Em qualquer lugar que você ia estavam falando nele, redes sociais, na padaria, no restaurante, no shopping… Desde que Leandro conseguiu subir o primeiro vídeo do Anjo Noturno lutando contra seu último super-vilão, a popularidade do super-herói estava subindo a cada nova publicação. Também o dinheiro ganho com qualquer vídeo monetizado, afinal, ser um super-herói não garantia a Miguel um salário.
Todo mundo gostaria de ver o herói em ação ao vivo, falar com ele e tirar fotos. Em alguns momentos, após impedir algum tipo de crime de acontecer, o Anjo Noturno era parado por um grupo de pessoas, geralmente adolescente pedindo para tirar selfie com ele. Atencioso, Miguel aceitava tirar algumas fotos, mas logo o dever o chamava novamente e ele tinha que sair voando para continuar com seu dia de herói.
Desde a batalha com o Combustor, os policiais de Porto Alegre estavam tranquilos com a presença de um vigilante como o nosso jovem protagonista, apesar de ele aparentar ser muito jovem, a força policial se mantinha sempre com uma confiança moderada porque sabiam que era comum, em qualquer parte do mundo, um super-herói se voltar contra a sociedade (não seria a primeira vez e nem a última se isso acontecesse). Principalmente quando começava suas atividades jovem como o nosso Anjo Noturno começou.
Seus dias se resumiam em impedir assaltos a mão armada, roubos em lojas ou bancos, já tinha um tempo desde que batalhou contra Combustor e nenhum outro vilão com superpoderes havia aparecido. Esse era um tema que deixava o trio de amigos pensativos, sabiam que se a energia do cristal que deu a Miguel os poderes de Anjo Noturno havia afetado duas pessoas, a possibilidade de ter acontecido com outras era grande, mas talvez ainda ninguém que foi afetado estava usando essas habilidades para o crime. Se estavam, estavam fazendo isso da forma mais discreta possível.
…
O drone de Leandro passou por cima da loja em que o Anjo Noturno havia acabado de pousar. Pelo comunicador, conversando Miguel, o jovem nipo-brasileiro reclamava que não sabia se conseguiria gravar uma boa batalha contra os ladrões , pois estavam dentro do prédio com os funcionários e clientes feitos de reféns.
— Não exagera, cara! Lembra que ainda faço isso para ajudar as pessoas, né? — disse Miguel através do comunicador.
Era um prédio não muito grande, por tal motivo existia a preocupação de Leandro de não conseguir gravar tudo que aconteceria. Por sorte, a loja tinha grandes vitrines em três paredes, na frente, direita e esquerda. Se tratava de uma boutique pequena de bairro e havia uma placa dizendo que ali os clientes poderiam encontrar peças exclusivas. Miguel deduziu que, por causa dessa exclusividade, eles deveriam fazer tanto dinheiro que chamou a atenção de alguém.
Quando o Anjo Noturno passou pela porta da frente da loja, chamou a atenção dos ladrões que rapidamente apontaram suas pistolas para o mesmo.
— Pistolas? Não devem ser criminosos de verdade e se são, devem ser de primeira viagem. — pensou o super-herói analisando a situação.
Haviam quatro mulheres deitadas no chão com suas mãos sobre suas cabeças. Duas delas usavam roupas iguais, muito iguais, eram funcionárias da loja. As outras duas usavam roupas de marca, podia perceber porque a qualidade do tecido era inconfundível. Havia um homem atrás do balcão de atendimento que também se tratava de um funcionário da boutique, em comum, essas pessoas tinham, além das mãos sobre suas cabeças, o medo estampando em seus rostos, lágrimas secas na pele denunciando que alguns segundos atrás estavam chorando.
Eram, ao todo, três criminosos vestindo roupas negras que cobriam todo seu corpo e máscaras que deixavam apenas os olhos à mostra.
— É o seguinte, gurizada… — começou o herói adolescente, suas asas negras estavam escondidas. Não precisaria delas naquele momento. — Roubar não é legal e estou vendo que vocês estão usando pistolas invés de armas que ladrões de verdade usariam.
— Cala a boca! — gritou uma voz grossa. — Não recebemos ordens de uma criança!
— Criança? — Anjo Noturno cruzou seus braços. — Eu não vou responder isso… Vamos parar com isso, eu não tô com vontade de ter que brigar hoje não, amigão. Então, tu vai me entregar sua arma e os seus colegas também? Entendido, tchê?
— A gente já mandou você ficar quieto, guri! — disse o segundo criminoso apontando sua arma para o Anjo Noturno. Miguel sabia o que viria, então, já se preparou.
Os ladrões não podiam perceber, mas uma fina camada de energia criou uma “casca protetora” ao redor do corpo do herói. Era a mesma energia roxa que alimentava os poderes do Anjo Noturno, porém a camada de energia era tão fina que ficava transparente a olhos nus.
— Vou dar um jeito nesse piá! — disse o segundo criminoso mais uma vez com sua pistola ainda apontando para o Anjo Noturno e quando, finalmente, disparou as balas, os projeteis viraram poeiras ao entrarem em contato com a casca fina de energia.
— Ah… Tchê… — disse o adolescente coçando sua cabeça. — Sempre acontece isso, vocês não assistem meus vídeos no YouTube? — fez a última pergunta em um tom irônico.
A energia roxa se expandiu, ganhou forma e uma forte cor que ao mesmo tempo ainda deixava ver o corpo do jovem rapaz gaúcho. A energia se dividiu em uma espécie de três fitas, enrolando o corpo dos ladrões e os jogando para fora da loja. Abriu suas asas e deixou o prédio planando ao redor dos três fora da lei que estavam jogados no chão. Suas pistolas ficaram dentro da loja, pois caíram quando os mesmos foram agarrados pela fita de energia roxa.
