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Aurora Espelhos Vazios

(Do que ri?) Parte 1.

(Do que ri?) Parte 1.

Jul 01, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
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Parte 1

Ficamos em silêncio absorvendo as novas informações, perdidos na paz de nós mesmos, apenas absorvendo o ambiente de risos frouxos e conversas tranquilas, conduzidos à fome pelo maravilhoso aroma dos temperos e das finalizações. 
O ambiente não é gigante, mas é confortável o suficiente para caber todos, e poderem transitar sem se esbarrar em mesas ou corpos, mesmo recheado de famílias. Com a cozinha no fundo, o salão de madeira amarelo-delicado compõe-se de — treze? — mesas, escuras forradas por um tecido branco, de quatro ou duas cadeiras. A minha, especificamente, de duas, já que ela está colada na parede. 
A mistura do salgado e do doce no ar, não poderia ser ainda mais tentador — ou torturante.
Os pedidos chegaram rápido, de longe já dava para perceber a diferença entre os pratos, um doce — meu, é claro — e um salgado, do meu pai. Nossa atenção ficou completamente nos pratos servidos, seus aromas e apresentações incríveis, mesmo que simples, Florecer tem cozinheiros de mãos cheias. (Você está salivando). (Pode apostar que estou!). (Bom apetite). (Para nós!). Seguro o pequeno jarro de barro de boca curvilínea, inclino-o e derramo a geleia de mirtilo por cima da torre de cinco andares, corto um pequeno pedaço da panqueca e mergulho ele na cauda derramada no prato. 
A antecipação está me matando. 
Lambuzo-o e o levo à boca.
Imediatamente sinto o delicado azedo e logo o vasto doce, registrados em massa suave. Uma explosão de sabores mergulham na minha boca, como se eu engolisse a felicidade do mundo. (Porra, sim. Isso é muito bom). Sinto o contentamento reinar em Glint. Sorrio, eu gosto disso. 
Dou garfadas gigantes na panqueca, sempre precisando de mais, mais do sabor, mais da felicidade de apreciá-lo e mais de Glint feliz. 
— Ei! Vai com calma! — Jake ri do meu desespero. 
Ele fala isso, mas seu prato já está quase vazio. 
Sorrio de boca cheia. 
— A comida não vai fug... 
— KYAAAAAAA — Gritos o interrompe. 
Ele olha para a janela ao seu lado esquerdo, sua postura se enrijecendo enquanto seus olhos caramelos buscam por respostas. Faço o mesmo, com o vidro ao meu lado direito, quase me virando para trás. 
Algo está acontecendo. 
Noto as pessoas na rua correndo desesperadas em direção ao centro da vila, pessoas encharcadas de sangue se esbarraram nas paredes do restaurante, trincando algumas janelas no ato. Ouço os murmúrios assustados dentro do restaurante, aviso de que, lentamente, os clientes começaram a perceber a confusão que está lá fora. 
— Mas que porra?
— O que está acontecendo?
Vultos passam por nós, como voos rasantes de corvos ilusórios. 
— Que merda é essa? — Alguns clientes percebem o tumulto simultaneamente conosco. 
(Lobos?). (É o que parece). (Existe uma alcatéia por aqui?). (Não). 
Com um baque alto de vidro se quebrando, algo é arremessado do lado oposto do nosso, caindo no meio de Florescer, no corredor central. Um homem, de pele escura, manchada de sangue. 
O silêncio se instaura no estabelecimento. 
— O-o que é isso? — Uma jovem de cabelos castanhos pergunta a ninguém especificamente. 
Eu entendo sua confusão, os habitantes deste lugar não estão acostumados com o morticínio. O choque de realidade escrito em olhos agitados não é nada surpreendente.
— O que você acha? — Um jovem de cabelo loiro responde sarcasticamente. Tentando esconder sua apreensão com o tom irônico, quase convincente, se não fosse por suas mãos trêmulas agarradas na cintura. 
A cena é esquecida com o crescimento dos  burburinhos finos e desesperados. 
— Mãe, o que está acontecendo?
Sem respostas.
— Vamos morrer?
