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Aurora Espelhos Vazios

Bagunça Nojenta. Parte 1.

Bagunça Nojenta. Parte 1.

Jun 03, 2023

Parte 1


POV Nim


Já faz vinte minutos que Aurora ficou inconsciente.

Estava tudo ocorrendo como o planejado, ela ficou imóvel, concentrada em expandir seu núcleo com mais energia purificada que, segundo ela, tornaria seu acervo mágico mais amplo. Seja lá o que isso signifique. 

Um verdadeiro espetáculo é assistido por oito anos, todos os dias, sem interrupções. Aurora tem treinado seu corpo e sua magia, desde de que ela conseguiu se mover por vontade própria.

Achávamos que era por curiosidade, igual todos os seres vivos tem pelo seus dons, no entanto, ela nunca demonstrou incertezas, ela não estava descobrindo, ela sabia o que estava fazendo. Assim como, ela não estava apenas sendo curiosa, mas sim, se preparando para algo maior. Foi uma realidade que nos chocou, o que ela sabia que nós não? O que ela procurava? Para que?

Daí em diante passamos a observá-la, tentamos ler seus comportamentos e quem sabe sair um pouco da rotina. Não descobrimos muito, ela nunca deu brecha. Aurora continuamente se comportou como se entendesse a regra do universo, que seus passos são cálculos para uma equação maior. Nossa curiosidade por suas ações nos manteve em seu círculo de evolução, regularmente o mesmo e era para o qual estávamos preparadas. 

Conforme seu corpo brilhava em chama dourada cada vez mais forte, decidimos também aumentar nossa cantoria. Estava indo tudo certo, ela fortaleceria seu núcleo e no dia seguinte exploraria-o em treinamento.

Nada mais que o básico de sempre... 

É... Você descobre que ficou confortável demais, quando as expectativas são quebradas completamente...

Todo o plano de hoje se descarrilhou numa bagunça nojenta. 

Assistimos o evento se desfazendo à medida que os gritos de Aurora avolumavam. 

Nunca vimos tamanha atrocidade.

— Que porra está acontecendo? — Cam repetia isso, mais do que nosso próprio mantra.

Estávamos presenciando uma cena aterrorizante, seria impossível um corpo aguentar tantas modificações em tão pouco tempo. O corpo dela não só cresceu, como também, seus ossos se projetaram para fora, músculos foram rompidos e sua pele descamou como uma cobra. Eram sinais de uma transformação licantropa, exceto que ocorreu centenas de vezes sem parar. 

Ficamos em desespero total, sem saber o que fazer. 

Cam abanava suas mãos tão rapidamente quanto suas quatro asas transluzentes podiam bater, ao mesmo tempo que Mil tentava pensar em como ajudar, em como não falhar com a nossa promessa. A única forma de não quebrá-la seria com a súplica de Aurora, o que não se tornou realidade. Mesmo morrendo diversas vezes, ela não nos desviou do objetivo. 

Seria isso orgulho ou burrice? Valia apena se submeter à esse nível de tortura? 

De qualquer forma, eu não obteria respostas para as minhas dúvidas agora. O que tenho de informação é o nível mágico absurdo que ela está suprimindo e a dor descomunal pelo qual ela deve estar passando. Conheço muitos que imploraram pela morte no primeiro osso quebrado. 

Para ajudá-la, tentei usar meu dote de cura, porém não funcionou, para tal, eu precisaria desistir de fornecer energia e me concentrar somente na recuperação dela.

— Nem pense nisso Nim — Mil me lê.

Sua fachada serena se dissipando pelo franzir de suas sobrancelhas.

— P-pre-cisamos ajudá-la.

— Aurora sabia que isso iria acontecer, ela pediu para que nós continuássemos com o fornecimento de energia e é o que vamos fazer.

— Do que importa se ela já está inconsciente? — Cam pergunta.

— Ela ainda está drenando a energia, isso deve provar algum ponto.

Como isso é possível? Ela já está inconsciente, como ela ainda está cultivando?

— C-como? — Expresso minha dúvida.

— Teremos que perguntar diretamente para ela. Se interrompermos o processo agora, pode ser que pioramos a situação — Mil dá seu veredito.

Ela é nossa líder, ninguém determinou isso, mas dentro nós três é ela quem tem maior capacidade.

— O-ok — Concordo. 

— Entendido, chefe — Cam complementa.

Temos que manter Aurora a salvo e se isso significa aguentar vê-la em uma bagunça, então é isso que faremos. É a nossa promessa. Mesmo que esteja me matando por dentro testemunhar tamanho ato desumano. Mesmo que tudo o que eu desejo é tirar minha pequena do sofrimento. 

