— Você está ficando maluco?! — perguntou Leandro enquanto ficava em pé rapidamente.
O trio de amigos se encontravam no quartel-general. Miguel vestindo roupas civis, uma camisa de manga curta com a estampa com a imagem do jovem vingador Wiccano, um calção jeans e um tênis com cinzas, estava sentado no sofá ao lado de Daniela que vestia um simples vestido amarelo.
— Por que dessa reação? — perguntou Miguel confuso, franzia sua testa formando uma careta.
— Porque você mal o conhece, Miguel… É só um cara que apareceu por aí, com roupa de super-herói também, mas mesmo assim… — explicou Daniela olhando diretamente para o amigo.
— Vocês querem me deixar contar a nossa conversa? — pediu o super herói adolescente, passando a mão em seus cabelos, ajeitando para o lado. — Por favor? Certo?
Leandro e Daniela trocaram olhares, então, o japonês concordou ao se sentar no sofá novamente. Em seguida fez um gesto com sua mão, passando a palma aberta no ar.
— Então… — começou Miguel se ajeitando seu cabelo novamente, inclinando seu corpo para frente novamente, juntando seus dedos e pousando seus cotovelos nas suas coxas. — Ele me disse que está aqui em Porto Alegre porque roubaram um livro poderoso do coven dele e ele quer recuperar. O cara que roubou seu o livro de feitiços e essas coisas… Eu vou ajudar e ele vai me ajudar a pegar aquela dupla de vilões do vento… Sei lá.
— O que você acha? — o garoto nipo-brasileiro perguntou a garota preta.
— Se vocês não forem se encontrar aqui… Eu acho que tá tudo bem. — respondeu a garota.
— Tudo bem, eu marco com ele em um horário e em algum lugar. Talvez no mesmo lugar onde conversamos ontem de noite.
— Perfeito… Isso já acabou, né? Digo, essa conversa porque… — dizia Leandro levantando novamente, então, ele caminha até o outro lado. Daniela e Miguel o segue com os olhos, o garoto retorna segurando o uniforme de verão do Anjo Noturno. — Acabou de ficar pronto, olha só!
Ele mostrava com um grande sorriso estampado em seu rosto a versão mais refrescante do uniforme do seu amigo.
— Leandro… — disse a garota.
— Sim? O que foi?
— Tem certeza de que você não é gay? — perguntou a garota fazendo uma careta, apertando seus lábios e fechando um dos seus olhos, inclinando sua cabeça levemente para o lado.
— O quê? Só por que eu gosto de costurar? — pergunta Leandro.
— Talvez. — disse Daniela.
— Você acha isso, Miguel? — perguntou Leandro deixando o traje do herói de lado. Daniela também olhou para Miguel.
— Bom… — começou a dizer o jovem super-herói um pouco nervoso. — Algumas pessoas podem achar, mas isso não é um problema… Também é um esteriótipo bobo, né? Enfim, obrigado pelo uniforme de verão, Leandro…
— Disponha, estou aqui para te ajudar. — respondeu o japonês sorrindo. — Aliás, já até pensei num modelo para você suar durante o inverno… Com um tecido na região do peitoral e dos braços para aquecer… Também, uma espécie de polainas nas suas coxas para… Também… Aquecer… — sorriu ao terminar de falar.
— Meu Deus, como ele é gay… — Daniela sussurra para Miguel que responde com apenas uma risada curta enquanto escuta o outro amigo continuar falando sobre suas ideias para um uniforme de inverno.
Miguel continuou no quartel-general com seus amigos. Chegou um momento em que eles pediram uma pizza e continuaram conversando por mais algum tempo sobre coisas que não eram relacionadas a parte de ser um super-herói. Eram esses momentos que o adolescente mais gostava, momentos em que se reunia com Daniela e Leandro, um cenário que se tornou raro desde que se tornou o Anjo Noturno. Claro que ele não se arrependia, nunca pensaria dessa forma, entretanto, não podia negar que ter abraçado esse seu lado após ganhar os superpoderes fez com que a parte “normal” da sua vida fosse jogada para segundo plano.
Enquanto comiam a pizza quatro queijos, lombo de porco, frango com catupiri e calabresa, o trio contava um para o outro o que esperavam do novo ano letivo que começaria dentro de algumas semanas. Miguel não estava muito animado para voltar a escola, pois sabia que quando retornasse a sala de aula seus dias voltariam a ficar cheios novamente, em contra partida, Daniela e Leandro estavam animados, apesar do fato de que o dia deles também ficariam cheios. Leandro porque gostava de estudar e Daniela porque sabia que apenas a escola seria capaz de distrair sua mente das preocupações que ser parceira de um super-herói adolescente lhe traziam.
Quando o sol começou a beijar o horizonte, banhando o céu de Porto Alegre com uma pintura dourada e ao mesmo tempo rosada, formando um crepúsculo de final de tarde digno de uma pintura renascentista, Miguel se despediu dos seus amigos para poder se preparar para seu encontro com O Bruxo mais tarde.
— Toma cuidado, cara… — pediu Daniela em uma clara preocupação.
— É. — continuou Leandro. — Se ele tentar fazer alguma coisa para te machucar, se ele te atacar… Joga água nele. Talvez ele derreta. — sorriu ao terminar de falar e fez um joinha.
…
A noite já havia caído a algum tempo. As pessoas estavam na rua para beber em bares, se encontrarem em baladas, restaurantes e etc. O trânsito sempre movimentado como de qualquer outra capital brasileira, a vida continuando com o seu rumo de sempre.
