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Aurora Espelhos Vazios

Orquestra Desarmônica. Parte 2.

Orquestra Desarmônica. Parte 2.

Jul 15, 2023

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Physical violence
  • •  Cursing/Profanity
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Parte 2


POV Jake


Me posiciono na defensiva, acionando três runas em meu corpo, para resistência, força e agilidade. Sinto o leve queimar onde elas habitam, duas em meu braço direito e uma na minha perna esquerda. 

O lobo me avalia e olha ao nosso redor com um sorriso cínico. Sem interesse em responder, o alfa inclina seu focinho para o céu e uiva, em alto e bom tom. Um aviso, uma mensagem para toda a sua alcatéia, "a luta acabou". 

Imediatamente seus homens param os avanços contra nós, uivando em resposta.

— O que está acontecendo? — Os caçadores se perguntam, não decifrando a virada brusca dos acontecimentos. 

O alfa para de sorrir e me olha. 

— O que você quer? — Pergunto sem rodeios, com minha postura mais relaxada. 

— Deixe-me entrar na barreira — Ele diz apontando para os trinta metros atrás de mim. 

— Não sem você me dizer os motivos do ataque — Reforço mais três camadas na barreira, me enfraquecendo demasiadamente. Um risco à correr. 

Não sei as intenções dele, tudo pode acontecer em batalha e não posso cometer um erro estúpido aqui. 

— Você acha que sou trouxa, criança? Acha mesmo que vou dar a chance de você me passar a perna? — Ele me responde com nojo em suas palavras. 

— E o que? Você não confia em mim? Mas eu tenho que acreditar que a luta acabou aqui? Quem você acha que está sendo passado para trás?

— Não me interessa o que você pensa, garoto. — O alfa abre mais os ombros, curvando os braços em sinal de uma possível luta.

— Ótimo! Prolonga essa situação ridícula, mas daqui você não passa! Não entrará na barreira sem me dizer o que procura, cão! — Os cinco metros entre nós diminui com sua aproximação.

Os quarenta caçadores restantes ouvem nossa discussão — humanos de todos os tipos: altos, baixos, grandes, magros, de pele clara e escura — noto eles recuando lentamente para perto de mim, formando uma parede entre eu e o domo. 

Eles podem ser ignorantes para todo o resto do mundo, mas não se pode dizer o mesmo quando o assunto é a caçada. Eles sabem ler o ambiente, preveem o mesmo que eu. Se eu for atacado e morto, a barreira é desfeita, e é isso que o lobo quer.

— Romperei essa barreira de qualquer forma, você deixando ou não! — O alfa rosna uma resposta, avançando em mim, numa velocidade que eu não estava esperando.

Merda! 

Sua mão direita cai em direção ao meu corpo, como a porra de um martelo de guerra. Intensifico o gasto de energia nas runas acionadas e bloqueio o ataque com minhas adagas, posicionadas em formato de "x". A defesa funciona apenas como um escudo, me deixando suficientemente vulnerável. 

Ainda numa velocidade acima da média, sou atingido em cheio por sua mão esquerda, me lançando dez metros para trás. 

Foda-se! 

Aterrisso no chão rolando de cambalhota para trás, uso o joelho direito e as adagas em minhas mãos, uma em cada lado do meu corpo, para frear a deslocação. Ao estagnar no lugar, posiciono minha perna esquerda na minha frente, levemente dobrada, forço-a a corresponder conforme minha vontade, disponho de um impulso aceitável e me lanço em direção ao lobo. Toda a ação dura menos do que três segundos. 

No último instante, antes mesmo de alcançar o alfa, minhas pernas se dobram caindo de joelhos no chão, como se fossem feitas de slime. 

Que porra?

Minha coluna se enrijece involuntariamente, uma resposta à sirene interna do meu corpo gritando em meus ouvidos. 

Algo se aproxima. Muito… Muito rápido.

— Pai?! — Aurora grita diretamente nos meus tímpanos usando a magia de comunicação. 

Aurora?

— Filha, para casa agora!

Ainda estou de joelhos, vulnerável, mas nada importa mais que a segurança dela.

— Pai, qual a aparência do alfa?

O quê? 

— Hã… Ele tem pelos ruivos, um pouco mais escuros que o meu cabelo, quase vinho.

Espera…

— Aurora, não me diga que…

— Estou chegando!

Porra, Aurora. Isso não está acontecendo!

— Pra casa, já!

— ...

- Auro…

Uma descarga elétrica de grande intensidade desliza em minha coluna, pesando minha língua, o suficiente para quase me sufocar.

Sinto meu corpo tremer e meus ouvidos zumbirem, mas nada aconteceu, eu não fui atingido. Não há dor. Que porra? Estou imaginando? 

