Narrado por Oliver.
Eu andava quarta-feira de manhã pela escola com um sorriso de orelha a orelha. Noah andava ao meu lado, com a sua mão segurando a minha, apertado. Eu podia dizer que ele estava nervoso, mas também podia dizer que ele estava dando o seu melhor. Noah e eu não ficamos na mesma turma, mas fizemos um acordo de sempre nos encontrar entre as aulas, mesmo que seja apenas para dizer um simples "oi".
Depois do nosso beijo sábado de manhã, as coisas entre nós intensificou um pouco. Ele já não é tão sarcástico como antes, mas isso não quer dizer que o seu humor não esteja afiado.
Jake estava parado de pé, sozinho em frente ao seu armário, apenas encarando a porta fechada como se ele fosse uma estátua. Parece até pegadinha, mas meu armário fica bem ao lado do dele.
— Acho que vou ter que assassinar o primeiro período. Não posso entrar de mãos vazias. — suspirei enquanto voltávamos a andar.
Quando Jake notou Noah segurando a minha mão, ele pareceu estremecer.
— Ok, vamos ter dois homicídios então. — Noah brincou. — Eu nem sou muito fã de matemática mesmo. — disse ele e, acabamos por rir juntos enquanto caminhávamos. E quem gosta de matemática?
Decidimos passar o primeiro e o segundo período na biblioteca estudando, ou quase isso, até dar a hora do meu intervalo, que é diferente do de Noah, pois o meu é primeiro e depois o dele. E isso deixou-me um pouco irritado. Porque os horários não podem ser os mesmos, bem, nunca vou saber. Mas isso está longe de ser a pior parte, o meu horário de intervalo é o mesmo que o de Jake.
*sorriso irônico*
Fui com Noah até a sua sala, afinal, ele não tinha porque faltar a sua terceira aula. Fomos até a sua mesa e ninguém disse nada, ninguém nem sequer notou. Nem mesmo notaram quando entrei na escola de mãos dadas com um rapaz, ou quando ele beijou o meu rosto em frente a secretária quando fomos pegar o seu horário. Ninguém se importava. E era assim que eu sempre imaginei que seria. Mas, infelizmente, nem tudo são flores. Aiden era da mesma sala de Noah e sentava-se a apenas algumas mesas da mesa de Noah, o seu rosto já não estava roxo ou com alguma marca.
E foi então que ele se virou para mim.
— E aí, aberração... — disse ele, que riu em seguida. Ele certamente não deve ter notado Noah.
— Hm, realmente não superamos isso ainda, não é? — suspirei ironicamente, esperando a sua próxima piadinha.
— O que você achou do meu projeto de arte? Tentei dar o meu melhor! — devolveu ele, num tom irônico também, na mesma hora, olhei para suas mãos e ainda era possível ver algumas manchas de spray vermelho na sua pele. Meu estômago congelou. Noah rapidamente levantou-se da sua cadeira, tentando alcançar Aiden.
— Foi você? Filho da puta.
— Noah Martin! — a professora sorriu quando entrou pela porta. — O sinal nem tocou e você já está aqui. Que exemplo! É bom conhecê-lo. — ela o levou para longe antes que ele realmente cometesse um assassinato, o que ele estava prestes a fazer. Aiden parecia petrificado.
— Por que você fez aquilo? Você estava bravinho porque Jake te deixou de olho roxo? Ou você é tão ignorante assim? — Aiden não tinha palavras.
— Quem é esse? — ele engoliu em seco.
— Ah, ele? Ele é o meu namorado. — alguns amigos de Aiden que estavam ali riram da cara de medo que ele fez. — Se você acha que Jake é maluco. Ah, meu amigo, você ainda não viu nada... — me inclinei para perto do seu rosto. — Continue me ferrando. Eu quero ver o quão longe você vai até realmente se arrepender. — disse entre dentes, em seguida, sai dali. Noah estava ocupado com a professora e eu não poderia permanecer ali. Eu me sentia tonto.
Se Aiden foi quem destruiu o meu quarto, isso significa que Jake não foi o responsável e que eu o acusei injustamente.
Que droga!
***
— Oliver, o que você disse para ele? Ele parecia um fantasma! — Noah alcançou-me no corredor enquanto eu me distanciava da sua sala. Ele riu ao meu lado enquanto esperávamos o último sinal tocar para ele finalmente entrar para sua aula.
— Eu disse a ele que se ele achava que Jake era maluco, ele nem sequer podia imaginar o que você pode fazer. — tentei sorrir, mas o pensamento de ter injustiçado Jake não deixou.
— Vou te defender de qualquer forma possível. Você sabe, eu gosto de você, Oliver. — Noah se inclinou, dando-me um beijo nos meus lábios. Um beijo que me fez sorrir.
— Acho que devo desculpas a Jake...
— Eu também acho, mas… esse lance obsessivo que ele tinha sobre você não era aceitável. Se ele tivesse no seu caminho agora, eu provavelmente não poderia estar com você, nem mesmo fazer isso. — ele puxou-me para perto dele, em seguida, me beijando com um sorriso.
