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Guilty Vampire

Capítulo 1: Começo

Capítulo 1: Começo

Jul 23, 2023

"Naquele instante acreditei que as coisas mudariam

Não

Nada jamais mudaria

A vida é a vida onde quer que esteja

E a morte é a morte onde quer que esteja

No fim um pesadelo não passa de um sonho"

Estava claro, eu ouvia vozes, mas não conseguia distinguir o que falavam. Quando finalmente consegui abrir os olhos vi três belas pessoas todas felizes olhando para mim, eu não as conhecia, eu estava em um hospital? Certamente não, a estrutura daquele local era peculiar, como se fosse uma construção de luxo europeia a moda antiga, cada móvel que eu conseguia ver estava em perfeita harmonia com o local, era no mínimo encantador, deslumbrante para alguém como eu.

Três pessoas me observavam, uma era uma bela mulher de cabelos prateados que estava colada ao meu lado na cama, seus olhos vermelhos brilhavam com o reflexo da luz que vinha de uma grande janela com cortinas semiabertas. Possuía belas feições, cada curva suave de seu rosto encantava qualquer ser, certamente deveria ser uma belíssima modelo. Do lado esquerdo, em pé estava um homem alto de cabelos negros amarrados com um pequeno rabo de cavalo, seus olhos eram azuis, um azul tão forte que prenderia a visão de qualquer um que o observasse. Por último ao meu lado direito foi quem mais se destacou, com roupas de empregada como se estivesse vindo de um evento de cosplay, havia uma mulher jovial de cabelos roxos trançados e orelhas de gato no topo de sua cabeça, usava óculos arredondado, e possuía olhos afiados, ao tentar alcança-la foi quando compreendi minha situação.

Uma pequena mão foi o que se mostrou em meu campo de visão, não a mão de uma adolescente, mas uma pequena mão de um recém-nascido. Apesar disso eu tinha plena consciência do que estava acontecendo ao meu redor, as orelhas daquela mulher comprovavam que ou eu estava em um sonho no qual não queria acordar, ou eu morri na minha antiga vida e reencarnei. Eu perguntava-me se poderia considerar como um recomeço e se poderia viver uma vida normal de agora em diante, uma segunda chance permitindo-me novas escolhas e pondera-las melhor para que erros não se repitam. Apesar da estranheza que eu poderia ter desse novo ambiente, eu não estava assustada, aquele clima certamente era quente e acolhedor o que me deixou sonolenta, e antes de adormecer, no teto, uma figura estranha movimentou-se rapidamente e desapareceu.

Com o passar dos meses fui aprendendo mais sobre o local, eles me chamavam de Laysla Von BloodCrown, este era meu novo nome, o nome de minha mãe era Magnólia Von BloodCrown e do meu pai Akira Von Bloodcrown. À medida que fui conseguindo compreender o novo idioma fui aprendendo melhor sobre minha posição. Eu era uma princesa e meus pais gerenciavam um pequeno reino. "Uma criança que não completou um ano entendia um idioma inteiro, eu poderia ser considerada um gênio? " Pensei fazendo uma expressão hilária que fez a empregada que estava comigo naquele instante, colocando minhas roupas, cair na gargalhada. Seu nome era Isabella e ela além de ser a empregada chefe que organizava todas as demais, era a empregada pessoal de Magnólia. Assim que parou de rir ela me levou até a minha mãe.

Magnólia sempre me carregava de um lado para o outro, era uma pessoa extremamente afetiva e calorosa, gostava de me mostrar as belas paisagens que podem ser vistas das grandes janelas, aquele local era um pequeno castelo que possuía um enorme jardim tanto na frente quanto aos fundos onde ela amava passar o tempo cuidando das flores e das demais plantas daquele mundo que eu ainda não as conhecia, apesar da existência de empregados ela também realizava algumas atividades domesticas em conjunto deles, mesmo após seu parto, o que de fato me surpreendeu, ela era extremamente energética, e também já estava gravida novamente, eu teria um irmão ou uma irmã mas sinceramente não sei como lidar com um. Apenas espero que não pare de me dar a devida atenção, ser um adolescente em um corpo de criança é realmente trabalhoso. Sinceramente gostaria que ela desse mais atenção a sua saúde, ou isso é normal nesse mundo? Até onde compreendi é como se tudo fosse retirado de um livro de fantasia, apesar do pequeno contato que tive com este lugar, o que responde essa minha teoria é a empregada pessoal da mamãe que não é humana, possui orelhas de gato e uma cauda, as vezes ela me permitia brincar com a cauda que sempre balançava astutamente e provocava a minha grande curiosidade.

