Carol termina seu milk-shake:
- Uff... Tava uma delícia. – diz Carol.
- Tá ficando tarde. – diz Pedro.
- Hm? É mesmo... – diz Carol.
- Bem... Quer que eu te acompanhe até em casa? – diz Pedro.
- “Eu ficaria agradecida... Mas...” Não precisa, você já pagou um milk-shake para mim. – diz Carol. – E também devo estar tomando bastante tempo seu.
- Não se preocupa, tô com tempo de sobra, por mais que minha casa seja meio longe daqui. – diz Pedro.
- Seus pais não ficarão bravos se chegar tarde não? – pergunta Carol.
- ?... Pais? – diz Pedro, confuso.
- Pera, você não tem parente não? – diz Carol.
- Ah, é, pais né, tinha até esquecido que tinha parente. – diz Pedro com cara de idiota.
- Hein... – Carol fica abismada com Pedro.
- Isso não é problema, de qualquer modo. – diz Pedro.
- Tá bom, eu moro meio longe, então até a metade tá bom pra não ficar difícil para você voltar. – diz Carol.
- Beleza. – diz Pedro.
Os dois saem andando até chegar a um ponto de ônibus:
- Aqui já tá bom. – diz Carol.
- Pera, você vai de ônibus? – diz Pedro surpreso.
- É bem longe na verdade. –diz Carol se sentando no banco.
- ... Então... – diz Pedro.
Ele se senta ao lado de Carol:
- Vou esperar você ir então. – diz Pedro.
- Você realmente não precisa. – diz Carol.
- “Cê é loko, num compensa”, deixar uma garota sozinha nesse horário seria algo que um idiota faria. – diz Pedro.
- Você tá tentando não ser um idiota então? Mas desse jeito você acaba parecendo alguém que só se importa consigo mesmo. – diz Carol.
- É, você não tá errada. Sou realmente alguém que se importa muito com o próprio umbigo. Haha... – diz Pedro.
A risada forçada faz Carol ficar curiosa, mas decide não questionar. Ela se lembra de ter tentado desenhá-lo, então, querendo se desafiar, fala para Pedro:
- Ei, você gostaria de posar para um desenho meu? – diz Carol.
- ...Se não for para uma arte exibicionista, tudo bem. – diz Pedro.
- ...Achei que iria perguntar se tinha algo haver com o clube. – diz Carol.
- Já que falou, tem algo haver com a proposta? – diz Pedro.
- Sim, tem relação com a proposta. – diz Carol.
- Entendo. Bem, caso queira um lugar calmo, tem o terraço da escola. Ninguém pode ir lá. – diz Pedro. – Deve ser um bom local para praticar.
- Mas ninguém pode ir lá, você acabou de falar. – diz Carol.
- A única exceção sou eu, mas posso te emprestar a chave quando quiser. Porém nada de levar namorado para lá, viu? – diz Pedro.
- ... Namorado? Haha, nem precisa se preocupar com esse tipo de coisa. Aliás, você tem muita liberdade naquela escola, o que aconteceu para isso acontecer? – diz Carol, curiosa.
- ... Você vai querer mesmo me desenhar? – diz Pedro, claramente fugindo do assunto anterior.
Carol nota seu desconforto com o rumo da conversa anterior, então decide seguir a pergunta de Pedro:
- Acho que você atualmente é o único que posso pedir isso. – diz Carol.
- Sei, então pode ser, eu aceito. Agora que lembrei, por que quer desenhar sem nem estar no clube? – diz Pedro.
- Acho que dessa forma consigo provar para mim mesma que ainda tenho talento para a coisa. – diz Carol.
Um ônibus está se aproximando:
- Então te encontro no terraço quando tiver pronta, tá bom? – diz Carol.
- Que seja antes da minha formatura. – diz Pedro.
O ônibus chega ao ponto que os dois estão:
- Até segunda, Pedro. – diz Carol.
- Bye-bye, Pandinha. – diz Pedro.
O ônibus se distancia um pouco. Pedro fica olhando com um semblante sério.
