Gotas de suor escorrem pelo rosto do Athos enquanto vê a professora colocar uma folha em sua frente, ele sabia o que era aquilo... um dos seus piores pesadelos... uma prova de interpretação de texto! E ele sabia que uma corda estava em seu pescoço caso fosse mal, e a pessoas que iria apertar o nó estava olhando fixamente pra ele... no caso, nossa cara Tyke.
Mas voltando ao dia anterior no quarto do Athos, onde os dois estavam.
-Como assim você não vai estudar!? Eu achei que já tínhamos resolvido essa sua loucura com o sistema-
-Já resolvemos, e o ponto não é esse, por mais que eu ainda desconfie da china... o ponto é que eu sou péssimo em interpretação-
-Ué, eu não sei se você sabe, mas a gente estuda quando não é bom em algo. E além do que, você é ruim em física também-
-Mas física é diferente, eu sou ruim por abnegação pessoal, agora com interpretação o negócio é sério...-
-Muhahaha... Isso é o que veremos-
Ele sabia que aquela risada não significava coisa boa...
-Pra sua sorte, eu sou uma mestra na comunicação e interpretação interpessoal, então eu irei te guiar por esse lindo mundo do subjetivismo-
Meia hora depois...
-Vem cá, como você ainda não foi expulso da sociedade?-
-Na realidade,eu teorizo que isso ainda acontecera-
-E não seria surpresa nenhuma!-
Ela aponta pra uma questão.
-"Uma criança está chorando no meio de uma multidão no shopping, por que ela está chorando?"-
Ele começa a pensar... e pensa... e pensa...
-De novo isso! Qual é o raio da dificuldade de responder "POR QUE ELA SE PERDEU"!?!-
-Será que é mesmo isso?-
-E o que mais seria?-
-Simples, ela pode estar chorando por que quando pensou que finalmente tinha se livrado dos pais chatos, ela viu eles chegando ao longe-
Ela olha para o fundo dos olhos dele.
-É, são diversas possibilidades... eu só quero que você saiba de uma coisa...-
Ela agarra a gola da camisa dele.
-...É melhor que você passe, ou teremos outra sessão de estudos-
Ele começa a suar frio.
-...Olha, por hora, tenta apenas se colocar no lugar do sujeito...-
Voltando ao presente...
"Tudo bem, tudo bem... é como a Tyke falou, apenas se coloque no lugar do sujeito"
Ele lê a primeira questão.
--"Marcos e Roberta estavam voltando da escola, quando avistam sua irmã". Qual é a ambiguidade da frase?--
"Bem, eu nunca voltei da escola com alguma Roberta, o mais próximo que eu tenho disso é a Tyke... eu não tenho irmã, e a Tyke nem humana eu sei se é... Então..."
Ele escreve.
--Resposta: Ambos não tem irmã--
"...Eu sou um gênio"
E assim ele prossegue e no final a professora diz.
-Muito bem alunos, agora eu vou corrigindo e chamando nome por nome pra ver o resultado-
Athos cruzava as pernas e relaxava, Tyke olhava pra ele desconfiada, e ele apenas sorria e dizia "confia". Conforme a professora corrigia, alguns alunos cochichavam sobre as questões e Athos casualmente escuta.
-Nossa tava mó de boa, né...-
-Verdade... Tava muito fácil... Tipo aquela 1-
Athos pensa.
"Verdade tava fácil mesmo"
-Verdade... qualquer idiota saberia que a ambiguidade é que não dava pra saber de quem era irmã-
Athos congela.
"T-tá de boa, esses idiotas é que devem ter errado"
Porem, o murmúrio aumentava cada vez mais, com cada um comentando sobre uma questão diferente, o que o Athos achou que fosse conhecidencia estava virando cada vez mais padrão. Tyke olha novamente pra ele, seu sorriso havia murchado, as pernas cruzadas agora tremiam e a cada novo comentário uma gota de suor escorria pela cara dele.
-Silencio, silencio, agora eu vou começar a chamar os nomes... Carlos-
"Tudo bem, tudo bem..."
-Gabriel-
"...São apenas conhecidencias..."
-Anne-
"... Sempre tem a chance de todos eles terem errado..."
-Athos-
"...Na força você deve acreditar"
Ele recupera a compostura, se levanta, caminha até a professora, pega a folha, olha pra ela e depois pra professora.
-Eu posso ajudar?-
-Pode...-
Ele olha no fundo dos olhos dela, respira fundo e...
-POR FAVOR NÃO ME DÁ ZERO!!!-
Ele começa a chora e sacudir a professora.
-Eu não posso reprovar, minha vida depende disso, POR FAVOR-
-Calma...-
Ela tenta desagarrar o menino, mas ele vai escorregando até abraçar as pernas dela em uma cena patética.
-...Mas nem prova é-
-POR F... Pera, como?-
-Quem disse que isso era prova, é só uma revisão seu bisonho... agora desagarra de mim-
-Então não era prova... heheh...-
Ele se levanta e começa sair da sala, e a professora protesta.
-A aula não termino, aonde você vai?-
-Eu só vou rapidão ali me matar... já volto-
-Pera ai, Athos!-
Tyke, sem saber onde enfiar a cara, sai em disparada perseguindo por uma hora nosso caro Athos que ainda chorava... só que de vergonha. No final, ela conseguiu arrastar ele de volta pra sala, mas ele não conseguia olhar mais na cara da professora.
Em meio as lagrimas e amargura um desejou ecoou entre os mundos: EU QUERO TER UMA VIDA INCRÍVEL!!! E assim o autor desse clamor, o jovem Athos, acabou conhecendo a pessoa que mudaria sua vida a jovem Tyke. E aqui será narrado suas fabulosas aventuras.
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