Quando o assassino deu mais um passo, seus pés se movendo lentamente, uma sensação gelada de desespero tomou conta de Dante.
— E-Espere! Podemos pagar o triplo! Não, 4 vezes mais o quanto pagaram a você! Por favor… E-Espere…! Vamos negociar! — A súplica de Dante escapou, desesperada, tentando barganhar com a morte, mas a resposta foi o silêncio absoluto, como se ele já estivesse condenado desde o início.
— Temos que fazer algo! Dante! — O grito de Hick quebrou o silêncio, e ele ajustou ainda mais a mira da balestra, preparando-se para um disparo que não poderia ser feito.
— Não! Não atire! Não temos chance alguma! Você! Espere! Por favor! Vamos negociar! — Dante gritou, desesperado, a visão turva pelo pânico, enquanto o assassino se aproximava, seus passos firmes e lentos, arrastando-se na quietude como uma sombra ameaçadora.
Cada movimento dele parecia projetado para destruir a coragem que restava, como se estivesse alimentando o medo que se espalhava pela sala.
— C-Chefe… me desculpa… — O guarda ferido murmurou, mas antes que Dante pudesse entender, o homem se virou de repente, socando-o com toda a força, surpreso e impotente diante da traição.
— S-Seu filho da—
— Fique parado!! — O grito do guarda cortou a ameaça, e, com um movimento rápido, ele agarrou Dante, colocando a lâmina da espada na garganta do chefe. Dante sentiu o metal frio contra sua pele, e antes que pudesse reagir, a espada foi pressionada com força, forçando-o a soltar sua própria lâmina.
Hick, tremendo de medo, fez um movimento rápido, apontando a balestra para o guarda, mas antes que pudesse atirar, o homem se moveu com uma velocidade absurda. Ele empurrou Dante contra si, usando o corpo dele como escudo, e a sala ficou quieta, o ar pesado.
O assassino parou de caminhar, encarando a cena com a cabeça baixa, observando o caos com uma calma quase assustadora, enquanto o medo se espalhava como um veneno invisível.
— Espera aí, assassino das sombras! Espera! Eu não sou a sua presa, não? — O homem, com a espada ainda pressionada contra o pescoço de Dante, gritou, tentando barganhar enquanto o chefe parava de se debater, temendo o corte fatal. — Me deixe ir, e pode ficar com ele! Só ele! É só ele que você quer, não é? Então não precisa me matar!
Hick, paralisado, olhava a cena com os olhos arregalados. Ele tinha feito cálculos, previsto o que aconteceria, mas agora estava diante de algo que quebrava todas as suas suposições.
Nada fazia sentido. O homem, que sempre confiou em sua mente estratégica, estava completamente perdido, sem saber o que fazer.
O assassino permaneceu imóvel, como se estivesse avaliando a situação com um interesse distante, observando o homem que se desesperava e o medo crescente nos outros dois.
— Me solta, seu filho da puta! — Dante, no limite da frustração e raiva, gritou, mas o homem que o segurava parecia ignorar cada palavra.
— Cala a boca! E-Então?! O que me diz? Tem um acordo ou não? Você fica com ele, e eu saio em paz, certo? — O homem falou, sua voz tremendo de pânico, mas com uma falsa confiança, como se estivesse tentando manter algum controle da situação.
O assassino não respondeu de imediato, permanecendo em seu silêncio assustador, como se pesasse cada palavra. Então, finalmente, ele se virou ligeiramente e falou, sua voz calma, mas implacável.
— Sinto muito.
— Hhm… C-Como? — O homem perguntou, as palavras escapando sem sentido.
— Sinto muito. Não posso deixar nenhum membro da equipe de Dante continuar vivo. Meu contratante deixou claro que todos devem ser mortos… então, sinto muito. — O assassino curvou-se ligeiramente, com uma reverência que beirava o grotesco, como se estivesse expressando algum tipo de pesar. — Se fosse só o Dante, eu teria entrado sem ninguém perceber e o matado discretamente. Mas, como todos deveriam morrer, entrei pela porta da frente.
O homem, perdido em choque, balbuciou a realidade de sua situação se desintegrando diante dele.
