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BHESDA: O Triunvirato

Capítulo 3: Um Trio Curioso #1

Capítulo 3: Um Trio Curioso #1

May 08, 2023

Era noite. Viajamos pelo deserto até alcançarmos uma área esverdeada. Meus novos companheiros explicaram que, em regiões onde jogadores podem se enfrentar, o teletransporte entre cidades é bloqueado. Por isso, seguíamos a pé para fora daquela zona, rumo à civilização.

Como já era tarde, decidimos acampar e descansar junto à fogueira. Viajar à noite era perigoso demais — o risco de sermos surpreendidos era alto. Aquele momento tinha algo mágico. A imersão do jogo era tão absurda que eu me sentia numa história medieval de fantasia. Estávamos todos reunidos em silêncio ao redor da fogueira. Era relaxante. Com o clima mais leve, aproveitei para conhecer melhor meus novos colegas.

— Então... Quem são vocês? — tentei puxar assunto de maneira leve.

Os três me olharam confusos, como se só naquele instante tivessem se dado conta de que éramos completos estranhos unidos pelo acaso.

— Q-quer dizer... Eu sei os nomes de vocês pelos Registros, mas... não sei quase nada além disso hehe... — O nervosismo bateu quando percebi que apresentações podem ser bem mais constrangedoras do que eu lembrava.

Uryu congelou, como se tivesse cometido uma ofensa terrível. Seus olhos se arregalaram, e ele começou a tremer levemente. Era difícil acreditar que alguém tão calmo dentro de um jogo se importasse tanto com etiqueta. Já os outros dois pareciam não ligar muito.

Kronus bocejava enquanto coçava a barriga, e Akiguya apenas me encarava, curioso.

— M-me desculpe, senhorita! Quando jogo, acabo esquecendo dos bons modos. Me chamo Akira Uryu, sou Arqueiro Arcano, nível 23. Jogo Bhesda há dois anos e estou no segundo ano do ensino médio. Comecei por causa da imersão e da diversidade do mundo. No grupo, sou o responsável por fazer os planos, analisar mapas e armadilhas nas dungeons... e garantir que ninguém morra. Em outras palavras, o único com cérebro. — Ele fez uma reverência tão educada que me senti numa peça de teatro.

— Ok... Eu ia só me apresentar de forma normal, mas já que o gênio resolveu fazer um currículo inteiro... — o ruivo lançou um olhar de julgamento ao colega. — Me chamo Akiguya, mas pode me chamar de Aki. Cavaleiro Juramentado do Fogo, nível 25, jogo há dois anos. Tô no primeiro ano do ensino médio e fui eu quem apresentou Bhesda pros dois aqui. Qualquer dúvida, é só falar comigo! — Ele sorriu com orgulho e parecia o tipo de cara que você confiaria num combate... ou numa briga de rua.

— O pessoal aqui me chama de Kronus! Tenho 16 anos e gosto muito de jogar de Bárbaro! Ainda não escolhi subclasse, mas adoro armas gigantes! — Sua energia era contagiante, quase como um filhote de cachorro. — Comecei por causa deles e... ah, é verdade! Esqueci! Meu Nível é 22, mas sou bem mais forte do que pareço, tá bom? Muito prazer! — Ele se balançava sentado sobre uma de suas armas, como se estivesse no parquinho.

Com base no jeito de falar, na energia e despreocupação, eu já suspeitava que eram mais jovens. Só não esperava que fossem tão mais novos. Meu choque foi visível.

— Espera... então vocês três são... crianças? — O silêncio tomou conta da fogueira. Os três congelaram.

— Como assim... crianças? — Aki arregalou os olhos.

— Emma... quantos anos... você tem? — Uryu mal conseguiu articular.

— Vinte e cinco. Por quê?

Foi como se eu tivesse lançado uma magia de petrificação. Os três caíram no chão de espanto.

— Uma... uma garota... mais velha... — Aki repetia, em choque.

— Uma dama... tão madura e responsável... — uma lágrima escorreu discretamente do olho direito de Uryu. Pela primeira vez, ele demonstrava algo além de frieza e orgulho.

— ME CHAMAVAM DE PERDEDOR, MAS EU VENCI NA VIDA, PAPAI!!! — Aki socava o ar, em transe. Aquilo era ao mesmo tempo assustador e hilário.