Mais tarde, na residência de Carol, a garota está em seu quarto, deitada na cama mexendo em seus cadernos de escola do passado. Olhando desenhos e anotações, ela se diverte com as bobagens que o seu eu do passado acreditava. Eram coisas como “Quando crescer, quero ser uma fada.” Isso no jardim de infância. Porém, vendo anotações de anos mais recentes, ela joga todos os cadernos e cartas embaixo da cama:
- Tsc, se pudesse, jogaria fora tudo isso.
Chega uma mensagem em seu celular:
- “Quem é que ainda quer me encher o saco?” – pensa Carol, brava.
É claro que estaria brava, são onze horas da noite, é quase um crime alguém mandar mensagem a esse horário:
- Ah, Pedro? “O que ele quer numa hora dessas?” – pensa Carol.
“Oi Pandinha, chegou em casa em segurança?”
- ... Espera... “Ele chegou só agora em casa?!” – pensa Carol.
“Oi, cheguei sim. Só por curiosidade, você chegou agora em casa?”
“Que bom. Faz uns 20 minutos que cheguei, minha casa fica mais longe do que imaginei kkkk.”
- “Isso não é nada engraçado.“ – pensa Carol.
“Sério, não faz mais algo parecido, é realmente perigoso.”
“Relaxa, não tem por que se preocupar, foi realmente bom ter saído um pouco de casa.”
“De qualquer forma, você deveria ter cuidado.”
“Tá, tá, mamãe. Os seus pais reclamaram de sua demora?”
“Na verdade, eles nem ligam muito, só foi dizer que estava ajudando meu clube que eles se acalmaram.”
“Você sabe mentir, hein?”
- ‘Não era mentira’... Não, tenho que pensar mais um pouco. – diz Carol apagando.
“Sei bastante. Tô com muito sono, vou dormir agora, boa noite.”
“Tá bem, desculpa ter mandado mensagem a esse horário, boa noite.”
O fim de semana da garota se resumiu em desenhar personagens fictícios, enquanto o garoto basicamente jogou videogame durante todas as horas possíveis.
Finalmente segunda-feira, Carol se arruma para ir à escola, estudar integralmente é uma tarefa difícil, mas não impossível. Mesmo assim, passar o dia todo no ambiente escolar requer muita dedicação, perseverança e determinação!... Isso no caso da maioria, já que alguns só estudam o dia todo para não trabalhar (vulgo eu).
- Vamos à luta... – diz Carol.
Na vida do jovem Pedro, ele nunca se importou com sua aparência, então ele acorda razoavelmente mais tarde que o comum para alunos. Diferente de Carol, ele não tem tanta dedicação, perseverança e determinação. Na verdade, é bem o contrário. O garoto sequer olha o horário das aulas, pegando qualquer livro que esteja escrito “Ensino Médio”. Ainda bocejando, sai de sua casa vazia, se despedindo apenas de um caderno em cima de uma estante com retratos.
- Mais um dia... *boceja* - diz Pedro, sonolento.
Chegando à escola, Carol é recebida por Linda. Ela logo começa a contar que vai estudar juntamente com Carol, que tem a reação de uma pedra.
Chegando à escola, Pedro é recebido por seu amigo Caça-Rato, vulgo Castus. Ele logo pergunta da atividade da semana passada, o que Pedro só responde com um: “E tinha atividade?”.
O primeiro intervalo normalmente Carol usa para cochilar, por mais que seja para lanchar. Dessa vez, Linda não a deixou cochilar, a conversa sobre golfinhos e pandas foi realmente interessante ao ponto de sacrificar seu descanso matinal por ela.
As aulas antecedentes ao almoço são as que passam mais devagar, o que faz Carol quase dormir em todas elas, mas, obviamente, os professores não deixam, então ela acaba por ficar num estado de realidade e sonho. Tanto que quando o professor Luis, que é meio cheinho, passa por sua fileira, ela o chama de panda. Infelizmente ele achou que ela estava tentando caçoar com seu porte físico, mandando-a para a coordenação.
