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Aurora Espelhos Vazios

Isso é nojento! Parte 1.

Isso é nojento! Parte 1.

Jun 10, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Cursing/Profanity
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Parte 1


POV AURORA.

(Por que você está assediando uma vaca?). Glint quebra o silêncio em minha mente com a pergunta mais idiota que já ouvi. Sério, quem assediaria uma vaca? (Não estou assediando. Isso se chama ordenhar, estou tirando o leite dela para tomar no café da manhã). (Urgh! Por que animais adultos fariam isso?). (De alguma forma é nutritivo, eu ainda não sou adulta e também é gostoso. Então, só cale a boca). (Humanos são tão complicados). (Sim, são). 

Como negociado, Glint agora faz parte da minha mente, enquanto uso sua pele como armadura. Embora dificilmente eu irei usar a transformação berserk, a armadura é linda, eficaz, mas muito chamativa. Ao invés disso, vou usá-la para fortalecer meus ossos como uma armadura interna. Apesar da tonalidade enganar, nunca se tratou do metal, mas sim da pele de dragão e de suas funcionalidades.

Já faz vinte minutos que estamos aqui. Acordei cedo com o pedido de desculpas de Nim, então após eu tomar meu tão aguardado banho matinal, resolvi adiantar as tarefas do dia. Eu não me irritei com ela, sei que suas intenções são boas. Apenas não gostei do tom de ameaça de Mil, a vaidade do tempo torna ela insuportável. 

Para evitar maiores confrontos, decidi dar um basta na noite de ontem. 

Ainda que expulsar elas não me trouxe paz. Ter destruído e reconstruído meu corpo centenas de vezes não foi cansativo o suficiente para me apagar, para evitar que eu rolasse quase a noite inteira em busca de respostas. Em busca do que eu nem sei se me importo em saber. 

O gritante silêncio da noite não dissimulou a turbulência da minha mente.

Preciso conversar com meus pais e isso está me deixando aflita. Como vou perguntar se eles são Faes ou não? E se eles resolverem mentir? Eu ficaria decepcionada? Bem, não é como se eu tivesse moral para isso, mas seria o certo falar a verdade, né? Urgh, são tantas questões. (Você construiu essa moradia?). (Você não conhece bem as limitações de um corpo humano, né? Não, isso foi construído por meus pais). (Oh, nessa vida também?). (Sim, pois é. Mas não se preocupe, eles são bons). (Saberei quando conhecê-los). (Uhum... Você disse que esteve acordado dentro de mim esse tempo todo e não viu nada disso acontecer?). (Não, eu estive no escuro esse tempo todo). Para o tanto que éramos presunçosos, isso deve ter sido enlouquecedor. (Ouço passos). (Não me diga, gênio).

— Aurora? O que faz aqui? — Jake entra no estábulo fechado, de jardineira azul escuro e botas de couro que alcançam o joelho. 

Ele se apoia na porta baixa da cabine ao lado, com os braços cruzados sobre a madeira e com a perna direita cruzada atrás da perna esquerda. Seu grande tamanho se torna ínfimo perante as outras grandes espécies que se alojam nesta vasta e alta morada de madeira.

(Esse é?). (Sim, meu pai). (Bonito). (Urgh! Cala a boca!). (Ah qual é, vai me dizer que você ficou cega?). (Ele é meu pai, isso é nojento pra caralho).

— Não consegui dormir muito, acho que o jantar pesou — Respondo cortando a conversa ridícula que circula em minha mente.

Ele me olha desconfiado, mas não insiste. Jake sabe que se estou fazendo esses serviços tão cedo, é porque algo me incomoda internamente.

— Vou alimentá-las então. 

— Já alimentei elas. 

— Oh, certo. Então irei limpá-las. 

— Já fiz isso também — Levanto enquanto falo com Jake, pego o balde de leite e saio da cabine de Melinda. 

A vantagem de morar longe do vilarejo é poder criar os animais com cuidado, a desvantagem é que precisamos descer a montanha sempre que acaba alguns recursos.

— Todas as cinco? — Jake pergunta surpreso.

— Sim?

— Uau. Bom, então vamos? — Ele olha em volta, vasculhando as possíveis tarefas a fazer para os outros animais. 

