Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

Aurora Espelhos Vazios

Orquestra Desarmônica. Parte 1.

Orquestra Desarmônica. Parte 1.

Jul 15, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
Cancel Continue


Parte 1


POV Jake


O calor infernal do caos penetra em minha carne, ritmado aos esperneios de uma orquestra desarmônica. É feio, frio e cruel. Assim são as batalhas, uma hipocrisia constante entre o mormaço dos corpos e o gélido da morte.

Me vi jogado num conflito que não é meu, não é da minha família, à mercê de uma responsabilidade que não é nossa. Lutando por menos que deveria. 

Era para eu estar subindo a montanha com a minha filha, no momento ideal, quando o tom laranja enfeita o céu. Em contraste, estou absorvendo os reflexos das poças sangrentas. (Jake, onde está a Aurora?!). 

Aurora…

[..]

— Jake?

Outra vez a formalidade, não lhe ensinamos isso, sempre repetimos que somos seus pais, mas de alguma forma Aurora insiste em nos chamar pelo nome. 

— Sim? — Percebo que tenho assistido, em silêncio, ela se aproximar.

— Me chamou? — Seus olhos curiosos buscam por alguma anormalidade ao nosso redor, tentando achar o motivo de eu tê-la chamado.

Ei! É pedir muito passar um tempo com a minha criança?

— Bem... Eu estava à toa aqui, e você à toa em casa, achei que poderíamos fazer algo juntos — Comprimo uma risada, segurando para não rir da expressão de frustração em seu rosto.

— Eu não estava à toa. — Ela para de procurar, relaxando os músculos de sua face lentamente.

— Não? 

— Não! Eu estava assistindo Maggie enrolar a massa de batata em bolinhas. Ela estava me contando que é uma receita de família e mais alguma coisa que não consegui prestar atenção, aquilo... Parecia ser realmente bom.

— Aquilo?

— A massa de batata em formato de bolinhas...

— O nhoque?

— Isso! Essa po... Coisa mesmo! — Ela estala o dedo do meio com o polegar em minha direção, emitindo um pequeno som agudo. 

A cena divertida decorre com seus olhos bem abertos e brilhantes. 

Vou ignorar o fato de que ela iria usar uma palavra ofensiva como se fosse a coisa mais natural do mundo. Deixarei isso para Maggie, ela sabe como disciplinar alguém.

— Isso, para mim, parece ser "estar à toa". — Provoco-a.

Ela revira os olhos e começa a marchar para mais perto da margem do rio, me descartando completamente. Gosto de irritá-la, ela possui um temperamento próximo ao de Maggie, no entanto, menos explosiva.

— Quantos anos você tem agora? 

— Cinco? 

Conto mentalmente os peixes, assistindo eles nadarem e alcançarem a borda do lago, como se reconhecessem Aurora. 

Um peixe para cada ano de vida dela.

— Correto.

— Senhor, você não está pensando em pescar eles, está? Maggie enlouqueceria, você sabe o tempo que ela levou para pegar esses Peixe-Beija-flor? Urgh, ela vai nos matar!

Não respondo, e ela não parece querer uma resposta. 

Em transe, Aurora agacha nas pontas dos pés com seus movimentos leves, sem som, mal fazendo a grama inclinar. 

De cócoras nas pedras, minha filha desliza seus pequenos dedos no habitat dos peixes, desenhando o padrão que Maggie lhe ensinou. E assim, como treinados, os animais coloridos em escamas verdes, azuis e roxos profundo, repetem o trajeto numa dança hipnotizante. 

Eu passaria horas assistindo Aurora em qualquer tipo de atividade, é o nosso hobby acompanhar o crescimento dela, sempre desejamos ter isso, e cá estamos apreciando o presente que a vida nos deu, um pequeno raio de sol bonito e delicado. 

A natureza criou uma boneca perfeita.

— O que você acha da morte? 

— O que você quer dizer, senhor? — Ela me olha de lado, inclinando seu pequeno rosto na diagonal.

— Se algum desses peixes morresse, o que você sentiria? 

— ... — Ela olha para os peixes, talvez pensando numa boa resposta, ou talvez tentando encontrar uma.

Dois dias atrás, Maggie, em um dos passeios que ela fez com nossa filha, me informou que Aurora assistiu um gavião-branco caçar um pássaro fofo. Ela ficou preocupada que Aurora não demonstrou ter nenhuma simpatia com a pequena ave, falei que era normal, mas ela insistiu que eu conversasse com ela sobre isso, "É o seu papel como pai, Jake!".

E é claro, por livre e espontânea vontade, estou realizando o dever de um pai.

— Hã… Nada? Eu não sentiria nada. — Ela enfim responde

Nada? Essa é a resposta que encontrou?

