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Além do Preto e Branco

Prólogo (5/5)

Prólogo (5/5)

Mar 13, 2021

Cheguei na frente do apartamento vinte e cinco e outra dúvida veio a minha cabeça. Afinal, eu deveria buzinar ou bater na porta?

Tinha lido em algum lugar que os prédios de Yukopan são extremamente finos, do tipo que você poderia quebrar a parede do seu vizinho com um pouco de esforço se assim quisesse. Isso significa também que o som ecoaria por todos os apartamentos próximos caso eu usasse a campainha.

Mas bater na porta seria algo rude?

Parece que todo aquele “extensivo estudo” que havia feito de Yukopan não era nem próximo do suficiente. Meu conhecimento de regras de etiqueta era próximo de zero. Muito bom, Pedro.

Felizmente não precisei pensar muito, já que a porta abriu sozinha. Quem me atendeu foi um homem de meia-idade, provavelmente em torno dos setenta a oitenta anos. Tinha cabelos curtos e bem cortados de coloração azul-piscina, com olhos que combinavam tão bem nas cores que davam a impressão de terem usado a mesma “tinta” ou parecido. Usava uma camisa social branca, acompanhado de uma calça jeans e sapatos sociais. Tinha pendurado no seu pescoço uma gravata preta com listras brancas.

Ele soltou um sorriso ao me ver.

-Sabia que você não era daqui. – disse ele, enquanto ajeitava a gravata. – Notei logo pelo seu sotaque, mas o nome acabou com as suspeitas.

Oh, não.

-Desculpe por acordar o senhor... – consegui dizer, ainda pensando em todas as palavras daquela língua que não tinha prática. – não pensei direito ao usar o interfone e...

-Acordar?

Ele soltou uma risada breve.

-Não acha que pareço com alguém que acabou de acordar, não é?

Era difícil dizer se aquela era uma pergunta retórica, mas ele não parecia estar dizendo com sarcasmo.

-Não. – consegui responder. – Não mesmo.

-Pois é, meu jovem. – continuava ajeitando a sua gravata. – Se acha que vai me acordar quando são quase cinco da manhã, lamento dizer: é um amador. Preciso estar no trabalho em no máximo quinze minutos, então não lhe chamarei para entrar. Deixe-me apenas pegar suas chaves.

O senhor Miyakawa não hesitou em adentrar no seu apartamento, deixando a porta aberta no processo. Demorou apenas alguns segundos para que ele voltasse. Trazia um conjunto de chaves e um pequeno bloco de papel.

-Aqui estão suas chaves. – me entregava as mesmas enquanto dizia. – Sabe o apartamento, certo?

-Trinta e cinco?

-Exatamente. Trinta e cinco. Esta chave aqui é para sua porta e nós sempre disponibilizamos uma cópia, que é esta aqui. – indicou as chaves, que eram praticamente iguais. – Esta aqui é para a caixa de correio que fica no térreo.

-Obrigado.

Peguei as chaves e imediatamente as coloquei no bolso.

-E aqui estão as regras de convivência do prédio. – me entregou o bloco de papel que estava em sua mão. – Normalmente eu não entrego isso aos moradores, só se me pedirem, mas seus pais deixaram bem claro que você vinha de Torugal do Sul, então não sei como são as regras por lá.

Espera... o quê?

-Espera... o quê? – ainda estava espantado. – Eles... eles falaram com o senhor?

-Não muito, mas gosto de saber dos meus clientes, ainda mais se eles vão morar no mesmo prédio que eu.

Sua expressão era serena e o sorriso ainda não havia se desmanchado. O homem em minha frente era bem diferente do que esperava, principalmente quando lembrava do papel com o “em nenhuma ocasião” escrito em vermelho, como se fosse um crime quebrar as regras de etiqueta.

-Acho... que faz sentido. – consegui dizer.

-E, principalmente, se este cliente vai morar exatamente acima de mim. Espero que não curta fazer coisas barulhentas, garoto. Para acordar cedo, eu preciso dormir cedo também.

O sorriso desmanchou e ele me olhou de forma séria, como se esperasse que eu respondesse algo como um “sim, senhor” ou parecido. Admito que já estava prestes a dizer tal coisa, até que ele desatou uma gargalhada.

-É brincadeira, meu jovem. Não se preocupe, eu tenho um sono bem pesado. Não acho que terá problemas.

Aquilo definitivamente deixou o clima mais leve.

-Nem queira saber o que acontece quando você me acorda, também.

Ele voltou a me olhar sério e com aquele olhar intimidador. Funcionou bem, até que ele riu novamente.

-Não se preocupe, garoto. – ainda estava rindo da sua própria atuação. – Tenho a certeza que você não será um problema. Claro que informações vindas dos seus pais provavelmente sejam extremamente parciais, mas pelo que me disseram, teremos uma boa convivência.

E soltou mais uma risada. Era bem contagiante, o que me fazia pensar que eu estava sendo mal-educado não rindo junto. Foi exatamente o que fiz.