A pequena garota humana é como uma sobrinha para mim, vi quando ela chegou ao mundo, bem, não necessariamente estivemos presente quando ela saiu de sua progenitora, mas sei que foi mais especial que isso. Sentimos a natureza dar a luz, foi como se uma bolha no peito que pesava os ombros saísse do nosso corpo e o alívio de tal ato, abençoasse a existência. A sensação trazia paz e ao mesmo tempo me preocupava. Nada de bom vem ao mundo sem a companhia do mal.

Naquele dia seguimos a energia dourada que iluminava a noite. Viajamos por dentro das árvores, deslizamos pelo infinito de folhas e seres o mais rápido que podíamos, esperando ver uma nova Ninfa.

Seguimos sua grandeza, como mariposas buscam a luz.

— Ela sumiu — Cam se pronunciou quando chegamos no lugar.

Nada mais que grandes troncos marrons e um pequeno espaço de terra molhada poderia ser avistado. Um pequeno detalhe que não entregava nada, nem odor, nem história. 

— C-cadê a Ninfa? El-ela fo-foi embora?

— Não, eu ainda sinto o calor de mais cedo aqui — Mil, entra na discussão.

— Que tipo de ninfa poderia ser?— Cam se interessa.

Tanto calor, tanta luz...

— D-deserto, t-talvez?

— Então ela está no lugar errado — A mesma deduz.

— Venham, ela está se afastando — Mil nos chama. 

Corremos em direção ao calor, ondas dele, na verdade. Não tinha um ponto fixo, parecia mais com uma barreira do que um ser.  

Chegamos onde ele nos levava, ao nada. Um espaço monótono, sem luz ou o calor abrangente. Apenas a cabana grande dos Walker. 

Nos enganamos? Todas as três?

Olho para minhas irmãs, tão perdidas quanto eu, procurando de um lado para o outro por qualquer resquício. Direciono minha atenção para o mar de árvores atrás de mim, apenas os pequenos pontos de luz que flutuam e iluminam o perigo da calada nos observam. Nada mais chegou aqui.

Exceto pelos seres da noite, somos os únicos que corrompe essa paz. 

Talvez caímos numa armadilha? 

Voamos tão apressadamente que nem cogitamos a possibilidade de termos sido fisgadas. Nada sinalizou ter passado por nossas proteções, entretanto é muito suspeito que tenhamos sido direcionadas ao único lugar que nenhum ser vivo se aventura durante a noite. 

As construções dos Walker, uma cabana de dois andares — localizada no centro desmatado, que eles mesmos fizeram — e mais outras moradias para alguns dos seres que eles se alimentam, terrivelmente nos cumprimentam. Tirando as estruturas, tudo é geometricamente perfeito. Envolta do material de tortura deles, nasceram uma quantidade abrangente de flores em pétalas azuis, rosas e brancas. As quais nunca vi nascer aqui, as quais mesmo nos invernos mais rigorosos ainda se mantêm vivas. 

Uma estreita passagem de terra contrasta o detalhe bonito, ligando o jardim ao breve campo verde que o rodeia. Uma barreira circular de gramíneas divide suas atrocidades do restante da floresta. 

De dia um paraíso, de noite um conto macabro.

É difícil para mim enxergá-los como algo diferente de "a personificação da maldade". Assisti eles matarem vegetações saudáveis, cortarem e armazenarem seres vivos que eles tratavam como seus. Porém, mesmo com tamanha crueldade, eles passaram por nossas defesas, construíram um lar e respeitam os seres que nos rodeiam. 

Fiz-me dezenas de perguntas, questões incompreensíveis, mas que Mil diz ser "o natural para a espécie deles", não só isso como também, que eles são "até que bons" para o perfil de sua raça. Aquele fato me assustou, eu sei que comparada com minhas irmãs sou a que menos teve contato com a vida passada, mas o quão natural seriam essas ações anormais? 

Minha curiosidade rompeu a linha segura e decidi me aventurar pelos seres que habitam o pé da montanha, e vi o porquê deles serem "até que bons". 

O ranger da morte chama minha atenção, paro de olhar para a floresta e voo até minhas irmãs que já se puseram em ação.

Mil usa seu dote para mapear a floresta, ela inclina a base de mão direita para cima e sua magia imediatamente espelha a imagem da montanha. Ao mesmo tempo, Cam a ajuda com seu dote. Como se ambas segurassem um ovo grande, Cam inclina a mão esquerda sobre o mapa, destacando os seres vivos dentro da área verde. 

Pontos vermelhos piscam no mapa intangível.

Em sintonia, minhas irmãs alcançam um novo nível de perfeição, enquanto Mil é uma líder nata, corajosa, comunicativa e responsável. Cam é a dríade mais positiva, iniciativa e forte entre nós, de todas as formas.

