O dia estava incrivelmente ensolarado, apesar do calor não conseguir passar da grossa camada de nuvens brancas a iluminação estava boa, os raios solares abriam um pouco de esperança em meu coração, quem sabe se nesse inverno o frio desse uma trégua?
Ainda havia pouco trânsito nas ruas, a maior parte das pessoas apenas saíam de suas casas apenas após às 6:30, já que era o horário mais confortável para se acordar, sentimento que eu também compartilhava, porém não poderia exercer, uma vez que era obrigado a treinar.
Foram apenas necessários 5 minutos para chegar até a casa de Gibb, eu sabia a rota de cor e como o conhecia desde sempre era fácil chegar ali, sua casa tinha um andar único e seus portões eram constituídos por um grande conjunto de grades metálicas com pontas agudas e perfurantes, essa tal arquitetura se repetia por todo seu muro frontal dando à casa uma forte atmosfera gótica, as cores de duas paredes eram escuras e acinzentadas, com poucas cores claras, caso eu não fosse um amigo de longa data, estaria a metros de distância, mas esse cenário não era o real, então naturalmente continuei o movimento de levantar minha mão e levar meu dedo indicador até o trajeto de pressionar a campainha, contudo, minha ação foi interrompida, pelo simples motivo de eu escutar um alto ranger metálico, era uma porta abrindo, não demorou muito para notar uma figura saindo daquela construção, era Gibb, andando em minha direção.
— Opa, bom dia. — Ele disse, levantando a palma da mão na minha direção.
— Opa! — Respondi, mais animado. — Como vai? Acordou agora?
— Infelizmente, quase perdi a hora.
Gibb tinha a mesma idade que eu, sua pele era branca e seus olhos verdes, como esmeraldas, seus cabelos eram castanhos e estavam bagunçados como sempre, por um tempo achei que isso tratava-se de desleixo, mas na realidade esse é o estilo natural de seu cabelo, seu físico era o de uma pessoa normal, nem malhado e nem acima do peso, bem como sua altura estava dentro da média, talvez um centímetro mais baixo que eu, além de estarmos usando as mesmas roupas, revelando para mim que estávamos na mesma escola, alegrando-me.
— Enfim. — Ele completava assim que fechava o portão principal, fazendo um grande barulho metálico. — E aí, como tá?
— Tô bem, cansado um pouco. — Respondi espreguiçando-me. — Mas isso que dá treinar logo de manhã.
— Ah é, teu pai ainda tem dessas, né?
— Sim, mas vamos andando logo, não quero chegar atrasado no primeiro dia.
— É um ótimo plano.
Nós dois seguimos caminho, tomando a rota que sabíamos, para falar a verdade era Gibb guiava o caminho, uma vez que meu senso de direção beira o inacreditável, só que de horrível, com o pouco trânsito era possível andar de forma tranquila pelas ruas, sem a preocupação de carros ou esperar 5 minutos em cada sinal que passávamos, eu estava bem curioso acerca desta escola nova, na época em que meu pai realizou a matrícula nem mesmo fiquei sabendo que isso havia acontecido, apenas recebendo a notícia há alguns dias atrás.
— Como foi a viagem? — Questionei meu amigo.
— Normal, eu acho. — Gibb respondia, sem muita cerimônia. — E por aqui? Como foi? — Ele parecia não querer falar muito sobre suas férias.
— Continuou o mesmo, joguei durante o tempo livre, treinava durante a manhã, nada muito diferente do comum.
— Meio triste, eu não conseguiria treinar todo dia.
E o assunto morreu por um instante.
— Então Gibb… Sobre a escola nova, sabe de algo? Tipo, como é lá?
— Ué, como assim? Tu não foi lá?
— Meu pai quis fazer surpresa… Então não.
— Saquei… — Ele pensou um pouco, como se escolhesse as palavras certas. — Olha, é uma escola boa, a nota de corte de lá é até alta, mas tu vai se sair bem.
— Então é tipo uma escola pra elite?
— Teoricamente, acho que mais pra pessoas inteligentes.
— Tá, então por que meu pai me colocou lá?
— Olha, acho que porque ela é famosa, só que para entrar é uma burocracia demorada, quando surgiu uma vaga ele só deve ter ido te matricular sem pensar duas vezes.
— É, faz sentido.
