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O Sistema Que Nos Une

Bem-vinda ressaca - Parte I

Bem-vinda ressaca - Parte I

Nov 20, 2020

Por mais infantil que parecesse, Lilian ainda tinha esperança de encontrar sua melhor amiga lhe esperando em casa, com um sorriso bobo e um olhar travesso, tentando se justificar sobre o que quer que tenha aprontado.

Exatamente por isso, a decepção que a tomou foi absurda, ao abrir a porta e encontrar apenas o vazio do apartamento.

Ela foi para o quarto para se trocar e encontrou uma carta de despedida, dizendo todas as palavras desde as que elas viviam repetindo até as que nenhuma delas tinha coragem de dizer:

“Lily,

Desculpa ir sem poder me despedir, mas era o único jeito (senão eu te arrastaria vc comigo - caso algum dia vc queira desistir da sua vida e jogar tudo pro ar, é só me dar um toque).

Infelizmente essa será a primeira e última visita. Tbm vamos diminuir os e-mails (vovô disse q assim é mais seguro) até q tenhamos nos superado.

Pf n brigue comigo, mas te deixei alguns presentes, além do microondas (^θ^). Sinta-se livre pra dar uma festa, comprei muita comida e não comemos nem a metade! E com toda minha aprovação e a do meu irmão, seja feliz com tudo oq vc tem e q te deixamos.

Espero q os momentos que nós 3 dividimos possa ser uma boa lembrança pra vc, assim como vc é para nós.

Não se esqueça de continuar sempre seguindo em frente, pq nunca se sabe o que vc pode encontrar no futuro. Por isso, te desejo força e esperança.

Te amamos muuuuito!

Gigi”

Lilian sentiu um aperto no coração e correu para secar a lágrima que teimava em escorrer pelo rosto. Ela dobrou o papel e o guardou dentro de seu livro preferido. Assim, ela saberia que eles estariam bem protegidos e bem cuidados. Em seguida ela pegou suas roupas, toalha e foi tomar banho.

Sem muito ânimo, ela deixou o uniforme em cima da pia do banheiro e a toalha em volta do pescoço.

Uma nova rotina.

Ela precisava criar uma nova rotina.

Ela se sentou no sofá e viu o Sol morrer em meio aos prédios no horizonte. A primeira decisão tomada para iniciar a nova rotina foi ligar para Daniel e atualizá-lo sobre seu status, o que a lembrou de comida que por sua vez a fez ficar com fome, logo ela foi até a geladeira - durante a ligação - e caçou algo para comer. No congelador encontrou três lasanhas congeladas ( frango, carne-moída e bolonhesa), optou pela de frango e a pôs no microondas com o tempo indicado nas instruções da caixa. Infelizmente Daniel ainda não precisava de ajuda, mas disse que a garota seria a primeira a ser chamada caso a situação mudasse.

Com o apito do microondas, a jovem soube que sua janta estava pronta. Ao tirar o prato do eletrodoméstico, Lilian ponderou se deveria ou não comer tudo. Uma coisa simples, mas que poderia muito bem influenciar o seu novo estilo de vida. Mas ao ver o queijo levemente tostado por cima das camadas de frango e massa, o estômago dela roncou como não fazia a um bom tempo, por isso, ela decidiu que se fosse fazer uma dieta, seria depois do final de semana, dito isto, ela ainda se sentiu culpada ao comer mais da metade do prato sem pensar duas vezes.

Dividida entre culpa e felicidade, após ter comido, a garota colocou o restante da lasanha na geladeira e se dirigiu para o quarto. Ela pretendia estudar um pouco para se distrair, porém parou no final do corredor, com um pouco de medo preenchendo o coração.

No quarto que era para estar vazio, havia uma luz passava pelas frestas da porta.

Com o coração acelerado e o corpo tomado por adrenalina, a jovem se esqueceu do presente que recebera da amiga: o celular. Por isso tomou a nada sábia decisão de aproximar o ouvido da porta desejando com todo seu ser que não ouvisse nada. Ela esperou por quase dez segundos com o ouvido colado na porta e não ouviu nada. Ela quase soltou um suspiro de alívio, mas preferiu ir até a cozinha a procura de uma arma, consciente de cada barulho que fazia.