As crianças ao redor repetem o mesmo, se agarrando em seus pais. Uma das mães, de perfil jovem e cabelos loiros, responde quase cochichando. 
— Shiuu. É claro que não, querido. Está tudo bem! — Ela opta por mentir. 
É interessante assistir o medo dos humanos, nesses momentos notamos o quão insignificante eles são. Encurralados como ratos e tremendo como vara verde. 
Dizem que os animais sobrevivem por meio dos seus instintos… Os dos humanos é fingir que o problema não existe.
Uma mulher de mais idade, alheia ao mundo, se aproxima lentamente do corpo jogado no chão, percorrendo o caminho que ninguém quis traçar. Interrompendo, com passos instáveis, o silêncio instaurado no ambiente por mentes inábeis, por pessoas ansiosas pela confirmação do óbvio. 
— El-ele está morto! — A mulher constata em meio aos assobios de medo emitidos, dessa vez, por adultos. 
Claro que ele está, suas tripas estão espalhadas no chão, seu peito está rasgado em tiras como papel. É nítido que ele está morto. 
Um rosnar próximo da porta da frente despertam ouvidos atentos, os clientes se calam sem tardar, recuando para o fundo do restaurante num movimento instintivamente inteligente. Jake se levanta da mesa me puxando junto, nos afastamos do vidro lentamente, sem virar de costas e com os joelhos tenuemente dobrados. Movimentos de presas treinadas, ou de caçadores atentos. Na natureza os dois resultam no mesmo: sobrevivência. Obedeço seu comando, desviando o olhar da peça que essa raça está apresentando.
A origem do rosnar espreita à janela próxima de onde estávamos, um grande lobo cinza, de olhos vermelhos adornados por um leve traço de prata. 
— Pai, não existe…
— Eu sei, querida, eles não são lobos comuns.
— A mamãe? 
Jake segura minha mão ao seu lado. — Sua mãe está bem, ela já passou o recado para mim.
— Eles chegaram nela?
— Sim — Ele abafa um ruído.
— Eles a machucaram? — Limito meu pulmão, um batimento cardíaco fora de rota anseia sua resposta. 
— Não.
Respiro em alívio — Menos mal — Destaco a frase para mim.
(Vamos caçar lobinhos?). (Os que se meterem no meu caminho). (Por que não todos?). (Porque eles passaram pela barreira da floresta, não existe corrupção em seus corações). (E isso importa?). (Não deveria, mas preciso descobrir o que está rolando aqui, para que não ocorra novamente). Glint insiste na razão. (Por que você se importa com esse povo?). (Meus pais ainda precisarão de seus produtos depois que sairmos daqui). (Tão prestativa). (Otário). 
Um lobisomem, um homem que está no meio de sua transformação em lobo, entra no recinto. Acompanhado de um licantropo cinza, aquele que se transformou completamente, de altura controlada para caber no estabelecimento. Mesma raça, métodos diferentes de atacar. 
Jake se aproxima de mim, mantendo sua postura quase agachada.
— Aurora, assim que abrirmos caminho, você irá fugir pela janela quebrada do outro lado do restaurante, diretamente para a nossa casa. Você está permitida a usar seus poderes, corra o mais rápido possível!
O quê?
— E você? — Acompanho os lobinhos com o olhar.
— Preciso ajudar essas pessoas, elas não sobreviverão ao ataque.
Claro que ele quer ajudar. 
— Não precisamos fazer nada disso — Repito o pensamento de Glint.
— Querida, não é tão simples assim — Ele me olha tristemente. 
Nunca é tão simples, nunca minhas ações somente me afetariam e nunca que uma espécie inferior deixaria a culpa queimar em seus corações. — não aqueles de boa índole, pelo menos — Por isso que eu nunca deixaria ele para trás para me salvar, sendo que eu posso fazer mais. 
Ele tem um coração justo e eu um egoísta.
— Podemos lutar juntos, eu posso enfrentá-los! — Preciso que ele concorde com minha ajuda. 
Sua mão aperta na minha, medo e raiva rastejando em seus olhos castanhos claros. 
— Uma porra que você vai! É muito perigoso!
(Seu pai tem noção que o perigo abraça o mundo inteiro? Não existe um único metro quadrado seguro nessa imundície). Glint rosna descontente, certo em alguns pontos.
