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Quase 4°

O nome disso é desespero - Parte I

O nome disso é desespero - Parte I

Mar 14, 2022

Eu comecei a chorar ainda mais ao lembrar que eu tinha exames médicos na semana seguinte; um de meus chefes tinha me pedido para fazer uma entrega até o final de semana; August tinha uma participação num programa que iria ao ar na sexta-feira; sem contar que minha incapacidade de fazer raps poderia colocar a popularidade do verdadeiro August em risco; além de que ele deveria estar numa situação muito pior! Afinal, ao menos eu conhecia a cara dos meus ídolos e conseguia me comunicar com dois deles. August poderia estar num ambiente totalmente estranho, numa situação que não entendia, sem possibilidade de comunicação e assim que amanhecesse no Brasil, ele começaria ouvir gritos, o que o deixaria ainda mais confuso.

O que fazer?

Como fã eu sempre desejei estar presente para banda, mas jamais quis isso! Se fosse pra trocar de lugar com alguém, que fosse com uma possível namorada secreta deles ou com a Beyoncé! Por que um homem? Isso parecia até um remake de péssima qualidade de Se Eu Fosse Você!

Enquanto esperávamos alguma coisa - alguém - me foi oferecido um copo de água com açúcar. K me olhou com estranheza, como se eu tivesse feito algo de muito errado. Sei que sou um monstro, mas porque ele era o único? O meu reflexo na janela respondeu: August é destro.

Rapidamente troquei o copo de mão, fazendo uma nota mental para voltar a usar o braço direito. Voltar a fingir ser destra não deve ser um problema.

“Inferno! O que vou fazer se tiver que encontrar a família dele? Eu só aguento a minha por causa das músicas do MoonLight e meus livros - e mesmo assim não faço um bom trabalho! As famílias coreanas são bem mais rígidas, né? Meu santo Deus, como vou me controlar na frente deles?” comecei a pensar enquanto os meninos discutiam entre si e Min ligava para alguém “Quero dizer, quantas ofensas à cultura coreana eu já cometi desde que cheguei?” Este tipo de pensamento me manteve chorando até Hop chegar com um homem de terno.

Eles conversaram com os membros da banda que estavam ali antes, me ignorando completamente. Se eu não me engano, Hop sabia portunhol, então acho que poderíamos tentar conversar, mas eu não faço ideia de quem seria o outro cara, então não seria muito sábio de minha parte tentar conversar. Hop é o mais lindo membro do MoonLight, na minha opinião,  por isso não queria que ele me visse chorando - mesmo que não fosse meu corpo.

-Quién é? - perguntou Hop. Eu consegui deixar a pessoa mais feliz da minha vida preocupada. Mas que bosta!

-Mi nombre es Amanda. Soy su gran fan.- mesmo que fosse para a cadeia, o dia de hoje seria algo que eu nunca me esqueceria - ¡Pero esto no es importante! ¡Yo tengo una vida de mierda, llena de desencadenantes para August!

- Desencadenantes?

Como diabos eu explicaria uma palavra em espanhol para alguém que não tinha uma língua latina ou o inglês como língua fluente? Morri de vontade de entrar em contato com Gab para perguntar como me expressar em coreano!

-Gatilhos. - tentei em português, mas a expressão dele ainda era confusa, então simplesmente continuei em espanhol: - Vivo con mi padres que non son tan estrictos, pero gritan quase todos os días… - não era o suficiente. Eu não conhecia as palavras que precisava para me expressar e dar urgência - ¡Además, ninguno en mi casa habla otra lengua además de portugués! ¡August va a estar en gran dificultad!

-But you speak english and spanish. - interveio o homem de terno.

-Yeah. I do have cousins that speak english, but when I left it was late at night and just my parents were at home.

-Como podemos acreditar em você? - quis saber o Homem de Terno.

Foi só então que percebi que não o conhecia. Será que ele era o agente da banda? Nah, não parecia. Já vi algumas fotos dele no fandom, mas não pareciam com este cara.