— Eu sei que meus pais estavam na fila de espera faz uns 2 anos, quando conseguiram uma vaga me matricularam imediatamente.
— Nossa! Então essa escola é bem concorrida.
— Nem me fale.
Continuamos nosso caminho por um tempo, cerca de dez minutos de caminhada, nesse meio tempo acabamos conversando sobre coisas mais banais apenas para conseguir manter um bom diálogo como o frio e jogos online, nada que agregue muito, nosso trajeto foi tranquilo, sem nenhum atraso ou imprevistos, graças a isso conseguimos chegar com antecedência… E claro, tudo que eu podia exibir em minhas feições era… Surpresa e felicidade.
O local era grandioso, na entrada haviam portões de grades metálicas, onde estava esculpido o brasão da escola, duas serpentes cercavam o escudo triangular, tocando suas cabeças ao topo deste, uma balança estava por trás do brasão, seus pesos apareciam equilibrados nas laterais, e, para finalizar, um elmo acima das serpentes, juntamente ao brasão vinham as iniciais da escola, estampadas no meio do escudo (A.H = Adam High School), que era dividido simetricamente ao meio graças ao portão duplo.
O prédio em si tratava-se de um grande edifício em forma de C, como se de um quadrado faltasse uma das faces, ao fundo uma torre enfeitava o meio do lugar, juntamente com um grande relógio, as duas extremidades paralelas possuíam suas entradas, dois pilares de calcário, vindos diretamente do período jônico, sustentavam uma parte do andar superior, e uma porta dupla de madeira permitia a entrada.
Assim que chegamos passamos pelos portões sem problemas, e seguimos para uma das aberturas, a da esquerda.
— Disseram que teremos uma apresentação no auditório. — Explicou-me Gibb. — Sabe, aquela cerimônia para receber os novatos.
— Tá, mas onde isso fica? — Disse, verdadeiramente perdido.
— To levando a gente pra lá, não esquenta.
Enquanto andávamos pelo meio da escola, olhava meus arredores, percebendo que a atmosfera daquele local era bem convidativa, suas cores eram agradáveis e a madeira do chão trazia um ar um tanto quanto especial e aconchegante, o que me agradava bastante, ainda mais com metade uma metade das paredes sendo feitas de tijolos e outra sendo branca, a única coisa que me incomodava era aquele uniforme, que tinha um lenço azul no pescoço, como se fosse uma gravata, e aquilo estava bem desagradável, tanto que eu não parava de tentar ajustar o lenço, sem falar que a camisa devia ser abotoada até o último botão, me enforcando ainda mais.
— Você está bem? — Perguntou Gibb, me vendo indubitavelmente incomodado pelo vestuário. — Apertou demais o lenço?
— Não… — Respondi tentando puxar um pouco mais a gola da camisa. — É justamente isso tudo que me incomoda. — Fiz um gesto com as mãos, mostrando meu corpo inteiro.
— Você se acostuma, sei que é desconfortável.
— Fácil falar... — Puxava o lenço mais um pouco.
— Tu vai arrebentar sua camisa, melhor parar.
— Ok. — Disse soltando e arrumando a gola. — Será que quando for verão o traje vai mudar?
— Talvez abram mão do casaco e do blazer, mas duvido que retirem esse lenço, sinto muito.
— Ah… — Suspirei decepcionado. — Tudo bem, não custa sonhar.
O uniforme que estávamos usando consistia de um blazer azul marinho de bordas brancas, com o brasão da escola costurado no peito direito, o lenço azul marinho no pescoço, e uma camisa social branca, para as garotas a única coisa que mudava era na parte inferior, que era uma saia, já para os garotos era uma calça, independente disso a cor manteria-se a mesma do blazer, os sapatos eram livres, mas a maioria dos alunos, assim como eu e o Gibb, estavam usando os clássicos sapatos sociais.
— Certeza que é por aqui né? — Questionei preocupado.
— É sim, não se preocupa cara, sei por onde estou indo.
— Eu to nervoso Gibb! — Respondi, gritando baixo.
— Eu sei, já estamos chegando, é aquela porta ali.
Gibb apontava para uma porta dupla ao final do corredor, feitas de madeira, elas não possuíam maçanetas, apenas placas douradas, como as de cinema, empurrando as portas elas se abriam, revelando um gigantesco auditório.

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