Após da declaração de Dominique, Caio ficou confuso sobre o que fazer, ele só conseguia pensar que acabaria perdendo seu melhor amigo atualmente, por causa disso... No começo ele meio que improvisou um plano, “ignorar um pouco o assunto, pensar e, depois, comunicação”, porém quando Dominique abordou ele depois da aula, um pânico passou por sua cabeça, ele não conseguiu raciocinar e só se lembrava dela. Quando isso aconteceu, tudo foi por água abaixo bem rápido, ele estragou tudo e falou besteiras não coerentes.
Agora toda vez que ele tenta criar coragem falha e, no final das contas, ele acabou faltando algumas aulas para evitar o Dominique. Pensar em manter a amizade mais tempo o assustava, parecia que só iria prolongar uma dor desnecessária. Racionalmente ele queria conversar e resolver tudo, falar do que passou, originalmente ele não tinha planos de se aproximar de ninguém, Dominique caiu de paraquedas e agora ele se sente encurralado.
Praticamente trancado no seu quarto, faltando aulas, Caio teve muito tempo para pensar, mas isso, para ele não é uma boa coisa. Em alguns momentos ele só conseguia pensar em como era raro fazer amigos, mas em como ele se sentia bem com Dominique e como ele queria continuar com aquilo pelo tempo que fosse. Mesmo assim ele também recordava seus amigos que o trocaram como se não fosse nada, fazendo o sentir sem esperança de que pessoas apaixonadas pudessem valorizar alguma coisa que não seja esse sentimento romântico que os cercam. Principalmente a sua última “amiga”, sinceramente, ele pensava que aquela foi de longe a pior relação da vida dele.
E justo hoje, um belo sábado, que ele deveria estar visitando seu amigo, agora estava enterrado na cama se lamentando e se perguntando se um banho ajudaria. Então mais uma vez começou seu monologo auto reflexivo, que em geral não levava a lugar algum.
– Porque você tinha que se declarar? – Disse triste no seu quarto jogando seu travesseiro longe e bufando frustrado. – Idiota, agora você vai fingir que tá tudo bem sermos amigos, mas na verdade só vai pensar em me conquistar e quando perceber que você não vai conseguir, você simplesmente vai embora também. – Começou a choramingar enquanto pensava nisso. Não era mais uma tristeza realmente, estava mais como uma irritação misturado com frustração.
Ele ficou lá, meio triste meio bravo durante alguns minutos, depois de um tempo parou de choramingar e ficou só questionando o que estava fazendo, ele sentia que deveria falar logo com o Dominique e resolver isso como adultos e isso o fez pensar que talvez daria certo. Quando começou a se sentir um pouco melhor, ele entrou em espiral e acabou reiniciando seu monólogo reflexivo, com uma pitada de drama.
– Não posso passar por isso de novo, prefiro acabar logo com isso antes que a situação fique pior do que está. – Disse Caio, meio que tentando se convencer de que aquilo era o melhor para se proteger. – Eu deveria arrumar amigos aros também, seria incrivelmente mais fácil de lidar. Porém onde caralhos que eu vou achar alguém assim aqui? – Se questionou em uma fala reflexiva, enquanto pensava que deveria parar com isso e falar com ele.
Caio ficou em seu quarto refletindo sobre isso durante bastante tempo, até que a fome bateu e ele decidiu preparar alguma coisa para comer, mas, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, sua irmã mandou mensagem convidando ele para comer com ela, pois ela tinha algumas novidades e queria conversar. Após refletir um pouco ele respondeu concordando, então foi tomar um banho e se arrumar para sair. Ele sentiu que esse convite veio a calhar, pois agora terá uma conselheira particular para o seu problema incrivelmente obvio. Seus pensamentos foram “Na certa, ela vai me chamar de burro e dizer para falar com ele, talvez ela me convença, espero.”.
Em poucos minutos ele já estava em restaurante, o que ele achava estranho a escolha do local vindo da sua irmã, mas não pretendia reclamar, já que gostava da comida do lugar. Os dois realmente em um jantar, deixou um gosto engraçado na boca, já que eles são mais do tipo companheiros de bar. Agora estão sentados um de frente para o outro, a cara de Caio um pouco melhor, mas ainda não se sentindo tão bem.
– O que tá acontecendo mana? – Perguntou Caio desconfiado desse chamado repentino para um restaurante, normalmente eles iram beber e não comer, mesmo assim ela ainda pediu cerveja, então ele não tinha do que reclamar.
– Uai! Não posso mais chamar meu irmãozinho querido pra jantar por acaso? – Ela rebate o comentário dele fazendo uma cara de inocente com um sorrisinho bobo no final, o que só o deixa mais curioso. Ele até pensa que essa é uma boa distração, mas isso o faz perceber que ele lembrou de novo do Dominique a declaração.
– Tá bom, sei. Você quer alguma coisa e considerando minha atual situação, essa coisa é informação. O que quer saber? – Caio foi direto ao ponto, ele geralmente gostava de sair para conversar, mas hoje estava particularmente sensível e preferia o assunto principal primeiro e papo furado depois.