Meu pai não tem noção da minha força, assim como Glint não tem noção da responsabilidade de um pai. Eu tenho, porque, bem... eu cresci assistindo o quão temeroso Jake é, pelo incontrolável. (Tente convencer esse cabeça dura, que entenderá o quão importante é seu ponto de vista. Sabemos que correr não adianta nada, mas não é como se eu pudesse dizer isso para ele...).
Paro de pensar muito, o tempo é um recurso não renovável.
— Pai você não dará conta sozinho, você sabe disso capitão, seja inteligente! Todo mundo está indo em direção ao mercado, deve estar uma tremenda bagunça, terão baderneiros no meio da multidão. Ajude as pessoas e deixe o resto comigo.
Jake me avalia, ele sabe que não tem como evitar a luta. 
Dou conta de qualquer coisa aqui. 
— Aurora... 
— Pai, confia em mim! — Insisto pressionando sua mão de volta. 
Ele olha para o caos na rua e suspira derrotado. 
— Certo, vou deixar você me ajudar, mas você que irá para a nossa barraca. 
Urgh, teimoso feito mula. 
— Pai, desde quando algum adulto já ouviu uma criança? Se eu pedir para eles se acalmarem, todos me ignorarão. 
Pela primeira vez vejo Jake sem nenhuma gota de paciência, ele acaricia o centro de suas sobrancelhas, implorando por uma solução. 
— Porra! Merda de situação!  — Xinga, quase alto demais.
Aperto sua mão em reconhecimento. 
Ele acena concordando com o plano. 
O lobisomem de pelagem marrom escuro, fareja o ar, entrando mais no espaço. Enquanto o lobo o acompanha, rosnando para afastarmos. 
— Preciso das minhas armas — Jake sussurra sinalizando para uma de suas runas. 
Agora que eu sei como visualizá-las, elas não se escondem mais. 
Ele ameaça usá-la, mas seguro seu braço. 
— O que você está fazendo? 
Se ele tirar as espadas do braço, seu disfarce vai para o lixo. 
— Saia com essas pessoas pelo fundo, eu cuidarei dos lobos — Aviso meu pai em tom sério. 
— Aurora, eles não são como os javalis, eles possuem inteligência. Você não conseguirá detê-los!
Essa conversa me cansa mais que qualquer luta. 
— Pai, só me ouve uma única vez. Faça o que te pedi. 
Ele me olha cético, mas desiste de lutar contra mim. 
— M-mãe! — Uma menina de cachos loiros agarra sua mãe, ao ver o licantropo se aproximar. 
— S-sai de perto! — A mãe implora e arremessa um prato de madeira no licantropo, fazendo-o grunhir. 
O lobisomem, ao ver seu aliado ser atacado, avança contra a família. 
Merda! 
— Agora, pai! — Grito, levantando uma parede de fogo no meio do restaurante, controlando sua ação inflamável. 
A fera de dois metros recua antes de ter seu corpo incinerado. É mais difícil evitar que o fogo se expanda pelo espaço coberto de madeira, do que o próprio uso da habilidade. 
A parede esconde completamente as feras, fazendo as pessoas recuarem lentamente para trás. (Sim, finalmente a ação!). Glint se empolga. 
Jake contempla minha barreira. O fogo vívido e controlado é o testemunho de minhas habilidades e a confirmação que ele precisava. 
Não estamos brincando. 
— Por aqui pessoal! — Ele chama os clientes e abre a porta do fundo. 
As pessoas o obedecem, correndo pela única chance de sobrevivência. 
— Aurora? — Jake me chama usando sua habilidade de comunicação. 
— Te encontro depois! — Seguro a barreira com meus braços inclinados para frente. 
Patas tateiam o fogo, apressando nossos planos. 
— Tenha cuidado, filha! — Meu coração se aperta, com o apreço compartilhado. 
— Mantenha o canal de comunicação aberto! — Aviso, ciente do pequeno incômodo em meu ouvido direito.
— Entendido capitã! — Medo e orgulho não passaram despercebidos.
Visualizo Jake tirar adagas gêmeas de sua runa e sumir no mundo. 
Dou risada de seu tom irônico e da continência simples prestada, antes de ignorar o mundo fora dessa caixa de madeira. 
Espero até não restar nenhuma outra alma dentro do restaurante e abaixo a parede de fogo com um leve sinal de mão, limpando o ambiente do calor e da iluminação excessiva.
