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Além do Preto e Branco

Capítulo 1 (2/5)

Capítulo 1 (2/5)

Mar 14, 2021

Algumas coisas realmente não são tão diferentes assim.

Aquela visão do colégio não era nova para mim, mas eu não me refiro a ela e sim ao rebuliço do primeiro dia de aulas. Uma quantia considerável de estudantes vinha de todos os lados. Alguns você conseguia notar que já eram amigos por algum tempo e provavelmente estavam felizes porque estudariam juntos mais uma vez, enquanto outros vinham nervosos e alguns indiferentes. Os barulhos das conversas se misturavam com o do ambiente enquanto eu adentrava o portão principal.

Se fosse comparar como era em Torugal do Sul, acho que a única diferença que conseguiria encontrar seria o uniforme. E, falando sobre ele, era muito difícil não ter inveja das garotas.

Elas usavam o mesmo paletó, mas a diferença é que ele tinha uma função muito mais parecida com a de um blazer. Aproveitavam muito bem a vantagem de não precisar abotoá-lo e era muito difícil ver alguém do sexo feminino seguindo o padrão masculino. Dificilmente acharia que estavam fazendo por opção, então assumi que era uma boa forma de identificar as novatas.

A parte de baixo do uniforme era completamente diferente. No lugar da calça que completaria o terno, elas usavam saias da mesma coloração carmesim que o paletó. Não chegavam a ser minissaias, mas também não chegavam no joelho. Por baixo das saias, ficava uma espécie de “calça de ginástica”, o que tornava o uniforme delas adequado para educação física para qualquer dia, em que só precisavam tirar o paletó. Bastardas sortudas.

Os sapatos eram diferentes também, em que a maioria deles eram mocassins, normalmente pretos para combinar com as calças. Não saberia dizer se as calças de “malhação” e os sapatos seguiam as regras ou se eram apenas opcionais, mas não consegui encontrar nenhuma garota que não estivesse seguindo tal etiqueta.

Entrar nos corredores me fez lembrar da segunda diferença em relação a minha terra: você tem seu próprio armário para guardar o seu material. Ver aquilo me fez pensar que não existe razão alguma disso não ser aplicado em Torugal do Sul, já que tornaria as idas e vindas para casa bem mais agradáveis e fáceis. Se o problema era a segurança, não era como se alguém fosse roubar livros que eram dados pelo próprio colégio.

As salas eram próximas aos armários, o que tornava ainda mais cômodo a possibilidade de pegar apenas o material que eu precisava para cada respectiva aula. Minha primeira matéria seria matemática (uma belíssima forma de estrear o ano, por sinal. Ironia, por favor), então deixei quase todos os livros guardados, pegando apenas o que eu mais temia deles e o caderno para anotações.

Em menos de dois minutos já estava na porta minha sala, a única de todo o colégio que era da décima série. Hesitei ao tocar na maçaneta. Não estava atrasado ou algo do tipo, mas sim ansioso. Como as pessoas iriam me olhar? O quanto elas se importariam com o novo garoto estrangeiro? Será que eu sofreria problemas apenas por isso? Será que achariam meu sotaque engraçado e pediriam para eu repetir frases como se fingissem não estar entendendo apenas para tirarem sarro de tal sotaque?

E, principalmente: Nara Ennetsu era mesmo décima série?

Havia sempre a chance de ela ser um prodígio na inteligência também. Digo, suas estratégias de batalha eram os seus maiores destaques. Ver aquela final do campeonato mundial estudantil de dois anos atrás me fez pesquisar por mais coisas, como campeonatos escolares, que ela também participava. Sua força sequer era o maior dos destaques, mas sim sua paciência e capacidade de lidar com as mais diversas situações e adversários. Não eram táticas usadas normalmente por estudantes, então era um baita trunfo seu.

Aqueles pobres jovens adultos de Isia sequer sabiam disso e provavelmente acharam que venceriam por ter uma afinidade maior. Serviram de experiência para todas as “vítimas” que viriam.

Mas bem, tanto faz. Se Nara não fosse da décima série, ainda encontraria uma forma de falar com ela. Como já tinha pensado antes: era apenas um pequeno obstáculo.

Fiz uma leve força na maçaneta e abri a porta. A hesitação ainda estava lá, mas não tinha o dia todo.

A sala já estava pelo menos metade cheia. Ainda levaria pelo menos vinte minutos para as aulas começarem, então era uma pontualidade bem acima do que esperava. Não me impressionava pelo que já tinha visto dos próprios yukoponeses em si, porém.

Notei que vários olhos me analisavam logo após abrir a porta, mas a maioria deles perdeu o interesse rapidamente. Ok, isso definitivamente eu não esperava, mas recebia de bom grado.

Olhando ao redor e mais confortável agora, notei que não havia nenhum sinal de Nara Ennetsu. Não é como se as aulas estivessem próximas de começar, então não me surpreendia.

Uma outra diferença com as escolas de Torugal do Sul, é que os lugares eram pré-estabelecidos. A cadeira que estava marcada para que eu sentasse era a terceira da sexta fileira, a que ficava do lado da janela. Felizmente ela estava vazia. Digo... vai saber. Tenho a certeza que há pelo menos um “valentão” na minha classe, mas o que espero é que não seja a pessoa que ele... ou ela, implique.

Falando sobre tal assunto, por sinal, não era um problema que eu tinha. Não costumava me unir com as pessoas que tinham prazer de implicar sem nenhuma razão justificável com outras, mas também não as enfrentava. Pensando bem, agora chego na conclusão que seria um bom treino. Isso considerando que eu sobrevivesse a tal processo, claro. Bem, tarde demais.

