Narrado por Oliver.
— Escolha uma cor! — Noah disse. Estávamos agora numa dessas lojas que vende de tudo.
— Noah, isso é ridículo.
— Escolha logo ou eu escolho, e vai ser rosa! — ele brincou com entusiasmo, o seu sorriso era tão motivador.
— Eu gostei desta cor. — disse, apontando para o verde turquesa.
— Ele gostou dessa cor. — ele disse para o homem que estava nos atendendo. Eles conversaram por um momento antes de duas grandes latas de tinta surgirem sobre a mesa, juntamente com os acessórios para pintar, que não sei o nome.
— Noah, você não precisa fazer isso... — ele apenas sorriu e virou-se para mim.
— Pense nisso como um... segundo encontro!
— No mesmo fim de semana? — eu ri quando ele agarrou os meus pulsos.
— Isso é um problema, princesa? — ele rosnou sedutoramente, então, colocou a sua testa contra a minha. — Isso vai ser divertido, agora chega de lamentar. — ele virou-se para o homem que estava dando o seu melhor para não deixar claro o seu desapontamento pelo nosso abraço.
— São setenta e quatro com cinquenta centavos. Mais alguma coisa, senhor. — Noah balançou a sua cabeça e entregou-lhe o seu cartão, em seguida, o homem lhe alcançou o recibo.
Colocamos as latas e as outras coisas num carrinho e nos dirigimos ao estacionamento, tão rápidos quanto o Flash.
***
— É sério que estamos fazendo isso, a essa hora? — eu não conseguia parar de rir das palhaçadas que Noah fazia enquanto arrastávamos os últimos móveis do quarto para o corredor.
— Sim, nós estamos! E temos essa noite e todo o amanhã para terminar! — Noah começou a espalhar jornais ao longo das paredes, de modo que a tinta não caísse no chão de forma descuidada quando fossemos pintar. Ele tirou de dentro de uma das sacolas um rolo de plástico para pintar e uma bandeja para pôr a tinta, certificando-se de que não vai escorrer para o tapete. Felizmente, já podíamos ficar com os pés descalços, graças ao potente e tão heroico aspirador de Noah.
Duas horas depois e nós já tínhamos duas das quatro paredes prontas. Noah colocou música enquanto pintávamos, por isso, cada vez que uma música divertida começava a tocar, ele deixava o seu pincel cair e fazia-me dançar com ele no meio do quarto. Já estávamos cobertos da cabeça aos pés com tinta seca, mas só de estar com Noah, eu estava tão confortável que nem me importei.
— Noah, que droga? — eu ri quando estávamos girando no centro do quarto. Havia um cheiro forte de tinta que, na verdade, não era um cheiro tão ruim quanto eu pensava.
— Eu amo essa música! Dance, Oliver! — Noah gritou, me girando e me puxando para ele, enviando-nos para o chão. Colidimos com o chão e começamos a rir tanto, os seus braços estavam em volta de mim e em meu pescoço. A camiseta branca de Noah estava agora coberta por tinta verde. Noah estava tão... bonito. Eu queria tanto inclinar-me e beijar os seus lábios suavemente rosados, mas eu não podia, ainda não.
Continuamos a olhar um para o outro enquanto estávamos no chão. Só que isso acabou graças a brincadeira de ficar olhando sem piscar.
— Você piscou! — ele gritou. Ele, obviamente, estava perdendo todas as rodadas. Eu já chorei tanto, que provavelmente por causa disso, os meus olhos não vão secar tão facilmente.
— Não! — os olhos de Noah ligeiramente se encheram d'água, fazendo com que ambos se fechassem. — Ainda não acabou! — inclinei-me para a frente, soltando as minhas mãos do seu pescoço e empurrando ambas as pálpebras fechadas dos seus olhos com os meus dedos
— Ei! — ele estava rindo muito agora, segurando o seu estômago. — Precisamos terminar de pintar e talvez se a gente conseguir terminar cedo, podemos assistir um filme... — Noah sugeriu.
— Abraçados?
— Abraçados!
~ * ~
O quarto estava oficialmente pronto. Abrimos as janelas e colocamos dois ventiladores no quarto para tentar fazer as minhas belas paredes verdes secarem mais rápido. Aquela palavra, aquela maldita palavra agora estava coberta por três demãos de tinta, escondida… não, não... mascarada, por uma cor muito mais bonita e pintada por um rapaz bonito. Com roupas limpas e móveis em boas condições, Noah e eu terminamos.
— São só duas da manhã! — Noah jogou as mãos no ar com um sorriso.
- Isso significa que podemos começar a assistir a um filme abraçados?