— Agh! Que droga! Sou o mais novo de novo! — Kronus murmurou, como se fosse um destino cruel.

— Emma... se me permite perguntar... você já entrou na faculdade? — Uryu parecia mais interessado do que nunca.

— Estou no último ano de Psicologia. Por quê?

Uryu ajustou os óculos — e os quebrou na mesma hora, esmagando-os em um acesso de emoção. Ele parecia querer gritar algo, mas ficou caído no chão, sorrindo, como se tivesse alcançado a iluminação.

— Além de tudo, carreira médica... que perfeição... — murmurava, enquanto os pixels do jogo regeneravam os óculos no rosto dele.

Aki, por outro lado, pareceu perder um pouco da empolgação.

— E vocês? Já pensaram no que querem fazer da vida? — tentei mudar de assunto, claramente envergonhada com o rumo que a conversa tomou.

— Culinária. — disse Kronus, sorrindo.

— Artes Plásticas. — respondeu Uryu, sério.

— Streamer! — gritou Aki, animado.

— ISSO NÃO É UMA PROFISSÃO, IDIOTA! — Uryu deu um cascudo nele com força, como um irmão mais velho repreendendo o mais novo.

— É CLARO QUE É! — Aki rebateu.

— Só porque você gosta de videogame, não significa que vai viver disso!

— Tem um monte de gente que ganha dinheiro, é até ofensivo você dizer isso!

— Tô nem aí! Você sabe que não vai a lugar nenhum com essa ideia ridícula!

A forma como discutiam era impressionante. Qualquer coisa servia de combustível. E, ainda assim, eram claramente muito próximos.

— Por que vocês continuam jogando juntos, mesmo sendo tão diferentes? — não aguentei. Era como uma aula onde cada frase me gerava outra pergunta.

— Hm? — os três me encararam por um momento, até que o clima mudou.

— Estudamos no mesmo colégio. E, por mais diferentes que sejamos... tínhamos uma coisa em comum além dos jogos. — Uryu começou.

— Ninguém gostava da gente... — completou Kronus, mais sério.

— Não sei de onde você é, mas o bullying aqui no Japão pode ser bem pesado, se você não se encaixa. No fim, a gente acabou se juntando pra sobreviver. Mesmo que a gente brigue, aqui a gente consegue se divertir de verdade. Como amigos. Sem julgamentos. — Aki explicou. Sua voz carregava um certo alívio, como se o peso da realidade se tornasse insignificante naquele espaço virtual.

— Entendo... — foi tudo o que consegui dizer. Mas então algo me despertou.

— Espera... vocês são do Japão?! — Arregalei os olhos. — Pensei que os nomes fossem só apelidos.

— Somos da capital. Os três somos do mesmo distrito. — respondeu Aki.

Estávamos o tempo todo falando em inglês. Ao descobrir que éramos do mesmo país, passamos a falar em japonês.

— Então quer dizer que "Emma" é nome inventado? Eu não sabia que você era daqui. Seu inglês é quase perfeito! — Uryu parecia genuinamente impressionado.

— Sou mestiça. Meu pai é escocês, minha mãe era japonesa. Nasci e fui criada aqui, mas morei um tempo na Escócia. Meu pai sempre me ensinou o idioma dele. Acabei aprendendo com facilidade.

— Nossa, então você deve ser bem alta! — disse Kronus, com os olhos brilhando.

— Nem tanto. Mais alta que a média japonesa, mais baixa que a europeia. Diria que estou na média, haha. — pela primeira vez, ri com naturalidade. Nossa relação estava mais próxima agora.

Conversamos por horas. O clima ficava mais caloroso a cada minuto. Eu já não me sentia sozinha, nem com medo. Pela primeira vez desde que entrei neste mundo... realmente senti que havia encontrado bons amigos.

hellstuffnovelcomics
Hellstuff

Creator

Ayoooo!! Bem-vindos de volta! Sentiram minha falta? Obrigado por todo apoio que vocês estão dando. Gostaram do capítulo? Resolvi escrever algo mais vibing para conhecer um pouco melhor dos personagens.
Espero que todos vocês possam curtir o que estou escrevendo e nos vemos no próximo capítulo!

#Fantasy #introduction #isekai #black_knight #VideoGame #Bhesda #game #medieval #rpg #vr

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