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Shielders

(Parte 4) Capítulo II: A chuva que apaga…

(Parte 4) Capítulo II: A chuva que apaga…

Sep 03, 2023

A sala era um lugar incrivelmente comum, sua arquitetura mantinha-se a mesma do restante da escola, com paredes brancas feitas com a metade inferior de tijolos e piso de madeira, uma grande janela de vidro abria a visão para o exterior, além de auxiliar na iluminação, próximo a porta havia um pequeno palco, um degrau mais alto que o restante da sala, com a mesa do professor e uma lousa de vidro atrás desta, o interior da sala era grande e cerca de 25 mesas e cadeiras preenchiam-na de uma maneira confortável e nada claustrofóbica, debaixo de cada mesa havia um apoio metálico que servia para guardar os pertences, como livros e cadernos, bem como abaixo da cadeira havia uma pequena gaveta lateral para guardar estojos e materiais de escrita, o que muitos já tinham em mãos, as mochilas dos alunos estavam, ou embaixo de suas mesas, ou encostadas em um dos pés das mesas, ou penduradas no encosto das cadeiras.


Vale ressaltar que tudo era muito limpo, não sendo possível ver sequer um grão de poeira ou teias de aranha.


Ao que entramos, pude ver diversos tipos de pessoas diferentes, algumas com características mais chamativas que outras, por algum motivo os alunos presentes ali pareciam despertar-me mais atenção, como se algum instinto meu reconhecesse-os, bem como percebi que aconteceu com eles, visto que alguns também lançaram-me olhares curiosos só de eu entrar no recinto, diferente do que acontecera nas salas anteriores, e tal sensação fazia-me perguntar o que isso poderia significar.


Meus olhos rápidos vasculharam a sala de ponta a cabeça em poucos segundos, procurando um local confortável e ao mesmo tempo reservado, foi então que pude ver uma cadeira vaga próxima a janela, a penúltima cadeira da quinta fileira (Na minha visão era a quinta, mas podia ser a primeira), todavia não era apenas eu que havia percebido aquela localização privilegiada e de relance via Gibb lançar um olhar em minha direção, ambos queríamos a cadeira, a corrida começou no instante seguinte e eu disparei, passando velozmente pelo meio de uma fileira e saltando por outra, chegando até a cadeira antes que meu amigo tivesse alguma chance, se não fosse por meu pensamento ágil aquele lugar agora estaria na posse de outra pessoa.


— Desgraçado… — Ele sussurrava, cerrando os olhos enquanto sentava na cadeira ao meu lado.


Eu ri com a reação de meu amigo e coloquei minha mochila em cima da mesa, tirando de seu interior meus materiais escolares e começando a organizá-los em seus devidos lugares, ainda de pé alonguei meu corpo, esticando-o, e bocejando para espantar o resto do sono que ainda transitava por mim, ainda era possível sentir alguma dor guardada em meus músculos, fazendo-me sentir fisgadas agudas em diversos pontos do meu corpo.


Não havia sequer sinal de que algum professor entraria na sala e à minha volta todos pareciam manter sua compostura, silenciosos e quietos, como se estivessem em uma biblioteca, alguns até poderiam estar mantendo conversas paralelas, mas numa visão geral o local estava sereno, talvez por esse motivo que após bocejar boa parte dos alunos direcionava seus olhos a mim, fazendo-me questionar se havia feito algo errado.


— Não é possível! — Um timbre familiar irrompe o silêncio constrangedor que havia se formado. — Você está aqui?!


Meu rosto se virava na direção de onde a voz vinha, me revelando quem era seu dono, e para minha tristeza era o garoto engomadinho do primeiro dia.


— Uma escória como você é permitida neste andar? — Ele se aproximava a passos pesados, irritadiço.


Atrás dele estavam seus outros companheiros, os mesmos que tive o desprazer de conhecer anteriormente, o de cabelos negros lisos e o maior de cabelos curtos, ambos andando mais atrás, não levantando sua voz em nenhum instante, e não ousando pisar dentro da sala, ao contrário daquele que parecia ser o líder do trio.