Desculpa pai, mas dessa vez eu antecipei seus passos.

— Claro, tô morrendo de fome.

— Tá mesmo? — Ele joga seu braço no meu ombro, fazendo o leite chacoalhar.

— Hei,cuidado!

Por alguns segundos Jake se distrai olhando por cima de mim. 

— Você cresceu? Ou é impressão minha?

Se sua impressão ignorar vinte centímetros. 

— Sei lá, talvez seja a puberdade?

— Talvez… Você deveria malhar esses bracinhos magrelos.

— Sim, é claro. Por que não me transformo logo num Orc?

— Boa ideia! — Seu riso idiota se espalha pelo ambiente.

Nunca vi alguém sorrir tão brilhantemente. 

Dá para enxergar a felicidade estampada nas duas mínis cavidades que alojam o canto de sua boca. Pateticamente perfeito.

Falando nisso... 

— O que você quer dizer com eu não estar com fome?

Jake aumenta seu sorriso, fazendo os cantos de seus olhos se curvarem. 

— Ah, sim... Um certo ratinho invadiu o armazém de novo.

Travo os pés no meio do caminho do estábulo até à cabana.

Merda!

— Oh! E a mamãe sabe disso? — Pergunto já com medo da resposta, sério, ela não pode saber das minhas escapadas.

Um leve desconforto contorce em mim, sinto levemente o interesse de Glint subir por minhas entranhas. 

(Alguma ameaça?). (O que você quer dizer?). (Você sentiu medo). (Oh, você sente minhas emoções?). (Bem, eu estou ligado diretamente nelas, então sim). (Você também ouve meus pensamentos?). (Não, somente as emoções e essa nossa troca de conversa). (Como conseguimos conversar se você não ouve meus pensamentos?). (Imagina que quando você conversa comigo você entra naquela cela de antes e quando você só pensa em bobagens, você reserva uma sala diferente). Meio complicado, que bom que não faço nenhum esforço para isso. (Eu não penso bobagens!). (Sabemos que sim). Irritante. 

— Por coincidência, eu precisei passar lá primeiro. Você tem que aprender a pôr as coisas de volta no lugar. 

O quê? Ah, certo, o armazém. 

O problema é que dessa vez não fui eu que bagunçou, mas não posso falar isso também. 

— Falando no armazém, vi que você reservou partes do javali... O que pretende fazer com elas? — Volto a acompanhar os passos de Jake.

— A caça foi boa, mesmo que você tenha maltratado o pobre coitado — Jake transforma seu grande sorriso num de canto de boca. 

— Ele ainda saiu inteiro. 

— É claro... Bem... Iremos vender os cascos, as presas e parte da carne com o que sobrou do jantar e da sua caça.

— Não vamos usá-los dessa vez?

— Não, temos que juntar mais dinheiro.

— Para quê?

— Logo você vai saber.

— Aff, odeio surpresas.

— Eu sei, muahahaha. 

Dou risada me entregando ao jeito idiota dele. (Eu gosto disso). (O quê?). Glint me traz ao mundo real, recordando-me de sua presença. 

(Eu disse que avaliaria ele primeiro, antes de decidir se ele é uma boa pessoa. Com o que eu vi até agora, posso dizer que pelo menos ele é um bom pai). (Com base em quê?). (Você está sorrindo). (Esse foi seu critério?). (A gente não tinha tantos momentos descontraídos assim, em todas as vidas sempre estivemos sozinhos, então sim. Esse foi meu critério). (Bem... Sorrir não é crime, costumo fazê-lo também). (Eu sei, mas dessa vez é diferente). (O que te faz pensar desta forma?). (Você está realmente feliz). (Eu não estou feliz). (Ah, qual é? Você iluminaria o mundo de felicidade). (Credo. Isso é nojento). (Sim, é... Eu sinto uma explosão metafórica no peito, toda vez que você conversa com ele). (Cala a boca). (Deve ser por isso que você está ansiosa?). (Você sente isso também?). (Sim). (Tanto faz).

Uso do cantar dos pássaros, para me distrair. 

