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Aurora Espelhos Vazios

Não tem para onde fugir. Parte 1.

Não tem para onde fugir. Parte 1.

May 27, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Blood/Gore
  • •  Cursing/Profanity
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Parte 1.

— Boa noite! — Recolho meu prato de porcelana, beijo a testa dos meus pais e subo as escadas até meu quarto.

O carinho rotineiro me faz lembrar que mesmo que as saudações não tenham sido proferidas por anos, o contato familiar sempre foi bem vindo entre nós. A verdade é que eu tenho dificuldades em enxergar o sentimentalismo humano, eles dormem e acordam se amando, passei anos tentando entender como é que eles conseguiam expressar tamanhas bobagens. Se me coubesse descrever um dote para eles, seria o dramatismo.

Eles são tão bons em dizer o que sentem, de forma tão fácil, que é ridículo eu não conseguir fazer o mesmo. Não é como se eu pudesse apagar os milênios em solidão ou os séculos que passei assistindo as raças menores causarem estragos. Mas por que não me entregar ao passatempo deles? Por que não aproveitar de suas demonstrações de afetos? Me privar dos bons momentos que essa vida pode me proporcionar seria idiotice, eu estaria me torturando pelo meu ego ferido.

Mesmo que eu não consiga decifrá-los na maior parte do tempo, não posso negar que suas aproximações me agradam. Pela primeira vez eu sei o que é ter bons pais e mesmo que no fim tudo se resultar em merda, pelo menos os guardarei na minha existência.

Abro a terceira porta do corredor, depois de passar pelo quarto dos meus pais e do cômodo de banho. Entro no meu quarto, um cômodo de madeira parcialmente apertado, a janela solitária ao lado oposto da porta é a única ferramenta de refrigeração que tenho, exceto pela minha "magia esperta". Fecho a porta de madeira escura que combina com as paredes, com o forro e o chão. E tiro minha roupa, jogo-as na cama de madeira, forrada por peles macias, e me direciono para o meu armário. Retiro um tecido macio, vermelho, e velho, que contrasta com minha pele pálida. Estico ele no chão e sento com a coluna reta e as pernas cruzadas. 

Três feitiços cobrem o quarto, preparando o espaço para a minha meditação. O tom roxo profundo ilumina os quatro cantos, deixando confortável o suficiente para a tortura. A sala foi encantada para evitar a saída de som, disfarçar as energias e desviar enxeridos. Técnicas rotineiras.

— Então, encontraram alguma coisa? — Pergunto para as visitantes. 

— Oi, para você também! — Mil responde. 

Eu sei que estou sendo antipática, mas quem precisa de etiqueta? Vamos ser objetivos aqui.

Respiro fundo, fecho os olhos, apoio minhas mãos abertas nos meus joelhos, me concentro na circulação de energia em meu corpo e abro os meus meridianos. Permitindo que a energia dentro de mim se misture com a energia ambiente. O processo causa um minúsculo desconforto, semelhante ao formigamento do corpo causado pela interrupção da circulação sanguínea. 

Ativo meu dote original, chamando os elementos em minha direção, como um ímã. Repito essa meditação por anos, manipulando a circulação e direcionando-as para cada molécula da minha casca, drenando e filtrando a energia ambiente para fortalecer meus órgãos, ossos, carne e a própria magia. 

— Ela já não está mais te ouvindo, irmã — Cam responde por mim. 

— Sempre tão indiferente — Mil resmunga. 

Concentro-me na minha tarefa, se eu desse atenção para suas asneiras, elas nunca ficariam quietas. São iguais crianças hiperativas, muitas vezes fui repreendida em seus lugares.

Um arrepio chama minha atenção, fazendo-me suar pela espinha.

Algo está incomum, a magia não está colaborando totalmente, é como se elas estivessem receosas. 

— Você está bem, Aurora? — Mil percebe. 

— Estou, mas sinto o ambiente mais tenso. O que está acontecendo?

As três demoram para me responder. 

— B-bem... — Nim começa, mas Mil interrompe. 

— Ainda não descobrimos o que está incomodando a natureza, procuramos por energias estranhas e nada apareceu. 

— Achamos que pode estar relacionado a um plano diferente, um que ainda não chegou até essa floresta — Cam acrescenta algo interessante.

