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Contos dos Heróis Silenciosos

No Limiar entre a Realidade e a Fantasia

No Limiar entre a Realidade e a Fantasia

May 28, 2023

As árvores abraçavam o jovem fazendeiro, que caminhava a passos lentos por uma trilha muito sutil e deteriorada, reconquistada pela natureza. A lua começava a pairar sobre o céu, mas ele não percebia, pois as largas folhas faziam apenas alguns pálidos raios lunares alcançarem o leito da terra. A tocha acesa era a única iluminação que tinha, e sua luz dinâmica e ondulada transformava as sombras em danças macabras que cirandavam em volta de Miguel. O rapaz engoliu em seco, assustado, olhava pros lados continuamente, a cada passo. O bosque à noite era muito mais quieto, mas cada mínimo som soava muito mais. O “crec” de um galho quebrado, o “woo” de uma coruja, o “squick” de um coelho, cada um desses sons causavam arrepios. Volta e meia acabava pisando numa poça e rapidamente levantava o pé, como se deixá-lo só mais um segundo ali fosse mortal.

Na medida em que prosseguia seu caminho, começou a sentir a estranha sensação de que não saíra do lugar. Estaria andando em círculos? Para resolver sua dúvida, pegou a faca e entalhou um sinal de “X” num tronco e continuou a andar sem um rumo certo. Passou algum tempo e Miguel tentou consultar o mapa que Evaristo lhe dera, mas sem sucesso, aquele esboço não seguia nenhum tipo de escala e no fim confundiu o pobre rapaz ainda mais. Desesperançoso, guardou o pergaminho, fechou os olhos, e soltou um longo suspiro, na tentativa de se acalmar e pensar de forma mais lúcida. Talvez seus instintos o ajudariam a encontrar o que o velho queria… um acordo… e como diabos faria um acordo no meio da floresta? Um acordo com quem? Não, não conseguia se concentrar, não conseguia seguir instinto nenhum diante da crescente preocupação apertando seu peito.

Foi então que Miguel ouviu um ruído de folhas se mexendo. Olhou para os lados rapidamente, levando a tocha pra lá e pra cá, buscando a origem do barulho. A luz se depositou sobre um arbusto, que se mexeu sutilmente, produzindo o mesmo som. O rapaz engoliu em seco e deu um passo para trás. Nesse momento, um sapo saiu de dentro do arbusto e pulou no pé dele, coaxando de forma vivaz. Miguel soltou um berro e cambaleou para trás, tropeçando numa raiz. A tocha caiu numa poça e se apagou. Na escuridão, iluminado apenas pelos poucos raios lunares que conseguiam atravessar a barreira de folhas das árvores, o pobre garoto começou a correr como pôde, antes de quatro e em seguida de pé. O silêncio foi quebrado pelo som pesado dos passos sobre a terra úmida, os gravetos e a água. Correu… não sabia por quanto tempo. Correu até seu fôlego abandoná-lo. E quando isso ocorreu, desabou no chão ofegante, amedrontado, consumido pela estranheza daquele bosque.

Foi surpreendido novamente pelo uivo de uma coruja, mas dessa vez não tinha forças para correr. A ave, que olhava para Miguel num ramo acima dele, o observava com seus grandes e brilhantes olhos amarelos. Eram quase dois pequenos sóis que tentavam fracamente se destacar na escuridão. Antes que Miguel pudesse olhar para a predadora da noite, a coruja saiu voando, fazendo o galho chacoalhar levemente e algumas folhas caírem sobre o rapaz, que se sentou, recostado num tronco, desmoralizado.

– O que estou fazendo aqui…? Não devia ter escutado o Evaristo… – Suspirou, pensando em voz alta. – Não bastava tudo que me aconteceu, agora não sei nem mais como voltar para sua cabana.

Por mais que não tivesse muitas esperanças, Miguel reconheceu que, querendo ou não, descobrir o que Evaristo queria que fizesse era a melhor chance que tinha de sair dali.

– Um acordo… um acordo… quem faria um acordo comigo aqui? – Lamentou-se, fechando os olhos, para descansar um pouco.

Não chegou nem a cochilar, muito menos adormecer. Ficou apenas alguns segundos de olhos fechados, e isso bastou para se deparar com mais uma surpresa assim que os abriu. Diante de si o bosque estava diferente, mas ao mesmo tempo familiar. Sentiu a mesma sensação de quando entrou ali pela primeira vez. As árvores pareciam mais numerosas, a floresta mais densa. As poças e lagoinhas mais profundas, as plantas e folhas mais únicas e diferentes. Agora havia sapinhos tomando banho, alguns insetos voando pelo ar. Porém o mais esquisito era o fato de que conseguia enxergar melhor. O ambiente estava mãos iluminado, mas não por uma luz natural, e sim por uma luz diferente, quase que mística. Algumas flores pareciam soltar um brilho suave e baixo, e Miguel parecia ver pequenos pontos luminosos pairando no ar. Novamente, ele se sentiu absorvido por aquela estranheza, como se ela o fizesse perder um pouco os sentidos, ou a razão. Levantou-se e começou a andar, seguindo algumas luzinhas parecidas como vaga-lumes, que sinalizavam uma espécie de trilha.

