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Não me Esqueças

1. Myosotis scorpioides (2)

1. Myosotis scorpioides (2)

Apr 25, 2024

  Era um grupo de cinco pessoas, todos usando roupas militares e elmos fechados, deixando mais que óbvio de onde vieram. Quatro deles se mantiveram parados a uma distância considerável do balcão, com posturas que facilmente eram de desconforto com o local. Não era novidade que anjos de rankings mais altos não gostavam de ir até certos locais por não quererem se “misturar com os seres humanos”. O quinto, diferente de seus colegas, se aproximou um pouco nervoso. Ele não tinha uma postura intimidadora, sua energia era muito mais calma, e até mesmo seu elmo era impecável quando comparado aos outros, não possuindo um arranhão ou amassado, fosse por capricho, cuidado ou por sua natureza não ser agressiva como a deles.

  Uma das concepções mais comuns entre os anjos era que arcanjos, a principal classificação presente na Divisão Militar, eram agressivos por natureza, tendo a muito tempo deixado seus postos como mensageiros para humanidade e ocupado inteiramente os papéis de protetores, vigilantes e soldados. Tentar argumentar com um arcanjo sobre qualquer coisa que o contrarie, independente se a fala dele estiver errada ou não, era a mesma coisa que chamar problemas para si, portanto todas as divisões tinham protocolos não escritos de comportamento para esse tipo de situação. Apenas havia um pequeno problema, que fazia com que todos os sentidos de Chester ficassem em alerta: Cassian era terrível em seguir esses protocolos em todas as circunstâncias, e tudo que ele podia desejar era boa sorte para ambos os lados, porque um deslize qualquer e essa interação poderia virar um banho de sangue.

 Cassian seguia os movimentos do anjo com o olhar, vendo ele tropeçar nas próprias ações, parecendo não saber agir naquela situação. Tentando ser profissional, Cassian falou sem demonstrar seu desdenho pela presença dos anjos ao fundo, “Como posso ajudar?”

  “Eu... Eu preciso enviar uma carta”, o anjo tentou falar o mais alto que conseguia sem gritar, mas o som foi abafado pelo elmo. Ele logo percebeu o seu erro, pedindo desculpas em seguida e o retirando com cuidado. Cassian até tentou avisá-lo de que não precisava, pois ele havia entendido da primeira vez, mas era tarde demais, pois o elmo já estava em cima do balcão, enquanto os anjos atrás dele sussurravam entre si no que parecia ser decepção. “Eu preciso enviar uma carta, com urgência. Eu agradeceria muito se pudesse me ajudar”

  Cassian colocou sua caneca de café na superfície de madeira, tentando não parecer perplexo. Ele tinha quase certeza de que veria um arcanjo qualquer, mas havia algo... diferente, como se ele fosse uma pintura surrealista colocada no meio de uma coleção bizantina. Não era apenas seu rosto, mas tudo sobre si parecia fora de sintonia com o que ele deveria representar como um soldado. Ele possuía um olhar triste, solitário, com uma postura mais assustada que ameaçadora. Cassian podia ver por meio daquele olhar que algo estava errado, ele estava errado, mas não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar, por mais que quisesse tanto. Ele queria tanto sentar-se ao seu lado e ouvir todas as suas dores, todas suas preocupações, todas as suas felicidades e saudades, ao mesmo tempo que tinha o instinto de que ele estava na frente de uma bomba relógio, apenas esperando o momento certo para explodir. Aqueles pequenos segundos que o rapaz observou o anjo foram suficientes para que ele entendesse o sentimento de desespero do mesmo.