-Quem é você? - o homem piscou várias vezes - Ah, esquece! August sabia falar inglês ou espanhol? Posso falar português fluente também. Segundo as entrevistas, August não é bom em exatas, mas eu sou! Quase me formei em engenharia! - ninguém precisava saber que desisti do curso - Não sei fazer flow, também não sei nada que não tenha sido divulgado pela mídia. Ou seja, não sei nem o nome dos familiares e amigos dele!

O Homem de Terno abriu a boca pra falar, mas algo me ocorreu e eu não consegui esperar:

-Além do mais, por que alguém inventaria isso? Até onde eu sei, MoonLight tá fazendo o maior sucesso, então não faz sentido ele bancar o doido agora. Além do mais, eu já devo ter quebrado um milhão de regras da cultura coreana, vocês realmente acham isso normal?

-O que aconteceu?

-Eu tava fazendo uma pesquisa prum trabalho, quando recebi uma notificação de que Fly High ia lançar. Eu tava no meio da pesquisa, escutando a música pela terceira vez, quando minha cabeça começou a doer e senti a garganta seca. - contei me lembrando de cada detalhe. Se levar em conta toda história de ficção que já vi ou li na vida, é provável que alguns dos símbolos e rituais que estava pesquisando causaram essa bagunça, mas isso era apenas uma teoria. E mesmo que não fosse, seria estúpido falar algo tão importante agora - Eu me levantei para pegar um pouco de água e tomar remédio e quando dei por mim eu estava aqui. Min estava me ajudando a ficar de pé, Park estava falando alguma coisa e Han estava me trazendo água.

-O que eles estavam falando, é melhor perguntar pra eles. Mas eu demorei um pouco pra reconhecê-los. Quando vi meu reflexo eu entrei em pânico e chamei perguntei pelo K e MC, porque eram os únicos que eu consegui lembrar que falavam inglês.

MC e K falavam com os demais membros da banda, provavelmente estavam traduzindo o diálogo. Park falou alguma coisa e MC me perguntou:

-August está bem?

-Não sei. - lágrimas tornaram a encher meus olhos.

Han disse algo e todos ficaram em silêncio. Estava curiosa, mas não me sentia no direito de perguntar o que era. Depois de quase um minuto, K falou o que talvez fosse a tradução:

-August sentiu sintomas parecidos. - o nó na minha garganta se apertou.

-E agora? - não sabia se estava falando em inglês ou espanhol ou se meu cérebro tinha desistido e voltado para o português - O que vai acontecer com August?

O Homem de Terno respondeu, enquanto todos se olhavam.

-Você tem certeza que August está no seu corpo?

-Eu não tenho certeza de nada, moço! Mas se eu acordar daqui a pouco, no chão de casa, com dificuldade de respirar, eu vou me sentir muito aliviada e provavelmente vou parar de misturar energeticos.

-Dificuldade de respirar? - perguntou MC, enquanto K parecia traduzir.

-Não é que eu tenha problemas respiratórios, mas eu tava tossindo tanto que minha garganta deve ter machucado.

-Me acompanhe. - disse o Homem de Terno, indo em direção da porta. Por eu ser a única que não falava coreano e como ele fez questão de falar em inglês, me pareceu lógico que ele estivesse falando comigo. Por isso eu o segui. Mas fiquei surpresa que todos fizeram o mesmo também.

O Homem do Terno nos guiou para uma van preta, onde eu sentei na janela e tentei absorver cada detalhe da cidade por onde passávamos. A arquitetura que buscava utilizar cada espaço; os letreiros que eu não soube reconhecer - exceto pelos de marcas famosas mundialmente; as pessoas focadas em seus mundinhos; a falta de árvores… tudo. Provavelmente estava me comportando como uma turista estereotipada, mas valia qualquer coisa para me distrair do reflexo da janela.

A van parou no estacionamento subsolo de um prédio de 15 andares (mas não tinha o quarto andar no painel do elevador), com o Homem de Terno apertando o botão do décimo quinto. Todos trocavam palavras em coreano, fazendo com que eu me sentisse verdadeiramente excluída e indesejada. E o reflexo do elevador me fez lembrar o porquê.