Na frente da gaveta de talheres, ela parou. Seu cérebro paralisado pelo medo até então, conseguiu recorrer a lógica: ela não sabia se defender, por tanto se fosse até o quarto com uma faca, isso seria mais perigoso para ela do que para o ladrão. A contra gosto, a menina foi para onde estavam as panelas e pegou uma frigideira, se amaldiçoando por fazer muito barulho e por ser tão fraca.

Com extrema cautela, ela se dirigiu até o quarto vazio. Ele ainda estava com a luz acesa. Com um suspiro e uma reza silenciosa para sua avó, Lilian girou a maçaneta com todo o cuidado para impedir sons muito altos, a frigideira erguida e pronta para o ataque.

Todavia não havia ninguém no quarto. O aposento não estava vazio, mas não havia ninguém lá para alívio e desespero de Lilian.

Ao abrir a porta, Lilian perdeu o fôlego e baixou a panela ao ver o quarto completamente mobiliado ( estantes de livro, guarda-roupa, cama de casal, escrivaninha, cortinas…) e em cima da cama várias coisas ( telefone, jogo de cama, toalhas, livros, eletros) e preso por um pregador numa das sacolas uma carta:

“Oi d nv!

Gostou dos presentes? Comprei algumas coisas q n tinha ai (como vc n tinha pregador de roupa?!). D qq jeito, n da pra devolver, pq já passou do prazo d troca u.u.

Então, sabe, na outra carta eu fiquei com a impressão d q tava terminando com vc. E, apesar d ser vdd, eu n consigo me imaginar te tendo apenas como uma lembrança (aposto q o Lucca tbm n), por isso comprei alguns presentes pra vc nos desculpar e outros como presente d casa nv e aproveita e considera uns de aniversário desse ano.

Sei q qr viver uma vida baseada no q Linda te deixou, mas n esquece q a vida é sua e q ela n era a única pessoa nela. Então, se vc precisar de ajuda, me avisa q eu te garanto q vai ter alguém no primeiro voo pro Brasil pra te ajudar.

Cuide-se.

P. S.: Vc tava certa, é mais fácil te mandar estudar pra impedir vc d me impedir. Xp”

Sentimentos muito conflitantes estavam no peito de Lilian.

Ela não sabia o que sentir com esta nova carta.

Parecia errado se sentir triste após a remetente ter tentando animá-la e ela não podia aceitar que estava feliz ao receber presentes tão caros de alguém que não a quem poderia mais retribuir.

Depois de se recompor e guardar a frigideira, Lilian deu uma olhada mais aprofundada nos presentes deixados. Quando o cansaço bateu, ela pegou um de seus lençóis novos e foi dormir.

No final de semana, Lilian ficou montando seus novos móveis, redecorando o apartamento e mudando seus pertences para o quarto que a amiga dela havia preparado. Por isso o final de semana pareceu passar incrivelmente rápido e ela teve que ficar até tarde no Domingo fazendo seus deveres.

Segunda-feira, na escola, foi anunciado a trabalho de Feira de Cultura do semestre: cada ano deveria fazer uma revista com foco em diferente áreas; o segundo ano ficou com cinema para a alegria de muitas almas artísticas que ali se agrupavam.

A professora madrinha da turma, Elisa, professora de inglês, passou as instruções decididas pela diretoria e pediu para que os alunos se organizassem em grupos.

Assim sendo, o caos reinou.

As panelinhas queriam se manter unidas ao passo que todos queriam ao menos adorador de Hollywood em seu grupo; os sem panelinha começaram a gritar para uma ou outra pessoa perguntando se podiam se juntar ao grupo; as vozes se sobrepuseram; cadeiras se arrastaram para lá e para cá, para se aproximar mais de fulano ou ciclano para poder ouví-lo melhor. No entanto, Elisa conseguiu se impor ao caos e acalmou a turma, com a ajuda da lista de chamada, alunos foram escolhidos aleatoriamente para um a um montarem seus grupos na frente de toda a sala.

O plano original era ter sete grupos de cinco, mas dois indivíduos se prontificaram a cuidar especificamente do layout e edição da revista, logo dois grupos ficariam com uma pessoa a menos. E para ser justa com eles a professora deixou que os grupos desfalcados escolhessem os temas que gostariam de tratar, dentro dos que já haviam sido predeterminados, primeiro.

