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BHESDA: O Triunvirato

Capítulo 2: Na Toca da Serpente #1

Capítulo 2: Na Toca da Serpente #1

Apr 29, 2023

Depois de quase encarar a morte e ser salva pelos três garotos, nos reunimos para enfrentar a próxima ameaça: a Masmorra dos Homens-Serpente. A confiança de todos era visível — talvez até demais — e isso me deixava apreensiva. Da última vez que estive em um grupo tão autoconfiante, o final não foi exatamente feliz.

A entrada da masmorra parecia soterrada sob as areias do deserto. Vista de fora, era como se estivéssemos entrando pelo segundo andar de uma fortaleza esquecida, com o restante enterrado sob a terra. A construção era de pedra clara, rústica, com torres instáveis nas extremidades e um portal em arco que servia como entrada.

Ao deixarmos as areias para trás e pisarmos no piso firme da varanda de entrada, percebemos: estávamos mesmo no segundo andar. Assim que cruzamos o portal, o vazio se formou atrás de nós. A saída havia sido selada. Esse era o protocolo de masmorras: uma vez iniciada, só se sai após concluir, desistir... ou morrer. Um sistema feito para evitar interferência externa — e roubo de recompensas.

— Entramos pelo segundo andar. Isso nos dá tempo para planejar antes que os Yuan-tis nos encontrem — disse Akiguya, guardando a espada e abrindo seu Registro de Jogador.

— Yuan... o quê? — perguntei, confusa.

— Yuan-tis. São os seres que te atacaram. Uma raça demoníaca do deserto, basicamente serpentes com corpo humanóide — explicou Uryu, com sua costumeira clareza. — Nos RPGs clássicos, eles nem sempre são demônios, mas aqui tudo é mais simplificado. Criaturas com corpos anômalos e alinhamento maligno são demônios. As bondosas são anciãs ou anjos. Confesso que não gosto dessa lore...

— Agora que terminou sua aula de história... — Aki interrompeu o amigo, com um olhar de mal-humor. — Consegue abrir o mapa que conseguimos com aquele mercador? — completou Akiguya, visivelmente impaciente.

— Como vocês conseguiram um mapa? A missão que pegamos não deu nenhum item especial...

— Sistema de quests aleatórias. A mesma missão pode aparecer de jeitos diferentes, com recompensas únicas dependendo do caminho — explicou Akiguya, mostrando sua lista de missões. Nela era possível ver uma espécie de corrente que se expandia em vários caminhos, cada um deles censurado e apenas alguns marcados como visualizáveis — os que eles haviam seguido até ali.

— Você tinha que ver o Aki! Ele quase perdeu as próprias roupas pra conseguir esse mapa de um velho caduco lá na cidade! — zoou Kronus, apontando para Aki, enquanto Uryu tentava conter o riso ao fundo.

— Mas eu ganhei, não ganhei?! — rebateu o ruivo, indignado, gritando em direção a Kronus. Ele colocava as mãos na cintura, parecendo uma garota raivosa quando suas amigas começam a provocá-la. Admito que essa atitude arrancou de mim uma risada involuntária.

Uryu assumiu a dianteira, abrindo o mapa no Registro para que todos víssemos.

— Tenho a fortaleza inteira mapeada — disse. Eu via então uma planta azul do cenário: corredores, labirintos, as divisões das salas onde se encontravam inimigos e possíveis tesouros. Realmente, essa área parecia bem mais fácil com a presença de um mapa como guia. A forma como conseguimos essa missão foi através de um cartaz na Guilda de Aventureiros da cidade principal — não tínhamos nada além da localização e da recompensa.

— Onde fica a sala do Boss? — perguntou Akiguya.

— Esquerda — respondeu Uryu, apontando. — Precisamos descer, virar alguns corredores, talvez lutar um pouco, depois encontrar uma porta de madeira e... Nossa.

Ele parou, olhando fixamente para o mapa, com um ar sério e claramente frustrado.

— Algum problema? — perguntei, sentindo a tensão do grupo subir.