— E se você os matasse?

— Hmm… então, talvez, medo.

Medo... Isso é um sentimento certo? 

— Medo?

— Sim? Maggie me mataria.

Pff. Certo. Isso é totalmente Aurora, será que ela realmente acredita nisso?

— E quanto aos peixes?

— O que tem?

— O que você sentiria? São vidas…

— Por que eu mataria-os?

— Por fome?

— Bom, então nesse caso eu agradeceria? 

Não estaria totalmente errado... Caçar por fome não simboliza nada, não é maldade e nem benevolência.

— E se não houvesse motivos?

— Então não aconteceria… Não tenho prazer em matar por nada.

Aurora dá respostas certas, certas demais para uma criança de cinco anos. É como se ela estivesse programada para pensar nisso. 

Existe alguma chance dela está aprendendo o que é consequência ao nos assistir? 

— Como saberia? Você nunca matou.

Seus dedos retraem, quebrando ao meio os padrões desenhados na água, são esses pequenos tremeliques que nos alertam de que algo está fora do comum. Maggie descobriu que ela faz isso quando se perde em pensamentos, como se lembrasse de algo. 

É irônico como temos que enxergar minúsculos movimentos para entendê-la. 

— Er… bem… insetos? 

Insetos?

— Er… Quero dizer… Já pisei em insetos.

Bom… Isso deve ocorrer diariamente na vida de qualquer um. 

— Mas é diferente, os peixes são maiores e mais desenvolvidos…

Ela balança os ombros.

— Para mim, são tudo a mesma coisa.

Zumbir…

— E eu e a sua mãe?

— O que tem?

— Temos a mesma importância que os insetos?

— Hm… Tecnicamente sim, são seres vivos da mesma forma, mas eu não os mataria. 

— Por quê?

— Sem motivos.

— E se alguém nos matasse?

— Bom… Então eu o mataria. 

— Por quê?

— Eu já lhe disse, senhor, costumo pisar em insetos.

[…]       

(JAKE?!)

O tom exigente de Maggie se repete em minha mente, volto a respirar, em meio aos pensamentos intrusos. 

Apaguei, nos segundos que uma sequência de movimentos me proporcionou, para pensar no passado.

Em que momento minha mente se sobressaiu sobre meu corpo? Quando foi que uma lutinha medíocre me fez trancar os pulmões? Em que instante eu passei a pensar demais antes de agir? Porra! Se controle, Jake! Campos de batalhas sempre foi seu lar, a guerra é uma vadia egoísta, não caia sob os pés dela, lute pelos seus! (Jake?! Me responde, porra! Você está surtando!). 

Maggie grita novamente pelo pareamento, forçando a passagem da sensação de conforto dela para dentro do meu corpo, uma estratégia criada por nós para evitar que os dois sofram, já que ambos estamos conectados. Massageio a runa gêmea gravada em meu peito esquerdo, tentando alcançar sua outra metade, localizada igualmente em Maggie. (Estou aqui, querida). Controlo minha respiração novamente, ignorando aos poucos o grito de guerra da minha cidade natal, perpetuado em minha mente.

Achei que eu pudesse fazer o mesmo que Aurora, tratar todos como insetos, como seres irrelevantes. Mas, por alguma razão, não consigo me sentir neutro sobre esse conflito. Não quando os incessantes calafrios percorrem minha espinha. (Que merda cara, não faz isso! Sabe o quão preocupada eu fico por não conseguir visualizar vocês?). Sinto Maggie respirar aliviada. 

Porra! O que eu tenho feito? Como posso me dizer ser um combatente, quando me perco em pensamentos no meio de uma luta? De que maneira posso me dizer ser um bom marido, quando preocupo minha esposa?

Eu sou um merda.

(Você está certa, querida, me desculpe). Ela suspira tristemente. (Está tudo bem, Jake. Essa confusão nos pegou de surpresa, é normal surtar). (Não, não é. Eu não deveria me distrair com a Aurora fora de vista). O calor confortável de mais cedo, transforma-se num pinicante. (E onde ela está? Você me deve uma resposta). Merda! Eu sei. (Ela está vindo até mim). (Jake, já faz trinta minutos que você disse que ela estava a caminho). (E é a verdade, querida). 

O que uma vida pacífica não faz com uma pessoa? Um caos se formou dentro de mim por estar preocupado com a Aurora, não reconheço o homem frágil, ansioso e de consciência benevolente, que me tornei. O que mais quero é arrancá-la dessa bagunça e nos isolar na montanha. Entretanto, infelizmente, preciso proteger esse povoado e esperar por respostas da minha filha. 