— Eu juro que tento não ser agressivo quando a situação não pede que eu seja. — começou a falar o super-herói enquanto pousava no chão, suas asas sumiram como pó brilhoso e púrpura. — Porém, todos vocês, sem exceções, se esquecem que eu posso me proteger de balas com um escudo bem eficaz e agora transparente.
Enquanto Miguel falava, o terceiro criminoso que estava queimando de raiva levantou e partiu para cima dele, a primeira vista o herói quase foi pego porque havia sido muito de repente. Porém, logo levou seu pé até a barriga do mesmo, acertando um belo chute e o fazendo cai para trás.
— Também se esquecem que a minha força não é força de um adolescente comum. — sorriu e ergueu uma de suas mãos para o alto. As energias em formato de fita saíram novamente, agora prendendo os três como se fosse uma corda. — A polícia deve chegar daqui a pouco. Parabéns, vocês foram os mais fáceis de se enfrentar nessa semana.
As asas surgiram novamente, então, sem pensar mais o Anjo Noturno levantou voo ganhando os céus de Porto Alegre. As pessoas que passavam na rua e acabaram acompanhando aquela rápida operação do nosso protagonista começaram a tirar foto dos ladrões, alguns tentaram pegar um belo registro do adolescente enquanto ele ia para cima. O drone de Leandro também saiu dali após tirar algumas fotos dos oponentes.
Enquanto Miguel sobrevoava a cidade, Leandro falava com ele através do comunicador.
— Essa luta foi muito fraca, ela vai ter que entrar no vídeo de melhores da semana. — reclamava o nipo-brasileiro.
Miguel apenas riu e depois de um tempo, quando o outro não disse mais nada, resolveu falar:
— Mas todos gostam desses vídeos de compilados.
— Eu sei, mas os de batalha solo tem mais propaganda por minutagem. — argumentou o outro.
— Tudo bem. Vamos torcer para que de noite apareçam mais coisas demoradas para eu fazer. Estou voltando para aí.
— Estamos te esperando. — disse Leandro encerrando a ligação.
Para que o QG do Anjo Noturno ficasse mais escondido, Leandro, com a ajuda do seu pai que mais uma vez não sabia para que era o dinheiro (ou apenas fingia não saber) escondeu o galpão abandonado com um muro e um sistema de rede elétrica. Entretanto, por dentro continuava com a simplicidade que sempre foi, mas Leandro tinha planos para modernizar o interior também.
Miguel tirou a máscara e a parte de cima do seu uniforme puxando a mesma um pouco para baixo, com o peitoral livre e pelado, ele se deitou no sofá do QG. Fechou seus olhos e suspirou profundamente, cansado.
— Você deveria pensar em um uniforme para o verão. — disse Daniela o observando, ela se encontrava de braços cruzados e em pé, em frente ao sofá. Sobrancelha arqueada levemente enquanto olhava para o amigo.
— Um uniforme para o verão? Como seria isso? — perguntou Miguel de forma curiosa, mas ainda com seus olhos fechados.
— Com uma manga curta ou sem manga. Um uniforme mais aberto, entende? Mais arejado. — explicou a garota preta.
— Eu posso dar um jeito nisso. — disse Leandro ao se aproximar com seus braços atrás de suas costas. — Eu até tive algumas ideias esses dias sobre novos uniformes para o Anjo Noturno, dessa ideia de verão. Querem ver?
— Claro, mostra. — disse Daniela.
Miguel, não disse nada, apenas se colocou sentado no sofá e coçou seus olhos, era visivelmente notável que ele estava cansado, mas iria se esforçar para poder ver os desenhos que o amigo fez com ideias para o seu novo uniforme.
Leandro trouxe um total de cinco croquis, mas, apenas, um chamou a atenção de Daniela e Miguel. Era igual ao uniforme atual, nas mesmas cores e com a mesma máscara só que se tratava de uma versão dele sem as mangas, com a parte das calças indo até mais ou menos perto dos joelhos. Tinham luvas pretas e botas da mesma cor.
— Apesar desse ser uma versão bem para uma festa a fantasia adulta do meu uniforme, eu gostei mais desse.. — disse Miguel analisando o desenho.
— É, além de parecer ser mais fácil de fazer, como o Miguel mesmo disse, é igual a esse uniforme original — apontou para o que o amigo vestia. — Não vai causar estranhamento nas pessoas…
— Ótimo. Vou começar a fazer ele o mais rápido possível. — sorriu o nipo-brasileiro.
— Valeu gente, mas eu vou tirar esse uniforme e ir para minha casa. Descansar um pouco, estamos em férias de verão da escola, mas, infelizmente, do Anjo Noturno eu não posso tirar férias. — sorriu Miguel em um tom brincalhão.
— Vai descansar. Vou para minha casa também. — disse Daniela.
— Eu vou daqui a pouco, fechar tudo aqui primeiro. — disse Leandro.
Quando ficou sozinho no QG, Leandro separou seu material para começar a idealizar a forma física do novo uniforme do Anjo Noturno. Depois foi para frente do computador dali, começou a editar o vídeo que já estava trabalhando antes e quando terminou de fazer, o subiu para o canal do super-herói adolescente no YouTube. Sempre com a mesma mensagem:
Se inscreva no canal.
CONTINUA…
NO PRÓXIMO CAPÍTULO…
CONHEÇA O BRUXO!

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