No décimo quinto andar, fomos direto para uma sala com paredes de vidro, onde o Homem de Terno esperou do lado de fora até receber um aceno de mão do homem lá dentro. Esse homem me parecia familiar, mas não o suficiente para que sinos tocassem em minha cabeça. Como todos ali pareciam conhecê-lo, eu me perguntei se talvez fosse um resquício de August que havia reconhecido o homem. Mas se fosse isso, por que eu não conseguia entender o que era falado?

-Quem ser você? - perguntou o homem por fim. Tive que me conter muito para não rir do sotaque dele.

-Meu nome é Amanda e eu sou uma fã do MoonLight. Eu tenho 21 anos, sou brasileira e vivo com os meus pais.

-Você tem ideia do que acontecer?

-...Não. Mas se isso for real, talvez tenha algo haver com o que estava pesquisando, antes de vir parar no corpo do August.

O Homem de Terno disse algo para os meninos.

-O que pesquisar? - okay, este era o ponto. Mentir ou não? Se existia algo que havia aprendido na faculdade é que esconder informação atrapalhava o trabalho em equipe, mas um grupo de pessoas com interesse em comum não necessariamente era uma equipe.

-Eu sou uma desenvolvedora de jogos, estava pesquisando referências para um RPG que me chamaram para desenvolver.

-E você acha que isso está relacionado?

-Se não for isso, eu não sei o que pode ser.

-Você ter forma de entrar em contato com August?

-Yeah. - minha vontade foi de responder “dhu”, mas o homem me intimidava, mesmo com seu sotaque e inglês errado. - Não sei o que pode ajudar, mas podemos tentar entrar em contato por e-mail, Whatsapp, Discord, ligar… se quiser posso até passar o endereço da minha casa. Mas temos que tirar o August de lá o mais rápido possível.

-Por causa da sua família…

-Não exatamente. Se ele tentar, August pode ficar trancado no quarto por alguns dias. Mas eu gosto de terror e o meu quarto tem várias decorações do estilo… - nunca lamentei tanto comprar uma luminária no formato de balão vermelho na minha vida (nem o susto da fatura do cartão naquele mês me fez lamentar tanto!) - A menos que o fato de August não gostar de terror seja uma mentira, ele não vai se sentir muito confortável lá. Sem contar que, pelos meus cálculos, ele deve começar a passar mal logo.

-Passar mal?! - K parecia realmente preocupado. Que fofo! Sempre achei que eles deviam ser muito amigos na vida real para poderem ter a química que tinham nos palcos, mas me pergunto se eu teria algum amigo que se preocuparia assim comigo, vendo que o meu corpo estava bem.

-Cólica. - disse com um meio sorriso. Foi engraçado ver os que me entendiam constrangidos. Desta vez não traduziram o que eu disse. Sei de cor e salteado que não deveria falar disso aqui, mas isso ajudaria a provar que não estou mentindo - Meu ciclo está para chegar, se ele não tomar remédio na veia pode ser que ele não consiga lidar com a dor. - tá aí, um lado bom (pra mim) dessa troca: sem cólica. Isto é, se continuarmos trocados por alguns dias.

-Você está exagerando?

-Eu já desmaiei algumas vezes por causa disso. Mas eu não sei como ele lidaria com a situação. Meu Deus! Ele sequer sabe usar um absorvente? -  okay, agora eu estou em pânico. August não só vai ficar numa família disfuncional, ele vai me ver pelada e vai menstruar!!! - Precisamos trocar de volta! Rápido! - envergonhados, os homens que me entenderam afirmaram com a cabeça.

O dono da sala de vidro começou a falar em coreano e as pessoas a quem ele se dirigia respondiam. Mas esquece isso, nenhum filme de troca de corpos chegou a mostrar o horror que era trocar de corpo. Por quê? Por que normalmente as mulheres neste tipo de trama não parecem ser capazes de menstruar e quando acontece algo como mudança hormonal ou coisa do tipo, elas trocam de corpo com um parceiro romântico e não com um artista aleatório?!? Mas se isso significa que eu vou poder me casar com August no final… eu prefiro o Hop! As músicas solos do August são mais do meu estilo, mas o Hop é mais bonito e o sorriso dele...

