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Além do Preto e Branco

Capítulo 1 (1/5)

Capítulo 1 (1/5)

Mar 14, 2021

Quando você faz muitas coisas, normalmente não vê o tempo passar. E foi exatamente assim comigo nas duas semanas seguintes. Antes mesmo que eu pudesse começar a respirar o ar do oriente, já era o primeiro dia das aulas.

Só mesmo recapitulando tudo feito e então você fica impressionado por tudo que fez.

Logo no dia que cheguei, por exemplo. Adoraria dizer que passei ele deitado jogado na cama pelo resto do dia, até acordar no dia seguinte completamente revigorado e pronto para investir meus dias em estudos.

É... não foi assim.

Após umas duas horas completamente acordado em uma atividade que o objetivo era exatamente o oposto, desisti de tentar dormir e apenas levantei. Passei parte daquela manhã desarrumando as malas e colocando as coisas em seus devidos lugares. O sol já estava alto e as temperaturas passando brevemente dos vinte graus, quando resolvi conhecer meu novo colégio.

Sim, não havia como ter conhecido ele antes. Os testes de admissão foram terceirizados e feitos em Torugal do Sul. Pode parecer terrível estar se esforçando tanto para entrar em um lugar que você sequer conhece, mas acho que fotos estão aí para isso. Se você imaginar, é ainda pior obrigar a viagem para Yukopan apenas para fazer o teste. Não é todo mundo que vai passar, mas todo mundo ainda gastaria o dinheiro das passagens.

Mesmo com toda a informação possível do lugar e com a ajuda de fotos e vídeos, nada se compara a conhecer o local pessoalmente e se impressionar com certos detalhes. Por exemplo: o colégio era espantosamente pequeno. Logo quando entrei, notei logo que ele foi feito para estudantes selecionáveis. Essa é a lógica por trás de um colégio com um teste de admissão, mas ainda assim é difícil não se espantar com o tamanho. Diria que o meu antigo colégio em Cachoeira do Sul era ainda maior.

Após uma exploração interna breve, já tinha notado alguns detalhes, misturados com o que eu já sabia. Eu sabia que o colégio era da alfabetização até a formação do ensino médio, o que significa que o tempo máximo que você pode permanecer por lá é em torno de quinze anos, dos 6 aos 20, considerando que nenhuma série será repetida, é claro. Sabendo que ele engloba tantas séries assim, você nota um ponto interessante: esse colégio era pequeno demais para ter mais de uma turma em todas as séries. Minhas suspeitas foram confirmadas quando terminei minha matrícula e descobri que a sétima série era a última das que tinham duas turmas. Da oitava em diante, era apenas uma turma só, estudo integral, quatro dias por semana, com avaliações ocasionais no quinto dia.

Isso significava que, Nara Ennetsu sendo a mesma série que eu, estaríamos na mesma sala.

Um começo com o pé direito, eu diria.

Junto com a matrícula, você recebia todos os livros que iria usar em todo o ano letivo e também dois uniformes. Um para dias normais, outros para dias que envolviam educação física.

Isso me faz lembrar que eu terei uma péssima experiência com tais uniformes. Naquele momento estava tentando vestir um deles e não era o de educação física. As partes dele eram constituídas de uma camisa social branca, uma gravata terra de siena queimada com detalhes em branco, uma calça carmesim e um paletó lapela da mesma cor da calça e com um símbolo bordado do colégio.

Um. Maldito. Paletó.

O uniforme do meu antigo colégio era uma camisa comum de algodão branca com o símbolo do colégio estampado e uma bermuda poliéster. Nos dias de educação física, a camisa era substituída por uma regata.

Por que os yukoponeses precisam ser tão formais?

De certo, era diferente dos paletós mais sofisticados, o que fazia ele ser um pouco mais confortável do que aparentava, mas ainda era um incômodo. Eu tive que ver um vídeo ensinando como por uma gravata! Nunca achei que precisaria de tal coisa antes dos vinte anos.

Obviamente não dá para colocar apenas um tênis com toda essa vestimenta “frufru”, então também precisei de um sapato social. Escolhi um preto para ser mais neutro. Sapatos sociais levavam também a meias sociais e então você acaba gastando aquele suado dinheiro dos seus pais que esperava investir em lazer.

Ótimo.