— Você sente algo Nim? Alguma divergência na floresta? Alguma dica? — Mil me pergunta.

Certo, é a minha vez de tentar ajudar. Chamo o meu dote, ele não tem uma forma física ou visível semelhante às das minhas irmãs, mas é tão importante quanto. Ele está mais relacionado à existência dos seres vivos, suas emoções, seus desejos, dores e alívios. Eu não os visualizo como números, como Cam faz, eu os sinto. Como se seus sentidos fossem os meus próprios. Distanciando da intenção de controlá-los, tento descobrir alguma divergência significante.

Eu consigo sentir tudo que respira nessa floresta, os corações batendo, cada energia viva e se eu me concentrar bem, consigo ouvir alguns dos seus pensamentos. Meu dote me liga à floresta como um véu sobre meus olhos, deixo de enxergar a natureza em suas cores normais e passo a visualizar as coisas mortas em azul, as vivas em laranja e em amarelo os resquícios do uso de magia ou rastros deixados para trás. Eu amo fazer isso, amo sentir a vida, os seres e a flora.

Faz parte da minha missão, do meu eu atual. Assim como as funções das minhas irmãs são manter a ordem nessa floresta, a minha é trazer tranquilidade para os seres que vivem nela. Cada ninfa espalhada no mundo tem um objetivo a cumprir, não nascemos assim, fomos transformadas. Já fomos seres de todos os tipos, nossa única semelhança é ter tido uma vida sem pecados, com almas limpas.

— E então? — Cam interrompe meu devaneio.

— T-tudo no-normal, ne-nenhuma n-ninfa nova, ape-penas p…

— Isso eu sei, nada mudou desde mais cedo — Cam me interrompe como o de costume — Queremos saber se os seres tem alguma história para nos... — Algo a interrompe, chamando nossa atenção. 

Dois seres evaporaram do mapa como se nunca tivessem existido, não é como se eles tivessem mortos, suas carnes em decomposição ainda seriam registradas pela rede, igual a uma mancha. Eles literalmente sumiram. 

Temos uma contagem fixa de vidas existentes nessa floresta e esses dois faziam parte do número comum. É claro que a cada dia morrem alguns e outros nascem, então nossa contagem nunca é certeira, mas tínhamos feito uma inspeção mais cedo e os números ainda batem, nenhum respiro nos fez falta. 

Não só em termos numéricos, mas também como seres vivos. Suas aparições foram tão insignificantes quanto os mortos. Isso não é um erro, é uma manipulação. Mas quem?

— Para onde foram? — Mil me traz de volta dos meus pensamentos.

— E-eu…— Sou interrompida novamente, mas dessa vez por um choro de criança, um bebê. 

Alguém realmente nasceu hoje? Pelo poder emitido imaginávamos ser uma Ninfa, não um bebê. 

Nós três nos viramos para a cabana dos Walker, nos aproximamos para entender o que está acontecendo. 

O que um choro e uma cesta de doces têm a nos dizer?

— Uma criança! — Mil fala surpresa.

— H-humana — Sinto pelo meu dote. 

— O calor nos fez seguir até aqui. Mas por que um humano? Cadê a Ninfa? — Cam pergunta.

— Não era uma Ninfa, irmã. Nunca foi. — Mil enfatiza.

Isso é tudo muito estranho. Uma energia estrondosa emergiu aqui, o calor se desfez e dois seres evaporaram. Nunca que isso seria coincidência. (Me ajuda). Ouço uma terceira voz, que não nos pertence. (Me ajuda, me ajuda, me ajuda, me ajuda, me ajuda). A súplica é agonizante, martelando em minha cabeça ao ponto de me desconcentrar.

— Nim?! — Minhas irmãs se aproximam e me seguram.

— O que está acontecendo? — Mil pergunta aflita. 

— E-ela e-está pe-pedindo p-por socorro — Respondo o melhor que posso.

— Eu vou lá — Cam anuncia. 

Mil e eu assistimos de longe o encontro familiar entre a garotinha e seus novos pais. Vislumbro — através da imagem turva que a dor de cabeça me causou — a inteligência da criança ao agarrar os dedos da fêmea humana, logo após Cam desenrolar parte do pano que a mantinha aquecida.

Depois disso, os eventos daquela noite foram esquecidos e passamos a acompanhar o crescimento da menina Aurora. Ela nunca mais pediu por ajuda, nem mentalmente.


NobaraRose
NobaraRose

Creator

Parte 1 do capítulo 5

#driade #Magia #family #pov

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TolrielMyr
TolrielMyr

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Primeiro POV da história. Mostrou o nascimento da Aurora pelos olhos da driade.

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