— O level design dessa dungeon é muito malfeito — resmungou Uryu, ajeitando os óculos com irritação.

— MÁ VOCÊ SÓ RECLAMA, EIN?! — Akiguya pareceu ter esperado qualquer coisa... menos isso. Gritou no ouvido do colega, fazendo o ar movimentar seus cabelos, mas o jovem meio-elfo manteve-se em pé como uma estátua... uma estátua muito irritada.

— E então, qual é o plano? — tentei trazer o foco de volta, embora meu suspiro de cansaço fosse aparente.

— Tática padrão. Uryu e eu vamos para a esquerda, em direção à sala do Boss. Vocês dois vão para a direita — disse, indicando o caminho, enquanto Kronus não parecia muito focado no que estava sendo dito.

— Mas se já sabemos o caminho, por que dividir? — Achei que valia a dúvida.

— Não se preocupe, o Aki sempre faz isso em dungeons pequenas. Quer que vocês chequem se há tesouros escondidos — explicou Uryu, já se preparando para partir e atravessando o corredor.

Eles seguiram. Kronus e eu ficamos para trás.

— Parece que é com a gente agora! — disse Kronus, empolgado, batendo o punho na palma da mão. — Vamos ser rápidos, assim alcançamos eles depois!

— C-certo! — Segurei o cajado firme junto ao peito. Estava nervosa, mas precisava ao menos fingir coragem.

Meu nervosismo não havia desaparecido, mas, estranhamente, eu me sentia segura com ele ao meu lado.

— Ah! Você deve ter perdido bastante mana por causa dos seus amigos, né? — disse ele, procurando algo no inventário. — Toma, uma poção de mana. — Ele estendeu um frasco alquímico com um líquido azul que brilhava intensamente.

— Obrigada.

Assim que bebi, senti minhas energias mágicas se restaurarem.

Começamos a explorar. O plano era andar sem rumo e procurar por qualquer coisa útil. Mas algo me incomodava... Kronus parecia saber exatamente para onde ir. Esquerda, direita, corredores estreitos, mudanças de direção precisas... Não era aleatório. Era alguém seguindo um trajeto conhecido.

— Não devíamos ir mais devagar? Podemos estar deixando coisas pra trás — sugeri.

— Não tem nada pra trás. Esse caminho leva ao que importa — respondeu, entre suspiros. Por mais que não nos sentíssemos realmente cansados, a imersão do jogo nos dava a falsa sensação de que precisávamos de fôlego para correr — talvez alguma conexão neural com a barra de energia embaixo de nossas vidas, ou apenas uma reação comum do corpo.

— Como você sabe disso? — Corríamos pelos corredores com agilidade. Era quase difícil acompanhar os movimentos do garoto — para quem tinha pernas curtas, ele era incrivelmente rápido.

— Decorei o mapa. Essas salas só têm itens fracos. Se queremos tesouros de verdade, temos que encontrar as cobras gigantes.

Eu congelei.

— Você decorou o mapa inteiro?! Só de olhar?!

— Ué... não é assim que as pessoas fazem?

Ele dizia aquilo como se fosse a coisa mais simples do mundo. Seu olhar era inocente como o de um gato preto.

Seguimos até sermos interceptados pelos Yuan-tis. Eu estava distraída com a conversa e não os vi saindo dos corredores laterais. Seis à frente, mais dois atrás. Estávamos cercados. A área parecia uma espécie de domo circular — um pequeno salão que garantia passagem para outras direções do templo.

Altos, musculosos, quase nus, apenas com saiotes rasgados, escudos numa mão e espadas largas na outra. Seus sibilos se misturavam a grunhidos humanoides. Eram grotescos. Esses eram os Yuan-tis.

Minhas pernas fraquejaram. A lembrança da última batalha quase me dominou... até que olhei para Kronus. Ele sorria.

Por quê?

— Ei, Emma... Você tem magia de Aceleração? — perguntou, sem olhar para trás, apenas segurando sua arma com firmeza e cerrando os punhos.

