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Quase 4°

Prelúdio - Parte I

Prelúdio - Parte I

Apr 11, 2022

O sucesso do acústico, intensificou minhas aulas de rap.

Para matar o tempo, eu havia baixado um daqueles aplicativos em que você canta a música junto com o artista e ele mostra o “nível” da voz. O problema é que nas músicas do MoonLight a parte dos outros interferia com a nota final (embora desse para ter uma vaga noção pelos níveis da minha voz indicados na tela) e alguns dos solos de August eram rápidos demais para mim. Além disso, a vergonha me impedia de praticar desta forma, quando os outros estavam por perto.

Quando perceberam que dançar não seria um problema, MC, Hop e Park passaram a me dar aulas particulares de rap. Felizmente, por ter uma admiração quase não saudável pela banda, consegui ter um desempenho aceitável antes do acústico, mas, para a entrevista, as aulas foram intensificadas. A minha principal falha parece ser a pronúncia de algumas palavras, volta e meia erro as sílabas tônicas, enquanto que saber o significado delas ainda é um mistério total.

Park me ajudou bastante a melhorar minha dicção, apesar de não ser da rap line, ele conseguia fazer raps e, assim como todos, fez aulas de coreano para perder o sotaque da terra natal; Hop tomou para si a tarefa de me fazer entender a potência da voz de August (como o rapper conseguia controlar a voz para passar diferentes sentimentos, como: poder; carinho; diversão; insanidade...), uma tarefa que parecia bem mais fácil na minha cabeça; já MC ficou com a missão impossível de me ajudar a chegar na mesma velocidade de flow que August. Como único rapper do grupo que conseguia acompanhar (na verdade ultrapassar) August, ele tentou me ensinar os truques para conseguir tal façanha. Na primeira aula percebi que o truque é reaprender a respirar.

Quem diria que as pessoas respiram de formas diferentes…?

Esse pensamento me lembrou da Troca. Ambos estávamos tossindo, será que foi um efeito por respirarmos de forma diferente os diferentes tipos de ares ou era um processo natural para quem estivesse trocando? Porque se fosse devido às diferentes respirações, então a dor de cabeça poderia ser devido a diferença de luminosidade que nos foi imposta subitamente… Mas a tosse e a cefaleia começaram antes… seriam elas realmente um indício ou a troca já estava acontecendo e eu só não percebi?

Foco!

De nada adianta pensar nisso agora! Tudo o que me resta é praticar, treinar e praticar. Mesmo sem saber se estou me xingando ou se estou perguntando quanto custa alguma coisa, minha pronúncia tem que ser perfeita! 

Dois dias de intenso treinamento não devem ter feito muito por mim, pois nunca vi os meninos rirem tanto - principalmente nas aulas de pronúncia. Teve uma vez que o Park gravou o que eu disse para mostrar para os outros! A pior parte é que realmente era questão de dicção, uma vez que depois da crise de riso, todos que ouviam tentavam me ajudar a pronunciar corretamente as palavras - embora para mim parecíamos estar falando exatamente a mesma coisa. Por sorte, as palavras usadas nas músicas do ML saíam com mais facilidade.

De qualquer forma, mesmo praticando até um pouco depois da exaustão, ainda estava muito nervosa nos bastidores do programa. Eu já havia ido ao banheiro umas cinco vezes (contando as duas que fui em casa) e acredito que ainda irei mais.

O roteiro do programa estava decidido, seria uma entrevista em forma de gincana, na qual competiremos contra uma banda que alguns fãs estranhos, que fomentam warfandom, insistiam que seriam os substitutos do MoonLight.

Sinceramente, acho este pensamento idiota. Primeiro porque tentar substituir alguém é muito trabalhoso; segundo, mesmo que fosse fácil, MoonLight foi o precursor de vários momentos e movimentos no mundo artístico - não apenas musical; terceiro porque os conceitos das bandas são muito diferentes, seria o mesmo que dizer que o Dumbo vai substituir o Simba… posso descrever ao menos mais dez motivos, que  mesclam fatos lógicos e ‘históricos’ com observações pessoais, mas acho melhor parar por aqui.

-Todo biem? - perguntou Hop.