– Eu sei que tu gosta de fofocar comigo, então aquieta o facho. – Disse ela animada. – Eu tô aqui pra passar informações também, na realidade, esse é o objetivo. Então... – Disse ela ficando em silêncio durante alguns minutos como se fosse revelar um grande segredo a qualquer segundo. Até que Caio perde a paciência e interrompe esse silêncio exageradamente prolongado.
– Chega, você tá enrolando muito, já faz cinco minutos que disse “então”. Conclua esse troço de uma vez. – Caio se estressou com aquilo, enquanto isso ela começou a rir, o que o deixou confuso. – O que é tão engraçado? – Perguntou ele não entendendo a situação, mas a próxima fala dela o fez fazer uma careta de desaprovação.
– Estava esperando pra ver quanto tempo tu ia aguentar, mas nunca pensei que fosse me encarar cinco minutos aguardando uma fala. – Disse ela caindo na gargalhada até engasgar e precisar tomar um pouco de água, enquanto isso ele fez uma expressão de decepção enquanto balançava a cabeça olhando para baixo. – Ai ai. Estou melhor. Voltando ao assunto. Eu... estou... finalmente... namorando. – Disse a frase pausadamente para dar ênfase.
– Que tópico ruim pra escolher hoje. – Cochichou Caio triste por lembrar de Dominique mais uma vez, baixo demais para ela escutar. – Quer dizer, meus parabéns, quem a garota de sorte? – Ele pergunta em um tom provocativo.
– Como diabos você sabia que era uma garota? Eu nem dei dicas. – Perguntou confusa, então Caio deu uma risada, que só aumentou sua confusão. – Agora é a minha vez de perguntar, qual é a graça?
– Eu não sabia, perguntei da garota sortuda, pois acho que é você, já que namorar com você deve ser um sufoco. – Disse Caio rindo ainda mais da cara da irmã.
– Palhaçada isso em, perdeu o respeito por sua irmã é? – Questionou ela de uma forma séria com uma carranca falsa.
– Tá bom, desculpa. – Disse ele segurando o riso cobrindo a boca com a mão. – Mas só tem um probleminha nisso aí. Que respeito é esse que eu nunca vi? – Caio caçoou novamente de sua irmã soltando uma breve risada e ficando sério em seguida.
– Faz graça mesmo palhaço, pois se um dia você namorar, ou melhor, se um dia alguém aceitar namorar você, eu vou acabar com você no mesmo nível. – Disse ela provocando, mas Caio fez uma cara triste e desviou o olhar para o chão. Isso a deixou confusa novamente. – O que aconteceu? – Questionou preocupada, normalmente piadas de relacionamentos eram bem levado por ele, mesmo depois do que houve.
– Dominique me pediu em namoro semana passada. – Disse Caio com uma voz triste e baixa. – E agora não sei... – Ele não conseguiu terminar a fala, sem nem mesmo ter certeza se sabe o que ia dizer.
– Eu vou te bater se você fez o que eu tô pensando. – Então Caio fez uma expressão culpada e ela soltou um suspiro irritado. – Seu moleque, tu tem que dar uma chance pra ele, nem todo mundo é aquela... coisa que foi a Eleonora. – Disse ela parecendo estar realmente estressada, mas ao mesmo tempo preocupada.
– Mas, e se... – Começou Caio, mas logo se interrompeu quando viu o olhar firme da irmã.
– "Mas e se" uma ova, Caio. Você não pode fazer isso, aposto que nem deu uma chance pra ele, já julgou e condenou ele, tenho certeza. Aquela garota foi uma babaca, mas não é por isso que você e o Dominique vão passar por aquilo. – Falou irritada, mas agora Caio percebeu que essa raiva estava direcionada a Eleonora. – Ele é seu amigo, e eu já sei que ele é gente boa, pelo menos fala com ele antes de terminar isso assim. PS: isso não é um pedido, é uma ordem.
– Sua chata. – Disse ele sem entusiasmo, mas feliz por ela ter sido previsível sobre isso. – Prometo conversar com ele, mas provavelmente ele nem vai querer ver minha cara, do jeito que eu falei com ele a última vez e tenho ignorado ele desde então. – Falou mais cabisbaixo que antes.
– Pode deixar isso comigo, sua irmã mais velha cuida disso ou eu não me chamo Paula. – Disse ela toda confiante. – A última vez que conversamos foi legal, ele certamente não vai me ignorar, e, na realidade, acho que nem ignoraria você, mas vou falar com ele antes. – Ela parecia estar pensando em algo quando disse isso, porém não deixou muito transparecer.
Depois dessa acalorada discussão entre os dois, Paula falou mais sobre sua namorada e disse que dá próxima vez iria apresenta-la para ele. Contou que os dois tinham uns gostos estranhos em comum e iriam se dar bem provavelmente, mas não revelou muito mais sobre isso. Então depois daquilo Caio começou a se sentir melhor e decidiu voltar para faculdade na próxima segunda, pois já era sábado à noite e ele perdeu a maior parte das aulas dessa semana.

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