Era um trabalho simples, um dos kysinak¹ havia escapado da prisão e vocês foram mandados para capturá-lo. Da última vez eram os três irmãos, então apenas um não seria uma tarefa impossível para a equipe inteira – se ignorarmos o fato de que os três juntos quase mataram vocês.
Levou quase três dias para que Dion encontrasse sua localização fazendo um processo complexo e ridiculamente genial para mapear a cidade e cada ocorrência incomum, filtrando as características principais de cada vilão para descobrir alguma coisa que você não entendeu porque parou de prestar atenção depois de algumas frases.
No fim, ele foi encontrado e a equipe seguiu para a localização em um silêncio e coordenação quase profissional. A noite estava escura, uma grossa camada de nuvens cobrindo o brilho prateado da lua e os escondendo de qualquer olhar curioso enquanto vocês se esgueiravam por uma portinhola no teto.
Não era um lugar absurdamente grande. Se o mapa que Dion conseguiu estiver certo, e ele sempre está certo, é apenas um quadrado dividido em várias salas menores com uma grande sala no centro que servia de laboratório, tudo em um único andar então nada de ficar subindo e descendo escadas para encontrar o lugar certo.
Depois de passar por um corredor vazio, você e seus amigos entram no laboratório com armas em punho, pronto para enfrentar qualquer coisa que o alien fugitivo tenha preparado para vocês. Há um momento de hesitação enquanto todos olham para o tubo de vidro que cobre do chão ao teto no centro do laboratório militar, tentáculos rosados nojentos se arrastam por toda a estrutura turvando ainda mais o líquido verde bizarro que enche a cápsula até o topo.
Mas vocês ainda conseguem ver.
É impossível não reconhecer a silhueta.
A silhueta havia sido marcada a ferro em sua memória a anos atrás e bastou esse reconhecimento para arrastar um calafrio de terror por sua espinha. Seu aperto aumenta e o bastão de energia ninpo² reage brilhando mais intensamente com um leve crepitar.
Seu quarteto de amigos se reúne à sua volta de forma protetora, o ar parece muito mais tenso do que quando vocês esperavam encontrar um alien de intelecto superior acompanhado de um exército de demônios zumbis.
Seus olhos correm por toda a sala. Tirando os tentáculos, não há sinal do kysinak. Você engole em seco e caminha para perto do painel de controle, Malik se agarra em seu braço e vai com você, os cachinhos tingidos de loiro rosando no seu braço enquanto vocês andam lentamente, os textos na tela não estão nem perto de ser entendíveis, mas vocês dois olham para eles mesmo assim como se a resposta fosse aparecer em sua mente.
Não acontece. Obviamente.
Um alarme alto ecoa no laboratório e luzes vermelhas e rosas começam a piscar enquanto o tanque começa a borbulhar, a silhueta se movendo de forma errática. Malik corre para perto dos irmãos te arrastando junto e vocês se encolhem perto do Hayashi mais velho, mãos pressionadas contra o peito enquanto vocês dois olham do tubo para o gênio da família.
— Eu não sei o que está acontecendo… – Dion comentou de repente como se ele pudesse ouvir os seus pensamentos. – Mas eu ainda preferia que não acontecesse.
— Vocês estão esquecendo do mais importante. – Luther exclama tomando sua posição de líder na frente do grupo. – Já batemos no chicletão alienígena e na torradeira milenar! – ele saca suas espadas no mesmo momento que o vidro racha.
O estalo alto e repentino fazendo você soltar um ganido baixo, a mão em seu braço se apertando em reflexo.
— O Luh está certo! Vamos limpar o chão com a cara dele! – Rami grita invocando uma versão duas vezes maior de si mesmo.
— Meus ouvidos me enganaram ou você concordou comigo? – o híbrido de funkwe brinca girando as espadas. – Rami, você pode repetir por favor? – ele acrescenta rindo.
A resposta do irmão mais velho não vem, o tubo se quebra com um estrondo alto, vidro voando em todas as direções enquanto uma armadura reanimada - você supõe por experiências anteriores - idêntica a usada por Brynhild, o chemosit emergiu caindo no chão com um baque metálico. Seus olhos percorrem todo o caminho dos pés até o capacete de oni buscando por diferenças da imagem gravada em sua memória, ou talvez algum sinal do alien desaparecido.
Poderia ser ele dentro da armadura?
Você esperava que sim.
— Será que o Junior sabe o que aconteceu com o chiclete nº3? – você consegue brincar mesmo com o arrepio que sobe pela sua espinha com a simples visão do Brynhild (Mesmo não sendo o “original”, você realmente quer que não seja).
— O jeito é perguntar. – Luther brinca e todos vocês avançam contra o inimigo.
“Será que foi uma boa ideia?”

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