Saiu dessa espécie de transe quando começou a sentir que pisava em molhado, e ao olhar pra baixo percebeu que estava andando com água que chegava até os joelhos. Assustado, olhou para um lado e para o outro, e viu água e mais água. Árvores cresciam sobre o que parecia ser uma lagoa, e agora o bosque parecia realmente ser um pântano. Estava no início de uma grande lagoa. Os vagalumes continuavam a sinalizar o caminho através da água. Miguel olhou para baixo, e se surpreendeu ao notar que havia luz vindo do fundo. Algas e plantas marinhas soltavam luzes azuis bem leves e frias, que contribuíam em deixar aquele ambiente exótico e destacado do resto do mundo. Era como se tivesse entrado numa terra diferente, mas dessa vez, era ainda mais forte e evidente do que na primeira vez que viera. Olhou para trás, esperando inutilmente que pudesse voltar e encontrar a saída, mas no fundo sabia que o melhor seria encarar a lagoa.

Deu um passo para frente, e mais um. Conforme andava a água ia ficando mais alta e Miguel sentia suas roupas ficando molhadas, aquela sensação fria e pegajosa lhe dava um pouco de desconforto, mas isso não o incomodava mais. O que o preocupou, por outro lado, foi quando a água chegou ao tórax, pois sentiu algo passando pela coxa. O rapaz olhou para baixo, mas não via nada, apenas essas luzes embaçadas e onduladas pela água. Sentiu novamente, dessa vez na outra coxa. Ergueu a perna, assustado. Começou a andar mais rápido, mas não escapou dessa sensação, que voltou pouco depois. Seria um peixe? Miguel quis acreditar que sim, e, vendo que o que quer que estava fazendo isso não parecia agredi-lo de nenhuma forma, continuou seu caminho. Sobre a lagoa, além das árvores de mangue, havia também vitórias-régias, sobre as quais descansavam sapos e rãs de vários tipos. A quantidade estranhamente grande de sapos presentes ali atiçaram a curiosidade de Miguel, que pensava na máscara que Evaristo lhe dera e tentava formar alguma conexão.

A água subiu… e subiu. Chegou em seu pescoço. O rapaz precisava erguer a cabeça para respirar, afinal, não sabia nadar. Ele sabia desse fato, sempre soube, mas por algum motivo isso nunca passou pela sua cabeça quando resolveu seguir os vagalumes até mesmo na lagoa. E foi então que viu algo que, até aquele exato momento, acreditava ser apenas possível de ver através dos sonhos. Uma enorme vitória-régia boiava sobre a água, cobrindo uma parte central do pântano. Em volta dela, plantas subiam e suas flores azuis brilhavam, produzindo mais luz fria, que iluminava, mas ao mesmo tempo mantinha o lugar na penumbra. Sobre a vitória-régia, como era de se esperar, havia sapos, porém algo a mais fez Miguel arregalar os olhos. Uma figura grande da altura de uma mesa, mas robusto e cheio, jazia no centro da plataforma. Parecia um sapo, mas enorme, muito maior que qualquer sapo que vira em sua vida. Ele era cheio de verrugas, uma boca comprida que ia de canto a canto da cabeça, e olhos amarelos, brilhantes. Sua pele era de um azul acinzentado, mas Miguel não conseguia distinguir se era essa sua cor verdadeira ou se era apenas efeito das luzes das plantas. O grande sapo estava sentado no centro da vitória-régia, e não parecia mover-se, nem fazer nada. Estava imóvel. O rapaz novamente se lembrou da máscara de sapo.

Ao aproximar-se o suficiente, pôs as mãos na plataforma e subiu nela. Estranhamente, a planta não se dobrou, muito pelo contrário, permaneceu rígida como a terra. Respirou profundamente algumas vezes, para recobrar o fôlego e aliviar um pouco a tensão de sua jornada pela lagoa. Os sapinhos começaram a saltitar com a chegada do rapaz, mas o grande sapo não mexeu um músculo. Após alguns minutos de descanso, Miguel levantou-se e apenas então pôde vislumbrar detalhadamente aquela figura estranha. O sapo parecia quase que fisicamente diferente dos sapos comuns, dependendo do ângulo parecia até outra coisa que não um sapo. O garoto rodeou algumas vezes a vitória-régia, analisando de perto as plantas o resto. Ainda estava um pouco temeroso, mas após aquele espetáculo de luzes e sensações, sua curiosidade despertou novamente e se sobressaiu. Algo, no entanto, o fez parar, imóvel. Uma voz grave, que ecoou pela lagoa toda e fez uma onda se propagar sobre a água, dirigiu-se a ele.

– Sinto um distúrbio no meu sono. – Essas palavras petrificaram o coração de Miguel de pavor.

matteomoreira48
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#Mistico #brazil #legend #aventura #Fantasia

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