Não… consigo respirar, nem me mexer, se eu me mexer, serei morto. Eu sei disso. Sinto a ameaça de morte em mim, tanto quanto, sinto meu corpo vibrar.

Eu reconheço o sentimento, um que sempre lutei contra, o que só tive uma única vez na vida, mas que ficou marcado em minhas entranhas. Pânico. Cada molécula do meu corpo implora para eu fugir. 

Do quê? 

(Jake?). 

O chão treme com o impacto de algo que caiu do céu, o choque faz-me enxergar além do medo. Olho para frente, tentando ignorar as vibrações em meu corpo. 

Quando foi que eu abaixei o meu rosto? 

O lobo que eu tentava alcançar, está de pé, aproximadamente sete metros afastado de mim, imobilizado por um cabo de ouro, com espinhos dourados, acorrentado em seu pescoço. 

Que caralhos? Quando isso aconteceu? 

Leio as mesmas dúvidas escritas no olhar do alfa. (Jake?!).

— Pai! Vai para a barreira agora!

O quê? 

Aurora?

O alfa se debate no lugar tentando tirar a corda de seu pescoço, arrancando fileiras de sangue de sua mão, um movimento gerado mais por instinto do que por coragem. Sem tempo para esclarecimentos, os lobos avançam em nós, diminuindo os dez metros de distância. 

Aparentemente o efeito não os atingiram inteiramente. 

Com o mesmo tempo de resposta, somos todos arremessados quinze metros para trás. 

— Que porra foi essa? — Os homens que estavam atrás de mim tentam se levantar. 

— Não sei, não consigo acompanhar merda nenhuma. Como o alfa se afastou? — Ouço as mesmas perguntas que me fiz.

Agora não é hora de pensar. 

— Todos corram para a barreira! — Grito para os caçadores, interrompendo-os. 

Eles obedecem, notando o beta avançando. 

O segundo na posição da alcatéia tem quase a mesma força que um alfa, ter os dois numa luta significaria a derrota para esses humanos sem núcleo. Ignoro-o. 

Ignoro tudo e todos, nada é mais importante para mim do que ela.

— Aurora?! — Grito correndo os quinze metros em direção à sua voz.

A confusão me deixando anestesiado para qualquer perigo. 

Ela repete o processo de nos afastar com uma barreira de vento. Aurora! 

(Jake?! Porra!).

— Pai, fique aí! Tenho tudo sobre controle.

— Tá brincando comigo, caralho?! — Olho ao redor, caçando-a.

Onde exatamente você está?

— Pai…

O alfa se esforça novamente. Não há tempo!

Avanço lutando contra o peso nas minhas pernas, contra o ar rarefeito e principalmente contra a ansiedade que domina meu corpo. Mesmo que eu abdicasse da minha sanidade, eu nunca deixaria ela estar cercada por cem fudidos lobos.

— De joelhos, cachorro! — Ela grita, fazendo meus joelhos tremerem, como se eles que recebessem a ordem.

Sinto meu corpo querer instintivamente fugir. A razão lutando constantemente contra o desejo.

Não consigo acompanhar os eventos.

Olho para os lados tentando enxergar qualquer outro motivo do meu pânico, jamais eu temeria Aurora, ela é minha filha. Mas... Nada. Não encontro nada de estranho. Sinto meu pavor vir diretamente de onde Aurora está, ele tem gosto e toque físico. 

Uma sinestesia bizarra.

O lobo treme e luta parado, rosnando e chorando em dualidade. Reflexos causados por sua forma bestial. Uma resposta visível do que estou passando.

— Uma criança? — Ele pergunta, tentando frear seus tiques nervosos. 

Não posso esperar ele voltar a ter o controle, aumento minha velocidade e retiro uma lança da minha runa, visualizo três licantropos avançarem junto comigo. 

Sem qualquer encantamento e numa velocidade incrível de reação, Aurora lança dois feitiços ao mesmo tempo, ela nos afasta com seu vento e nos aprisiona em raízes. 

Ela aprisionou a porra da alcatéia inteira em raízes. Como? 

— Mandei ficar de joelhos, cão!

— Nunca! — O alfa rosna. 

— Eu arrancarei a porra da sua cabeça! — Ela aperta mais o laço. 

Constato pelo tanto que o alfa está lutando por ar. 

Não consigo me aproximar dela, suas raízes prenderam meus braços e pernas de forma que eles ficassem afastados. Aurora fez o mesmo com o alfa. (JAKE?! ME RESPONDE, PORRA!). Maggie? Pelos deuses, ela deve ter sentido tudo. (Estou aqui, querida). (O que caralhos está acontecendo?!). (Aurora, ela chegou. E-Eu não estou entendendo muito bem, mas ela está mantendo o alfa acorrentado). (O quê? Como?). Exatamente, como? (Querida, quando tudo acabar eu te explico).