Sempre preferi estar rodeada de verde, do que de seres vivos, eles são corruptos, falsos e cruéis. As árvores, pelo menos, não machucam intencionalmente. Por isso nascer aqui foi uma sorte do caralho, o Refúgio das Fadas é um excelente lugar para morar.

(Uau... Eu não disse isso antes, mas aqui é excepcionalmente lindo). De fato é. (Bem vindo ao Refúgio das Fadas). (O nome tem alguma coisa haver com os seres minúsculos?). (Com base na quantidade de fadas, gnomos e serezinhos irritantes, eu diria que sim). (E quem deu o nome, se os humanos não são capazes de enxergá-los?). (Segundo a lenda que minha mãe contou, o nome foi dado pelo primeiro selvagem que habitou essas terras, ele era capaz de vê-los e conversar com os animais). (A raça esquecida?). (Provavelmente. Mas agora é conhecida por floresta amaldiçoada, devido que os humanos não conseguem adentrar a barreira que as ninfas colocaram). Não é preciso muito esforço para entender que quase nunca recebemos alguma visita. Nada poderia ser mais perfeito do que isso.

Em passos curtos alcançamos a varanda do fundo de nossa cabana, mesmo que o espaço seja abrangente, meus pais decidiram deixar tudo perto para fiscalizar melhor os animais instalados entre o pomar — que se mescla com a floresta — e a nossa casa. Tornando o espaço seguro e confortável. 

Ao entrar na cozinha junto com meu pai, somos recebidos pelo delicioso aroma de pães quentinhos. Minha mãe é especialista em massas, por isso temos sempre que descer a montanha atrás de farinha de trigo. 

— Finalmente vocês chegaram, achei que teria de comer todos os pães, sozinha — Maggie larga o pano de secar pratos na mesa e faz um biquinho fofo, fingindo mágoa. (Uau, quem é a deusa?). Lá vem. 

(Minha mãe). (Caralho e da onde saiu essa mamãe?). (Ah cara, que nojo). Sinto ele rir. (Você esquece que temos o mesmo gosto). (Sim, eu sei que eles são lindos, mas eles me criaram. Então, fecha a matraca). (Mas vocês são totalmente diferentes). (Sim, não temos o mesmo sangue). (Então…). (Então nada, nojento). (Tá, tá. Não está mais aqui quem falou). Como se eu fosse acreditar nisso.

— Aurora estava pegando leite para nós — Meu pai explica nosso atraso.

— Oh... Tão cedo? — Maggie pergunta entrelaçando os dedos.

— É que eu vi que o leite estava acabando, preferi pegar um mais fresco — Minto.

— Obrigada, querida — Maggie sabe da minha omissão de verdades, a prova disso é ela me abraçar por nada. 

— Mas o que te fez acordar tão cedo?

Viu? Ela não deixará passar.

— Não dormi muito bem — Devolvo o abraço apertado e a afasto, aproximando-me da mesa. 

— Insônia, querida?

— Bem… Sim? Acho que insônia é o nome certo — Pego uma xícara de café e uma grande fatia de pão, separo um pedaço dele e mergulho no líquido. 

Meus pais me acompanham no desjejum.

(CAFÉ????????). (Hahahaha também me surpreendi na primeira vez que vi, aparentemente o café deixou de ser uma iguaria só para os nobres). (Pela primeira vez me sinto triste por não poder saborear uma refeição). (Não sinta, o café destinado aos pobres parece palha em consideração aos que tomávamos). (Urrgh!). (Pois é....). 

Três pedaços, cinco goles e várias olhadas depois, respiro fundo.

Chega de enrolação.

Não tem como eu evitar essa conversa, está sendo torturante pensar nas dezenas de possibilidades que nosso diálogo criará. 

— Vocês sabem que eu sou sensível à magia...


NobaraRose
NobaraRose

Creator

Parte 1 do capítulo 6.

#armadura #negotiation #negociacao #Dragon #portugues #family #description

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TolrielMyr
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Glint é literalmente eu

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"Nunca pare de evoluir". Foi o que eu ouvi antes dele me matar e me condenar ao ciclo infinito de renascimento. Seria graciosa sua atitude, se eu já não tivesse dado tudo de mim em todas minhas vidas, porra!
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Ele verá o que é evolução.
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