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Aurora Espelhos Vazios

Dose diária. Parte 1.

Dose diária. Parte 1.

May 27, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Blood/Gore
  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
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Parte 1.

— Desviou da trilha principal. É com você, Aurora! — Recebo a mensagem num sopro de vento.
A duzentos metros do remetente, respondo esperando que ele esteja me ouvindo.
— Entendido! — Uma imensidão de verde, amarelo e marrom me abraça em silêncio.
Agacho atrás de uma árvore robusta e deslizo minhas costas lentamente em direção ao chão verde.
Enrolo a extremidade da corda duas vezes na minha mão esquerda, enquanto a outra extremidade está presa na árvore oposta da minha. Deixo o comprimento da corda se misturar com as folhas caídas, respiro fundo e diminuo minha intenção assassina. 
Certo, isso deve servir.
Solto meu ar lentamente e me preparo. 
Não demora muito para o chão começar a vibrar, a cada segundo a intensidade fica maior conforme seus passos ecoam pelo silêncio.
Rápido, barulhento e pesado demais. Seria impossível não notar sua presença escandalosa.
Conto até três, apoio a lateral direita do meu corpo na árvore, segurando a corda com mais força com a mão direita, enquanto a esquerda serve de âncora. 
Um, dois, três...
O galho a dez metros de mim se rompe. Puxo a corda com toda a minha força, ela pesa me arrastando no processo, mas já tá feito. 
A fera está caída na minha frente, grunhido e o rosnando em desespero. Suas patas dianteiras foram quebradas com o impacto, porém isso não é o suficiente.
Não para um animal adulto que pode se curar em segundos. 
Ela se levanta e bufa para mim. 
Merda! 
Me posiciono dobrando levemente os joelhos, retiro duas adagas de trinta centímetros do meu suporte de couro em cada perna e giro-as uma em cada mão.
Minhas palmas ardem no processo, um alerta gritante do rastro queimado na minha pele. Devo ter segurado a corda forte demais. 
Foda-se, não há tempo para isso.
Separo meus braços do corpo, o direito em postura de ataque na minha lateral e o esquerdo em posição de defesa na frente do meu peito, assim como fui treinada. 
Não é a posição que eu queria manter em frente a um javali de três metros, mas nem fudendo que eu aguentaria seus trancos com o meu corpo no estado atual. Bom... Quando a força não é o suficiente, o jeito é ser furtivo.
O javali avança grunhido em minha direção em velocidade absurda. Tem que ser, já que seu barulho revela sua posição para qualquer predador.
Eu desvio para o lado esquerdo no último segundo, enfio e arrasto minha adaga em sua perna dianteira. O sangue jorra fazendo-me puxá-la e pular rapidamente, me distanciando de toda bagunça. 
Devo ter acertado alguma artéria na cagada, não que eu ache ruim, qualquer coisa que facilite meu trabalho já vai ser gratificante.
A fera choraminga e se reposiciona para me enfrentar.
Estamos novamente de frente um para o outro, ela corre para mim, eu a acompanho correndo em sua direção. Me impulsiono e pulo por cima das suas costas, controlando meu corpo para girar e cair de frente ao traseiro peludo do porco. Sem esperar por mais oportunidades, enfio minha adaga em sua perna traseira, fazendo-a grunhir como de costume. Recupero minha adaga e repito o processo de esquivar e atacar. Várias e várias vezes.
Estou suando mais que esse maldito porco, contudo, consigo ver o final dessa luta. Cortei o Javali o suficiente para ele não conseguir mais se curar.
Desistindo de me atacar ignorantemente, a fera aguarda por minha iniciativa. 
É a minha vez.
Corro em sua direção, jogo uma adaga mirando em sua cabeça, a fera se defende facilmente com suas presas gigantescas jogando a arma para longe. Ainda em movimento, aproveito seu momento de distração e corro para o lado oposto em que ela jogou minha adaga. 
O porco volta sua atenção para onde eu estava, avisto seus olhos correrem pelos possíveis lugares que eu me esconderia, pelas árvores marcadas por nossos encontros e pelas pedras grandes que abrigariam um cão. 
Exceto por um, seu próprio torso.  
Com o tempo perdido por ele, agarro sua presa direita, me impulsiono jogando minhas pernas pelo vão entre seus marfins, deslizo por sua pelagem e me alojo nas costas da fera. Com toda a força que me resta, afundo a lâmina que me sobrou na jugular da criatura. O javali se debate pulando, me seguro ainda mais forte na adaga e em seus pelos, perfurando-o cada vez mais fundo.
A fera cambaleia. 
Exaustão domina o animal, o tão esperado momento chegou. Inclino-me para frente, acomodo todo o meu peso no cabo da adaga e salto em direção ao chão, arrastando a lâmina em seu pescoço. Um corte limpo.
