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Ecos da Percepção

(Cap. 1) Fechaduras barulhentas - Parte 2

(Cap. 1) Fechaduras barulhentas - Parte 2

Aug 12, 2024

Esperou o rapaz entrar no cômodo, calmamente, entreabriu a porta e, com um olhar fingido de sono embriagado, viu os dois guardas pela fresta da porta.
"Alguém morreu? Quando quiserem parar de gritar, serei extremamente grato. Minha cabeça está latejando, cada segundo que um dos idiotas dá um pío, meu cérebro chacoalha como um copo de um bêbado" o garoto falou, arrependendo-se imediatamente da escolha horrível de palavras para sua analogia. 
Os guardas eram, à primeira vista, realmente intimidadores. O mais alto, musculoso e de pele escura, tinha pelo menos dois metros de altura, seus olhos eram negros e penetrantes, as mãos pareciam capazes de esmagar um crânio com facilidade. O segundo era menor, pele branca, um olhar profundo e inexpressivo, não tão musculoso quanto o primeiro mas sua presença era, de alguma forma, suficientemente desconfortante. Carregava uma expressão de poucos amigos, talvez estivesse particularmente estressado naquele dia. 
"Temos motivos para acreditar," começou o mais alto, sua voz profunda e ressonante, combinando com sua estatura imponente, "que há um fugitivo escondido em sua casa. Gostaríamos de entrar e verificar, se não for um incômodo." 
"Um fugi... Um… O quê?" Ele gaguejou, passando a mão direita pelo cabelo como se atormentado por uma dor de cabeça insuportável. "Por que diabos haveria um fugitivo em minha casa?" 
"Estávamos em perseguição e o vimos entrar aqui. Este indivíduo cometeu crimes contra a Guarda Oficial, é nosso dever capturá-lo. Se você está ajudando na fuga dele, não hesitaremos em considerá-lo cúmplice, o que, como você deve saber, é um crime passível detenção. Então, por favor, é melhor nos deixar entrar, ou teremos que forçar nossa entrada."
"Acredito que há um grande mal-entendido aqui," Leonardo começou novamente. "Eu garanto a vocês, não há nenhum delinquente dentro da minha casa, muito boa noite." Tentou, em vão, fechar a porta, mas o guarda menor apressou-se em impedir, colocando a mão na frente.
"Precisamos insistir em realizar uma busca; é possível que ele tenha entrado sem o seu consentimento. É para a sua própria segurança." Explicou calmamente o guarda mais alto. 
"Há um grande problema aqui, senhores, e é o seguinte: estou informando a vocês que não há criminoso em minha casa, mas vocês insistem em não acreditar. A questão é que eu odeio quando não acreditam em mim." ele fez uma pausa, mas os guardas permaneceram em silêncio, então continuou "Há alguns anos, quando comecei a perceber que eu sofria deste pequeno problema, pensei em algumas soluções, e consegui chegar a duas medidas que considerei bastante eficazes: A primeira foi, é claro, não contar mentiras, assim minha reputação seria suficiente para que todos acreditassem em tudo o que eu falasse, linda utopia, à época me pareceu um bom investimento, a segunda alternativa, não menos importante, mas um pouco mais imediata e realista, foi me tornar um bom mentiroso, acho que essa dispensa maiores explicações." 
Outra pausa, desta vez para verificar que ambos estavam interessados em saber aonde chegaria aquela história.
"Meu ponto é: eu adoraria que vocês dois acreditassem em minha palavra e se retirassem da minha porta." Finalizou, ainda com a mão na cabeça, em alusão à dor de cabeça que sentia.
"Então, você está basicamente admitindo que está mentindo?" Perguntou o guarda mais alto, um sorriso irônico evidente em seu rosto. 
"O foragido está dentro?" 
"Hum... Pode ser que eu esteja mentindo, mas um dos grandes problemas com o meu ‘problema’ é que eu não consigo aceitar que achem que estou faltando com a verdade, mesmo que eu realmente esteja. Não é como se eu estivesse assumindo a culpa de nada, eu somente estou dizendo que, devido à minha “condição”,  é preferível que acreditem em mim, ou odiarei profundamente cada um de vocês. Meu coração é bondoso, guardas, não gosto de cultivar ódio por humano algum." 
"Acho que você está mentindo." 
"Mas não estou." 
"Ainda acho que está mentindo. Vamos entrar em sua casa e, se o encontrarmos, você será imediatamente preso como cúmplice. Sua historinha foi divertida, seria mais ainda se eu fosse uma criança. Você se acha muito inteligente, não acha?" O homem maior riu com satisfação. "Com licença, vamos entrar, jovem contador de histórias." 
