Narrado por Oliver.
— Boa noite, dona Marina. Noah está em casa? — perguntei assim que a mesma abriu a porta e sorriu.
— Boa noite, Oliver! Noah não está, saiu agora à noite, na verdade, pensei que estivesse com ele. — quando as palavras saíram da sua boca, senti uma pontada no meu peito como se alguém tivesse cravado um punhal no meu coração e o torcido.
— Ah... é... eu fiquei de encontrá-lo, mas ele não me disse onde. — sussurrei, ela acenou.
— Bem, ele disse que iria até à colina aqui perto! Tenho certeza de que ele deve estar te esperando lá! E também, independente de qualquer coisa, aquele menino sempre passa muito tempo lá...
— Obrigado, dona Marina. Tenha uma boa noite! — forcei um sorriso no meu rosto e dei a volta em direção ao carro de Bianca.
— Strike dois. Noah disse a mãe dele que estaria comigo hoje à noite
— Droga, Oliver, isso definitivamente não é bom.
— Eu sei, Bianca, eu sei. — olhei para fora da janela, observando o ligeiro passar das árvores enquanto Bianca dirigia. — Temos outro lugar para ir, eu te mostro o caminho.
— Você que manda chefe! — Bianca é tão paciente comigo. Por que ela é sempre tão paciente?
— É nessa estrada horrível, mas o lugar não fica tão longe. — suspirei.
Uma vez que Bianca entrou na estrada que dava acesso ao topo da colina, percebi que o seu carro não iria conseguir chegar até lá, pois a terra ainda estava muito úmida e o carro ficava resbalando.
— Bianca, acho que vou seguir a pé. Enquanto isso, você pode ficar me esperando aqui, não vou demorar. — murmurei, agarrando o meu casaco.
— Tá doido se acha que vou te deixar ir sozinho, eu vou com você. Somos uma equipe, não somos? — e depois disso, entramos de volta no seu carro. Bianca deu ré, voltando para a estrada principal e estacionando seu carro no acostamento. E apesar do tempo com cara feia, escolhemos seguir a pé.
— Você está pronta?
— E eu tenho escolha? — Bianca murmurou em resposta com um sorriso. Não, não, você não está. Pude sentir um sorriso crescer no meu rosto enquanto iniciávamos a nossa expedição até o topo da colina. Memórias serão certamente feitas com essa garota, sem dúvida.
Depois de cerca de cinco minutos, havíamos chegado ao nosso destino.
— Esse é o carro dele? — Bianca perguntou. Aquele, com certeza, era o carro de Noah estacionado a apenas alguns centímetros da borda.
— Ele deve está aqui há algum tempo. — murmurei. As rodas do carro estavam atoladas na terra úmida.
— Olha, as janelas estão embaçadas! Ele deve estar aí dentro! — disse Bianca num tom alto para que apenas eu pudesse ouvi-la.
Lentamente, fui até o carro e estendi a minha mão até a maçaneta. Com um último suspiro, abri a porta.
— Noah... — pressionei a minha mão contra o meu rosto.
— Oliver! — Noah saltou de susto com uma expressão de choque. Bianca apertou a minha mão com força.
Com o meu braço preparado, fechei o meu punho e dei um soco na cara dele, tão forte quanto eu possivelmente podia. Em seguida, bati a porta do carro com força.
— Strike três... vamos para casa. — lágrimas escorriam pelo meu rosto frio enquanto eu andava de volta, me sentindo mais pesado que um tanque de guerra. Eu chorava muito, mas para quê?
— Ele... ele estava... — Bianca começou, tentando superar o que acabamos de ver.
— Sim, Bianca.
Noah e aquele garoto não estavam só se beijando e se estivessem, eu não teria exagerado tanto a ponto de dar um soco no seu rosto. Bem, talvez ainda teria. Mas quando abri a porta, os dois estavam completamente nus. E eu não preciso nem dizer o que estava acontecendo, certo?