— O que o diretor é?! Louco? — Ele exclamava, com um sorriso cínico e debochado, porém sua expressão ainda era de raiva e seu indicador estava apontando direto para meu rosto. — Ainda mais deixando-o ficar nesta sala.


— E qual o problema de eu estar aqui? — Respondi.


Pessoas arrogantes me tiravam do sério, eu detestava ver alguém de nariz empinado em minha frente, desmerecendo outros, e aquele garoto estava passando de todos os limites aceitáveis fazia tempo, meu autocontrole estava no máximo, caso contrário já teria afundado meu punho em seu rosto.


— Qual o problema?! — Ele ria, seco. — Todo e qualquer um imaginável, a ralé deveria ficar com a ralé, não em meio a nobres, porque você não volta de onde veio? Han?!

— Eu não vou. — Disse apertando meus punhos.

— Como é?

— Isso mesmo, não vou a lugar algum! — Reafirmei minha posição, fixando bem os pés onde estava. — O diretor me colocou aqui por um motivo, não vou sair daqui porque um qualquer disse.

— Um qualquer?! — O rapaz parecia irar-se de vez, sua veia da testa dilatava e pulsava. — Até ontem você nem mesmo sabia o que era a classe especial, por que você é mais digno de estar aqui do que alguém de alta estirpe? Você nem mesmo sabe com quem está falando!


Aquele garoto se aproximava mais, ao ponto de estar no ângulo perfeito para que um ataque direto meu fosse o suficiente para o desmaiar sem problemas, infelizmente estávamos em aula, porque se esse não fosse o caso ele estaria no chão.


Era quase certeza que entre nós faíscas deviam estar sendo geradas, porém uma terceira voz intervia.


— Ele está aqui por merecer, William. — Gibb dizia com um tom calmo, sentado em sua cadeira, direcionando somente os olhos ao garoto. — Pensei que a família Allard soubesse reconhecer méritos.


O garoto trincava os dentes com o comentário, como se Gibb houvesse pisado certeiro em um calo, mas, sem muito desviar os olhos, voltou a me encarar.


— É uma afronta você pisar no mesmo chão que minha família pisou. — Em sua voz um tom de asco parecia ser direcionado a mim, quase que de forma física.

— Por que se importa tanto? — Questionei, sério.

— A primeira sala é destinada para a elite, o topo do topo, e um zé ninguém jamais deveria estar em meio às estrelas.


Seu dedo tocou meu peito e com um olhar recheado de desdém ele sorriu, prepotente.


— Lhe desafio para um duelo, amanhã irei tomar seu posto nesta sala, aguarde e verá. — Ele se afastava, dando as costas. — Farei você afundar tanto em desgraça que ninguém vai lembrar do seu rosto.

— É o que veremos. — Respondi ainda com raiva. — Eu aceito seu pedido.


O esnobe saía da sala, deixando não só o ambiente contaminado por sua presença, como também me deixando furioso e louco para descontar minha raiva nele, ele desaparecia de minha visão assim que fechava a porta e dobrava no corredor, sendo seguido por seus amigos.


Dentro da sala apenas Gibb me mandava energias positivas, enquanto o restante dos presentes parecia indiferente, talvez o discurso daquele que havia saído da sala era encarado como o certo, talvez eles concordassem com ele.


— Não dê atenção a ele, William é um nobre de berço, nunca entenderia qualquer um que não dividisse sangue azul estando nesta classe.

— Você o conhece? — Indaguei, ainda com sangue fervendo.

— Vagamente. 


A voz de meu amigo carregava um certo tom de pesar, como se houvesse algo que não gostaria de compartilhar, talvez aquele assunto possuísse algo sensível, ou desagradável, demais para ele, então para não forçar e machucá-lo perguntando mais sobre, apenas decidi deixar a conversa morrer. 


— Tá. — Disse voltando para minha cadeira e sentando enquanto bufava, na tentativa de diminuir o estresse. 