Os únicos que conseguem atravessar camadas são os... 

- Faes? - deduzo 

— Provavelmente. —  Mil concorda. 

Fae… Os Faes são outra raça para dar dor de cabeça. As pessoas acham que eles vêm de um passado nobre como os elfos ou as ninfas, devido sua estatura alta, bela e forte. Mas não é isso que aconteceu por aqui. Eu vi quando eles foram expulsos da comunidade por terem nascidos humanos, mais especificamente, humanos sem dons, sem núcleo. 

Dentre os indivíduos que usam a magia, eles foram a espécie com maior desvantagem na cadeia alimentar, já que suas capacidades se baseavam apenas em existir. Para corrigir o prejuízo, eles descobriram como forçar a entrada da magia em suas peles e nomearam a tintura e os traços elaborados de runas. O processo era extremamente anormal, um risco à correr pela preservação da espécie. Como prova, foram poucos aqueles que sobreviveram. Contudo, os que sobreviveram desenvolveram carne, ossos e poderes mais fortes, mais resistentes. 

Hoje eles são temidos por sua sobreposição hierárquica. Seres difíceis de matar, até para mim. 

— O que significa que temos que avançar no meu cultivo — Falo em voz alta. 

— O-o que vo-você que-quer dizer? 

— Se algum Fae com más intenções entrar nessa floresta, eu não conseguiria parar ele, preciso aprimorar minha energia. 

— Nós somos o suficiente para proteger a floresta — Cam fala como se eu insinuasse que elas são incompetentes. 

— Isso não é uma negociação. Tenho a quem proteger, enquanto vocês se preocupam com a floresta.

— Podemos… — Cam inicia a sua persuasão, mas Mil a interrompe. 

— Certo... Você tem razão, não temos motivos para evitar seu avanço. Precisamos de toda ajuda possível.

Sério? Ela concordando comigo?

— O-que te-temos qu-que fazer? 

— Preciso que vocês me ajudem com suas energias e que me mantenha neste quarto, não importa o que aconteça.

— Entendido! — As três concordam e me cercam. 

Finalmente paz. 

Eu já estava filtrando a energia ao meu redor e fazendo-as circular pelo meu corpo. Com a ajuda das dríades não precisarei filtrar, vou direcioná-las diretamente para se estabelecerem em meu ser e acelerar minha transformação. As gotículas coloridas, que marcam a presença dos elementos espalhados pelo ar, ganham minha assinatura. Todas estão em tom amarelado em meio ao quarto roxo.

Movimento a magia como um tornado ao meu contorno. As dríades se espalharam em três pontos distantes, liberando magia pura em mim, enquanto cantam uma oração numa língua que não consigo entender.

São poucas as culturas em que não participei, dentro delas estão os Faes e as Ninfas, para o segundo eu teria de ter permanecido morto. Elas são almas, que morreram puras e foram abençoadas pela natureza no pós vida, transformando-as em guardiãs da flora e da fauna. Manifestações pequenas em cada canto do mundo. 

O local em que elas nascem determina suas aparências, assim como sua floresta, as três possuem o corpo marrom e cabelos verdes.

Meus pensamentos são interrompidos por uma dor alucinante, fazendo-me enxergar estrelas. Meu fêmur se quebra, seguido pelo rompimento de vários músculos do meu corpo. Não consigo respirar. Meu pulmão se expande e contrai pulsando como um coração. 

Tenciono meu corpo para frente, meus dedos da mão se alongam e se projetam para todos os lados. Minha transformação dá início. Porra, isso dói.

As dríades aumentam o ritmo da oração enquanto eu estou me transformando numa geleia nojenta. Eu odeio essa parte. Sinto meu corpo se quebrar e voltar para sua forma humana constantemente, como se eu voltasse no tempo e meu corpo insistisse em se autodestruir rapidamente. Não consigo mais ouvir as Ninfas, não sinto mais meu corpo, não sei mais onde estou, não enxergo. Não existo. 

Caio no vazio branco. 


NobaraRose
NobaraRose

Creator

Parte 1 do capítulo 4.

#Cultivo #portugues #cultivation #magic #Magia #driade #medo

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