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Além do Preto e Branco

Capítulo 1 (3/5)

Capítulo 1 (3/5)

Mar 14, 2021

A garota da minha frente não bloqueava mais a minha visão. Já tinha se levantado, mas ainda com as costas curvadas. Virava lentamente, como se já soubesse quem estava prestes a olhar, mas ao mesmo tempo ainda tinha esperanças que não fosse o que estava pensando.

Quando os olhos das duas se encontraram, Akemi parecia ainda menor do que era. Nara mantinha a sua postura completamente ereta, enquanto a garota dos cabelos e olhos violetas tinha problemas para sequer ficar em uma posição confortável.

Não tinha notado até o momento, mas toda a sala estava olhando para as duas em silêncio. Comecei a me perguntar desde quando. “Será que eles ouviram tudo?” foi um questionamento que não consegui evitar.

-N-Nara... espere, eu... eu posso...

Acho que nunca vi tanto suor ser expelido em tão pouco tempo de alguém.

-Me poupe das suas merdas, Akemi. Quando soube que seria uma turma só para a décima série desse ano, eu já imaginei que algo assim aconteceria.

Sua voz era imponente... ou talvez eu estava exagerando, mas que parecia, parecia.

-É... pa... parece que vamos ficar juntas esse ano, não é?

Akemi parecia menos nervosa, mas ainda tinha um trabalho absurdo para não gaguejar.

-Infelizmente. – e então Nara balançou a cabeça, provavelmente pensando no assunto. – Deixe o garoto em paz. Eu já estou acostumada com essa sua atitude imbecil, mas ele não merece isso.

Por um tempo tudo que a garota que eu estava discutindo há pouco fez foi olhar para o chão, como se quisesse evitar contato visual com a pessoa em sua frente. Nara nem se mexeu e parecia esperar pacientemente por uma ação dela. Sua visão estava fixa, sabendo que a intimidação estava funcionando.

-C-Certo, eu... eu vou deixar ele em paz. Me desculpe.

-Não peça desculpas a mim. – a resposta foi incrivelmente instantânea, como se fizesse parte de um script. – Peça desculpas para o garoto.

Akemi olhou para mim, ainda tremendo e suando frio. Era difícil de dizer se ela tentava esconder sua raiva.

-Minhas sinceras desculpas, – ela se curvou, enquanto mantinha as mãos agarradas. – Pe... Per... Po...

Ela não parecia estar com problemas para dizer meu nome por estar nervosa, mas sim por ser difícil de pronunciar em yukoponês. Tentei dizer que não me importava com que ela dissesse o nome, pois já tinha entendido o recado, mas sua voz ecoou antes disso, como se alguém tivesse colocado um microfone em volume máximo.

-Pedruru!

E então saiu correndo. Por um momento eu fiquei preocupado se ela trombaria com alguma carteira no caminho, mas nada disso aconteceu. Em poucos instantes já estava no outro lado da sala, em uma roda de mais umas quatro pessoas. Presumi que eram seus amigos. Olhavam para a minha direção com uma mistura de ódio e reprovação.

-Você está bem?

A minha salvadora me fez desviar a atenção. A sua expressão intimidadora tinha sumido, dando lugar a uma reconfortante. Ela me olhava como se eu fosse um filhotinho de algum animal doméstico que tinha acabado de salvar de um predador.

Foi difícil não sorrir e nem via motivos para não fazer.

-Estou... obrigado.

Fiz questão de demonstrar o quanto estava agradecido. Não é como se eu não pudesse resolver a situação eu mesmo, mas não dava para negar que Nara tinha deixado tudo mais fácil.

Toda a classe já tinha se desinteressado pelo assunto e já tinham voltado a conversar. Por um momento eu me perguntei se tal tipo de coisa ocorria com frequência e então eles estavam desapontados por não ocorrer um duelo dentro da própria sala. Não é como se as regras permitissem algo do tipo, de qualquer forma.

-Não há de quê. Não acho que Akemi fosse tentar fazer algo com você aqui, mas tenho a certeza que se eu não fizesse nada, ela aproveitaria a primeira oportunidade para acabar com você, seja no almoço ou na saída das aulas. – sua voz era suave e nítida enquanto explicava aquilo tudo. – Ela não é totalmente blefe, sabe? Quase oito de afinidade em cura. Com os outros amiguinhos dela, poderia fazer você parar em um hospital.

Acabei soltando uma risada involuntária e nervosa. Pelo visto Nara tinha percebido, já que sorriu.

-Ah, tenho a certeza que ela não vai se atrever a fazer nada agora. – continuou, confiante. – Ela se lembra muito bem do que aconteceu quando não pensou no assunto.

-Espera... você disse cura? O que ela poderia fazer comigo?

Aquela era uma dúvida real. Não, sério, alta afinidade em cura não parecia tão assustador assim. Nara apenas olhou confusa para mim.

-Bom, ela poderia fazer seus amigos baterem em você e então lhe curar para que pudessem bater de novo e de novo até finalmente ela cansar do “show”. – parou por um tempo para pensar. – Ou então ela poderia aproveitar de sua alta afinidade e usar seu poder pro propósito inverso. Ou uma mistura dos dois.

Ok, aquilo era assustador. Engoli a seco.

-Pelo visto você nunca estudou em um colégio com pessoas de alta afinidade, não é?

-Não. – respondi, ainda pensando no que havia me dito. – É o meu primeiro.

Ela me olhou, como se estivesse me analisando por algum motivo.