Grunhidos e choros permeiam o ambiente, olho para os lobos que lamentam suas incompetências como se o mundo fosse chegar ao fim. 

— Você morrerá por ser muito orgulhoso, lobo, uma merda de líder! — Ela anuncia, afrouxando os braços, para apertar com mais força na volta. 

Não importa o quão forte ele seja, seu pescoço rolará. Aurora tem força para isso, se não ele não estaria imobilizado.

Mas ela espera por sua resposta.

Segundos eternos se passam, dá para ouvir as engrenagens do cérebro canil rodando. Uma decisão difícil precisa ser tomada, morrer sem se ajoelhar e condenar sua alcateia, ou jogar no lixo seu orgulho e torcer pelo caráter de uma criança?

Decidindo confiar na sorte, o alfa desiste e se ajoelha. 

Meu coração cai junto com o movimento do lobo. 

O que caralhos aconteceu com ela?

Aurora está banhada de sangue, seu cabelo e roupas manchados de vermelho. Quem fez uma porra dessas?! Quem caralhos tocou na minha filha? Que tipo de ser nojento. 

— Sangue inimigo, pai! — Aurora lê minha expressão. 

Sangue inimigo? Sim, lógico. É claro! Minha Aurora não deixaria alguém tocá-la. Ela não treinou tanto para sucumbir aos lobos. Ela consegue se proteger sozinha. Ela consegue se proteger sozinha. Ela consegue. Se. Proteger. Sozinha… 

Graças aos deuses, porra! 

O alfa me olha, reconhecendo meu motivo de luta. 

Presos de frente um para o outro, esperamos o prosseguimento de Aurora. Eu não sei seus motivos, ou o que ele procura. Contudo, eu sinto que ele tem uma boa razão. Exclui a idéia ingênua, eu vi as merdas que eles fizeram e as vidas que eles tomaram. Mas também vi que eles não roubaram nada, não sequestraram ninguém, nenhum tipo de violação. Apenas a forma bruta de agir. 

Eles não estão aqui por ganância, eles estão por ódio, vingança. A questão é, do quê? 

— Então, lobo, qual o seu nome? — Aurora pergunta aumentando o aperto. 

— Rafe — Ele responde, não exercendo mais resistência. 

Então ele tinha um nome…

— Ótimo, Rafe. O que traz aqui? — Ela mantém uma voz calma e serena, como se o mundo tivesse encontrado a paz e tudo não passasse de um sonho. 

Minha filha não está com medo, nem com raiva. Ela sabe, ela sente o mesmo que eu. 

— Eu... — Rafe tenta responder, mas para. 

Seja o que for que ele está defendendo, ele não quer que ninguém saiba, está tudo escrito em seus modos de agir e na proibição aplicada nas lobas. 

Aurora diminui a distância, rodando o cabo dourado em seu braço e mantendo o aperto firme. 

— Rafe, qual o motivo de tanto desastre? Eu quero uma resposta dessa vez — Ela puxa mais o cabo, em seriedade.

A alcatéia rosna desaprovando.

— Filhote... 

— Filhote? — Ela repete a resposta, tentando ouvir melhor.

— Vocês sequestraram meu filhote! — Rafe chuta as palavras, ofendido por ter que repetir. 

Mas que porra? 

NobaraRose
NobaraRose

Creator

Fim do POV de Jake

#lobos #wolf #lycanthrope #werewolf #luta #aprendizado #description

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TolrielMyr
TolrielMyr

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Minha teoria estava errada. Era mais simples do que parecia. Mas imagino quem tenha sido o idiota

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"Nunca pare de evoluir". Foi o que eu ouvi antes dele me matar e me condenar ao ciclo infinito de renascimento. Seria graciosa sua atitude, se eu já não tivesse dado tudo de mim em todas minhas vidas, porra!
Quantas vezes mais terei que repetir esse processo? Quantas vezes mais morrerei em solidão? Quantas vezes mais perderei tudo o que já construí? Quando finalmente terei paz? Novamente eu fui jogado no vazio, no desespero de minha alma angustiada, repetidamente entregue ao acaso.
Em toda a minha existência eu lutei contra o oculto, mas diferente de antes, agora eu sei quem me amaldiçoou. Enfrentarei meu novo destino, dessa vez eu não farei tudo em vão, não irei lutar para sobreviver, eu não vou ser um fantoche. Eu serei o caçador e a caça é o maldito que me acordou.
Ele verá o que é evolução.
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