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Cercando as Possibilidades - Parte I

Cercando as Possibilidades - Parte I

Mar 28, 2022

No final de semana, decidi testar minha personificação de August.

Comecei ao acordar, não agi como normalmente agia - me mantive sonolenta e calada, assim como alguns dos poucos vídeos dos meninos acordando August. Dirigi-me ao banheiro, fiz minha higiene, olhei para o espelho e suprimi o impulso de socar o espelho e o de chorar. Mantive-me calada e com cara de sono.

MC e K me observaram com atenção, tentando decidir se August tinha voltado ou não, espero eu. Dei o meu melhor 'bom-dia' em coreano, numa mistura do que eu havia absorvido dos vídeos mais o que eu presumo que seja a versão realmente sonolenta do rapper.

Rapidamente obtive resposta ao meu trabalho, os dois pareciam incrédulos e eufóricos o suficiente para chamarem os nomes dos demais um-a-um. Consegui entender palavras soltas e óbvias expressões de euforia. Não sei dizer se o que me cortou o coração foi eu ter que estraçalhar a felicidade deles, revelando que ainda sou eu, ou se foi ver eles felizes por acreditarem que eu não estava aqui.

Decidi que não tinha direito ao último.

-Desculpa. - disse ainda em coreano, sem mudar minha postura - Ainda sou eu, só estou praticando agir como August. - disse a frase que memorizei do Google Translate.

Parecia que eu tinha chutado seis cães abandonados - K parecia ter sido atropelado por um ônibus -, contudo não saí do meu papel ao continuar meu roteiro:

-Preciso melhorar minha atuação.

MC levou a mão ao queixo, para depois fazer a outra coçar o couro cabeludo.

-Aish! Você…! - estava preparada para a bronca, para o xingo, para que me pedisse pra parar de sujar a imagem do amigo; mas ele bateu palmas - Você é uma boa atriz! Fomos completamente enganados!

Park falou alguma coisa e K respondeu.

Park retomou a fala e todos tiram.

Cocei a nuca como August faz quando está confuso e Park falou em inglês:

-Are you sure?

-Sorry. I am not him.

-Waa. Eu fui… K… estar... - acho que ele não gostou de ser enganado, porém resolvi olhar pelo lado positivo: minhas habilidades de atuação estavam em seu ápice.

Durante o café-da-manhã os meninos tiveram certeza que era eu. Entendi apenas algumas palavras aleatórias, mas a expressão corporal coletiva mostrava que haviam chegado a alguma conclusão, que eu presumi ser a aceitação de minha contestação, uma vez que sou um desastre usando hashis.

Quebrado o clima do meu trabalho, decidi maratonar vídeos de August comendo e aprender a comer usando os talheres asiáticos.

-O que eu posso fazer pra parecer mais com August? - disse em inglês.

-Haaa… - começou MC - Acho que está bom. August não é muito diferente do que aparece nas câmeras, agora é mais uma questão de aprender coreano e conseguir se apresentar.

Ele disse alguma coisa em coreano, muitas cabeças concordaram, enquanto algumas diziam alguma coisa - apenas K me encarou do mesmo jeito que eu normalmente olhava para o nada durante uma prova. Será que ele estava fazendo perguntas existencialistas a si mesmo? Dada a situação, parecia-me altamente possível.

Quando o grupo começou a se dispersar devido às suas agendas, a campainha tocou. Como de praxe, tive o impulso de levantar e atender. Como de praxe, parei na metade do caminho. Seja lá quem for a porta, eu não poderia me comunicar com a pessoa, seja ela a mãe de August, o melhor amigo ou o carteiro. Por isso fiquei plantada igual a bananeira a meio caminho da porta, vendo Park passar por mim e ir atender a porta.

Uma mulher trouxe um pacote com o meu nome - não o de August. Os meninos (Park, K e Hop) tentaram esconder a curiosidade, mas não me importaria se eles quisessem tomar a embalagem de minhas mãos para ver o que tinha dentro, na verdade, isso me faria muito feliz.

Mesmo próximos, ninguém conseguiu ouvir meu coração explodir, enquanto eu abria a caixa e via meu cartão de crédito, celular e computador.

Parecia absurdo, mas abracei o meu notebook com tanto afeto quanto costumava abraçar meus bodypillows. Ouvi comentários a respeito, mas só entendi que eles pareciam aliviados com a possibilidade de ter uma pista aí dentro. Procurei a tomada mais próxima, para ligá-lo. Incapaz de me conter, mordi o lábio inferior e me perguntei como estaria August. Se ele estaria ansioso. Se ele sabia o porquê de terem me mandado o meu notebook. Se ele estava se acostumando com meu corpo.

Eu quase conseguia imaginar... O Homem de Terno sentado, no que deveria ser um lobby de hotel, de frente para o meu corpo, conversando com ele, em coreano, provavelmente explicando ou procurando uma explicação.