"O papel do forte é proteger os mais fracos", quem inventou esse senso de responsabilidade covarde?

Ao menos sei que ela conseguirá enfrentar esses cachorros com facilidade. Eu a treinei para matar qualquer coisa que a confrontasse, e se aquela parede de fogo significa algo, sei que ela não hesitará em executar o serviço. Igualmente fiz ao confiar no palpite dela e segui o fluxo de pessoas.

  Da mesma forma que Aurora disse, uma multidão correu para o centro da vila, como se ao chegar no centro, eles ficariam a salvo de todos os males. Tosco. O pior é que se não fosse por eu ter criado uma barreira em volta dessas pessoas, todos teriam se entregado de oferenda aos lobos. Os únicos motivos que tenho para ajudá-los é a estabilidade que essa vila representa para as duas, e a culpa que me comeria por deixá-los morrer. (Jake, eu preciso mais do que "ela está vindo"). 

(Aurora está ajudando as pessoas que ficaram para trás). Falo de uma vez, antes que Maggie comece a surtar também. (Ela te disse isso?). (Houve uma explosão perto dela, ela foi ajudar). Ela bufa descontente. (Aurora é só uma criança, Jake! Ela não está pronta para isso). (Querida, eu estou tão preocupado quanto você, ela pediu um voto de confiança e eu lhe consenti. Eu a vi em campo, confia em mim, ela está bem). Essas palavras servem de lembrete para mim mesmo, um mantra que tenho repetido constantemente, desde que saí do restaurante. 

(Odeio isso). Maggie declara. Sinto minha parceira resmungar, consigo até visualizar o bico de frustração formando em seus belos lábios carnudos. (Eu também). Sorrio pensando nisso. (Me diga como estão as coisas por aí). 

(Hum… As lobas e seus filhotes estão vasculhando a floresta em peso. Tudo calmo no momento). (Elas mexeram com você?). Eu definitivamente deveria desistir da luta e levar Aurora para cima. (Relaxa esse fogo. Elas não mexeram comigo. Fizeram algumas perguntas abertas, pediram para entrar na casa, entraram para uma inspeção rápida e saíram. Desde então, elas se mantiveram estáveis, na delas). (Elas entraram na nossa casa?!). (Jake, relaxa, eu autorizei. Se não, elas nem pisariam na floresta). Certo… Não é como se minha Maggie fosse indefesa, ela cresceu como uma guerreira, é tão bem treinada quanto eu. 

Ainda assim, eu preferiria que ela nunca precisasse lutar novamente. Este é o meu papel, o dela é viver feliz com a nossa menina.

— Não me ignore, porco! — Ouço um lobisomem insultar o caçador do meu lado. 

Os dois estão comendo minha paciência por tempo demais, é como ouvir dois mosquitos-serrote o dia inteiro, dentro do ouvido, com audição amplificada. Exatamente! Está sendo um tormento, um que darei fim agora mesmo. 

Chuto o focinho do licantropo na minha frente e o decapito com um corte limpo. Usando a mesma espada, giro e atravesso o pescoço do lobisomem à minha direita, aquele que não parava de falar, degolando-o e arrancando sua cabeça imediatamente. Esse é o único jeito de matar lobisomens, arrancando suas cabeças ou corações. De outra forma, independente do corte, eles se curam. 

— Ei! Ele era meu!

Olho de relance para o caçador de baixa estatura ao meu lado, ele seria facilmente confundido com um anão, com seus cabelos castanhos, parrudo e barba longa. 

— Mate mais e converse menos. Enquanto vocês trocavam insultos, muitos dos outros caçadores tiveram que assumir sua parte da luta. Seja mais eficiente!

— E desde quando você é o líder aqui, garoto? — O caçador medíocre novamente deixa sua posição para falar merda, só que dessa vez eu sou o objeto de sua negligência.

Odeio humanos, ao invés de serem eficientes, eles atuam sob seus egos inflados.

— Desde que eu tenho segurado a barreira que mantém seus filhos vivos, porco! — Repito o apelido de bom gosto que o lobisomem deu à ele. 

Outro lobisomem chega para brincar com o baixinho, lá vem mais diálogos inúteis. (E o que eles procuram?). 

Retorno a conversa com Maggie, enquanto paro o avanço de um licantropo marrom. (Hã… Elas disseram que não estão permitidas a compartilhar essas informações). Maggie me responde imediatamente.

Porra! Não acho que a barreira vai durar por muito mais tempo, os lobos estão lutando incessantemente para quebrá-la. Eu conseguiria segurar ela, se não fosse por eu estar fazendo o serviço de um tropa. (Como estão as coisas aí?). Maggie pergunta já tendo conhecimento da minha insatisfação.