E as borboletas nunca se vão.
Nós dois sorrimos um para o outro e então o maldito sinal tocou.
— Eu vou falar com ele agora no intervalo, acho que com comida na mão vai ser mais fácil de conversar.
— Concordo. Ah, eu posso te levar para um lugar depois da escola…? — ele soprou no meu ouvido.
— Suponho que sim. Hm, posso considerar este um terceiro encontro?
— Como você preferir... princesa! — ele sorriu.
Com um último beijo, nós nos separamos. Ele entrou na sua sala e eu comecei a andar em direção ao refeitório.
***
No refeitório foi tão estranho, andar sem Noah ao meu lado. Normalmente, eu teria Jake ao meu lado, mas, sabe... as coisas podem mudar em um piscar de olhos. Jake me chamou a atenção, no canto do refeitório sozinho, encarando a mesa vazia. Ele não estava se movendo e até parecia um pouco pálido.
— Oliver! — Bianca me puxou pela camiseta, puxando-me em direção a sua mesa.
— Ei..
— Oli, eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu não deveria ter dado nenhuma palavra sobre o seu encontro e todo resto. Eu entendo se você ficar bra...
— Bianca! Está tudo bem... — eu ri e a abracei. — Noah e eu… estamos... meio que juntos agora.
— Não. Nossa. Você não brinca em serviço, hein... — ela brincou e riu.
—É oficial... quer dizer, eu acho... sabe, ele gosta de abraçar. — ri da sua expressão.
— E eu estou oficialmente com inveja. Eu ainda nem dei um pé na bunda do Brian. — ela suspirou.
— Você precisa se acalmar. — disse, outra vez lançando os meus olhos sobre Jake. — Hm, eu já volto, ok?
— Você vai falar com Jake?
— Sim.
— Boa sorte. Ele não tem falado muito ultimamente, nem comido ou se movido. Você realmente precisa corrigir isso, antes que algo pior aconteça. — disse ela.
Andei lentamente pelo refeitório até a mesa onde ele estava. Ele ainda parecia não ter me notado, puxei uma cadeira e me sentei. Ele ainda não olhou para mim. Será que ele está tão bravo assim comigo?
— Jake. — chamei o seu nome. Minha voz parecia ser a chave para chamar a sua atenção, os seus olhos se ergueram e ele olhou para mim.
— Oliver?
— O primeiro e único. — disse, ele parecia feliz até a cor do seu rosto havia voltado ao normal.
— V-você ainda me odeia...? — ele olhou para baixo.
— É... eu meio que te acusei injustamente.
— O quê? — os olhos de Jake estavam marejados.
— Aiden, de alguma forma, conseguiu entrar no meu quarto e... escreveu algo ruim numa das paredes com spray vermelho.
— Que droga? — de triste, ele passou para irritado agora.
— Pensei que tivesse sido você, porque você é o único que tem acesso e como ele entrou? Eu nunca vou saber. Mas eu estou aqui para te pedir desculpas. E eu não te odeio. — sorri fraco.
Jake saltou sob a mesa para me puxar para os seus braços. Eu estava literalmente nos seus braços agora. Sem exagero.
— Então, isso significa que somos amigos de novo? Melhores amigos?
— Sim. Mas só se você fazer uma coisa. — mordi o meu lábio inferior. Ele me soltou e sentou-se de novo.
— Qualquer coisa.
— Eu preciso que você pare de agir como se fosse o meu dono. Tudo bem, eu acho legal que você se preocupe e se importe comigo, mas às vezes passa dos limites. Sabe, eu não aguento mais toda essa loucura. Eu preciso do meu antigo Jake de volta. — Jake assentiu obedientemente.
— Eu também preciso do meu Oliver de volta. — Jake me abraçou novamente com um sorriso. Ele tentou sorrir quando foi dizer a próxima coisa. Mas eu pude notar a tristeza em seus olhos quando ele disse. — Você e aquele cara, ficam legais juntos...
— Valeu... o nome dele é Noah, a propósito. Ele foi transferido para cá.
— Imaginei. Eu teria me lembrado de seu rosto.
— Então, você vai voltar a comer? Eu ouvi alguns boatos que...
— Pois é, eu estou faminto. Que tal a gente sair para comer algo depois da escola. Eu pago... — Jake estava radiante agora.
— Hm, eu... eu tenho planos. Talvez outro dia. — Jake voltou a olhar para a mesa vazia. — Como eu dizia, eu não vou ter muito tempo livre agora, eu tenho outras pessoas na minha vida. Mas vou estar livre à noite, por que você não vai lá em casa para eu te mostrar o meu novo quarto?
Jake iluminou-se com a ideia.
— Podemos assistir um filme, ou jogar vídeo game, o que você diz?
— Eu digo, claro... — Jake riu.
E as coisas estavam boas de volta.

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