A bagunça inicial tomou forma e logo cada um sabia em qual área atuária e a qual líder responderia. Em como toda democracia, nem todos ficaram felizes ou satisfeitos, contudo era um começo.

Alguns grupos chegaram a receber pequenas ameaças dos editores, como o grupo da Disney, que tinha que pesquisar além das animações.

Pelo bem ou pelo mal, Lilian ficou no grupo de documentários. Muitos integrantes ficaram surpresos pelo tema ter de aparecer numa revista de cinema. Nossa protagonista, por outro lado, viu uma oportunidade para adquirir mais conhecimento geral para a prova do vestibular. De qualquer jeito, os membros marcaram de pesquisar mais sobre o tema até a quarta-feira da semana seguinte. Ou seja, a maioria queria ficar sem fazer nada.

Todavia, Lilian, dedicou alguns minutos por dia para dar uma olhada em sites, para ter uma ideia melhor do assunto. A princípio pensou que seria massante, porém logo achou alguns títulos que seriam interessantes e quando Carla e Pedro, alguns dos seus colegas de grupo, demonstraram interesse genuíno pelo projeto, ela os convidou para pesquisarem mais sobre o assunto na casa dela. A dupla não aceitou a proposta, mas marcaram de trocar ideias e informações no intervalo do mesmo dia.

Apesar de uma ou outra diferença nos tópicos, os três chegaram a um consenso que parecia enquadrar todos os documentários que os membros haviam assistido. Sendo assim, Pedro se prontificou para redigir um texto base para passarem para os demais membros do grupo e Carla se dispôs a fazer relatórios sobre as reuniões para evitar problemas futuros.

A semana chegou ao fim com uma ligação de Daniel na Sexta-feira pedindo para a jovem ir trabalhar no novo estabelecimento no Domingo. Com uma olhada no guarda-roupa ela fez um memorando para lavar roupas.

Sábado de manhã a jovem saiu para ir a padaria, pois estava com uma súbita vontade de comer pudim e como seus dotes culinários eram pouco melhores do que os de sua melhor amiga, ela se decidiu por comprar um pedaço já pronto, talvez o doce inteiro. Mas ao encontrar o professor dormindo/desmaiado entre o hall e o elevador, ela teve um choque que quase a fez se esquecer da vontade. Afinal, a imagem não condizia com nenhuma informação ou ideia que Lilian ou seus colegas de classe tinham sobre Stevan.

Como a boa aluna que era, ela suprimiu a vontade de mandar uma foto para as garotas da turma e simplesmente o ignorou.

No caminho de volta um sentimento de culpa apertou o peito de Lilian, ao passar pelo sacolão e se lembrar que a geladeira estava cheia de porcarias, por isso a jovem entrou no estabelecimento e selecionou algumas frutas. A figura inconsciente de seu professor de matemática lhe veio a mente provocando-lhe um sorriso sutil.

Para o azar de um e sorte do outro, Stevan estava da mesma forma quando a menina retornou de seu pequeno passeio matinal. Vendo-o em tal situação a garota tentou levantá-lo e carregá-lo até o elevador. Quando, finalmente, concluiu este objetivo e apertou o botão para chamar o veículo, ela decidiu que iria simplesmente arrastá-lo até o apartamento e se ele reclamasse… que ele não dormisse fora de uma cama da próxima vez!

amandaventcerne
Ah-chan

Creator

#psicologico #luto #despedida #alcool

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Lilian é apenas mais uma adolescente vivendo uma vida infeliz, a sombra da popularidade e conquistas do irmão. Ela encontra refugio nos seus livros, nas visitas à sua avó e nos e-mails trocados com o seu ex-namorado.
Infelizmente ela sabe que a realidade é diferente dos romances que tanto ama ler, por isso ela teve que se conformar com a sua situação. Porém, se conformar não significa se resignar, por ela aguardava, ansiosamente, sua formatura para sair da casa de seus pais e começar a sua própria vida.
Mas quem disse que a vida segue planos, não é mesmo?
Um dia, no meio da aula, Lilian recebe a notícia de que sua avó morreu. Isso a abala de tal maneira que ela não sabe mais dizer se continuar vivendo vale a pena.
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