Um arrepio percorreu minha espinha e minha visão voltou para o monitor na minha frente. Estava na minha tela de espera do MoonLight, pedindo minha senha. Os meninos riram, enquanto a digitava metodicamente a junção de dois feitiços de Harry Potter, unidos por um caractere especial, e esperei carregar minha área de trabalho - uma imagem de uma escrava negra com mordaça, para que ela não pudesse revelar, a ninguém, os abusos que seu mestre a impunha.

K não se conteve e me perguntou por que a imagem em espera era uma foto de quando eles gravaram Lite It Up e a da área de trabalho era uma que parecia bem triste. E como sempre eu travei. O melhor que consegui dizer foi que eu gostava de história e que aquela mulher representava uma parte da história de meu país que jamais poderia ser esquecida. Mas não era verdade, ao menos não toda. Desde que meus pais me levaram no quilombo dos Arturos a foto dessa escrava me assustou e fascinou. Sempre a tenho comigo como lembrete de que tem gente que vai fazer de tudo para calar outra pessoa, mas não é só isso, sabe? Durante a escravidão ninguém ligaria se uma mulher negra fosse abusada, maltratada ou torturada, porém, mesmo assim o senhorio dela achou necessário tirar-lhe a capacidade de falar, de se alimentar e beber água. Acredito que parte do motivo é o lembrete de como o ser humano é cruel e desumano, embora não seja só isso. É parecido como quando me perguntam o porquê de eu gostar de MoonLight, não tenho motivo, eu só gosto. Mas como preciso ter uma explicação eu falo uma verdade que pode ou não ser convincente, que, contudo, jamais será completa.

Com menos olhos sobre mim, abri meu navegador e vi dezenas de e-mails não lidos. Antes que eu pudesse abrir o mais antigo deles, subiu um pop-up me informando de uma ligação que meu chefe havia iniciado.

Por reflexo quase aceitei a ligação. Mas K me lembrou de não atender.

-Não atende! Como vai fazer pra explicar Lee Yuwon na câmera? - Lee Yuwon era tão errado ouvir o verdadeiro nome de August. Desde a troca eu venho me empenhando para manter uma distância para no final eu poder pensar “Ah, foi um sonho”, mas quando me chamam de Lee Yuwon… a situação parece tão real.

-Verdade, obrigada! - na verdade este este era apenas o começo dos problemas. Ao pensar no que fazer a seguir, desisti do coreano e falei em inglês mesmo - Vou olhar meu histórico de pesquisa, para identificar no que tava mexendo, enquanto ouvia Fly High.

K sorriu e me desejou boa sorte, antes de ir para o quarto. O restante dos meninos saíram para fazer outras coisas, como gravar um vídeo no jardim.

Por bem ou por mal, estava presa no corpo de August, por isso eu tinha que fazer todo o possível para me assegurar de que as coisas não dessem muito errado. Então a primeira coisa que fiz foi escrever um e-mail para o meu chefe dizendo que estava doente, internada, mas que enviaria a minha mais nova pesquisa assim que me deixassem ficar mais do que alguns minutos no computador. Essa me pareceu a mentira menos nociva que contei nos últimos dias - não que pudesse fazer muita coisa a respeito. Seria assustador se os fãs mais extremistas descobrissem que uma fã qualquer trocou de corpo com quem eles admiravam e amavam…

Posteriormente, abri meu histórico de navegação e copiei todos os links do meu último dia de acesso, para um documento no drive. Eu estava disposta a fazer mais, todavia não saber qual foi o gatilho da situação ou mesmo se havia sido uma combinação de fatores fez com que eu sentisse medo. “E se eu trocasse com alguém que não o August?” - este pensamento me parecia um medo plausível.

Abri outro arquivo no drive e digitei tudo que fazia sentido estar ligado ao acontecimento. Infelizmente não escrevi mais do que quatro tópicos, mas abri espaço para escrever o que August estava fazendo antes da troca. Vai que as ações/pensamentos dele fossem parte da combinação absurda de fatores que possibilitou esta loucura?

Quando minhas ideias sobre o assunto se esgotaram, ocorreu-me que isso podia não estar conectado com o que estava fazendo. Como, por exemplo, se nossa situação fosse efeito das ações de terceiros? Se alguém sabia como trocar e tentou trocar de corpo com ele, porém algo deu errado e a troca aconteceu comigo? E se fosse algo natural - que acontece a cada não sei quantos milhões de pessoas? Não tinha um filme que insinuava que era algo que as mulheres de uma família trocavam com uma pessoa aleatória? Pior, e se Deus joga dados com o universo e o meu azar (ou sorte) fez-me o avatar premiado?

Nada bom.

Nada bom mesmo!

Tirei meu computador da tomada e o levei para a minha beliche. Incomoda-me que já comecei a me referir aos pertences de August como “meus”.

Entrei na minha conta do internet banking e habilitei meu cartão para compras no exterior, depois dei uma olhada no meu saldo. Em termos do Brasil, era o suficiente para comprar um fogão; uma geladeira; uma máquina de lavar; um colchão e, aproximadamente, seis meses de aluguel, não sei dizer quanto isso vale na Coreia, mas espero que, com a desvalorização do won, meu poder de compra não tenha sido muito afetado.