-Garanto que não terá problemas, senhor Miyakawa.

-Hiro, por favor. “Senhor Miyakawa” é extremamente anticlimático e formal demais.

E soltou um novo sorriso.

-Certo, me desculpe. Obrigado pelas chaves e as regras, seu Hiro. Lerei elas hoje mesmo.

Era incrível como a ação de certas pessoas tornava tudo mais fácil. Eu já não estava mais gaguejando e, sendo bem sincero, não me importava se estivesse falando errado. O homem da minha frente não havia criticado isso até então e parecia entender perfeitamente o que eu dizia.

-Ah, esse papel só tem um monte de coisas óbvias mesmo, meu rapaz. – finalmente havia terminado de colocar a sua gravata. – Pode ler se quiser do mesmo jeito, já que talvez possa ajudar na sua leitura. Como anda seu yukoponês? Digo, ele parece bom sendo falado e você está me entendendo, então presumo que seja avançado, no mínimo.

-Er...

Dei uma olhada no papel. Era uma escrita simples e já tinha lido a primeira linha sem muito esforço, mas logo voltei a olhar para o senhor Hiro.

-Bom, eu consigo entender isso também.

-Isso é bom. Garanto que vai melhorar ainda quando as aulas começarem. Boa sorte no Chikara no Kyoten. Tive um amigo que estudou lá e disse que era bem rígido.

Se o ensino for tão rígido quanto é o teste de admissão, definitivamente.

-Eu lhe chamaria para beber e comer alguma coisa, mas como já disse: estou atrasado para o trabalho. Podemos conversar depois, então?

-Mas é claro. Me desculpe por incomodar, senhor Miya... Hiro.

-Não é incômodo algum. – sorriu mais uma vez. – Se você tivesse chegado mais tarde, só me encontraria no início da noite. Viu? Foi até bom você ter chegado mais cedo.

Sorri em retorno. Ele parecia gentil, muito mais gentil do que sua primeira imagem passava.

-Foi mesmo. Obrigado. Irei para o apartamento agora mesmo. Até mais, seu Hiro.

Ele me respondeu e fechou a porta com uma embaraçosa “licença” que eu tenho a certeza que foi intencional. Nem conhecia aquela pessoa direito, mas dá pra notar que ele faz questão de deixar o clima leve. Aquilo era bom.

Na verdade, ele lembrava bastante um tio meu. Um tio que gostava muito.

Sabe aqueles tios que você só vê umas duas vezes no ano e gosta bastante do tempo que passa com eles? Aqueles tios que são mais próximos das crianças, mas também são amados pelos adultos e normalmente não fazem merda como beber demais ou fazer um escândalo? É, esse tipo de tio. Hiro parecia ser assim.

Talvez esse lugar não seja tão ruim assim, afinal.

Guardei o bloco de papel com as regras na minha mochila e subi diretamente para o apartamento trinta e cinco. Como esperado, a chave abriu a porta perfeitamente. O apartamento era mobiliado e bem pequeno, o que me faz perguntar se o senhor Hiro não era casado. Aquele tamanho servia perfeitamente para mim, mas certamente seria bastante desconfortável para duas ou mais pessoas convivendo diariamente.

O quarto era ainda menor do que a própria sala, onde havia uma cama de solteiro e uma escrivaninha. Logo imaginei que a escrivaninha seria perfeita para usar meu notebook e estudar. A cama parecia confortável.

Fechei a porta que levava para o corredor do prédio e testei a cama o mais rápido que pude. Realmente era confortável. Não havia nada de muito especial nela, mas o colchão estava em um nível bastante equilibrado entre “duro” e “mole demais”. Certamente ajudaria no meu primeiro sono que iria sofrer bastante com o fuso horário.

Peguei o celular. A bateria dizia que estava nos cinco por cento. Corri para pegar o carregador na minha mochila e conectei o mais rápido possível. Enquanto carregava, sentei na cama e escrevi mais uma mensagem para a minha família.

“Já em Atarashi. O senhor Miyakawa parece ser uma boa pessoa e o apartamento é bem legal. Obrigadão mais uma vez por terem feito tudo por mim. Ligo para vocês mais tarde, porque agora irei descansar.”

Dessa vez o corretor implicou com o nome de Hiro, tentando corrigir para “minha cama”. Ri sozinho.

Enviei a mensagem e encostei minha cabeça no travesseiro que já estava na cama. Lembrei que os outros três que havia trazido ainda estavam na sala, mas a preguiça era maior.

A tela do celular ainda estava ligada e estava prestes a desligar quando houve uma resposta da minha mensagem. O mesmo emoticon com o sinal de “legal”.

Apenas ri sozinho mais uma vez e virei para o outro lado.

Só por ser o início de uma vida em um lugar diferente, não significa que tenha que ser algo ruim, não é mesmo?

Ingenuidade é uma benção, sem dúvida.

igornsdm
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