Ele tentando falar português é sempre o ponto alto do meu dia.

-Sim. Só estou nervosa.

-Vai ficar todo biem. Você já fezer isso antes. - ele deu aquele sorriso que me derrete toda - Estamos aqui. Fighting! - ele fez um gesto de força que eu copiei sem pensar.

Enquanto observava as pessoas indo e vindo, meus olhos pousaram em Felix - um dos rappers, cantores e dançarinos do A.I., a banda que enfrentaremos em dez minutos, segundo o staff. Ele não é o meu tipo, mas eu o levaria para uma ilha deserta.

-O que foi? - perguntou K, ao se aproximar de mim e Hop.

-Nada.

Ele seguiu o meu olhar, deu o tipo de sorriso que costuma dizer que ele vai aprontar e disse:

-Ele é o seu tipo? - por que ele me perguntaria isso?

-Não. - olhei-o com estranheza, mas voltei meu olhar para Felix. - Eu gosto da voz dele.

Ele disse alguma coisa em coreano. Hop soltou um "ah!", antes de me perguntar:

-Como assim?

-A voz dele é a única voz do mundo que vale a pena ouvir ASMR.

Mais coisas foram ditas em coreano, dessa vez Hop respondeu alguma coisa.

-Você não ouviria um ASMR nosso?

Não pela primeira vez na vida, senti-me em uma sinuca. Ironicamente, desta vez o motivo não me pareceu urgente ou perigoso, embora meu desespero interno tenha superado qualquer experiência passada.

-Escutaria, mas por motivos diferentes.

-Diferentes?

-Uhm. Já ouviu ele cantar ou fazer rap? - ele disse algo em coreano e ambos, K e Hop, negaram com a cabeça - Não parece a mesma pessoa. A voz de rap dele é tão grave que parece até efeito, enquanto que cantando ele consegue alcançar agudos que já me fizeram duvidar se ele era realmente homem. - K traduziu e Hop soltou um “oohh!”.

Disclain rápido: disse isso apenas por não saber como é testosterona em inglês e duvidar que Hop possa conhecer essa palavra em portunhol.

-Qual sua música preferida deles?

Minha música preferida do A.I.? As que o Felix tinha mais linhas.

Meu solo preferido do Felix? A que ele conseguia usar melhor a voz.

Infelizmente, não tinha um nome para elas. Pois assim como o MoonLight, o A.I. divide bem os versos das músicas e os solos do Felix nunca são bem produzidos.

-Eu não tenho certeza… posso pensar numa resposta e depois falar?

-Pode. - disse K entre risos.

O silêncio me deixou inquieta. Depois de ir pra lá e pra cá, fui ao banheiro mais uma vez.

Por força do hábito, olhei para o espelho e vi que o cabelo estava um pouco bagunçado, por isso tentei arrumar. Mas o reflexo ficou errado, quero dizer, certo.

Eu estava me vendo refletida, embora num ambiente diferente. A iluminação era parecida; também estava num banheiro, porém muito menor, parecia até um de hotel; meu visual estava diferente do costumeiro (as roupas eram minhas, me lembro delas, só nunca as usei assim). Eu estava sem meu colar.

Com medo de estar sendo enganada pelos meu olhos, toquei o meu rosto. O reflexo repetiu a ação. Pude sentir o meu queixo menos quadrado. Tive medo de olhar a minha mão e não ver minha pele preta, então olhei para os lados, tentando absorver o máximo possível.

Ouvi uma voz familiar (o Homem de Terno!) falar alguma coisa sobre a porta e quando abri a boca pra responder que não o entendia, tive uma crise de tosse. Quando a crise passou, estava perto da porta do banheiro do estúdio, com uma mão branca escorada na maçaneta.

Não sei porquê, mas corri até o espelho e confirmei que era o reflexo de August.

Antes que eu pudesse gritar, chorar, espernear, reagir de alguma forma, ouvi duas vozes se aproximando. Entendi apenas algumas palavras, mas sabia que estava na hora de entrar no meu papel. Congelei minha expressão em uma cara de tédio e esperei as pessoas.

À medida que elas se aproximavam, entrei em desespero, corri para um dos box de banheiro e me escondi lá. Instantes depois, decidi sair de meu esconderijo.