O paletó não era opcional. Ele era a única vestimenta do uniforme que tinha o símbolo do colégio, então tirá-lo significava que não haviam como lhe identificar como estudante do Chikara no Kyoten. Imagine o quanto você pode acumular de suor naqueles lindos dias quentes de verão.

Após estudar um pouco do assunto, descobri também que era uma tremenda falta de educação usar o paletó sem estar abotoado, algo socialmente aceito apenas para as garotas. Homens que o usassem desabotoado poderiam passar a impressão de “rebeldia” ou “inconsequentes”.

Como eu disse: ótimo.

O uniforme de educação física era mais aceitável. Você ainda tinha que usar calças, mas a camisa era comum e com o símbolo do colégio bordado nela mesma. As calças em si também eram bem mais confortáveis e folgadas do que as sociais.

E não, você não pode simplesmente usar o uniforme de educação física todos os dias. Regra escolar e punível de suspensão ou até mesmo expulsão se for repetido diversas vezes.

Já imaginou você contar para seus filhos que você conseguiu passar em um dos melhores colégios do mundo e foi expulso porque se recusava a andar como um “engomadinho”? Ótimas histórias para rir no momento e em seguida chorar pela oportunidade jogada fora.

Nos momentos em que eu não estava me lamentando por ter que usar um paletó praticamente todos os dias da minha vida e sem receber por isso, investi em estudos. Vendo agora, é até impressionante o quanto consegui evitar jogos durante todos esses dias, mas valeria a pena mais à frente. O senhor Hiro me entendia sem problemas, mas nossas conversas eram casuais. A situação seria completamente diferente quando as aulas começassem e saber níveis avançados de yukoponês se tornariam necessidade.

Desde a minha chegada, também passei por dois fins de semana e os usava para relaxar. Dar a volta na cidade era bem agradável e também me fez conhecer vários lugares bacanas. Descobri, por exemplo, que havia uma sorveteria sensacional a apenas uns duzentos metros de casa e o mercadinho em frente ao prédio tinha preços terrivelmente inflacionados, algo que poderia resolver andando duas esquinas e indo para um mercado maior. Como a cidade era pequena para a população que tinha, praticamente tudo era perto. A coisa mais longe que lembrava era de um shopping center em que precisaria andar um quilômetro e meio para chegar.

Yukoponeses tinham um amor por comer fora que me impressionou. Em todo lugar haviam restaurantes, de todos os tipos. Era uma atividade bacana para fazer de vez em quando, mas meu dinheiro não era compatível para uma atividade de todos os dias. Meus pais me ajudaram a aprender cozinhar coisas simples, já que tudo que eu sabia fazer era fritar ovos, mas era muito difícil evitar a atração pela comodidade de comer comidas congeladas ou até mesmo as semi-prontas que eram vendidas no mercado. Aquilo provavelmente iria me engordar com o passar do tempo, mas era uma preocupação para quando os quilos a mais viessem.

Abotoei o último dos botões do paletó enquanto olhava para o espelho a minha frente. Até tiraria uma foto de como estava, mas já tinha feito tal coisa e mandado para meus pais. Meu pai questionou o quão desnecessário aquele uniforme era e minha mãe me achou lindo daquele jeito. Cecília simplesmente disse que eu “parecia gente” o que me deixou confuso de saber se era um elogio ou uma ofensa.

Talvez a única coisa boa daquele dia era que o verão estava indo embora. O ano letivo começava em meados do décimo segundo mês, então as temperaturas não estavam tão altas assim. Já fazia ao menos alguns dias que não passavam dos vinte graus e as noites eram bem confortáveis para dormir. A maior preocupação seria mesmo o final do ano letivo, que passaria do início do décimo mês e que tinha alguns dias bem acima da média no quesito de temperaturas.

Soltei um suspiro. Finalmente o dia havia chegado. O dia que seria bem diferente de todos que já tive na minha vida. Não podia jogar aquela oportunidade fora.

Peguei os livros do dia e levei eles para a sala para colocar na minha mochila. Logo no caminho notei o quanto minha mobilidade estava bem inferior do que deveria estar por conta do meu vestuário e acabei involuntariamente soltando um pequeno resmungo. Satisfeito ou não, aquela era a minha vida pelos próximos anos.

Verifiquei se estava com as chaves no bolso interno do paletó e lá estavam. Usei elas para fechar a porta e preparar para a minha primeira aventura em Yukopan.

Até a noite, apartamento. Já sinto saudades.

igornsdm
PhOeNiX_H

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Em andamento e com muita história para contar.
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