  Abrindo um sorriso gentil – algo que ele aprendeu com o Chester depois de tanto tempo com o mesmo – Cassian pegou debaixo do balcão um pequeno caderno e uma caneta, deixando na frente do anjo. “Por favor, preencha esse formulário de identificação e deixe a carta na caixa ao seu lado. Assim que validarmos as informações colocadas, iremos direcioná-la ao destinatário o mais rápido possível”

  “Eu agradeço”

  Com um aceno, o anjo pegou a caneta e leu o formulário com cuidado. Ele parecia ter dificuldade em preencher certos espaços relacionados com o destinatário, olhando para trás algumas vezes checando se seus colegas estavam o observando. Cassian aproveitou esse momento para conseguir ter uma melhor visão do rosto do anjo, tentando, e falhando miseravelmente, ser discreto. Era uma visão estranha, Cassian tinha certeza que nunca havia visto aquele anjo na sua frente, mas havia algo nele que era familiar. Sua pele era dividida entre dois materiais diferentes, como se fosse porcelana remendada junto de cristais escuros, quase cristalinos contra a luz, enquanto seu olho parecia ser uma joia fúcsia envolvida em ouro. Seu cabelo era longo e escuro, mas as pontas se dissolviam em um vermelho acinzentado, as mechas frontais formando pequenos tufos laterais que lembravam as orelhas de um cordeiro. Não havia como aquilo ser tão familiar para Cassian, mas ainda assim, ele sentia como se ele tivesse visto aquilo milhares de vezes e, em todas elas, ele ficava tão maravilhado quanto agora.

  Vendo que estava perdendo o garoto, Chester deu um pequeno beliscão nele, sendo recebido com um olhar de raiva. O coelho fez um sinal para ele acelerar, pois eles ainda precisavam organizar o resto das cartas e fechar o local. Revirando os olhos sutilmente, o rapaz acenou como uma confirmação e voltou sua atenção ao anjo, que por sua vez estava assinando no final da página.

  “Muito obrigado por confiar em nós com sua carta, iremos entrar em contato assim que ela for entregue”

  “Eu que agradeço. Espero não ter causado muito incômodo”

O anjo colocou seu elmo novamente, acenando com a mão enquanto saía. Chester achou estranho à primeira vista, pois ele jurava que o aceno havia sido direcionado para ele, mas deixou o comentário para si, eles já tinham pouco tempo, e bater o martelo em assuntos idiotas não era a prioridade do momento. Cassian pegou o formulário e retirou a página, grampeando no quadro que ficava ao lado da porta do almoxarifado, onde os pedidos de urgência geralmente ficavam. Normalmente ele não se interessava em ver os formulários, diferente de alguns de seus colegas que liam e decidiam quais tinham os nomes mais engraçados, os piores destinatários, ou pedidos mais estranhos na caixa de observações, mas ele não pôde se conter quando estava tão interessado em saber quem era aquele anjo e o porquê de sua urgência. Lendo por cima, Cassian aprendeu o nome do anjo e um pouco sobre o destinatário, descobrindo que a entrega seria na central de comunicações, o que significava que era provável que alguém da central de entregas tiraria um “dia de folga”, para que não houvesse viagens desnecessárias para os entregadores.

  “Cadimeus...”, Cassian murmurou para si mesmo, gravando o nome em sua mente. Chester, de repente, derrubou a garrafa térmica onde estava o café, felizmente fechada, tendo um pouco de dificuldade para levantá-la do chão e colocar novamente no balcão. Ele tinha um olhar espantado, mas se recusava a responder qualquer pergunta de Cassian. Mesmo com a insistência, o coelho se recusava a falar qualquer coisa, preocupantemente quieto.

  Chester não demorou muito para praticamente expulsar o rapaz da central, dizendo que ele iria terminar o restante e que ele poderia ir embora, pois já estava ficando escuro e ele não queria que Cassian chegasse tarde demais em casa e perdesse a noite de sono. Quando questionado, Chester fez questão de transformar aquilo em uma ordem, o obrigando a ir para casa. 

  Cassian não iria arriscar tomar a sua primeira advertência, ainda mais por algo tão besta quando ele já havia feito coisas muito mais terríveis no horário de trabalho. Mesmo que ele não concordasse com esse tipo de ordem, não era como se o Chester quisesse o mal dele, então tudo que restava era se despedir e voltar para casa, aproveitando para passar uma panificadora no caminho para buscar alguns doces.
Erosgrammia
Anteros Grammia

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LuccaRIN
LuccaRIN

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Necessito do próximo cap pra ontem! >:U

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