— T-tenho... Por quê? Estamos cercados, será impossível fugir mesmo com ela! — Eu agia com desespero, olhando para os corredores laterais, para trás, para frente. Meus olhos percorriam o salão em busca de alguma saída... mas não havia nada!

— E desde quando eu falei em fugir?

O sorriso dele agora era algo entre loucura e confiança absurda. O rosto de uma criança... com olhos de predador.

— Use em mim e se proteja. Isso vai ser rápido. — Ele colocou o machado nos ombros.

— O-ok! Dominus, qui gubernat tempora, dona nobis necessaria celeritate! — pronunciei as palavras de conjuração.

Luz azul envolveu os pés de Kronus. Sua velocidade aumentou drasticamente.

— Beleza! — Ele fechou o punho. — Querem me matar? Tentem me alcançar!

E então... ele desapareceu.

Era como se estivesse se teleportando. Um golpe horizontal com seu machado dividiu um Yuan-ti ao meio. Num instante, já estava em frente a outro inimigo, lançando-o contra a parede com um soco que abriu um buraco na estrutura.

Como era possível? Sua força e velocidade superavam tudo que eu já tinha visto.

Dois inimigos tentaram atacá-lo em sincronia. Ele se abaixou, aplicou uma rasteira, e um deles teve o pescoço decepado pelo próprio companheiro. Kronus ergueu o machado e fez um corte vertical, partindo o outro ao meio.

Um terceiro tentou me atacar. Encurralada, pensei que fosse o fim... até que Kronus surgiu entre nós. Segurou a espada com a mão e a quebrou como se fosse de madeira. Um corte preciso no peito do inimigo o reduziu a pixels.

Ele derrotava todos com um único golpe!

— Botas de Lampejo Repentino — disse, lendo meus pensamentos. — É um item que me deixa tão rápido que parece que eu teleporto. Com a sua magia, fica bem fácil ativar a passiva das botas, hehe.

O combate seguiu brutal. Mordido no ombro, Kronus apenas ergueu o inimigo pelo pescoço e o esmagou. Outro fugiu em minha direção. Kronus pediu que eu removesse o veneno.

— O mater natura, nos ex hac cui maledixisti passionem consummare! — Estendi meu cajado em sua direção, junto com a mão aberta. Dela, uma luz verde com letras no idioma do jogo se formou. Um feixe atingiu a área afetada e a notificação de veneno no canto do Registro de Jogador de Kronus desapareceu.

Curado, voltou ao ataque. O último inimigo, apavorado, investiu com o escudo. Kronus o destroçou. A luta ficou intensa — golpes, bloqueios, choques de armas. Quando cansou da brincadeira, teleportou para trás do oponente e atravessou seu corpo com um soco.

Tudo havia acabado.

— Esse foi o último — disse, num tom sombrio. — Ufa! Até que deu pra suar, né? Hihihi!

O sorriso infantil voltou. Como se nada tivesse acontecido. Ele relaxou a arma nos ombros e limpou o suor da testa.

— Quanta força... Como você consegue fazer isso? — perguntei, ainda em choque.

— Bárbaros sempre são uma classe bastante roubada quando o assunto é trocação franca. Por isso gosto de usar eles... mas admito que sempre perco um pouco o controle, hehe... — Olhávamos em volta do massacre, os corpos estirados desaparecendo em pixels... Acho que “perder o controle” era uma expressão bem otimista.

Exploramos o restante da ala, mas só havia equipamentos fracos e itens para novatos. Kronus parecia decepcionado, até que...

— Opa! Mensagem do Aki e do Uryu — disse, enquanto o Registro surgia à sua frente e seu rosto se iluminava com o menu. — Chegaram na sala do Boss.

— Já que aqui não tem nada... vamos nos reunir com eles.

Cansados, mas prontos para o desfecho, seguimos em frente. Era hora de acabar com aquela missão e voltar para a capital.

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O combate desse capítulo talvez não esteja dos melhores, peço perdão por isso. Mas prometo que os próximos serão melhores!
Obrigado por ler até aqui e nos vemos numa próxima :D

#Fantasy #introduction #isekai #black_knight #VideoGame #Bhesda #game #medieval #rpg #vr

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