Magnólia me pegou no colo e foi passear comigo pelo jardim, ela cantava naquele idioma que inicialmente era desconhecido, mas que agora já compreendo perfeitamente. Sua canção era graciosa e prendia total a atenção, nunca ouvi algo parecido antes, era suave elegante e deslumbrante. Enquanto ela observava seu jardim, ela olhou para o céu e interrompeu sua canção repentinamente.

— Ara ara, parece que já está entardecendo Laysla, vamos regar as plantas juntas?

Após suas doces palavras ela esticou um de seus braços na direção das plantas enquanto me segurava com o outro, logo depois água repentinamente surgiu molhando as flores.

— Minha pequena filha, eu apresento-lhe a magia, muito em breve você também poderá usa-la no seu dia a dia da forma que bem entender.

Ela falou com um grande sorriso em seu rosto enquanto eu estava boquiaberta, magia de fato existe nesse mundo! Algo que eu sempre quis experimentar e agora finalmente irei poder. Como uma pequena criança, minha curiosidade foi atiçada e eu estava profundamente animada e ansiosa, as possibilidades gritavam na minha mente. Agradeço profundamente por reencarnar. Logo após a face da mãe fechou e aquele sorriso desapareceu, em beira do silencio repentino onde nem mesmos os insetos poderiam se ouvir ela disse em um tom sombrio:

 — Bem, não da forma que bem entender, magia também pode machucar...

Seu semblante ficou sério demais para um ensinamento, algo certamente aconteceu e junto dessas palavras a emoção pela oportunidade de aprender magia desapareceu por instantes, um arrepio circulou por todo meu corpo e meus olhos não conseguiam desgrudar de sua face. Esse mundo não era um mar de rosas e tudo iria mudar, poderia ser em 10 anos, 5 anos, 1 ano ou até mesmo agora, eu estava assustada e hesitante com as possibilidades que o destino guardará para mim.

— Mas não precisa se preocupar Laysla! Sua mãe é bem forte e vai te proteger sempre.

Eu não duvidava de suas palavras, ela certamente é o tipo de pessoa que coloca os outros em primeiro lugar sem medir riscos, e eu não poderia permitir isso, então apenas sorri, apesar de ser uma criança acredito que ela sabia que eu compreendia o que ela queria dizer.

Ela voltou a cantarolar e regar as plantas como o habitual e como se nada tivesse acontecido, com aquele belo e resplandecente sorriso branco que brilhava junto de seus cabelos prateados. Aquele rosto que agora era alegre me fez retornar minha calma dos meus pensamentos, por agora devo apenas focar em meu cotidiano, quero aproveitar esses calmos dias antes da tempestade que um dia ainda virá. Minha maior preocupação por agora é como devo me relacionar com um futuro irmão ou irmã.

Mais tarde jantamos, na sala existia uma enorme mesa onde a sensação de solidão impregnava qualquer um que ali sentasse, minha mãe, pai, eu e por último a empregada pessoal estávamos ali para comermos, Magnólia sempre insistia até o fim para que ela se juntasse a eles, pelo que aparentava a empregada cujo nome era Isabella também era conselheira e amiga de Magnólia, elas eram extremamente próximas ao ponto de eu me sentir envergonhada com as ações infantis da mãe. Era um clima amigável e divertido acima de tudo, a sensação de despreocupação gentilmente me abraçava e o calor circulava pelo meu corpo fazendo um sorriso escapar pelo canto da boca.

Quem estava me alimentando era meu pai, ele sempre passa grande parte do dia trancado em uma sala com grandes portas que chama bastante atenção de qualquer um que se depare com ela, sempre q passo por lá Magnólia diz "ali é onde papai trabalha, e em breve você também conhecerá esse lugar. " Sinceramente não gostaria de conhecer, aquela sala me dá arrepios.

Akira é um homem grande de feições sérias, mas sua personalidade é o completo oposto, vive fazendo piadas sem graças ao estilo "é pavê ou para comer? " Um verdadeiro tiozão mas com rosto jovem e bem preservado, não sei qual sua idade mas arriscaria dizer próximo dos 25 anos, o mesmo de minha mãe.