No Morro Santana, mesmo lugar em que os dois heróis se encontraram anteriormente, estava o Anjo Noturno, esperando pelo seu novo amigou ou conhecido ou, então, colega de profissão não remunerada. O garoto ficou em pé esperando por alguns minutos até que O Bruxo finalmente apareceu.
O herói wiccano subiu o morro usando seus poderes de controle do fogo, do seu bastão mágico saíam as chamas que o guiava como se fosse uma ponte. Ele pousou de frente para o outro que se encontrava com seus braços cruzados.
— Demorei? — perguntou O Bruxo.
— Um pouco… — respondeu Anjo Noturno. — Eu conversei com meus parceiros…
— Sua equipe? — perguntou Maurício.
— Sim. Minha equipe. Conversei com eles. — respondeu Miguel.
— Eai?
— Eu realmente não vou te levar para o nosso QG, mas concordamos da gente conversar aqui sobre o nosso plano. — respondeu o Anjo Noturno.
— Tudo bem. Vamos conversar sobre o plano que vamos usar para pegarmos aqueles vilões do vento e também o ladrão que roubou o livro do meu coven. — disse O Bruxo se aproximando do outro garoto, logo sentou no chão.
Anjo Noturno ficou observando e em seguida sentou ao lado de O Bruxo.
— Eu não faço ideia como vamos fazer para pegar a dupla do vento. — começou Miguel fazendo uma careta enquanto dizia, pensando nas frases que usaria. — Mas podemos focar no seu problema e pensar no El Niño e na La Niña depois…
— Você concorda com isso? — perguntou o rapaz místico olhando para o anjo. Seus braços estavam para trás, seu corpo apoiado em suas mãos.
— Sim. — respondeu Miguel concordando com sua cabeça.
Primeiramente, Maurício suspirou profundamente antes de começar a falar.
— No meu coven estão realizando um feitiço de localização. Então, eu acho que logo vamos ficar sabendo onde esse rapaz está. — O Bruxo começou a falar. — Quando o encontrarmos, vamos precisar encontrar uma maneira de não deixar ele usar os feitiços daquele livro. Agir rápido para ele não conjurar nada, atacar e o imobilizar.
— Entendi. — disse Anjo Noturno.
— Alguma pergunta?
— Como é fazer parte de um coven?
Maurício ficou em silêncio ao escutar aquela pergunta, pensava que o outro questionaria sobre o plano e não sobre a sua vida, mas O Bruxo entendia a curiosidade do seu colega.
— É como fazer parte de uma família diferente. É diferente, como eu já disse… Mas é muito bom ao mesmo tempo. Todo mundo se ajuda no que pode, aprendemos juntos a controlar nossa magia.
Enquanto ouvia, Miguel tentava imaginar aquelas coisas. Sorri ao perceber que o outro também sorria ao contar. Então, quando O Bruxo terminou de falar, se ajeitou no chão em uma maneira de poder olhar nos olhos do rapaz wiccano.
— Qualquer um pode ser bruxo ou uma bruxa? — questionou Miguel com um tom genuíno de curiosidade em sua voz.
— Depende… Qualquer um também não. — Maurício começou a responder. — Para você ser um bruxo, alguém que lida com a natureza, precisa ter uma sensibilidade e uma conexão com a natureza. Esse é o meu caso e o caso dos meus irmãos e irmãs de coven.
— Bruxo… Feiticeiro… Magos, existe uma diferente?
— Sim. Bruxo, como eu… Possuem essa conexão especial com a natureza. Um feiticeiro, ele possuí um controle sob a energia que envolve o nosso mundo, o nosso universo… Consegue conjurar feitiços que, basicamente, podem criar coisas do zero ou mudar situações. Magos é um feiticeiro mais poderoso. — explicou O Bruxo.
Anjo Noturno havia prestado atenção em tudo, estava achando aquele assunto interessante. Gostou de aprender mais sobre aquele assunto.
— Então… Um feiticeiro roubou o livro do seu coven?
— Sim. — respondeu O Bruxo. — Provavelmente um feiticeiro em andamento.
— Que loucura… — disse Miguel depois de processar tudo que ficou sabendo naquele momento.
Os dois ficaram em silêncio.
O silêncio continuou…
O silêncio seguiu por mais algum tempo…
— E você? — perguntou Maurício. — Como conseguiu os seus superpoderes?
— Uma pedra roxa.
— Uma pedra roxa? — perguntou Maurício novamente arqueando uma de suas sobrancelhas.
— Sim. — respondeu Miguel rindo. — Uma pedra roxa que entrei em contato durante uma chuva de meteoros… Meus poderes vieram do espaço.
— Mas você sabe de onde?
— Não… — o Anjo Noturno respondeu negando com sua cabeça. — Não sei.
— E não tem curiosidade para descobrir? — perguntou O Bruxo.
Anjo Noturno deu de ombros, sorrindo apertando seus lábios. Respondeu:
— Não. Alguma coisa me diz que essa resposta vai chegar até mim em qualquer momento. É uma sensação que eu tenho, só preciso esperar…
— Uma sensação… — disse O Bruxo com um sussurro. Em seguida ele sorriu de canto, um pouco torto e deu uma risada amigável. — Interessante. Maneiro na verdade.
Os dois riram juntos.
— Quer me acompanhar na minha ronda noturna pela cidade? — o Anjo Noturno perguntou ao Bruxo.
O jovem bruxo olhou rapidamente para o outro super-herói. Não esperava por aquela pergunta, mas gostou de ter sido incluído naquela ideia.
— Claro! — respondeu O Bruxo demonstrando uma grande animação.
CONTINUA…
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO…
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COOPERAÇÃO: O ASSALTO!

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