Chegando lá, cabisbaixa, ela se depara com Pedro. Perguntando o que ele estava fazendo ali, ele fala seu conto heroico:
“Um pobre rapaz, ainda sonolento de sua madrugada de videogame, pediu para sair da sala para lavar seu rosto, com a professora, por fim, não deixando. Querendo de algum modo continuar acordado, ele pegou sua caneta e começou a desenhar, apesar da aula ser de matemática, o que enfureceu a autoridade. Ela então, brava, o mandou à coordenação. E cá estamos nós.”
Conto heroico coisa alguma. Carol também conta sua história, o que faz Pedro rir:
- Pffff!!!
- Do que você tá rindo ô idiota? – diz Carol, emburrada.
- Que coincidência, hein? Os dois aqui por quase o mesmo motivo. Parece algo que aconteceria em uma comédia romântica (é porque estamos em uma!)... Pff!!! Essa sua cara ainda é pior que a minha, HAHAHA!!! – diz Pedro rindo.
Carol chuta a perna de Pedro:
- Comédia romântica uma ova! Isso aconteceria num battle shonen em cena de tentativa de aprofundar o casal principal, falhando miseravelmente. – diz Carol.
- Então você seria a donzela em perigo que eu teria que salvar? – diz Pedro.
- Não, você que seria salvo por mim! Ou, na real, poderia te deixar com os lagartos. – diz Carol
- Lagartos? – Diz Pedro.
- Vocês dois, parem de conversinha! – grita alguém da coordenação.
- LAGARTO!!! – grita Pedro, no susto.
- Lagarto? – diz uma garota. – O que você tomou dessa vez?
- Água. – responde Pedro.
- Tsc, vocês dois, venham aqui. – diz a garota.
- Quem é? – cochicha Carol para Pedro.
- O “djabo”. – diz Pedro.
Os dois acompanham a garota até a sala do futuro Clube de Artes. Ela se senta e, quando Pedro pega uma cadeira para também se sentar, grita:
- Pode devolver!
- T-tá! – diz Pedro, com medo.
- “Ela deve ser bem rigorosa.” – pensa Carol.
- Você! – diz a garota.
- O-oi! – diz Carol.
- Pode pegar uma cadeira. – diz a garota.
- ... “Hein?” – pensa Carol.
- Poxa, e eu Keninha? – diz Pedro.
- Keninha uma ova! É professora Khefera! – diz a professora.
- “Ela é professora??? Achei que era algum tipo de aluno monitor.” – pensa Carol.
A professora Khefera tem uma altura e corpo, como posso dizer, pouco desenvolvido. É entendível Carol se confundir, já que a própria, que não é nenhuma referência de altura, é maior que ela:
- Qual o seu nome, mocinha? – diz a professora.
- C-Carol Pandarim, senhora! – diz Carol, ainda surpresa com a descoberta.
- O que fez você vim à coordenação? – diz Khefera.
- Bem, sabe, eu acabo acordando muito cedo para conseguir para a escola, minha casa é beeem longe. Normalmente eu durmo nos intervalos, e hoje foi diferente, me mantive acordada por conta de uma conversa sobre pandas fofinhos. Quando o professor Luis passou do meu lado, achei que era um panda por estar com muito sono e acabei o chamando disso. – diz carol.
- PFFFFF HAHAHAHA!!! – Khefera e Pedro riem em conjunto.
- “Eles compartilham o mesmo neurônio?” – pensa Carol.
- Haha... Ei, Pedro, não pode rir dos professores!!! – diz Khefera.
- Fo-foi mal, haha, o professor Luis parece um panda mesmo... – diz Pedro, rindo.
- O que aconteceu aqui, fica aqui, viu? – diz Khefera.
- Tá. – diz Carol, séria.
- Bem, pode ficar ai até a aula do professor Luis acabar, enquanto isso vou bater o papinho com essa coisa aqui. – diz Khefera enquanto puxa a orelha de Pedro.
- Ai, ai, ai, pera ai, caramba! Deixa eu pelo menos explicar! – diz Pedro.
- Hm? – Carol fica curiosa com a relação diferente dos dois. – Só por curiosidade, vocês são parentes ou tem uma relação... Proibida?
