Parte 2
— Se é para nobres, como vou entrar nela?
— Embora eles valorizem o sangue puro e o status social, nada os convencem mais que um estudante brilhante. Eles precisam de troféus em suas estantes e não de lixos mimados.
O uso de palavras me surpreende, é maravilhoso ver minha mãe falando abertamente.
— Hahaha você deve odiar muito os humanos para falar assim.
Ela percebe o que disse e torce um bico de vergonha. — Odeio nobres em geral, não apenas humanos. São por culpa desses títulos idiotas que teremos que nos distanciar de você.
Faz sentido.
— Mas se não fosse por vocês terem fugido, a gente nem teria nos tornado uma família.
Ela pisca.
— Eu não quis dizer dessa forma. Eu sei que independente de onde estivéssemos, você ainda seria nossa. Você é meu presentinho.
Maggie estende a mão na mesa, eu seguro em reconhecimento. Eles também são meus presentes. Talvez até um pedido de desculpas.
— Mas eu não entendo uma coisa sobre essa academia... É uma Instituição de caridade? Eles não vivem de patrocínio? Como que ignorar os nobres, seja uma boa escolha?
— Não! Nunca que eles criariam uma Instituição de caridade privada. Mesmo que eles aceitem os plebeus, não é como se existisse um grande número que conseguisse entrar desde os primeiros anos.
— Primeiros anos? Dá para entrar depois?
— Bom... As provas são realizadas anualmente. Os plebeus tendem a não conseguir entrar nos primeiros anos por falta de conhecimento, já que as perguntas contém matérias que só os nobres possuem.
— E como eu vou conseguir entrar?
— Você está falando com uma ex-nobre que estudou lá.
- Oh...
— Irei investir pesado na sua educação, então esteja preparada! — Ela pisca para mim, sabendo que vou odiar cada minuto dessas aulas.
Urgh.
— É… O que você quer dizer por sangue puro? — Não me recordo de ter ouvido essa expressão.
Maggie acena com a cabeça.
— Depois que as raças passaram a dividir o mesmo espaço, começaram a nascer os híbridos, também conhecidos como os Impuros. Os de sangue puro tratam os híbridos como se fossem vermes, então você vai ver mais o preconceito com eles, do que com os plebeus.
(Lixos sendo lixos). (Esperava mais deles?). (Nunca).
— Como não vimos outras raças de nenhum tipo aqui? — Mesmo que Maggie tenha falado da globalização, eu ainda não vi nenhuma outra espécie por aqui, nem mesmo variações de animais.
— Estamos isolados numa cidade rural, bem longe da capital. Aqui só tem mato mesmo.
— Então estamos num vilarejo sem senhores?
— Não, temos o Barão Guvast, dono dessas terras. Ele coleta os impostos, mas atualmente está morando na capital, raramente ele vem aqui.
Então tinha um senhor... (Você já o viu?). (Não). (Em dez anos?). (Surpreendente não é?). (Era para isso ser uma piada?). (Sim hahaha). (Os nobres nunca visitam suas terras desoladas... Nada novo até aqui). (Pois é...). (Eu gostaria que fizesse uma pergunta por mim). (Sim?). (O que são os rankings?). (Ah, sim! Também não ouvi falar sobre).
— Mãe, você disse que minha profissão será escalada dependendo do meu ranking. Quais são os rankings?
— Certo... Estou me perdendo em meio a tantos assuntos... — Maggie começa a contar nos dedos.
— Os rankings são classificados do E ao SS. Tanto os profissionais de domínio mágico, quanto os de domínio físico, são avaliados conforme seus poderes, habilidades e controles. Por exemplo, um combatente mágico de ranking B, tem o mesmo nível de habilidade de um combatente físico de ranking B. Uma luta entre os dois, tecnicamente resultaria num empate. Porém existem os espadachins mágicos, eles podem ter um nível de ranking diferente para cada tipo de modalidade. Exemplo, eles podem ser ranking B em domínio mágico e ranking A em físico. Neste caso, eles estariam no nível de combate de um ranking S, pois habilita de duas especialidades e seria injusto para os outros dois.
Eles pensaram em tudo mesmo.
— A classificação é só até o SS? Tem algum tipo de barreira? Não existem rankings acima deles? — Existe alguma limitação para oss atuais seres?
— Boa pergunta! O ranking SS é o patamar que todos tentam chegar, mas não é o limite. Além deles, existem os Caçadores de dragões, os Calamidade e os Justos. Mas você não precisa se preocupar com essas classificações, não existem muitos espalhados no mundo e ninguém espera que surjam mais.
(Os caçadores de dragões estão quase extintos?). Glint se interessa. (Pode ser que sim, faz pelo menos sete séculos que não vemos um). (Talvez o Manto Branco?..). (Não acho que seja, todos eles eram narcisistas. No mínimo eles usariam poderes para nos confrontar, ao contrário do manto). (Então ele pode ser mais forte que isso?). (Não dá para ter certeza, ele podia ser forte, ou simplesmente ter uma única habilidade útil na manga). (Ele era bem confiante em suas habilidades). (Repugnantemente, sim).
— Significa que não existem mais esses tipos de ameaça?
Uma fé tola?
— Sempre pode existir, por isso precisamos sempre estarmos atentos.
Sim, é.
— Se não nos esforçamos para essas ameaças, então por que treinamos tanto?
Maggie sorri de lado.
— Sobrevivência? Domínio? Ego? São tantos motivos… Mas se você quer uma razão digna... Esta seria manter as bestas no controle. Elas têm evoluído rapidamente, ficando cada vez mais fortes.
Não é um bom motivo para mim, mas foda-se, eu já tenho meu objetivo.
— Como são designados os tipos de rankings?
— Você fará uma prova de assuntos gerais para entrar na academia, lá dentro ou em outra escola, você participará de uma avaliação mágica e/ou uma avaliação física, dependendo do seu objetivo. Com o resultado dessa avaliação, você ganhará uma insígnia representando seu ranking no momento. Você repetirá esse processo anualmente, até o seu emblema final. As avaliações servirão para designar seu ranking, mas serão as provas de conhecimento geral que te graduará.
São muitas classificações.
— Mais alguma pergunta? — Minha mãe se espreguiça.
— No momento não consigo pensar em mais nada.
— Que bom, esse assunto é cansativo até para explicar.
— Sim — Respondo refletindo toda a informação que eu consegui aqui. Sistema político é muito complicado e isso tudo foi só do Continente Central. Credo.
Me levanto, descolando minha bunda da cadeira e indo em direção à porta.
— Aurora?
— Sim?
— Estudaremos todos os dias nos próximos cinco anos, para que você entre numa boa escola. Isso não é só pelas runas, mas sim pelo seu futuro. Você entende? — Sua preocupação pesa.
Não é como se eu pudesse evitar estudar.
— Eu entendo mãe.

Comments (1)
See all