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Além do Preto e Branco

Capítulo 3 (1/4)

Capítulo 3 (1/4)

Mar 16, 2021

A semana passou bem mais rápido do que deveria e não, não tive meus questionamentos respondidos.

Não era algo que eu poderia simplesmente perguntar para Nara, então não tive opção. Ainda conversávamos todos os dias e eu apenas observava. Cada dia que passava o senhor Miyakawa tinha mais razão: ela não parecia ter mais amigos no colégio. Estava em uma sala com mais cinco dezenas de alunos, mas não falava com mais ninguém além de mim. Sentava em uma das grandes mesas no almoço, mas apesar de dividir com mais outras vinte e tantas pessoas, só conversava comigo. Quem não tinha o contexto da situação, poderia facilmente assumir que Nara Ennetsu era tão novata quanto eu e nos dávamos bem justamente por compartilhar tal fator em comum.

No decorrer da semana não ficamos mais próximos ou algo do tipo. Nossas conversas eram sobre assuntos que eu poderia ter com qualquer um do colégio, como as matérias, ou comida servida no almoço, ou quem são os nossos professores. Não é que Nara se esquivava das conversas, mas simplesmente porque ela não as começava e eu estava receoso em falar sobre algum assunto que pudesse vir a ofendê-la.

Não, também não tinha comentado sobre o pedido que ela me treinasse e também não me sentia bem em fazer tal coisa com aqueles questionamentos no ar. Não sei dizer se acabei mudando meu tratamento com ela, mas não parecia que tinha feito o mesmo comigo, em que os dias seguintes foram praticamente iguais ao primeiro, com a exceção que falávamos em toruguês e, claro, sem sorveteria envolvida após as aulas.

Minha aula de química foi no terceiro dia e o professor soube que eu era de Torugal do Sul, mas não fez nenhum comentário sobre isso. Talvez apenas achasse que não tinha intimidade o suficiente, vai saber. Quem sabe se até o final do ano não virássemos amigos. Não havia nada de especial que pudesse comentar sobre sua aula, porém, simplesmente era bem parecida com as que eu tinha em Torugal do Sul.

Em relação as matérias vespertinas, descobri que boa parte delas continha uma certa parte prática, mas nada tinha sido feito na primeira semana, justamente porque eram mais aulas de apresentação. Uma pergunta que não saía da minha cabeça e que eu sempre esquecia de perguntar aos próprios professores era se deveríamos vestir o uniforme de educação física para tais aulas. Tinha feito aquela pergunta para Nara e sua resposta foi que não sabia, mas nunca precisou usar. É, fica mais fácil para quem não precisa vestir uma calça social e um paletó abotoado, eu acho.

O quarto e último dia útil da semana havia chegado. Se nos outros eu tinha dúvidas sobre o que deveria vestir, não tinha nesse dia. Às quatorze e meia a matéria que pegaríamos seria Educação Física e não é preciso ser muito inteligente para assumir o óbvio.

Aquele dia foi diferente de todos os outros até então, porém. Ao chamar Nara para almoçar, ela só disse que não poderia e tive que ir sozinho. Ela não parecia estar me evitando ou algo do tipo, principalmente pela sua naturalidade ao recusar o convite. Como não tinha feito mais amigos até então, não tinha notado até aquele momento o quão solitário seria sentar em uma mesa aleatória com pessoas que não conhecia.

Não é como se eu fosse obrigado a sentar em uma mesa, também.

O ginásio da aula de Educação Física ficava bem próximo ao refeitório e aproveitei o momento para conhecê-lo. Levei minha bandeja com o almoço e, como esperado, não fui questionado em nenhum momento porque não tinha escolhido uma mesa. Os corredores estavam completamente vazios, como o previsto para aquele horário, mas não precisei andar nem mesmo uns cinquenta metros para dar de cara com a pesada e imensa porta de metal que levava exatamente para onde pretendia ir. Segurei a bandeja com a mão esquerda e a empurrei com a outra mão, cautelosamente, tentando evitar ao máximo que derrubasse meu almoço.

O ginásio não era exatamente gigante, mas tinha uma arquibancada considerável dos dois lados. No meio, apenas uma grande arena com alguns desenhos no chão, alguns bastante estilosos e com uma arte que, ao mesmo tempo que parecia familiar, não me lembrava de onde já tinha visto. Só de olhar, notei que cabiam pelo menos umas mil pessoas na arquibancada, ou era o que minhas “estimativas achistas” diziam.

Notei também que a arquibancada não estava completamente vazia.

Havia uma garota sentada no segundo andar de cima para baixo na arquibancada da direita. Mexia no seu celular e não parecia ter notado que eu havia entrado ali, o que me fez questionar se tinha problemas de audição.

Ou se eu estava com problemas de visão. Como não tinha visto que estava com fones de ouvido?

Chegando mais perto, pude ver mais um detalhe que me causou espanto o suficiente para que eu quase derrubasse minha bandeja. Eu conhecia aquela garota.

Não, não era Nara. Muito pelo contrário, já que era bem mais baixa, o cabelo bem menor e nem as cores combinavam, exceto se você considerar que laranja e violeta são parecidos. O paletó propositalmente torto também era uma de suas características e que havia percebido logo de cara quando nos conhecemos.

Sim, era Akemi.

“Se eu fosse você, eu mantinha distância dessa tal de Akemi.”. As palavras do senhor Miyakawa ecoavam na minha cabeça como se fosse um áudio gravado no modo de repetição. Não é que eu tinha exatamente medo dela, mas já dizia um ditado da minha terra: não dê sopa pro azar. Nunca entendi porque o azar ficaria ofendido em ganhar uma sopa, mas tudo bem. O que importava era seu real significado: não faça merda se você sabe que vai dar em merda.