Gibb calou-se, talvez por não saber como proceder com uma conversa numa situação como aquela, e por pouco tempo ficamos como o restante da sala, em silêncio, foquei minha visão pela janela, procurando algo que pudesse me distrair daquela situação incômoda, em minha cabeça a cena do tal William se repetia diversas vezes, com minha imaginação surgindo com diversas frases para deixá-lo calado ou então para começar um combate em sala de aula, contudo não havia sentido em pensar naquilo, nada podia mudar tais eventos.


Faltava pouco tempo para que o sinal, indicando o começo das aulas, fosse tocado, mas antes disso acontecer uma sequência rápida de passos era dada do lado de fora, como se alguém corresse pelos corredores, um ruído agudo de borracha se arrastando podia ser ouvido e a porta de correr se abria com pressa, mostrando um aluno ofegante e em sua boca um pão de forma torrado, o qual estava pela metade.


— O professor chegou? — Ele falava desesperado, olhando para a mesa do professor, a vendo vaga. — Ufa, não chegou não. — E ele se direcionava até um dos outros lugares livres.


Por algum motivo sua presença me chamava a atenção, como se fosse novamente meu instinto falando comigo, porém ele não possuía nenhum traço incomum ou que o destoasse tanto, tirando o fato de seus cabelos serem da cor azul claro, como o céu logo pela manhã, (Além de naquele momento estarem esvoaçados), sua pele era tão branca quanto a minha e seus olhos eram da mesma de seus cabelos, incrivelmente seu uniforme estava completo e limpo (Ignorando a parte de seu lenço do pescoço estar amarrotado), para alguém atrasado ele estava até que bem, talvez o único fator que me chamasse a atenção fosse a pedra em seu lenço, que era diferente da que Gibb exibia, essa possuía uma cor amarela quase escura como o mel, mas no meio dela havia um risco branco, quase como um feixe de luz, entregando uma beleza única àquele pingente.


Ele estava perto quando parou e olhou para a mesa à frente de Gibb.


— Ah… Essa mesa tá ocupada? — Ele perguntou a mim, apontando para o local.

— Acho que… Não. — Respondi, não vendo ninguém sentada nela.


O garoto sentou sem nem sequer pestanejar, tomando conta do lugar e arrumando suas coisas.


Fiquei sem ação durante alguns instantes, incrédulo com o que havia acabado de presenciar (Já que até agora todos os alunos demonstravam um maior grau de maturidade), mas logo que o choque inicial passou acabei voltando ao meu novo hobby de assistir o mundo pela janela da minha sala, do vidro podia ver a grama e as árvores que cercavam as laterais da A.H, fornecendo não só uma proteção natural para a privacidade, como também um clima agradável (Ambientalmente falando) e bons locais de descanso, graças ao vento e as sombras agradáveis proporcionados pelas árvores, haviam alguns bancos feitos com tábuas de madeira e metal em meio a vegetação, gerando alguns locais onde alunos poderiam se reunir para conversar ao ar livre, por sorte não havia possibilidade de realizar ações escusas pois esses bancos ficavam a vista de todos.


Dentro dos muros da escola não havia mais muito movimento, a maior parte dos alunos deveria estar e suas respectivas salas, deixando a instituição quieta, apenas sendo regida pela movimentação agradável das plantas, que balançavam suas folhagens com o vento que soprava, do lado de fora carros passavam pela rua de forma constante e pessoas corriam, algumas com mais pressa que outras, adultos trajando ternos ou estudantes em seus uniformes de inverno, todos levando seu tempo para chegar em seu destino, qualquer que fosse esse.


O dia parecia bom.

jonyorlando
BigJo

Creator

Lembram do tal cara esnobe do primeiro capítulo, parte 3? Ele voltou.
Finalmente o primeiro enfrentamento.

#Shielders #PT_BR #portuguese #slice_of_life #magic #Fantasy #Action #shonen

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gabrielcamargom
gabrielcamargom

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Chegou atrasado? Com um pão de torrada na boca?

O protagonista de verdade apareceu, sai pra lá Kai

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