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Contos dos Heróis Silenciosos

Caminhando para a Morte (3)

Caminhando para a Morte (3)

Feb 20, 2023

O cantar das cornetas acordou Miguel, que se levantou de súbito, assustado. À sua volta, os outros rapazes já estavam se arrumando. Um soldado entrou na tenda e disse rispidamente que o dia havia chegado. Deveriam preparar-se para ir à guerra. Deixariam o acampamento antes mesmo do sol nascer, para que pudessem tomar uma posição privilegiada no campo de batalha. Depois de se trocarem, todos deveriam ir à tenda-ferraria e armar-se rapidamente e em seguida dispor-se em fila de marcha. Miguel vestiu uma proteção de couro, pegou um capacete, uma lança e por fim, uma faca para situações de emergência. Dirigiu-se ao final da fila, onde esperou silenciosamente. Às vezes tentava dar uma olhada nas outras pessoas, para ver se encontrava Bernardo, mas não conseguia localizá-lo. Logo uma mão encostou em seu ombro e o rapaz se deparou com Leo logo atrás na fila.

- Eu vou ser sincero… não estou nem um pouco animado com isso. Principalmente agora que chegou o dia, queria poder só voltar pra casa. Não sente o mesmo?

- Sinceramente, eu estou pensando mais em como sobreviver. Não adianta ficar querendo voltar para casa agora… - A resposta de Miguel foi seca e direta. Talvez o ar deprimente do dia tenha afetado o ânimo de todo mundo.

A marcha foi longa e silenciosa. Ninguém ousou proferir uma palavra. Foram quilômetros de tilintar se metais e galhos quebrados. Num certo ponto, alguns começaram a cochichar e os sussurros logo alcançaram o jovem fazendeiro. Diziam que haviam acabado de atravessar a fronteira do feudo. Agora estavam em território inimigo. Para muitos deles que nem sequer tinham saído da própria aldeia, isto era como estar em outro mundo. Chegaram num rio, o qual atravessaram numa região mais rasa, pois não podiam usar a ponte. Tangenciaram uma floresta por um tempo até alcançarem uma colina, a qual subiram. Do topo da colina, o comandante do exército conversava com outros oficiais, analisando o terreno, o tempo, e julgando como seria melhor proceder. Miguel e Leo estavam lá perto e puderam ouvir um pouco da conversa.

- Eles não deixarão que cheguemos ao castelo tão facilmente, sabem que nos juntaremos com as nossas forças aliadas. Por isso julgo que tentarão aniquilar-nos antes. Temos que tomar cuidado com possíveis emboscadas, não podemos perder recursos nem homens antes de chegarmos à fortaleza.

- Senhor, perto daqui tem um pântano, talvez possamos seguir aquele caminho e confundir um possível atacante.

- Você é estúpido? Se passarmos pelo pântano eles terão vantagem! Não… temos que arriscar ir por aquele vale. É o caminho mais rápido e, mesmo que consigam nos abordar, poderemos nos defender propriamente.

E assim foi. Desceram a colina e seguiram para o vale, tentando ser velozes para não chamarem muita atenção. A paisagem era parecida com a que conheciam, porém diferente. Era aquele tipo de diferença que você só percebe porque vive lá. O exército começou a sair do vale, seguindo na direção de uma floresta. Segundo os comandantes, a fortaleza estaria além. Foi então que todos foram surpreendidos por um grito agonizante. Um soldado acabara de ser atingido por uma flecha no pescoço, caindo imediatamente no chão. A marcha parou com um grito de um oficial e logo começaram a montar uma formação defensiva. Do alto de uma das colinas, foi possível ver um arqueiro, e logo atrás dele, um grande grupo de soldados. O comandante proferiu ordens de fazer uma linha de defesa para então subir a colina, mas foi logo interrompido por mais um grito.

- Do outro lado também!

O comandante virou o rosto e se empalideceu ao ver que na colina de trás havia outro destacamento.

- Preparar formação de defesa! Protejam-se das fle-

Sua ordem foi interrompida por uma flecha que atravessou sua língua e mandíbula. Isso foi a gota d’água para os soldados. Por mais que os outros oficiais tentassem organizar o exército, os recrutas estavam aterrorizados, tentando se proteger de qualquer forma possível. Logo uma chuva de flechas caiu sobre eles. Um por um, os soldados foram caindo. Após isso, os dois destacamentos começaram a descer a colina, flanqueando-os.

Assim que os exércitos se encontraram, Miguel não sabia mais para onde ir, nem onde estava. Encontrava-se esmagado entre dezenas de pessoas, se empurrando, jogando, socando. Nem sabia mais porque carregar uma arma quando tudo estava tão apertado. Aquela visão era aterrorizante. Pessoas se estrangulando, se pisoteando, se arrastando. O chão começou a ficar enlameado, o sangue misturado com a água. O rapaz sentiu seu capacete sufocá-lo. Não via mais Leo, nem Bernardo. Estava só, num banho de sangue e gritos.

Porém, não podia ficar parado. Logo notou que alguém tentava atacá-lo. Miguel se abaixou e logo percebeu o quão estúpida foi essa decisão. Uma vez que descesse, não podia mais subir, apenas os chutes e empurrões o fizeram cair no chão, sujando seu rosto e corpo de lama. Incontáveis pés pisavam sobre ele, corpos caíam sobre ele, a desgraça tomou o corpo dele. Tentou arrastar-se, inutilmente. Era estreito demais. Logo não conseguiu mais se mexer, enterrado por corpos. Estava cansado, muito cansado, mas não queria morrer ali. Felizmente, por mais que não soubesse manusear armas tão bem, ainda possuía bastante força. Concentrou-se em retirar os corpos de cima de si. Feito isso, esperou uma brecha para poder se levantar. Apoiou a mão no ombro de um soldado e usou isso de impulso para ficar de pé.

O pior estava feito, agora precisava evitar ser empalado. Sacou sua faca, a única arma que lhe sobrara, e tentou escapar daquela multidão. Onde quer que olhasse, via cabeças traumatizadas, repletas de sangue, lanças e espadas avermelhadas. Vermelho… dor… muita dor. Foi isso que sentiu subitamente. Uma dor forte na lateral do corpo. Nesse momento, olhou para o lado e viu alguém fincando a ponta de uma lança nele. Não pensou, não agiu de forma racional. Ele apenas ergueu a faca e a enfiou numa abertura do capacete. O soldado inimigo soltou a lança e gritou, mais um grito esquecido no coro da morte. Miguel celebrou sua vitória, mas a ferida queimava. Cambaleou mais um pouco, brandindo a faca, atacando quem quer que fosse. Nesse ponto, não se sabia mais quem era amigo e quem era inimigo. Não havia mais moral na batalha, o único foco de todos era a sobrevivência. Sobreviver… sobreviver… essas palavras ecoavam em sua cabeça quando sentiu mais uma dor intensa em sua perna direita. Mais um corte. Desequilibrou-se e caiu sobre a lama e os corpos e o sangue. Deitou-se no leito moribundo da morte. Tentou voltar, mas outro corpo caiu sobre ele, este com um peitoral de metal que esmagou o fazendeiro. Dessa vez… ele não tinha mais forças para levantar. Manteve a consciência por um breve período de tempo, contemplou as pessoas se arrastando para fora do inferno, só para serem alvejadas por flechas traiçoeiras. E então, sempre pensando na palavra sobreviver, fechou os olhos e entregou-se para o destino. Mais um desafortunado jaz no massacre caprichoso.

matteomoreira48
MethWhite

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