Capítulo 1 - Altas Apostas
5 anos após os acontecimentos finais do Prólogo no Palácio dos Coelhos Pensantes em Cenourinha, iniciamos essa trama em uma região inóspita e desértica, distante das fronteiras de regiões de domínio das feiticeiras, todavia, no meio de uma vastidão de vazio algo se destaca, um rústico e amadeirado boteco frequentado por homens humanos, altos e robustos. Em um dia de bebedeira e de movimento, a porta da frente se abre, todos ouvem seu rangido, e avistam algo peculiar: alguém fora dos padrões de frequentadores, uma garotinha baixinha, magra e frágil, coberta por um capuz branco e de seda, um andar charmoso e elegante, por conta da baixa iluminação, sua face delicada é bastante ocultada pela escuridão de seu capuz. A estranha garota se destaca e chama a atenção de olhares julgadores e mal intencionados dos rapazes, ocasionando diversas insinuações, risos e deboches, que são notados por ela, porém, totalmente ignorados, a mesma apenas caminha tranquilamente até se sentar num banco próximo ao balcão, encarando o balconista.
- Gracinha - Inicia o balconista. - Desculpa falar, mas, aqui não é lugar para gente da sua laia. É sério, falo com sincera preocupação, alguém pode tentar lhe fazer alguma maldade, se é que me entende.
- Tenho uma pergunta para lhe fazer! - Inicia a garota, ignorando totalmente a fala anterior do Balconista. Estranhamente pega de uma bolsinha um livro de anotações e uma caneta: - Teria alguma informação a respeito da Garota dos Olhos Roxos?
O silêncio ecoa por um instante, apesar da barulheira de poucos instantes, praticamente todo mundo escutou a pergunta, o silêncio é quebrado por uma sonora gargalhada, todos riem a respeito da indagação, debochando ainda mais da garota. O balconista sorri com deboche: - Se quiser me perguntar também se eu vi o papai noel, sinta-se à vontade! Ou podemos beber e passar a noite brisando sobre alienígenas, é menos ridículo do que falar a respeito de Olhos Roxos!
- Estou falando sério! - Retruca a jovem, com olhar rígido. - Existem fortes boatos de avistamentos na região.
- Mal lhe servir e já está bêbada! Falando feito maluca, querendo saber sobre uma bruxa que nem ao menos existe!
A garota solta um longo e decepcionado suspiro aceitando que é inútil, e que foi total perda de tempo ir pedir informação naquele local, se levantando da cadeira, guardando seu caderninho de volta na bolsa. Sua atenção logo é tomada para um grupo de homens sentados jogando algo de tabuleiro, é um trio que acaba de derrotar um jovem “azarado”.
- O que seria aquilo ali?! - Questiona, com notória curiosidade.
- Estão jogando aquela coisa há horas! - Explana o balconista. - Já derrotaram praticamente todos meus clientes, você pode notar por aquele amontoado de ouro, tudo arrancado de perdedores. Venho observando, e notei que são magos, não sei se estão jogando limpo, mas pouco importa, os perdedores ficam depressivos e gastam o pouco que sobra com álcool, no final das contas, até eu ganho com isso! - Insinua, sorrindo de alegria pelos fatos ditos.
- Bom, noto agora que aquilo é Confronto Magnético! - Explica a garota, com seu interesse repentino pelo trio só se intensificando.
- Então você conhece?! - Indaga o barista com notório interesse.
- Claro, é bastante popular na União Quíntupla! - Evidência, com o barista ficando surpreso e perguntando “Veio da União Quíntupla?”, mas sendo ignorado, a jovem caminha lentamente em direção ao grupo: - Não é um jogo muito confiável, ainda mais se tratando de magos desafiando humanos leigos.
Dentro de Confronto Magnético, o tabuleiro ganha vida com seu próprio magnetismo mágico. Cada participante possui uma peça única, metálica, com cor distinta. O objetivo é escolher e acertar qual peça vencerá o jogo (dependendo, provavelmente, de sorte), a peça escolhida deve, sozinha, dominar diferentes regiões do tabuleiro representadas por quadrados, quadrados estes que brilham colorido, cuja cor muda conforme as peças se movimentam e marcam a área como sua. A cada turno a força magnética de forma aleatória irá impulsionar e fazer as peças se moverem no tabuleiro por conta própria, no fim, vence-se a peça que conquistar a maior área, e o participante que a escolheu.
O maior e mais robusto do trio é quem joga todas partidas esboçando confiança e liderança, os outros apenas o seguem como cães de guarda. O líder debocha e ironiza do pobre garoto que acaba de derrotar, que estava decepcionado pois estava bem próximo de ganhar… “Quem sabe na próxima moleque!”. A garota logo fica próxima e o encara sem dizer nada, apenas esboça olhar de profunda desconfiança, com o próprio tomando a fala: - Que foi?! Ficou interessada em mim?!
Comments (0)
See all