Uma curiosidade sobre Leonardo é que ele realmente odiava quando as pessoas não acreditavam em sua palavra. Dentre seus vários apelidos, os mais proeminentes, além de Leo, eram Leopardo Louco ou simplesmente Louco. Estes lhe caiam muito bem, pois ele incorporava um tipo genuinamente único de loucura. Não do tipo que se poderia imaginar facilmente, como alguém que joga pedras em quem o chamasse de louco, ou como a mente de uma velha coletando galhos em forma de T e tratando-os como seus próprios filhos. A sua era uma loucura refinada, fascinante em todos os aspectos, quase indescritível. 
O tipo de coisa que parece controverso, mas que grande parte das pessoas pratica todo o tempo: Procurar um motivo para sentir raiva. Mas não era este o único motivo pelo qual o rapaz queria que não acreditassem nele, aquela risada era o elemento chave para que pudesse dar prosseguimento a seu plano intrincadamente louco. 
A essa altura, os dois guardas gargalhavam em frente à porta completamente aberta, um momento de distração era tudo o que precisava. O primeiro passo foi aproveitar o momento relaxado causado pelo riso deles: com agilidade surpreendente, ele desferiu um chute afiado e preciso nos testículos do guarda mais alto, seguido por um gancho direito brutal no maxilar. Foi suficiente para apagar os sorrisos de seus rostos, trazer algumas lágrimas aos olhos do primeiro alvo e, é claro, nocauteá-lo. 
O guarda mais baixo se preparou para o combate, buscando a faca em sua cintura, mas os pés de Leonardo foram novamente mais rápidos, desferindo um potente chute nos rins do guarda menor, forçando-o a uivar de dor e se encolher no local do impacto. Abandonando a faca, o homem socou Leonardo diretamente no olho direito, causando inchaço imediato. Com um movimento rápido, aproveitando a abertura criada pelo golpe que acabara de receber, Leonardo encerrou a luta com outro chute nos rins e um golpe de cotovelo vertical, amplificado pela curvatura do corpo do oficial, que novamente levou os braços ao local ferido em uma tentativa inútil de reduzir a dor imediata. 
Vendo-o cair inconsciente, Leo se viu em um dos ringues clandestinos da capital, em meio a uma multidão eufórica, o locutor gritando: “Isso é um Nocaute, realmente impressionante, senhoras e senhores, LEONARDO 'LEOPARDO LOUCO'.” Ele havia calculado cada golpe antecipadamente, sabendo que não poderia vencer uma luta justa contra o gigante. Assim, ele recorreu à tática mais antiga e implacável para incapacitar um homem. É difícil de receber um impacto tão forte nessa região mesmo para um soldado com mais de dois metros de altura. No final, ele teve que arriscar uma luta com o menor, mas suas habilidades foram suficientes para “levá-lo à lona”, as inúmeras práticas solitárias de combate em sua cabeça foram particularmente eficazes naquela noite. 
"Há uma coisa que você precisa aprender sobre mim: eu sempre tenho a situação sob controle." disse o rapaz, incapaz de esconder seu sorriso de satisfação. 
Ele deu mais um chute no guarda maior, que já dava indícios de que se levantaria em breve, correu para dentro de casa, colocou alguns objetos importantes em uma mochila, chamou o amigo que ainda jazia escondido em um lugar não menos óbvio que em baixo de sua cama, desligou a TV.  Vestiu uma camisa branca com algum desenho infantil estampado.
 "Precisamos sair daqui por um tempo, logo deverão vir mais reforços para verificar o que está acontecendo, e a gente não vai querer estar aqui quando virem os dois amiguinhos dormindo na minha porta. Você está me devendo uma, seu desgraçado.”
"Você é uma monstro, cara! Como você derrubou aqueles dois ao mesmo tempo? Ele era um gigante! Não é à toa que as pessoas te chamam de Louco." 
"Cala a boca, idiota. Não estou com paciência, não hoje. Meu dia foi realmente cheio. Cheio de merda. Vamos embora." 
"Foi mal." 
"Não ache que já deixei isso passar, você vai ter que explicar muito bem o que andou fazendo. Tomara que seja algo menos fútil que: “Eu estava com a mulher de algum deles na cama”. Porque eu seria capaz de te matar se tivesse corrido tanto risco por isso, não poderemos aparecer aqui por um bom tempo,” deu um sorriso desanimado “Que bagunça que isso vai virar." 
"Depois vou te explicar tudo. Obrigado, cara. De verdade." Eles deram mais um chute em cada um dos guardas no chão, e correram para as ruas escuras, cada um com uma fatia da pizza de frango do dia anterior.
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