Se fosse no início o porco ainda teria energia para lutar, mas nesse estado é inevitável que ele morra.
Palmas.
— Bravo! Mais um pouco de treinamento e você vai poder levar a janta sem fatiá-la no processo — Jake se aproxima da cena.
— Se você me permitisse usar meus dons eu resolveria isso em segundos — Respondo ofegante, ao caminho de um tronco caído.
Escombros da nossa exibição.
Um Javali, hein? Séculos atrás ele era três vezes maior, eu adorava devorar sua gordura de uma vez, a reserva era gigantesca, ficava sem caçar durante semanas.
— Sua magia é esperta e tudo mais, mas você não sobreviveria aqui só com ela — Jake me responde.
Os humanos desse século chamam a energia de magia, uma forma de dar mais significado ao nosso uso da natureza, como se energia fosse uma palavra muito pobre.
— Vamos! Sua mãe ficará ansiosa para prepará-lo — Jake usa sua magia de vento para levitar o javali e o carrega no ombro direito.
Levanto-me do tronco e sigo seus passos para a nossa casa.
— Você acha que Maggie vai usar o mel? — Só de lembrar do sabor, minha boca já se enche de água.
— Ainda deve ter um pouco guardado —  Ele fala inclinando seu rosto para o meu, seu olhar demora um pouco mais e sua boca franze querendo segurar uma pergunta.
— O que foi? Algum problema com o mel? — Tento desenrolar o assunto. 
Ele pondera se me responde, ou não e suspira longamente.
— Nada… É só que nesses dez anos, você nunca nos chamou de mãe e pai. 
— Oh... —  Respondo surpresa pelo assunto que surgiu — É que...
— Você não precisa responder, foi só uma observação. Talvez essas coisas levam tempo mesmo. Bem, não é como se eu tivesse experiência com outras crianças — Jake, meu pai, fala. 
Ele vira o rosto e volta a focar na trilha.
— Só não achei que fosse necessário, mas levarei sua observação em consideração.
— Obrigado — O assunto morre ali e ficamos em silêncio, presos em nossos próprios pensamentos.
Depois que atravessei o espelho vazio, iniciei uma nova jornada, um novo corpo, uma nova época e numa raça que eu ainda não havia reencarnado. Me tornei humano. De uma criatura incrível, forte, esplêndida e de natureza desbravadora. Para um mísero humano, um lixo fraco. Mais especificamente, um humano fêmea.
Não me surpreende que mudei de sexo. Já fui macho, fêmea, ambos e nenhum. Vivi eras reencarnando em todos os tipos de gêneros. Esse não é o problema aqui, o problema é o corpo fraco em que nasci. Terei de desenvolvê-lo e adaptá-lo até que eu possa recuperar todos os meus poderes e usar qualquer energia. E preciso fazer isso antes que aquele Ser retorne. 
— Você está bem? — Jake volta a falar.
— O quê?
— Você tem resmungado o caminho todo.
— Ah... Apenas estou pensando em aumentar meu treinamento físico.
— Esse já é o suficiente para sua idade, você só tem dez anos, não se precipite.
— Não é o suficiente para matar um javali — Chuto uma pedra em meu caminho e assisto ela rolar para fora da trilha de terra.
— Questão de técnica, não de força. Seria impossível você resistir ao impacto de um javali adulto. 
— Um dragão resistiria.
— Sim, mas você não é um dragão. 
— Touché!
É tão cansativo recomeçar, ter que se acostumar com uma nova vida, com meu novo corpo, com novas pessoas e costumes. Não importa o quanto me cobro para pensar como uma humana, ainda repito minhas manias de dragão, mesmo que tenha passado dez anos desde que reencarnei.
Bom... Para ser justo, existe uma coisa que nunca muda: em todos os meus nascimentos sou deixado pelos meus pais biológicos. Já pensei em procurar por eles, mas por algum motivo suas aparências e energias são apagadas da minha mente. Eu nunca consigo descobrir quem eles são. 
Faz parte dessa ridícula atuação eu ter de sobreviver por conta própria, mesmo que em algumas raças eu tenha necessitado de algum auxílio inicial. Com as memórias das minhas vidas passadas, não tive dificuldade em me adaptar ao novo ambiente, isto é, antes de nascer como humana. Acontece que com os humanos o buraco é mais embaixo, apenas um pequeno auxílio não é o suficiente. Os filhotes precisam da ajuda de humanos adultos, minimamente, até os seus oito anos. Eu sei, eu passei por todos esses anos consciente, tentando não me cagar inteiro o tempo todo. Sério, o quão inútil é esse corpo?
Felizmente meus progenitores me deixaram na porta da casa de Jake e Maggie, que me adotaram e me criaram como sua própria prole. Tecnicamente falando, eu já estou pronta para viver por conta própria, porém, decidi permanecer com eles até minha vida adulta. Em respeito ao esforço e tempo em que esses humanos me dedicaram.
— Certo, Aurora, dispensar!— Jake me libera do treinamento de hoje na metade do percurso entre a floresta e a nossa cabana.