— Eles estavam fazendo sexo… na merda de um carro? Que droga! — Bianca murmurou.
Bati o meu punho em uma árvore com raiva, o que foi estúpido, porque o meu pulso começou a doer, mas eu estava em fúria.
— Oliver, se acalma. — Bianca tentava me acalmar até que chegamos ao seu carro.
— Eu-eu não consigo acreditar que isso aconteceu, que eu vi eles. — eu soluçava enquanto Bianca dirigia, que começou a chorar também.
— Oliver... — ela parou o carro novamente no acostamento e eu abracei-a, envolvendo os meus braços ao redor do seu pequeno torso e a apertei.
— Ele... ele era tudo para mim. — eu mal conseguia falar, porque me engasgava seguidamente com as minhas palavras.
— Eu sei, Oli, eu sei... — ela suspirou. — Já sei, que tal a gente ir comprar sorvete e depois ir para a sua casa, hum? — não respondi apenas continuei a chorar. Por dentro, eu me sentia dormente.
Mas de alguma forma, eu já sabia disso. Já sabia que isso ia acontecer. Ninguém é tão perfeito em todos os sentidos.
Ninguém.
***
— Me alcança outro pote. — pedi depois que joguei no lixo o pote que havia acabado de esvaziar.
— Oliver... — Bianca franziu a sua testa enquanto eu "devorava" a minha dor. O seu cabelo estava preso num coque bagunçado e ela estava usando seu pijama agora. Ela definitivamente não ia a lugar nenhum hoje à noite.
— Por quê? Por que ele tinha que ser tão perfeito? — abocanhei a colher cheia de sorvete de flocos e deitei a minha cabeça no balcão. A superfície fria acalmava meus nervos.
— Nem todos são assim, Oli.
— Eu nem sei por que estou chateado! Quer dizer, a gente só estava junto há uma semana! — cravei a colher no pote e olhei para ela.
— Mesmo que se trate de uma semana, um mês, um ano, ou até mesmo uma vida inteira, se apaixonar é se apaixonar. — Bianca suspirou. Coloquei o meu sorvete de volta no freezer e puxei Bianca para o andar de cima.
— É essa a colina onde a gente foi, não? — Bianca franziu a sua testa.
— Aham... — abri a gaveta da minha escrivaninha e tirei de lá um pedaço de papel. Coloquei fita adesiva no final de cada canto do mesmo, em seguida, desenhei uma pessoa sentada sozinha na colina e então o coloquei na parede. — Agora está perfeito.
— Oliver, só esqueça ele, você vale muito mais a pena do que qualquer aventura que aquele idiota vá ter.
— Só de pensar que me apaixonei por alguém como ele, eu me sinto tão trouxa. — sentei-me na cama com ela ao meu lado.
— Olha, eu aposto um ano inteiro de sorteve que vai encontrar alguém dez vezes melhor que ele, juro. — e o rosto dele surgiu em minha mente.
Não, não de Noah, mas de Jake.
— Eu quero Jake.
— Eita, você se recupera rápido, hein…
— Não assim, garota! Quer dizer... eu só meio que gostaria que ele estivesse aqui. — cocei a parte de trás da minha cabeça, confuso com as minhas próprias palavras. Nem estava mais chorando.
— Então, liga para ele.
— Ele deve estar me odiando agora, ele não vai me atender.
— Para de fala e só liga, garoto. — Bianca entregou-me o meu celular.
— Tá bom! — peguei o meu celular e disquei o número dele. Por favor, Jake, atendi... por favor, atendi.
O telefone chamou umas três vezes, mas sem resposta.
— Bianca, me dá o seu celular.
— Hmm, tá… aqui. — ela entregou-me e eu rapidamente disquei o número dele.
Ele atendeu.
— Alô?
— Então você está me ignorando. — rosnei. Bianca riu.
— Vocês são tão parecidos! — disse ela, sentando-se de volta na cama.
— O que você quer, Oliver? — Jake suspirou.