Assim que a porta do box se abriu, os dois homens me olharam surpresos pelo reflexo e mudaram o idioma de conversa.

Tsc. Tsc.

Deviam ter escolhido japonês ao invés do inglês.

Passei a entender tudo o que era dito, mas mantive minha inexpressão. Mesmo que raiva e indignação me corroessem.

Sei que estereótipos são errados, mas pensava que asiáticos eram mais educados, pensei que eles respeitavam mais os outros, que talvez fossem até menos sujos. No entanto, meu problema com meu antigo superior parece ser algo mundial.

Realmente a humanidade não tem salvação. Ela é asquerosa e nojenta!

Uma voz dentro de mim disse que se aprendesse coreano, logo perceberia que até mesmo o MoonLight fala mal de mim pelas minhas costas… Tá aí! Meu próximo experimento: aprender coreano e fingir que continuo sem saber - ao menos por um dia. Quero ver o que os meninos realmente pensam de mim.

Lavei as minhas mãos e saí a passos largos do banheiro. Voltei para o meu canto e não me permiti pensar em outra coisa senão as respostas, já decoradas, para o programa.

-O que foi? - perguntou K.

-Nada.

-Pode ser. Mas sei dizer quando Yuwon está nervoso, você está parecendo muito com ele nervoso agora.

-Desculpa.

-Não se desculpe. É melhor falar o que está te incomodando do que deixar isso atrapalhar o show.

Golpe baixo.

Golpe muito baixo.

Foi quase uma rasteira.

-Não entendi tudo, mas ouvi dois caras dizendo que vão se aproveitar de que o Felix ainda não é fluente em coreano, para tentar fazer o A.I. passar vergonha.

Ele soltou um “Sério?!” em coreano tão alto que não foi somente os outros membros da banda que nos olharam e, quando confirmei com a cabeça, aqueles que sabiam da minha situação vieram ver do que se tratava.

Enquanto K explicava a situação, eu não abri a boca. O que poderia dizer? Só entendia algumas das palavras usadas e minha dicção era motivo de chacota. Por isso tentei me acalmar e lembrar de Villainess - uma música da Disney. Quando MC perguntou, em inglês, se eu tinha certeza, eu não me contive:

-Não tenho certeza do que estavam falando em coreano, mas posso repetir palavra por palavra o que eles disseram em inglês.

Todos demonstraram indignação, mas a de MC foi a mais chamativa.

-Aish! - MC estava nervoso. Foram poucas as ocasiões que o vi assim, como fã. Mesmo na minha situação atual, ele sempre se mostrou compreensivo, calmo, gentil e otimista. - Esses caras… de novo… - mesmo com meu baixo conhecimento na língua, pude entender do que se tratava: não era a primeira vez que algo assim acontecia.

-Okay! … falar… - Min começou a falar. Ainda não tenho coragem de olhar para ele, depois do que disse no outro dia, mas quando ele, MC e Han foram em direção ao A.I., perguntei-me o que havia sido decidido.

-Fica calma. - disse Hop.

Estou começando a me sentir uma bosta de atriz.

Park foi em direção ao agente da banda - quem ia me passar as respostas, caso fugissem do roteiro.

-Você gustar dos esse show? - Sim! Ouvir Hop tentar falar português era o melhor remédio para o meu humor!

-Assistir ou participar?

-Os dois.

Parei e pensei.

Eu não faço ideia de qual show é hoje. O que eu sei é o roteiro que me passaram, já, o show em si, nunca ouvi falar dele no Brasil. 

-Eu gosto de ver Running Guy. Não entendo o que acontece nas gravações, então não sei se me divirto.

MC, Han e Min voltavam com Felix e Banb, líder do A.I., a tiracolo.

-Nós sabemos como é difícil quando se está começando - MC falava em inglês -, por isso nos recusamos a participar disso. - ele parou na minha frente, me olhou e continuou, em inglês: - Conta pra eles o que você ouviu!

Eu o encarei.

August não devia entender inglês. Ou ele havia contado da minha situação?

Um cutucão de K, seguido por uma ordem em coreano, me deu a brecha.

-Sim. - gastei o meu coreano e me concentrei para me lembrar daqueles vermes nojentos. Como queria afogá-los na privada! - Não vão desconfiar?