Parando pra pensar, como o povo consegue escrever comédias em cima disso?! Não era pra ser terror ou drama?

-Are you ok? - perguntou Han ao me ver quase hiperventilando.

-Yes. - menti. Ele sabe que menti, mas é impossível alguém ficar bem quando troca de corpo e vai parar em outro país, onde não conhece ninguém ou consegue falar o idioma nativo (vamos desconsiderar a vida pessoal e profissional das pessoas envolvidas) - Sorry.

-No problem. - meu coração quase explodiu com a pronúncia perfeita destas duas palavras.

-Me siga. - disse o Homem de Terno. Novamente todos saíram. Nós fomos para o que parecia uma sala de reuniões, onde todos se sentaram e continuaram discutindo em sua língua nativa. Tudo o que eu conseguia pensar é que algo estava muito errado.

Eu não deveria estar ali.

Eu não deveria ter o reflexo de um homem.

Eu deveria apenas estar feliz por estar perto dos membros da minha banda favorita.

Mais importante, eles deviam estar apontando e gritando comigo - ou algo equivalente.

Por que eles estavam lidando com isso de forma tão racional?

Será que já havia acontecido algo parecido com alguém próximo a eles?

Melhor ainda, será que tudo não passava de um sonho?

Uma leve mordida no lábio inferior mostrou que eu não podia estar mais enganada. Eu não somente senti a dor, como um pouco de culpa ao ver o reflexo de August fazer um gesto sedutor, sem que ele soubesse.

Ah, como August estaria?

O Homem de Terno colocou papel e caneta na minha frente.

-Coloque tudo sobre onde podemos encontrar August.

Eu não estava em condições de pedir por educação, então apenas peguei a caneta, me reclinei na mesa e me pus a escrever. Escrevi meus e-mails; meu telefone; os aplicativos de comunicação que tinha; meu código do Discord; endereço - com descrição da casa em que vivia; o número da minha mãe com uma desculpa convincente para falar comigo; minhas características físicas; meu CPF e RG; todas as minhas redes sociais que estavam logadas e onde havia escondido meu passaporte. Tudo que conseguia me lembrar sobre mim e meios de me contatar ocuparam pouco mais do que uma lauda.

Perceber isso fez com que eu me sentisse vazia. Os personagens do jogo que estava trabalhando tinham mais informação.

Eu me afastei da mesa e entreguei as folhas - desta vez eu me lembrei que utilizar apenas uma mão para entregar algo é falta de educação, então usei as duas para passar o papel.

-Você vai voltar com os garotos, vai começar a treinar coreano e vai praticar dança. Entendeu?

-Sim, senhor! - eu abri minha boca para fazer pergunta, mas meu lado fangirl me impediu de continuar.

-O quê? - quis saber.

-Bem, sei que é normal idols dividirem a casa. Vocês tem programas baseados nas filmagens de lá e tal, mas está tudo bem eu ir morar com MoonLight? Não que eu esteja reclamando nem nada. Como fã eu mal posso agradecer, mas caso vocês não saibam: Amanda é nome de mulher! Tirando este detalhe, não seria melhor duvidar um pouco de mim?  - o silêncio reinou pelos próximos segundos.


amandaventcerne
Ah-chan

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Todos admiramos alguém ou alguma coisa, por isso não é estranho nos imaginarmos parte do mundo da pessoa admirada.
Amanda, no entanto, nunca pensou que uma música poderia mudar tanto a sua vida!
Mesmo estando ao lado dos artistas que tanto admirou, ela não faz ideia de como chegou lá, mas sabe que o futuro do MoonLight, banda cujas músicas estiveram lá por ela quando ninguém mais estava, está ameaçado por ela.
Ela sabe como impedir o fim da banda, mas primeiro ela precisa se resolver com August, para então nunca mais correr o risco de atrapalhá-los novamente.
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