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Além do Preto e Branco

Capítulo 2 (3/4)

Capítulo 2 (3/4)

Mar 15, 2021

Finalmente toquei no meu sorvete. Não teria a mesma reação do que tive com o pudim mais cedo simplesmente porque já havia provado aqueles dois sabores. Imagino agora o quanto as pessoas ao redor pensaram no momento que eu descobri o gosto maravilhoso daquele sorvete e também quantos “hums” involuntários teriam acontecido. Eles eu já podia controlar, mas a sensação de estar provando algo delicioso ainda estava lá. Estava tão bom como na última vez.

Por um momento eu e Nara apenas detonávamos nossas respectivas bombas calóricas. É, era difícil não pensar em calorias depois dela ter tocado no assunto. Fiquei impressionado mais uma vez quando vi que ela terminou antes de mim. De certo que ela tinha começado antes, mas seu caminho teria, pelo menos, o dobro do tamanho. Não parecia ter sido um obstáculo digno para Nara Ennetsu, pelo visto.

Assim como no almoço, ela me esperou terminar. Não sei dizer se era uma atitude sua de educação ou se estava sem pressa para voltar para casa. Considerando que fosse o último caso, aquilo me levantou uma série de perguntas que ainda era cedo demais para buscar por suas devidas respostas.

Terminei o meu prato de calorias desnecessárias para o meu corpo logo em seguida. Ah, malditas calorias que não saíam da minha cabeça. Pude perceber que ela mexia no seu celular e por um momento até pensei em pedir seu contato, mas logo recuei. Independente do quanto aquele dia era estranhamente bom, minha intenção era que continuasse assim, então vamos “jogar de forma defensiva”, eu acho.

Nara parou de mexer no seu aparelho quando notou que eu havia terminado. Nossos olhos se encontraram e vi o quanto aquele laranja escuro espantosamente combinava com a iluminação do ambiente, em que a cor resultante com o brilho era algo muito bonito. Meus olhos azuis-celestes não tinham nem perto do mesmo efeito na noite.

Ela não sorriu. Parecia bem mais desconfortável do que antes e desviava seu olhar várias vezes. Logo assimilei que aquilo era resultante da sua característica de não iniciar conversas e como eu não estava fazendo meu papel, ela deveria estar em um dilema do que fazer.

Ainda assim não fui eu que falei depois de tanto tempo em silêncio.

-Bem... eu acho que vou indo. São três quilômetros pela frente, afinal.

Começava a pegar seu paletó quando a interrompi. Ainda havia uma coisa que precisava lhe falar.

-Nara, eu...

Ela parou de se arrumar e voltou a olhar para mim, curiosa. Esperou pacientemente que eu continuasse, o que fiz logo em seguida, mesmo com a hesitação ainda me dominando.

-Eu preciso ser sincero com você. – pausei, esperando sua reação, mas sem mudanças. – É o mínimo que eu posso fazer depois de você ser sincera comigo.

Me referia à conversa que tivemos mais cedo sobre eu já conhecê-la ou não. De tudo que falamos até então, aquela era a que realmente me incomodava. Não podia deixar que ela terminasse apenas com uma tentativa de aliviar a tensão. Se ela parecia incomodada com tudo aquilo, o mínimo que eu poderia fazer era dar a atenção necessária.

Todos aqueles detalhes estavam apenas na minha cabeça, mas Nara não teve problemas de entender sobre o quê eu estava falando, já que apenas continuava me olhando, sem nenhuma intenção de me interromper.

-Sim, você estava certa. Eu já lhe conhecia. Não vou dizer que não, pois estaria mentindo.

Nada de novo até aquele momento, apenas o mesmo que eu já tinha falado na tarde. O resto era, porém.

-Mas não só isso. É um pouco... meio que além disso.

Quase suava tentando não usar as palavras erradas, mas não sei dizer se ela tinha notado.

-Eu lhe admiro, Nara Ennetsu. Desde aquela final do campeonato mundial estudantil de dois anos atrás. Certo, provavelmente não apenas eu, mas eu quero dizer que lhe admiro mais do que algumas pessoas.

Nara ouvia atenciosamente e parecia não ter nenhuma intenção em interromper.

-Depois de assistir aquele jogo incrível, comecei a pesquisar sobre você. Suas estratégias de batalha eram sensacionais e algo visto apenas em alguns adultos, os mais especiais deles. Você é especial, Nara. Você é a razão do porquê eu estou aqui, finalmente tentando transformar minha afinidade em algo além de números. Até ver aquele jogo contra o Isia, eu sequer havia pensado no assunto, mas depois daquilo tudo mudou.

Pude perceber que uma das suas sobrancelhas se levantou em confusão, mas continuava em silêncio.

-Comecei a me envolver com os estudos, querendo ser alguém além de um sul-toruguês normal que seria um dono de um mercadinho ou parecido e hoje aqui eu estou em Yukopan, falando uma língua que há pouco mais de um ano eu sequer fazia ideia de como começar a estudar. Você é mais importante do que apenas uma fama vazia e não deixe ninguém lhe dizer o contrário.

Desviei o olhar para a próxima parte. Só de pensar em falar o que viria, eu morria de vergonha, então era mais fácil sem alguém julgando minhas palavras com o olhar.

-Não importa o quanto você se incomode com isso, saiba que você é muito mais do que apenas a “rainha do fogo”. E, se me permite dizer, não acho que “rainha” seja ofensivo. Combina bem para alguém que é tão superior a outras pessoas. Alguém da realeza, alguém que comanda tão bem que precisa ser do maior cargo disponível para tal coisa. Uma líder.