— Você entrou pela frente… porque quis? — A pergunta saiu mais como uma dúvida sem resposta, como se a mente dele estivesse tentando entender a lógica de algo que não poderia ser compreendido.
O assassino simplesmente olhou para ele, sem pressa de responder. O homem começou a chorar, as lágrimas escorrendo lentamente pelo seu rosto, sua expressão quebrando, finalmente perdendo qualquer semblante de controle.
O silêncio na sala se estendeu por um momento eterno, até que, finalmente, o assassino falou, sua voz fria como gelo.
— Agora que entenderam a situação… vamos continuar.
O assassino deu um passo à frente, e o simples som de seus pés tocando o chão foi suficiente para fazer o homem que segurava Dante perder o controle. Movido por um terror irracional, com uma força alimentada pela adrenalina, ele lançou Dante em direção ao assassino, jogando-o como se fosse uma marionete desgovernada.
Ao mesmo tempo, o homem correu para o canto do corredor, tentando se esconder e ganhar tempo para fugir, na esperança de que o movimento distraísse o assassino.
Hick, ainda atônito com a situação, puxou o gatilho da balestra impulsivamente. A flecha disparada passou sem rumo, fincando-se na parede, deixando-o perplexo ao ver que havia falhado. Sentado no chão, observava a cena com os olhos arregalados, como se o que estivesse acontecendo fosse uma realidade de outro mundo.
Dante foi arremessado, seus pés deixaram o chão, e ele sentiu o ar frio batendo contra seu rosto enquanto voava em direção à morte. Quando se aproximava do assassino, o homem que corria pela parede, tentando escapar, passou ao seu lado, mas já era tarde. O assassino, murmurando quase para si mesmo, disse:
— Aqui vai mais duas vidas, minha amada.
Em um movimento tão rápido que a visão mal acompanhou, o assassino fincou a lâmina de seu Katar na perna do homem que tentava fugir, cortando-a completamente, fazendo o homem cair antes que pudesse sentir a dor.
E, sem hesitar, com a mesma fluidez, empalou Dante com a lâmina afiada, indo do pescoço à cabeça, deixando o corpo do homem estendido no chão, seu pescoço espirrando sangue, que banhou o assassino inteiro.
— Aaaaggghhhaaaaa! Minha pernaaaaa! — O homem no chão, que agora era apenas um pedaço de carne, gritava, a dor excruciante da perda de sua perna causando-lhe convulsões, enquanto tentava estancar o sangramento, mas sem sucesso.
— Acho que fui rápido demais. — O assassino murmurou, observando a cena com desinteresse enquanto se virava para o homem agonizante.
Hick, apavorado, puxava com todas as suas forças a corda da balestra, seus músculos frágeis tremendo com o esforço. Ele olhou para a frente, tentando ver a situação, e foi então que sentiu uma sensação fria em seu rosto.
Algo gelado tocou sua pele, seguido de uma onda quente. Antes que pudesse reagir, o sangue escorreu de sua testa, e a dor de uma lâmina afiada perfurando seu crânio fez seu corpo cair inerte no chão. A adaga, lançada com precisão mortal, havia se cravado em seu rosto, afundando profundamente até atingir o cérebro.
— Contando com os de cima e esses aqui de baixo, foram… 8. Isso, 8. — O assassino falou para si mesmo, como se estivesse apenas registrando uma anotação mental, depois de arremessar uma adaga de seu cinto.
O homem que ainda estava no chão, ferido e moribundo, continuava a gritar, seu medo agora palpável.
— Naoooooooo!! Por favor! Não me mate! Por favor! — implorava, a voz rouca pela agonia e desespero.
O assassino olhou-o com um olhar gélido, sem emoção, e, em um movimento quase imperceptível, cortou sua garganta. O golpe foi tão preciso e rápido que o homem não teve tempo de reagir.
O sangue, que demorou um momento para se manifestar, jorrou do pescoço partido, e o corpo, sem cabeça, tombou para o lado, enquanto o assassino apenas observava a cena, como se estivesse cumprindo uma obrigação sem importância.

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