Por precaução entrei no meu bot e vi como estava minha renda no mercado de ações.

Não estava rica, mas já conseguia tirar uma grana sem afetar drasticamente meu poder de trader. Tirei parte do dinheiro e coloquei em outro investimento - um que rendia bem menos, mas que não corria risco de perdas.

Em seguida, mandei uma mensagem para a minha melhor amiga com os dizeres ‘Dsd Fly High estou em Narnia’. Depois optei por abrir meu falso aplicativo de calculadora e digitei uma integral dupla de limites -∞ e 2. Esperei a mensagem de erro e digitei exatamente a mesma equação com os mesmos limites. Após a mensagem de erro, esperei a mensagem de suporte perguntando se eu queria ou não a ajuda do app para encontrar o problema. Marquei “Yes” e digitei exatamente a mesma equação, porém troquei meus limites para 2 e 2. No meio da tela apareceu o símbolo de carregar, que em um piscar de tela se tornou o símbolo do ouroboros, com um chat no fundo. Assim que terminou a troca de aplicativo (e acho que de sistema operacional, não tenho certeza dessa parte), digitei ‘New job GMT+9 +1w’, porém dessa vez sabia que não teria respostas, independentemente de quanto tempo esperasse.

Em seguida comecei ver e responder meus e-mails. Quando cheguei no topo da minha caixa de entrada, meu chefe já havia me respondido. Ele me disse que eu tinha três dias para mandar meu texto ou pelo menos a minha pesquisa. Essa parte me causou um arrepio na espinha, parecido com quando eu estava listando o que poderia ter causado minha situação atual. Nada bom.

Desesperada, comecei a rever o conteúdo pesquisado. Escrevi um bom resumo das ideias e, dele, comecei a escrever a lore pro jogo. Numa vã esperança coloquei Fly High para tocar enquanto fazia meu trabalho em completo desespero. Se eu tivesse uma garrafa de café à minha disposição e no meu corpo, eu me sentiria de volta à faculdade.

Não sei quanto tempo passei digitando, mas, quando a câimbra me fez parar, vi que meus colegas de quarto estavam deitados. E isso significava que, facilmente, já passava da meia-noite. Antes de qualquer coisa, massageei minha perna até que a câimbra se fosse, em seguida me levantei, com meu telefone em mãos, e fui à cozinha pegar um copo d’água. A casa estava em completo silêncio, o perfeito cenário para um filme de terror.

Com o copo na mão direita e o telefone na esquerda, me dirigi para o jardim. Me sentei ali pronta para chorar ou pensar na vida, mas, estranhamente, tive vontade de tirar uma foto. Não minha ou da casa, que um dia poderia ser usada como prova do sonho que estou vivendo. Não, isso era invasivo demais. Por isso, com todo o meu pseudo conhecimento de fotografia e edição, adquiridos no YouTube, e que foram aprimorados a força do desespero para tentar me igualar a August, eu posicionei o copo numa das mesas e tirei a fotografia mais preciosa do mundo para mim: um copo com água que refletia parte de uma mão masculina bem cuidada e a lua. Ninguém poderia provar a origem da foto, mas para mim (e mais ninguém) ela me lembraria de como conheci as pessoas que mais admiro; como quase destruí o trabalho deles; como perdi meu valor; do quão genial eu sou e de como sou capaz de fingir que não sou um monstro.

Satisfeita com a minha foto, olhei minhas notificações e vi as notificações do meu aplicativo de conversa padrão. A maioria não parecia importante (não mais), mas Gab havia me respondido:

Como vc foi parar do outro lado do mundo?

                                                                                Entrei no armário

O certo é guarda-roupa, mas entendi a piada

Oq aconteceu?

                                                                                Lembra de Se Eu Fosse Vc?

                                                                                Etão, n era p ser comédia

Ow

                                                                                Eu sei

Meus pesames

Precisa de ajuda?

                                                                                Muita

                                                                                Sabe como tá o meu corpo? O quão rica vc tá?

                                                                                 Ideias de como posso ter acabado assim?

                                                                                Até agr eu tenho:

                                                                                1.Pesquisando magia eu fiz isso

                                                                                2.Ele fez alguma coisa (improvavel)

                                                                                3.Alguem fez alguma coisa e sobrou pra mim

                                                                                4.Deus joga dados com o universo

Cmo vc tava me ignorando, tntei falar c sua mae,

ela disse q vc foi trabalhar fora

Qnto vc precisa?

4 é literal ou seu txt d facul?

Vc esqceu d fator biologico

                                                                                Urg! Entao se a teoria das cordas for vdd, são 6 teorias

Marquei a mensagem que ela me perguntou de quanto dinheiro eu preciso e respondi:

                                                                                Preciso de dinheiro pra poder chegar qbrando a porta

                                                                                 de uma agencia bilionária e sair como se n fossenada

amandaventcerne
Ah-chan

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Mesmo estando ao lado dos artistas que tanto admirou, ela não faz ideia de como chegou lá, mas sabe que o futuro do MoonLight, banda cujas músicas estiveram lá por ela quando ninguém mais estava, está ameaçado por ela.
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