-Então é bem provável que ninguém tenha mexido com você justamente por conta da sua alta afinidade. A coisa muda aqui. Não é que todos sejam igualmente fortes, mas você ficaria espantado com o quanto as pessoas aqui são criativas com seus poderes. Até os duelos são como se fossem batalhas de titãs.

-Mas afinidade alta não significa que você seja forte. A força não vem do treino?

Nara olhou para mim mais uma vez, igualmente confusa como momentos atrás.

-Não é errado dizer isso, mas se você já tem um nível alto de afinidade, qualquer esforço se torna produtivo. Realmente há pessoas aqui que não ligam muito para os duelos ou demonstração do que podem fazer com seus poderes, mas não me impressionaria se fosse uma minoria.

-É... faz sentido.

-E também tais pessoas normalmente não desafiam outras pessoas que sequer sabem o que são capazes de fazer, como você fez.

Oh.

Apesar de aquilo claramente ser uma bronca pelas minhas ações, ela não me olhava com reprovação, mas sim com orgulho.

-Não sou sua mãe para reprovar ou aprovar suas ações. – ela continuou, calmamente. – Mas você não vai sobreviver muito tempo aqui se continuar agindo desse jeito e não ter a capacidade de revidar. Não espere que eu esteja lá para defender sua bunda em todos os momentos.

Aquele jeito com as palavras me fez identificar que ela tem plena noção de que sei com quem estou falando. Talvez até possa parecer uma falta de modéstia, mas estar na Liga dos Heróis é muito além do que vencer um campeonato mundial estudantil. Não me impressiona que ela saiba disso... e provavelmente já deve ter experiência o suficiente para saber.

Apenas sorri como educação, logo depois de lembrar que um dos apelidos que Nara tinha em Torugal do Sul era a “rainha desbocada do fogo”. É, desbocada está certo. Nunca soube se tal apelido veio por conta de sua sinceridade ou pelo uso das palavras “chulas”, mas pelo visto era pelas duas razões.

-Mensagem recebida.

-Ótimo. – e sorriu mais uma vez para mim. – Agora que passamos por tudo isso, acho que podemos nos apresentar dignamente. Sou Nara Ennetsu.

E estendeu sua mão para que eu apertasse. Admito que esperava um “mas você já sabe disso” depois de dizer seu nome. É, seria uma grande falta de humildade, mas foi o que a impressão que sua atitude passava. Então meus instintos estavam errados?

De qualquer forma, não hesitei em continuar o cumprimento.

-Pedro Cardoso.

-Pedro, hein? – diferente de Akemi, ela conseguia pronunciar meu nome sem o menor esforço. – De qual dos “Torugais” estamos falando?

Por um momento eu apenas esbugalhei meus olhos, espantado por ela ter “chutado” de forma tão certeira. Ao mesmo tempo, não precisei pensar muito para chegar na conclusão que “Pedro” era um nome tipicamente toruguês. Não é como se chamar alguém de “toruguês” fosse uma ofensa, também. Na pior das hipóteses, ela poderia saber que eu a corrigiria por ter errado o chute.

Devo ter passado mais tempo do que esperava pensando em tais detalhes, já que ela começou a me olhar curiosa, ainda esperando pela resposta.

-Sul. – falei imediatamente após notar o quanto tinha demorado para responder uma pergunta tão simples. – O pior deles.

Ela sorriu e soltou minha mão, complementando o cumprimento.

-Depende do ponto de vista, eu diria. Não lembro de ninguém nesse colégio de Torugal do Norte, então nisso o Sul está ganhando.

Nem tinha a intenção de retribuir o sorriso, mas acabei soltando um do mesmo jeito.

O que era isso afinal?

Não, sério, quais são as chances? A garota que sorria para mim naquele momento era a maior razão de eu ter feito uma das escolhas mais difíceis da minha vida. Assim como a escolha, eu esperava que nosso encontro fosse difícil. Algo como ela não estar na mesma série, ou então ela ter trocado de colégio, já que não é como se tivessem como adivinhar onde ela estaria no ano atual. Mesmo considerando as chances de ela ser a mesma série e sala do que eu, ainda existia a chance dela me ignorar, ou me odiar, ou ter vergonha de mim... sei lá, absolutamente qualquer coisa que não fosse... isso.

Se for parar para pensar, eu tinha que agradecer a Akemi. É, ela parecia uma completa estúpida, mas se ela não fosse estúpida, Nara não me defenderia e eu provavelmente passaria semanas pensando em uma razão para falar com ela.

Muitos gostam de chamar isso de “destino”, uma palavra que eu não gosto muito. Sempre segui a ideia que tudo depende de nossas escolhas, por mais difíceis que fossem, mas assim como as “zebras” que costumam acontecer nos duelos de vez em nunca ou aquela chuva que acontece contra todas as previsões de meteorologistas, nosso encontro foi muito melhor do que o esperado.

Foi tão bom que eu estava com medo de estragar.

Não é como se eu tivesse muito o que fazer, porque logo depois de todos aqueles pensamentos o sinal tocou. Finalmente a hora da aula havia chegado e naturalmente interromperia qualquer conversa que eu planejasse ter com Nara.

-Conversamos depois, então?

A pergunta tinha sido minha e pegou ela de surpresa, já que tinha virado a cabeça para a direção de onde vinha o sinal. Ela voltou a olhar para mim e esboçou mais um de seus sorrisos.

-Não vejo porque não.

E foi em direção a uma das cadeiras vazias na parte do fundo da sala, na mesma fileira que eu estava.

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