A escuridão da cela era úmida, fedendo a sangue seco e medo. Ayman Al-Saraavwi acordou com o rosto colado ao chão frio, os pulsos marcados por cicatrizes de algemas. Seus ouvidos ainda zumbiam com os gritos que o perseguiam nos pesadelos—*os gritos de Molly*. Mas algo estava diferente. O líquido negro que Vorstaan injetara nele durante semanas... não queimava mais. Seu corpo estava intacto, humano.
*"Como…?"* Ele tocou o próprio rosto, esperando encontrar tentáculos ou ossos expostos. Nada. Apenas carne.
Foi então que ouviu.
*"AYMAN!"*
A voz de Molly ecoou do corredor, distante e distorcida, seguida por um estrondo. *Ela está aqui.* Ayman se arrastou até a porta da cela, os olhos se ajustando à fraca luz vermelha de uma emergência. Na parede oposta, uma mensagem riscada a unha:
**"ELE CRIOU UM DE VOCÊS. VOCÊ É O VERDADEIRO. FUJA ANTES QUE O NÚCLEO ACORDE."**
*Um clone.* Ayman lembrou-se agora—*as sessões de "coleta de DNA"*, Vorstaan extraindo seu sangue, cabelo, até fragmentos de osso. O médico rira enquanto o fazia: *"Você é especial, Ayman. Seu corpo rejeita o Devorador… mas seu *clone*… ele será perfeito."*
Os gritos de Molly tornaram-se mais nítidos. *Ela estava lutando.* Ayman bateu na porta, e para sua surpresa, a fechadura cedeu—*alguém a deixou destrancada*. Corredores estreitos se enrolavam como intestinos, iluminados por luzes piscantes. Nas paredes, fotos de seu rosto em estágios de transformação… *mas não era ele*. Era o clone, seu corpo se desfazendo em tentáulos, os olhos substituídos por orifícios negros.
*"Molly, eu estou aqui!"* ele gritou, seguindo os sons de luta. Uma explosão sacudiu o hospital, e o teto começou a desmoronar. Ayman desviou de vigas em chamas, até encontrar a fonte dos gritos:
No laboratório central, o *clone* de Ayman—*uma paródia monstruosa de seu corpo*—estava acorrentado a uma máquina, vomitando líquido negro enquanto Vorstaan (ou o que restava dele, uma massa de vermes brilhantes) monitorava telas. E lá estava Molly, presa em um dispositivo metálico, seu braço transformado em uma lâmina orgânica que tentava alcançar o núcleo pulsante do Devorador.
*"Pare, Molly! Sou eu, o verdadeiro—"* Ayman começou, mas Vorstaan o interrompeu:
*"Tarde demais, Ayman. Ela já está *infectada*. Mas você… você resistiu. Por isso o clone foi necessário."*
Molly girou a cabeça, seus olhos verdes reconhecendo Ayman por um instante. *"Eu… sabia… que você não era… ele,"* ela sussurrou, antes de gritar: *"Fuja! O hospital vai—"*
Uma explosão no subsolo interrompeu-a. O chão rachou, engolindo o clone e Vorstaan. Ayman correu até Molly, mas ela o empurrou para longe.
*"Não dá tempo,"* ela disse, o braço monstruoso segurando o núcleo do Devorador, agora rachando como um ovo podre. *"Leve isso."* Ela arrancou um pendrive de sua nuca—*todas as gravações, inclusive as que o clone fez.*
O núcleo explodiu em uma onda de energia. Ayman foi arremessado contra a parede, Molly desaparecendo no vórtice de carne e luz. Ele correu, seguindo rotas que memorizara durante o cativeiro—*o túnel de serviço, a sala de geradores, a saída de emergência*.
Anômalos o perseguiram, mas eram lentos, definhando sem o núcleo. Ayman saltou de uma janela quebrada, rolou na lama e correu até a floresta circundante. Quando o hospital Ravencroft explodiu atrás dele, pedaços de ossos e cabos caíram como chuva ácida.
Nos escombros, algo se moveu—*Molly*, ou o que restava dela, arrastando-se para dentro da fumaça. Seus olhos verdes brilharam por um segundo antes de desaparecerem.
Ayman, ensanguentado mas são, apertou o pendrive em sua mão. Nele, uma mensagem em vídeo do clone:
*"Se você está vendo isso, eu falhei. Vorstaan criou *outros hospitais*. Eles estão vivos. E Molly… ela ainda está lá. Encontre-a. Destrua tudo."*
Enquanto a câmera desligava, Ayman jurou ouvir a voz de Molly sussurrando nas entrelinhas da estática:
*"Procure pelo *Projeto Fênix*."*
**Fim do Capítulo 6.**
---
**Nota:** Este capítulo redefine a narrativa, revelando que o "Ayman" visto anteriormente era um clone criado para suportar o Devorador, enquanto o verdadeiro foi mantido como controle. A fuga de Ayman abre um novo arco: a busca por Molly (agora parcialmente fundida ao Devorador) e a rede global de hospitais ligados ao Projeto Fênix, onde novos núcleos do parasita estão sendo cultivados.
**Uma investigação. Um hospital abandonado. Segredos que nunca deveriam vir à luz.**
Quando Molly Mason recebe uma ligação desesperada de seu irmão adotivo desaparecido, Ayman Al-Saraawi, sua vida vira de cabeça para baixo. Após meses sem notícias, Ayman revela estar preso no Hospital Ravencroft — um asilo psiquiátrico abandonado nas montanhas do sul de Levaosnia, onde horrores inimagináveis acontecem longe dos olhos do mundo.
Com apenas uma câmera como arma e seu instinto de jornalista investigativa como guia, Molly se infiltra no sinistro complexo hospitalar para resgatar seu irmão e expor a verdade. O que ela encontra ultrapassa os limites da sanidade:
* Médicos que nunca deixaram o hospital quando ele foi oficialmente fechado há nove anos
* Experimentos desumanos transformando pacientes em aberrações carnívoras
* Rituais de canibalismo em nome da "perfeição da salvação"
* Fenômenos sobrenaturais que desafiam a compreensão
* Uma conspiração para criar um novo regime mundial onde a morte por doença seria substituída por uma existência monstruosa e imortal
A cada corredor que percorre, a cada sala que explora, Molly se aproxima não apenas de seu irmão, mas também dos segredos mais sombrios da medicina proibida. Com sua câmera registrando cada descoberta horripilante, ela se torna a última esperança contra uma ameaça que poderia reescrever o futuro da humanidade.
Mas no Hospital Ravencroft, nada é o que parece. E os médicos liderados pelo enigmático Dr. Vorstaan já estão cientes de sua presença...
**Sombras do Asilo** é uma webnovel de horror psicológico e suspense sobrenatural que mergulha nas profundezas da obsessão científica e no lado mais obscuro da busca pela imortalidade. Inspirada no universo de Outlast, esta narrativa aterrorizante explora os limites entre ciência e loucura, realidade e pesadelo.
*Nas sombras do Ravencroft, os gritos dos pacientes nunca cessaram.
Comments (0)
See all