Arrumei meu material na carteira. Não tinha nada de muito especial nela, apenas um lugar para guardar o que não estava usando e foi onde deixei o livro e um estojo. Coloquei apenas o caderno na parte de cima e me encostei na cadeira, olhando para a janela.

A visão era diretamente para o pátio em que ficava o portão de entrada. Estava ainda cheio de estudantes vindo para o seu primeiro dia de aula, até mesmo em maior quantidade do que antes. Não era exatamente uma multidão, mas pelas informações que eu tinha, pelo menos mil e quinhentas pessoas estudavam aqui, a maior parte deles em séries inferiores, que precisavam de mais turmas. Não era à toa que a maioria de tais estudantes eram crianças.

O sol brilhava no horizonte. Na última vez que tinha verificado as temperaturas, elas estavam em torno dos quinze graus, mas qualquer um que visse uma foto de tal ambiente provavelmente acharia que estava pelo menos uns trinta. O décimo segundo mês é o mais seco de todos em Atarashi e aquele ano estava seguindo tais padrões, já que não lembrava a última vez que houve alguma chuva. Tudo o que sabia é que tinha visto ao menos uma vez desde que tinha chegado, mas nada duradouro. Umas específicas árvores com plantas azuis-celestes completavam a visão e admito que não tinha notado como todas elas foram plantadas e podadas simetricamente, como se servissem como recepção para os estudantes. Era bem bonito até, principalmente porque tais folhas tinham quase a mesma cor do meu cabelo e olhos.

-Ei.

Uma voz feminina quebrou minha concentração. Não é como se outras vozes já não estivessem ecoando pela sala, mas aquela estava mais próxima e parecia estar chamando por alguém específico. No caso, por mim.

-Ei, novato.

A voz chamou novamente, o que me fez tirar a atenção da janela e olhar em sua direção.

Uma garota de minha idade, pelo menos uns dez centímetros mais baixa do que eu, ou assim minhas porcas estimativas diziam, olhava para mim, curiosa. Tinha cabelos entre um meio termo de curtos para longos e completamente soltos de coloração violeta. Seus olhos não eram tão grandes, mas estavam bem abertos e pude notar que não era o mesmo tom de violeta dos cabelos e sim mais escuros, quase pretos, mas o reflexo da iluminação do sol mostrava que eles ainda tendiam ao roxo. Todo o resto dos seus detalhes faciais lembrava as características yukoponesas de bocas e narizes finos. Usava o uniforme com o mesmo padrão que eu já tinha visto nas outras garotas, com a diferença que o paletó estava mais torto em um dos lados, praticamente caindo para a sua esquerda.

-Er... tá falando comigo? – consegui dizer, ainda confuso.

-E você está vendo outro novato aqui? É, é com você mesmo. Qual o seu nome?

Apesar da atitude supostamente rude, ela não parecia estar falando com a intenção de ofender. Era quase como se fizesse parte da sua personalidade.

-Cardoso. Pedro Cardoso.

Aquilo parecia muito melhor em um certo filme que assisti. Talvez meu nome não combinasse como deveria.

-Pe... Car... – seu rosto fez movimentos estranhos, como se fossem palavras absurdamente difíceis. – desculpa, confusos demais. Vou apenas lhe chamar de “gringo”. Como vai, gringo?

E sorriu. Não era um sorriso receptivo, mas sim maldoso. Já começava a entender suas intenções aqui e era o que mais temia.

Mas não recuei.

-Meu nome não é “gringo” e sim Pedro Cardoso. Chame por um dos dois, o que preferir. Mais nenhum outro.

Talvez a voz estivesse firme, mas era difícil disfarçar as tremedeiras.

Como esperado, ela não gostou. O sorriso sumiu de sua face e dava para notar que minha atitude tinha destruído completamente sua confiança.

-Ora, ora. Parece que temos um ousado dessa vez. – dizia, ao mesmo tempo que tentava se recompor. – O que há com vocês? Vêm de outro lugar e acham que podem responder assim?

-Se não queria uma resposta desse tipo, talvez devesse tentar uma aproximação diferente. Recomendo que na próxima vez não tente chamar a pessoa por algo diferente do nome dela.

Nem eu mesmo sabia de onde vinham aquelas respostas. Era quase como alguém estivesse me instruindo a responder. Não sei se teria a capacidade de falar aquelas mesmas palavras em toruguês, mas estavam funcionando com perfeição no yukoponês, por menos sentido que aquilo fizesse.

Aquilo foi o estopim para deixá-la furiosa. Pelo visto não estava acostumada com pessoas que respondiam daquele jeito.

Ela colocou uma mão na minha mesa com muito mais força do que deveria e se aproximou do meu rosto, com a clara intenção de me intimidar.

-Escuta aqui, garoto. Eu não dou a mínima pra quem você seja e nem de onde veio, mas saiba que aqui os mais fracos respeitam os mais fortes.

Podia jurar que ela estava se segurando para não babar. Dessa vez não respondi. Não por estar com medo, mas sim para ver até onde ela pretendia chegar.

-Então, se você não se comportar, eu vou...

-Vai o quê, Akemi?

Uma voz, também feminina, porém bem mais grave, era a responsável por interromper a garota que tomava praticamente toda a minha visão frontal. Precisei levantar a cabeça para ver de onde veio.

Admito que foi difícil não soltar um sorriso quando a vi.

Eu conhecia aqueles longos cabelos laranjas com as pontas vermelhas. Conhecia aquele mesmo olhar intimidador, acompanhado por olhos também laranjas, só que pouco mais escuros. Aquela face eu já tinha visto mais nova, mas não parecia ter mudado tanto assim. Sua altura sim. Era provavelmente até maior do que eu, o que dava uma impressão bastante diferente para quem estava usando o uniforme feminino.

Sim, era ela. Nara Ennetsu.

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