— Aham… — ele me empurrou no sofá e correu para a cozinha. Depois de alguns segundos, ele voltou, segurando uma sacola de supermercado com algo em uma mão e uma colher na outra.
— O que é isso? — cutuquei sua barriga quando ele passou por mim. Ele abriu o leitor do DVD e inseriu o filme, em seguida, caminhou de volta para mim. Na mesinha da sala agora estavam três sabores de sorvete. Chocolate com menta, baunilha e napolitano.
— Então... quando é que você vai se casar? — perguntei antes de suspirar ao ver as três enormes banheiras de sorvete na minha frente.
— Logo, mas agora... este é o teste final. — disse ele, balançando a colher em frente ao meu rosto. — Uma colher, duas pessoas, você consegue lidar com isso?
— É sorvete, eu não me importaria nem se você fosse um cachorro. — puxei a colher da sua mão e comecei a cavar o chocolate com menta. Quando a colher já estava cheia, eu a coloquei na minha boca. À medida que o filme começou, eu me mudei para mais perto
dele, com os potes de sorvete em meu colo e os seus braços ao meu redor. Chegou a um ponto em que eu o fiz me dar sorvete na boca.
E isso fez ele rir.
— Oliver… já estou tão cheio. — Noah gemeu. O filme estava na metade e todo o sorvete já havia acabado. Literalmente, até a última gota.
Talvez, ele seja o melhor amigo de um coração partido.
— Você é fraco. — eu ri, movendo os potes de sorvete para fora do meu colo e recostando-me de novo nele. Eu já me sentia bem melhor como se o meu quarto não tivesse sequer se tornado um pesadelo.
Noah é tão... incrível. Ele puxou um cobertor sobre nós do cesto que estava ao lado do sofá. Com a minha cabeça no seu peito, eu fechei os meus olhos. Nunca teria eu pensado que poderia ser feliz após ter perdido o meu melhor amigo. Mas, às vezes, se você ama alguém, você deve deixá-lo ir.
Espero que ele não volte, porque Jake e eu não somos destinados a estar juntos.
***
Acordei na manhã seguinte com a minha cabeça enterrada no sofá. Noah não estava mais ali, mas o cobertor que ele nos cobriu na noite passada ainda estava sobre mim. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: Jake matando Noah e escondendo o seu corpo na parte de trás do pátio. Deus.
— Noah? — eu o chamei. Não demorou muito para eu ouvir a sua resposta.
— Sim, Oliver? — ele estava lá em cima. Pulei para fora do sofá e fui até ele. Meu corpo estava todo dolorido devido ao sofá, mas adormecer nos braços de Noah fez tudo valer a pena. Cheguei no segundo andar e todos os móveis que estavam no corredor sumiram. A porta do meu quarto estava fechada e Noah estava de pé em frente a ela.
- Você...?
— Você merece o melhor, Oliver. — ele segurou as minhas mãos e lentamente abriu a porta, revelando-me o quarto, a minha respiração ficou presa.
— O quê…? — as paredes agora estavam totalmente prontas e os meus móveis arrumados nos seus devidos lugares. Na parede onde havia sido escrito palavra "viado" agora havia sido substituída por uma bela obra de arte, novamente afirmo, Noah é incrível!
Havia a imagem de uma montanha com dois meninos de mãos dadas no topo da mesma. Eles estavam admirando um belo nascer do sol, a técnica de pintura era tão profissional, não pude evitar as lágrimas brotando nos meus olhos. Virei-me para dar uma olhada para o resto do quarto, estava completamente perfeito, era como se tal coisa não tivesse acontecido.
— Noah... — eu ainda não tinha conseguido parar de chorar, então só o puxei para perto de mim.
— Por que você tá chorando? — os olhos de Noah agora também estavam marejados.
— O que você fez e está fazendo é tão... incrível! E eu nem sei como te agradecer.
— Ah, isso nem é muito. — ele sorriu, enxugando as lágrimas dos meus olhos.
— A pintura foi você… quer dizer, você é muito talentoso... — eu não conseguia respirar, porque eu ainda estava tão chocado.
- Eu quero que você olhe para isso e pense em nós dois, essa noite que tivemos, nos divertindo. Sempre. Não importa o que aconteça no nosso futuro, nem que você me odeia ou me ame nos próximos dois anos... eu quero que a parede, essa imagem, represente o quanto você tá crescendo em mim. - Noah estava se abrindo, pela primeira vez, agora.
- O-obrigado.
- Pare de me agradecer, Oliver, e só me beije. - Noah sorriu e inclinou-se, puxando-me para perto dele. Pressionei os meus lábios contra os seus suavemente e fechei os meus olhos.
E nesse momento... eu realmente pude sentir as borboletas.

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