— Por que você ainda está bravo comigo? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
— Eu não estou bravo com você... você sabe que eu não consigo ficar bravo com você, eu só…
— Você só...?
— Eu só não consigo me controlar quando estou perto de você e está certo, eu não quero estragar as coisas entre você e aquele cara. — ri disso. Uma risada que saiu nada alegre.
— Por que você está rindo? — Jake sussurrou.
— Ah, eu tenho uma ótima história para você, Jake.
— E eu devo ficar preocupado?
— Quanto tempo você demora para chegar aqui? — respondi com outra pergunta.
Dessa vez, Jake riu. E desligou. Depois de alguns minutos, o barulho da camionete dele soou, deixando claro que ele havia chegado.
— Se você começar a chorar... — Bianca agarrou o meu pulso.
— Eu não vou, prometo! — me virei e sorri para a tranquilizar.
— Tudo bem, então.
Jake entrou no meu quarto. Ele usava uma bermuda do uniforme de basquetebol e uma camiseta regata. A bandana amarrada na sua cabeça fez-me sorrir.
— Então, o que está acontecendo? — Jake desajeitadamente perguntou.
— Bem, acho que pode-se dizer que Noah e eu não estamos mais juntos. — sorri sem graça enquanto apontava para o mural na parede.
— O-o quê? — a voz de Jake soou, tão esperançosa.
— Desconfiança é sempre uma ótima ferramenta para se ter. — Bianca brincou.
— Pois é... eu peguei Noah e outro garoto conversando, nada tão grandioso, certo?
— Por isso você terminou com ele? — Jake revirou os seus olhos.
— Pode só calar a boquinha por dez segundos e escutar? — rosnei. Bianca riu. — Continuando, eu percebi ter algo errado quando ele cancelou o nosso encontro de hoje.
— E? — Jake inclinou-se, à espera de alguma reviravolta na história. Esse menino é sempre uma surpresa.
— Bianca e eu encontramos ele e o garoto, que não faço ideia de como é nome dele, mas pegamos Noah e o garoto, fazendo coisas no carro dele. — terminei. Os olhos de Jake se arregalaram.
— Espera, você está de sacanagem comigo? Porque se você estiver...
— Jake! Por que diabos eu estaria brincando? —murmurei.
— Realmente descobrimos que Noah estava tendo relações com um cara da nossa escola. Oliver não está mentindo. — Bianca confirmou, apenas fazendo o rosto de Jake corar de raiva.
Jacob parecia estar prestes a subir pelas paredes.
— O que você fez depois disso? Por favor, não me diga que você saiu correndo sem nem avisá-lo ou algo assim... — Jake disse entre dentes cerrados e punhos apertados.
— Na verdade, Oli pode até ter quebrado o nariz dele com um soco. O barulho foi perturbador. — Bianca franziu a sua testa. Pude sentir lágrimas começarem a brotar.
— Pelo menos isso, Oliver. — Jake se levantou do chão e envolveu os seus braços em volta de mim. — Sinto muito por isso.
— Eu devia ter percebido que ele era muito bom para ser verdade... — enxuguei as minhas lágrimas, Bianca franziu a sua testa ainda mais do que antes.
***
Jake decidiu ficar e passar a noite, segurando a minha mão enquanto ele, Bianca e eu, todos víamos um filme. Adormeci nos seus braços por acidente, mas senti-me tão bem no momento. Bem, ou quase, eles podem dizer que eu estava dormindo, mas eu estava fingindo. Deixei Jake brincar com o meu cabelo enquanto caia sobre ele. Foi tão reconfortante, eu simplesmente não conseguia dormir. Bianca estava literalmente desmaiada no sofá, roncando alto enquanto o filme continuava rodando. Jake era o "único" que ainda estava acordado. Com muito cuidado e lentamente, Jake deslocou-se para baixo, colocando os seus lábios macios e quentes nos meus.
E novamente o fogo estava lá, queimando em mim, mas para surpresa de Jake, eu o beijei também.

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