-E o que podem fazer? Durante as gravações eles não terão coragem de falar nada, depois podemos dizer que a produção achou que seria divertido mostrar Felix ainda está estudando coreano.

-E se alguém mais reclamar?

-Estamos fazendo isso por eles. Eles não vão fazer nada.

O meu sangue voltou a ferver.

O máximo de reação que me permiti foi cerrar os punhos.

Eu meio que interpretei a conversa dos dois caras, usei tons de voz diferentes para diferenciar quando um ou o outro falava - não havia cogitado que August não era bom ator nem que ele não se daria ao trabalho. Mas ver o rosto levemente chocado dos meninos ao meu redor me fez pensar nestas possibilidades.

Enquanto MC e Banb discutiam em coreano, só consegui focar nos olhares que recebia. 

Queria desaparecer.

Sair dali.

Ir para outro lugar.

E fui.

Estava num quarto de hotel, olhando pela janela, o Homem de Terno refletido logo atrás do meu reflexo.

A cefaleia foi um bônus.

Levei a mão na têmpora, para massageá-la, quando Min me perguntou se eu estava bem.

Pensei em dizer que sim, mas havia trocado duas vezes em menos de dez minutos - por alguns segundos, mas tinha. Se deixasse pra contar depois, eu poderia acabar esquecendo ou eles poderiam achar que estava tentando esconder algo, principalmente, porque a arquitetura que vi na janela se parecia com a asiática - aproveitando cada espaço.

Então disse um não em coreano, com a mão numa posição em sinal universal de dor de cabeça, fingindo tossir. Tentei me lembrar como é ‘troca’ em coreano, afinal esta passou a ser uma palavra do meu cotidiano, mas quem disse que eu conseguia? Perguntei-me diversas vezes se ‘change’ seria uma palavra aceitável, que August saberia. A princípio, todos me olharam como se eu fosse idiota, porém, com mais algumas tosses falsas, Min soltou um agudo levemente estridente, cobrindo levemente a boca.

Se o descontrole da voz não fosse indício o suficiente, Min não conseguiu conter sua expressão, quando as peças se encaixaram.

-Now? - perguntou ele. Rezei para estarmos falando da mesma coisa, por isso afirmei com a cabeça e tentei me lembrar como se fala banheiro. Infelizmente, não fui rápida o suficiente, ele deu mais um gritinho, desta vez menos agudo, me agarrou pelo braço, puxou K com a outra mão, disse alguma coisa que não entendi e nos guiou para Park e o Agente da banda. Do que ele falou, eu só entendi o pedido de desculpas.

Já com Park e o Agente não precisei entender as palavras, a linguagem corporal dizia muito por si só. Nervosismo. Excitação. Confusão.

Quando os demais entenderam o que estava acontecendo, Park e K também soltaram Agudos, enquanto o agente arregalou os olhos. Neste ponto, acredito que todos já estavam me olhando.

-Você tem certeza? - perguntou K.

-Não sei onde eles estavam, mas vi o meu corpo e o Homem de Terno num hotel.

-Homem de Terno? - perguntou o Agente. Diga-se de passagem, nunca troquei muitas palavras com ele, até pouco tempo nem sabia que ele falava inglês fluente. Isso levantou a questão: ele estava me ignorando, por eu não ser o artista dele ou não ele sabia da minha situação? - Você quer dizer Joon-ho?

Olhei para ele, séria, para não sair do personagem, tentei lembrar se algum dia chegaram a me contar o nome do Homem de Terno, balancei um pouco a cabeça e repeti.

-Homem de Terno. - K riu, sem esconder, e Park engasgou com a risada.

amandaventcerne
Ah-chan

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Todos admiramos alguém ou alguma coisa, por isso não é estranho nos imaginarmos parte do mundo da pessoa admirada.
Amanda, no entanto, nunca pensou que uma música poderia mudar tanto a sua vida!
Mesmo estando ao lado dos artistas que tanto admirou, ela não faz ideia de como chegou lá, mas sabe que o futuro do MoonLight, banda cujas músicas estiveram lá por ela quando ninguém mais estava, está ameaçado por ela.
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