Os cachorros demonstram confusão com a ausência de pessoas.
— Você deveria ter fugido também, criança. — O lobisomem fala em idioma humano. 
Interessante. 
— Onde está seu alfa? — Pergunto, desinteressada das cordialidades de combate. 
O licantropo rosna em desaprovação.
— Você morrerá antes de encontrá-lo. 
— Então ele está aqui? 
Ambos rosnam com a informação vazada. Ótimo. 
— Cale-se! — O lobisomem perde a linha facilmente e avança em mim. 
Conjuro uma barreira de vento, parando sua investida. Expando-a e rapidamente projeto a barreira para frente. O movimento de empurrar faz com que ele caia em algumas mesas, destruindo elas no caminho. Deveria ser fácil matar uma criança de dez anos, elas são inexperientes. (Por que você só não os queima?). (Isso aqui viraria uma fogueira enorme, Glint, estamos cercados de madeira). Sinto ele revirar os olhos, mas ignoro.
— O que caralhos? — O lobisomem se pergunta, fazendo seu companheiro me circular. 
Finjo não notar sua coreografia. 
— Me diga onde está seu líder, e eu não os mato. 
— Hahaha, que bela piada criança — Ele gargalha verdadeiramente.
Noto o lobo que me cercava avançar num salto, com um balançar de mãos, converto o vento num tornado e jogo no lobo. 
A habilidade arremessa ele para o fundo do restaurante, batendo o corpo canil com tremenda força na parede, desacordado-o antes de cair no chão. 
— Merda! — Seu aliado reclama, cessando o riso. — Como? — Ele repete. 
Balanço meus ombros em desdém.
— Entenda, meu corpo é pequeno mas eu nunca disse que sou fraca. 
— Você é só a porra de uma criança! — O lobisomem rosna novamente e avança. 
Típico da raça, eles permanecem com o corpo meio transformado para ganhar em estatura, usando suas garras como armamento. 
Ele pula no ar, caindo em minha direção. Projeto uma lança de gelo, ele percebe o erro de ter pulado, mas já é tarde. Ele cai em cheio nela, seu coração empalado. Rápido e fácil.
Ou o que era para ter sido.
O lobisomem esbarra na lança, mas ela não o penetra, não totalmente. Sério? 
O cachorro ergue seu rosto com um sorriso cínico, ele nem precisa dizer, seu sorriso arrogante é quase caricato. 
Tudo bem, ele pode ter um pouco de reconhecimento por sua ação rápida e eficaz. Ele usou suas mãos como escudo, mãos resistentes, semelhante à manoplas de ferro, impedindo a lança de avançar em seu tórax. 
Ainda assim, foram perfuradas. 
— Não será tão fácil assim, criança. — Ele ri, ganhando o mundo com minha expressão. 
— Me dirá onde está seu líder? — Falo com indiferença. 
Meu tom o desagrada. 
— Prefiro a morte! 
Pois bem. 
Arremesso rajadas de vento nele, ele se esquiva de algumas enquanto desliza o restante do gelo pela sua carne, puxando a ponta com seus dentes. 
Devo parabenizá-lo pelo esforço, está sendo lindo. 
Ele recua com algumas rajadas de vento que os acerta, brincando com sua paciência. 
— Chega dessa merda! Você só está prolongado o inevitável, menina.
Me seguro para não rir de seu pavio curto, mas ele tem razão, estou só perdendo tempo aqui. 
*Aprisionamento D'água*. Conjuro a magia com o dedo indicador e o dedo médio levantados. O elemento se acumula ao redor do lobo em formato esférico, levitando-o. 
NobaraRose
NobaraRose

Creator

Descer da montanha pode ter sido um erro, ou não.

#luta #Dragon #lobos #wolf #lycanthrope #werewolf #Magia #magic

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TolrielMyr
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Pelo ritmo das coisas eu já previa uma luta, mas não esperava que fosse logo agora

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"Nunca pare de evoluir". Foi o que eu ouvi antes dele me matar e me condenar ao ciclo infinito de renascimento. Seria graciosa sua atitude, se eu já não tivesse dado tudo de mim em todas minhas vidas, porra!
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