Finalmente posso liberar minha magia. Desde os meus oito anos, meu treinamento tem sido aprender a me defender e caçar sem usar energia. Meus pais se adaptaram com a ideia de que eu tenho o dom para a magia desde que me viram usando o vento para levitar objetos pesados demais para mim. Então como parte do meu treinamento, eu tenho que bloqueá-la para fortalecer e desenvolver meu corpo. 
Uma vez Jake me disse, "A magia deve ser tratada como diferencial e não como sua única opção".
Bom... Eu já iria seguir por esse caminho, mas com o gancho que ele me deu, posso treinar sem que seja às escondidas. Afinal, entender como a carne funciona, às vezes, é mais importante do que o uso da energia. 
Pensando nisso, resolvi treinar meu corpo primeiro, tanto para entender quais são as possibilidades do meu atual corpo, quanto para me adaptar em receber os dotes e as características das outras espécies que já fui.  
Reativo meu dote original, deixando a energia dos quatros elementos vagarem primeiro pelo meu corpo, logo depois os dotes que reconquistei. Nas primeiras vezes eles navegavam abrindo passagem como uma correnteza brigando por espaço, era venenoso sentir eles colidirem e infiltrarem em cada veia ou célula. Hoje consigo liberar os dotes simultaneamente do meu núcleo sem muita adversidade. Ainda sinto o choque inicial como um balde de água fria, mas logo sou recompensada. 
Com a volta dos meus poderes, a vida ao meu redor finalmente ganha forma. Minha visão se ajusta às novas tonalidades, o que era só uma combinação de cores opacas entre verde, laranja e marrom, agora é uma imensidão de contrastes e seres. Com meu olfato restabelecido, consigo distinguir mais aromas e com minha perfeita audição, volto a sentir a natureza. Respiro em alívio. 
É como atravessar um véu que divide o mundo sem magia do com magia.
— Uau! Aurora conseguiu capturar um dos grandes dessa vez!
— Eu sempre acreditei!
— E-Eu também — Ouço as três dríades responsáveis pela floresta em que nasci dialogando. Mil, Cam e Nim, respectivamente.
As ninfas ajudaram-me a sintonizar com o meu dote original neste corpo, desde então, mantemos uma relação de amizade. 
Me afasto de Jake, ficando para trás dele, e conjuro uma barreira de som ao nosso redor. Jake sabe que eu a ativei, ele sente pela mudança no ar, mas não interfere.
Minha conversa com as ninfas tem que se manter em segredo, é uma regra da casa, os humanos não podem saber dos assuntos da floresta. A única exceção sou eu. É uma das vantagens em estar sintonizada aos quatros elementos.
— Vocês me assistiram? — Pergunto.
— Sim, é claro! — Mil responde primeiro
— Foi incrível, Aurora. Eu não conseguiria matar uma besta selvagem sem meus poderes — Cam responde entusiasmada.
— Fo-foi perigoso. Qua-quase tive um treco — Nim responde preocupada.
— Quando é que você quase não está tendo um treco, Nim? — Cam a provoca.
Nim ignora a provocação e senta no meu ombro direito, com seus leves dez centímetros. Mil me acompanha pelo meu outro lado e Cam segue voando animadamente.
— Vo-você está b-bem? — Nim segue preocupada.
— Sim. Tive poucas feridas, as quais já curei, não se preocupe. Vocês irão me acompanhar até em casa?
— Não. Temos que purificar a floresta e tranquilizar os seres vivos, eles têm estado estressados nesses dias — Cam responde, me deixando desconfortável no processo.
O que eles estão sentindo que eu não?
— Algum monstro? — Deduzo o mais óbvio.
— Também pensamos nisso, mas não. Procuramos por alguma energia incomum nos arredores da floresta, na sua casa e no vilarejo. Não encontramos nada — Mil responde.
— Eles devem ter ficado agitados com as caças — Cam deduz. 
— Devo evitar então?
— Se-seria ma-mais seguro. Nã-não sa-sabemos o real mo-motivo disso.
— Sim, qualquer cuidado é pouco. Posso avisar Jake? Preciso de um motivo para desviar o treinamento da floresta.
— Só não fala como se fosse uma mensagem nossa. Apenas avisa sobre o perigo — Mil me instrui.
— Entendido. Até mais tarde então! — Desfaço a barreira e me aproximo de Jake.
— A Floresta está ficando fria — Falo em tom de normalidade. 
Ele vira seu rosto para mim, lendo o código em minha expressão e concorda com a cabeça.
— Logo estaremos em casa — Ele responde. 
As dríades aceitam a nossa conduta e voltam para o centro da floresta. 
Jake segue caminhando os rápidos dez metros em silêncio. Ele se fecha toda vez que me vê conversando com as ninfas, desde que descobriu que elas tem me "ensinado magia".

NobaraRose
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Parte 1 do capítulo 3

#magic #hunt #training #Reincarnation #Fight

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Aurora conjurou uma barreira de som

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