Me virei na mesma hora e não tinha mais interesse de ficar no ginásio. Se eu tinha uma desculpa válida, era que já conhecia o lugar mesmo, então não precisava mais ficar por lá.

-Que rude, novato.

Ah, droga.

Não ouvia aquela voz consideravelmente aguda desde o primeiro dia e esperava não ouvir tão cedo. Era meio difícil ser furtivo em campo aberto também, mas esperava que ela não virasse o olhar. Bem, não rolou.

Olhei para a sua direção lentamente e constatei que tinha tirado o fone de ouvido de um dos lados. Seus olhos roxo-escuros me fitavam e tinha um sorriso que não conseguia distinguir se era maldoso ou não.

-Não vai nem dizer boa tarde?

Por mais que eu não estivesse com medo, a situação era bem diferente de antes. Não havia mais ninguém por perto e eu não fazia ideia de onde Nara estava também. Talvez Akemi tivesse medo da “rainha do fogo”, mas ela não tinha medo de mim e tal imprevisibilidade me assustava. Talvez ela sofresse uma lição de Nara depois de fazer algo comigo, mas bem, isso ainda implicava que ela faria algo comigo.

Apenas tentei ser neutro, contrasteando completamente com minha atitude no primeiro dia.

-Boa tarde. Agora voltarei pro refeitório, então... tchau.

-Vai mesmo deixar uma dama sozinha? Peço que me faça companhia. Estou sozinha e entediada.

Ela não fez nenhum movimento para indicar que estava sendo irônica ou atuando, então não consegui identificar se falava a sério ou não, mas era fácil de dizer que aquela atitude era bem diferente do que teve no primeiro dia. Exceto que ainda insistia em me chamar de “novato”, claro. Tudo aquilo me fez perguntar se ela tentava fazer o mesmo que eu fiz.

-Bem, eu... – comecei a falar antes de pensar e acabei ficando sem palavras.

-Não precisa sentar do meu lado. A arquibancada é grande. Sente onde quiser.

Akemi voltou a olhar para a tela do seu celular e digitava algo. Me perguntei se ela estava chamando seus amigos ou algo do tipo, já que estava sozinha ali. Resolvi atender ao seu pedido e sentei em um dos andares mais baixos da arquibancada. A distância era consideravelmente grande, mas não teríamos problemas em ouvir um ao outro se conversássemos, já que o ginásio estava o completo oposto em relação a ruído com o refeitório.

E, sendo bem sincero, eu nem sei dizer se realmente queria conversar com ela. Meu plano era simplesmente terminar de comer e dar uma desculpa para levar a bandeja de volta. Ela precisaria ser mais criativa do que a desculpa de que eu estava sendo “rude”.

Por um tempo, nada aconteceu. Apenas comia silenciosamente e não conseguia olhar para a garota dos cabelos violeta sem fazer nenhum movimento brusco, então apenas olhava para a arena vazia da minha frente. Ainda estava receoso que ela fizesse algo que eu não pudesse ver, mas... não, não fez.

Era tão estranho que eu me sentia desconfortável. Precisava falar alguma coisa.

-Então... onde estão seus amigos?

Começar com uma pergunta neutra era o mínimo que eu poderia fazer. Daria para analisar sua resposta para saber se tinha me metido em uma enrascada ou não.

-E eu vou saber? Na casa deles, presumo.

Bom, aquela não era uma resposta realmente neutra. Ela parecia estar mesmo desinteressada como suas palavras deveriam representar.

-Como assim na casa deles? – perguntei, realmente confuso. – Eles vão tomar falta em Educação Física?

-As aulas de Educação Física são facultativas. Não sabe disso?

-Facultativas?

Sabia o que a palavra significa, perguntava mais por não saber daquilo. Então, você não precisava vir as aulas de Educação Física se não quisesse?

-É. Você não precisa vir pra aula, se não quiser. – repetiu meus pensamentos, como se tivesse os lido.

-Oh.

Não tinha lido em nenhum lugar que tais aulas eram realmente opcionais e, por um tempo, duvidei se falava a verdade. Ao mesmo tempo, não tinha razão alguma para mentir.

-Então... por que você não vai pra casa?

Não era minha intenção ser rude ou algo do tipo, então fiz a pergunta olhando para Akemi para demonstrar isso melhor. Sua expressão não era nada além de neutra e não parece ter ficado ofendida.

-Eu gosto de Educação Física.

-Você diz que gosta, mas ainda tá vestindo o paletó. – bebi um gole do meu suco, ainda olhando para ela.

-Eu também gosto do paletó. Na aula eu deixo ele em algum canto e pronto.

Por um momento apenas a observei. Voltava a mexer no seu celular e o silêncio me permitiu ouvir um pouco da música que estava escutando. Não consegui identificar nada pelo ritmo, porém, mas parecia ser alguma música eletrônica pelas “batidas”.

Voltei a comer meu almoço e, logo após começar a mastigar, um questionamento veio à mente.

-Você não vai almoçar?

-Daqui a pouco. Não tô com muita fome.

Logo depois de perguntar eu pensei que aquilo parecia uma terrível desculpa para ficar sozinho novamente. Pensei até em dizer “desculpe” ou parecido, mas era de Akemi que estávamos falando aqui. Ainda tinha receio que ela quisesse que eu ficasse lá por alguma razão. Uma razão que não acabasse tendo um final bom para mim.

Apesar de tudo, aquela conversa embaraçosa era exatamente o que eu não esperava. Era como se ela esperasse que eu iniciasse uma conversa, mas sua personalidade não parecia ser como a de Nara. Duvido muito que ela fosse alguém que não puxasse assunto. O primeiro dia que o diga, convenhamos.

Tal pensamento se confirmou logo em seguida.

-Então, onde está a sua namorada?

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