Não há razões para mentir, quando tudo que você sente, outra pessoa sente diretamente. (Sinceramente, está sendo um pouco complicado, ainda tem pessoas entrando na barreira e estou depositando minha concentração toda nela). Ela se sente apreensiva. (Quer que eu?…). (Nem pense nisso, eu dou conta dos lobinhos). Corto o que ela iria falar. 

Sinto Maggie revirar os olhos como se fosse os meus próprios. (Teimoso… E quanto ao alfa?). (Hum… Rodeando a vila ainda… Como ele não consegue entrar na minha barreira, ele está verificando as lojas e casas em volta, enquanto seu bando nos mantém concentrados). (Ele também não disse o que veio procurar? O que poderia ser tão importante para ele matar tanta gente?). (Ainda não disse nada). (Merda! Vou tentar alguma coisa com as lobas aqui). (Tenha cuidado). (Sempre).

As lutas continuam enquanto o alfa anda pelas ruas, seja o que for que ele está procurando, ele não vai parar até achar. 

Seria bem mais simples se ele só chegasse até um de nós.

Aproveito a distração que alguns embates me proporcionam e aciono a minha runa de armamento, troco minha espada por adagas novamente, alternando-as conforme a necessidade. Enquanto o peso da espada é maravilhoso para decapitação, as adagas me oferecem maior agilidade. 

Noto o alfa voltar de sua busca e conversar com seu imediato, um lobisomem de pelos cinza escuro, o beta olha no meu sentido, indicando algo ao seu líder. Se eu fosse deduzir, diria que ele apontou para mim, o combatente que mantém a barreira. 

O alfa caminha em minha direção em sua forma lobisomem, ganhando uns trinta centímetros acima de mim, o que não é pouca coisa. 

Em passos longos, ele diminui a distância rapidamente. 

— Você é o líder aqui? — Ele me avalia expressivamente.

Idioma humano? Bom, pelo menos podemos conversar. 

— E se eu for? — Os selvagens acreditam na lei do mais forte, para evitar que mais alguém se machuque eu preciso me colocar em sua reta. 

Ele rosna farejando o ar e me olhando de cima a baixo. 

— Mentiras, Fae? Vocês já foram melhores. 

Hein? Que moral a porra de um cachorro tem para me repreender?

— Se põem em seu lugar, cão!

Ele rosna em advertência. 

— Meu lugar? Quem é você para me falar de lugares, Ser de sangue sujo?

— Alguém que você não vai querer mexer!


NobaraRose
NobaraRose

Creator

Pov Jake Parte 1

#lobos #wolf #lycanthrope #werewolf #luta #description

Comments (1)

See all
TolrielMyr
TolrielMyr

Top comment

Aurora comparando os pais com insetos ksksksksksks
Tenho certeza de que os lobos estão procurando por Jake e Maggie ou por Aurora. Mais provavelmente por Aurora, isso aconteceu logo após o "despertar" dela, por assim se dizer, é muita coincidência

1

Add a comment

Recommendation for you

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 75.8k likes

  • Secunda

    Recommendation

    Secunda

    Romance Fantasy 43.3k likes

  • Invisible Bonds

    Recommendation

    Invisible Bonds

    LGBTQ+ 2.5k likes

  • Touch

    Recommendation

    Touch

    BL 15.6k likes

  • Silence | book 1

    Recommendation

    Silence | book 1

    LGBTQ+ 27.3k likes

  • Blood Moon

    Recommendation

    Blood Moon

    BL 47.7k likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

Aurora Espelhos Vazios
Aurora Espelhos Vazios

897 views8 subscribers

"Nunca pare de evoluir". Foi o que eu ouvi antes dele me matar e me condenar ao ciclo infinito de renascimento. Seria graciosa sua atitude, se eu já não tivesse dado tudo de mim em todas minhas vidas, porra!
Quantas vezes mais terei que repetir esse processo? Quantas vezes mais morrerei em solidão? Quantas vezes mais perderei tudo o que já construí? Quando finalmente terei paz? Novamente eu fui jogado no vazio, no desespero de minha alma angustiada, repetidamente entregue ao acaso.
Em toda a minha existência eu lutei contra o oculto, mas diferente de antes, agora eu sei quem me amaldiçoou. Enfrentarei meu novo destino, dessa vez eu não farei tudo em vão, não irei lutar para sobreviver, eu não vou ser um fantoche. Eu serei o caçador e a caça é o maldito que me acordou.
Ele verá o que é evolução.
Subscribe

36 episodes

Orquestra Desarmônica. Parte 1.

Orquestra Desarmônica. Parte 1.

5 views 1 like 1 comment


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
1
1
Prev
Next