realidade” e a Dimensão Impossível era mais tênue que o normal.
O único desses locais sobre a superfície dos oceanos da Terra estava já bem à frente de Miguel. Ainda muito distante, mas já visível mesmo na escuridão da noite...
A Zona de Transição!
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