Depois do jantar eles me deram banho e antes de colocarem-me para dormir Akira calmamente caminhou até uma grande estante repleta de livros com a maior variedade possível de letras e símbolos desconhecidos. Pegou um grande livro com capa dura e bem desenhada, juntos dos símbolos existia um homem com uma coroa flutuando em sua cabeça.

— Antes de dormir Laysla, vou ler uma história que espero que você goste.

Magnólia não parecia tão feliz com sua escolha com uma cara de desaprovação não ficou em silencio.

— Nunca que você vai ler esse livro para uma criança, a história desse mundo não é algo feliz para contar para ela, você certamente está ficando louco de tanto trabalhar.

— A história pode não ser feliz, mas não deixa de ser uma boa história, ela deve ouvir algo de qualidade!

— Não permitirei!

Magnólia disse retirando o livro da mão de Akira que parecia empolgado com a oportunidade de ler, mas devo agradecer a ele, assim que eu aprender a leitura já sei por qual livro devo começar para compreender o mundo.

Eles continuavam discutindo sobre o que leriam para mim, acredito que fazem 11 meses que reencarnei, e não me cansava de observá-los o que me permitia gargalhar como se não houvesse amanhã. Eles interromperam a discussão quando me ouviram, quando meu pai se aproximou de mim apenas um barulho foi possível de se ouvir, uma forte batida no chão que ressoou sobre o quarto, Magnólia estava de joelhos no chão, não compreendia, o que havia acontecido, um forte grito ecoou por toda a mansão, Magnólia gritava descontroladamente um grito tão alto e desesperador que me deixou paralisada sem reação, eu mal conseguia raciocinar e as dúvidas e incertezas impregnaram a minha cabeça infantil, o que aconteceu? Por que ela grita tanto? Minha cabeça já estava ficando dolorida, latejava com a voz de Magnólia que antes era doce e agora era extremamente aguda, o quão sério foi isso?

Akira colocou ela rapidamente sobre a cama e correu atrás das empregadas, Isabella já estava em frente a porta e foi rapidamente em direção a Magnólia.

— Não pensei que isso iria ser tão cedo.

Akira ainda mantia a calma o que mais me surpreendeu, ele não escutou os gritos?

— Também não imaginei mas pelo menos ela está gritando menos do que na vez de Laysla.

Minha vez? Do que diabos você está falando? Por favor ajude ela imediatamente! Esse sofrimento não é normal!

— Akira é bom você se preparar.

SE PREPARAR PARA O QUE? POR QUE VOCÊS APENAS ESTÃO AO LADO DELA? FAÇAM ALGUMA COISA!

— Nós já esperávamos isso então não se preocupe.

ESPERAVAM O QUE?

— Haha compreendo, sempre que Laysla dormia ela não parava de falar disso em nenhum instante.

FALAVA O QUE? POR QUE QUANDO EU ESTAVA DORMINDO? DO QUE EU NÃO SEI? E POR QUE A MÃE ESTÁ SOFRENDO TANTO?

— Vamos lá Isabella logo isso vai acabar e Magnólia vai poder descansar.

COMO ASSIM A MÃE VAI PODER DESCANSAR DEPOIS DISSO? ESSE SOFRIMENTO É SURREAL!

Lagrimas caíram desesperadamente dos meus olhos atravessando rapidamente meu rosto e caído sobre os lençóis do berço feito de madeira onde me colocaram depois que os gritos incessantes começaram.

— Está vindo.

Mesmo sem entender nada a minha mente clareou-se logo após um curioso choro iniciar-se... Magnólia teve seu segundo filho.

— Olha Akira, Magnólia, observem, é uma pequena e saudável garota.

Magnólia que recuperava seu fôlego segurou a pequena criança em seus gentis braços e neste instante a luz do luar clareou o quarto que era iluminado até então apenas por velas e pequenas pedras amarelas distribuídas pelo quarto de maneira inteligente que garantia a maior quantidade possível de luz

— Para essa pequena criaturinha, eu a chamarei de Ayla já que veio acompanhada de uma belíssima luz do luar.

E assim eu recebi uma irmã mais nova. 


Dino_DDDino
Dino

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