Não faço a menor ideia de como tinha falado aquilo tudo com tão pouca respiração, mas era meu limite. Parei, um pouco ofegante, e lancei olhares a Nara. Não conseguia identificar sua expressão e parecia exatamente a mesma de antes que eu começasse a falar. Ainda não tinha acabado, porém.

-Tá, eu não sei dizer se você é mesmo uma líder de fato e nem vou dizer que lhe conheço o suficiente para afirmar tal coisa, já que seria muito arrogante de minha parte, se me permite dizer, mas eu me refiro mesmo é que as pessoas não falam isso de forma ofensiva... e se falam, fodam-se elas. Você é muito mais do que as pessoas dizem de você. Não deixe isso mudar quem você é.

“Mas que merda tirada de livros de autoajuda, Pedro”. Era só o que eu pensava, mas temia que fosse sua resposta também. Pensando no assunto, meus motivos de estar aqui eram muito banais, mas ainda eram meus motivos. Ao mesmo tempo que dizia aquilo para Nara, também falava comigo mesmo e aquelas palavras não faziam muito bem o serviço em tornar minhas metas menos idiotas, mas, cara, eu não deixaria de tentar.

Inicialmente Nara apenas esbugalhou seus olhos, como se fosse muita informação para absorver de uma só vez. Depois ela começou a olhar para o lado, pensativa e fazendo movimentos com a boca que interpretei como uma tentativa do que começar a falar. E então ela olhou para mim com uma expressão neutra e assim ficou por alguns momentos, até ela olhar para a mesa e sorrir, com alguma vergonha. Ainda mantinha o olhar quando soltou uma breve risada. Olhou para mim logo em seguida, com um sorriso reconfortante no rosto.

-Então... você quer um autógrafo?

E continuou me olhando, ansiosa pela minha resposta. Sendo bem sincero, eu não fazia a menor ideia de como reagir. Aquela não era nem de perto a resposta que eu esperava.

Não tive muito tempo para pensar, pois ela continuou em seguida.

-Não me leve a mal, não estou gozando com a sua cara. Só achei... engraçado mesmo. Você não parecia um fã. Nem esperava que tivesse fãs no colégio.

Ok, “fã” é uma palavra muito simples para definir, Nara. Ao mesmo tempo, não sei se conseguiria argumentar o contrário. Era uma interpretação digna de alguém depois de ouvir tudo aquilo.

-De qualquer forma, obrigada. – voltava a olhar para mesa. – Vou lembrar do que disse.

Ah, cara... não era o que eu esperava que ela entendesse. Bom, não parecia de todo o mal. Não tinha falado nenhuma mentira e selecionei as palavras da melhor forma possível. Parecia também que Nara tinha recebido de bom grado, então... melhor do que o esperado? É, melhor do que o esperado.

-Meu toruguês é fluente.

Suas palavras me surpreenderam por diversas razões. A primeira delas era que não esperava que viessem tão subitamente assim, a segunda é que ela tinha falado aquelas palavras usando o próprio toruguês e a terceira era que seu sotaque era muito diferente do que eu esperava. Se eu me perguntava como seria um yukoponês tentando falar a minha língua, aquela era a melhor resposta que eu poderia ter.

-Você disse mais cedo que se perguntava o quanto eu falava. Eu tenho fluência.

Repetiu também em toruguês e eu pude analisar melhor. Claro, o sotaque era forte e ainda estava lá, mas não parecia tão terrível e tinha até mesmo um certo charme. Sem contar o quão reconfortante era ouvir meu idioma sendo falado mais uma vez depois de tanto investir naqueles estudos em língua estrangeira por dez dias consecutivos.

Os pensamentos poderiam parecer claros, mas as minhas reações não.

-Mas... espera... sério?

-Sim. – e olhou para mim, sorrindo. – Não treino faz algum tempo, mas aprendi muitos anos atrás. Longa história.

Bom, aquela regra de etiqueta é conhecida e, talvez, mundial. Quando uma pessoa fala “é uma longa história” ou apenas “longa história”, ela não tem interesse de contar as razões envolvidas para explicar tal coisa. Isso, ou simplesmente ela não quer contar. No caso de Nara eu não podia dizer qual dos dois, mas sabia que seria rude de minha parte forçar algo. Ela contaria quando achasse que fosse a hora.

Sendo bem sincero, já estava feliz o suficiente de saber que teria alguém para fugir do yukoponês de vez em quando.

-Se você quiser, podemos falar em toruguês. Eu preciso praticar mesmo.

Ela também tinha falado aquilo em toruguês e foi difícil não me sentir lisonjeado. Claro, seria algo que eu a pediria em algum momento, mas não esperava que o pedido viesse de sua parte e tão rápido assim. Era uma espécie de agradecimento pela minha sinceridade de logo antes ou ela estava...

...tentando me agradar?

Não... aquilo era apenas minha mente pregando peças. Eu tenho a noção dos meus limites e sei que Nara é muita areia para o meu caminhãozinho. Deveria estar agradecido o suficiente por estarmos conversando e mais ainda por ela ter aceito um convite meu. Qualquer coisa além disso tinha grandes chances de ser fruto da minha imaginação.

De qualquer forma, todo aquele pedido parecia ser gentil demais para que apenas recusasse.

-Não vejo porque não.

O uso da mesma resposta que ela tinha feito no início do dia a fez esboçar mais um sorriso e aquele parecia mais especial do que os outros, além da sinceridade e envolvendo até mesmo um pouco de alegria.

Não faço absolutamente a menor ideia se estava imaginando coisas, mas admito que não me importava.

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