- Somos paren – tenta dizer Khefera.
- Os dois! – Pedro fala por cima.
- Você é doente por acaso?! – diz Khefera.
- Ora, você me dá conselhos diferenciados e também alguns benefícios, isso não te faz minha “Suggar Mommy”? – diz Pedro.
- ... – Carol fica perplexa. – A-acho que é melhor eu esperar na coordenação mesmo.
- N-não é o que parece, Pandarim! Somos apenas parentes, juro! – diz Khefera.
Khefera explica o mal entendido que Pedro fez o favor de criar. Os dois são primos distantes, Khefera tem seus 22 anos, muito jovem para uma professora, certo? Ela é apenas a primeira a conseguir terminar o Ensino Médio com menos de 15 anos, “um gênio” ela se auto intitula.
Pedro e ela eram próximos no passado, pois ele, com seus 5 para 6 anos também era chamado de gênio por competir repetidas vezes com Khefera em tudo que tinha raciocínio lógico e, claro, perdendo a maior parte dos embates.
Quando Khefera entrou no Ensino Médio com 13 anos, os dois se afastaram, já que ela estudava integralmente na escola que agora dá aula.
Agora, com Pedro passando o dia inteiro na escola, eles retomaram a antiga relação de quase irmãos.
- E que tipo de conselhos são esses que o Pedro falou? – pergunta Carol.
- São apenas conselhos para ver se ele desencana da vida de solitário inútil. – diz Khefera.
- Ai... – Pedro sente a força das palavras de Khefera.
- Inclusive, notei que vocês dois são próximos, será que... – diz Khefera olhando para Pedro e Carol.
- Não, não. – dizem em conjunto.
- A gente se conhece a menos de uma semana. – diz Pedro.
- Então você ainda tem ela em mente? – diz Khefera.
- Não e não fala dessas coisas na frente dos outros. – diz Pedro.
- Tá, tá, não falo mais disso, ok? – diz Khefera. – Ignorando esse detalhe, quem era aquela garota que você convidou para o clube?
- Do jeito que você falou parece que convidei para outro tipo de clube. – diz Pedro.
- “Realmente.” – pensa Carol.
- Bem, ela tá aqui. – diz Pedro enquanto coloca a mão na cabeça de Carol.
- É ela? Então já nos poupa tempo. – diz Khefera. – Aliás, é por esse tipo de coisa que você não arruma uma namorada.
- Quê? Como assim? – diz Pedro enquanto mexe no cabelo de Carol, bagunçando-o.
- Dá para você parar com isso? – diz Carol em tom ameaçador.
- Eita! Foi mau ai, é que seu cabelo é todo macio. – diz Pedro.
- “Que comentário desnecessário. Agora a coitada vai ficar envergo- Hein?!” – pensa Khefera.
- Na verdade, pode continuar, tava gostosinho. – diz Carol enquanto pega a mão de Pedro e coloca em sua cabeça.
- “Agora é ele quem vai ficar envergonhado...” – pensa Khefera.
- Tá bom, senhora bipolar. Na verdade, posso tentar fazer um penteado em você? – diz Pedro.
- Que merd* que tá acontecendo? – diz Khefera.
- Hm? – os dois olham confusos para Khefera.
- Isso é bizarro, vocês não deveriam estar assim com tão pouco tempo! – diz Khefera.
- Colocando isso de lado, você queria falar algo com a Panda, certo? – diz Pedro.
- “Tem até apelido já?!” Cof-cof, sim, era sobre a inscrição. – diz Khefera.
- Ah, sobre isso, ela ainda não decidiu. – diz Pedro.
- Bem, sabe que precisa de outra pessoa para criar o clube. Então, já que ela é uma incógnita, procure outra pessoa. – diz Khefera. – Não me entenda mal, Pandarim, mas se esse cabeça oca realmente quer criar o clube, então a melhor época é o início do ano letivo.
- Eu entendo, mas preciso pensar seriamente em participar desse clube. – diz Carol. – Também sei que com alguém já confirmado ficam mais simples as coisas.
- Na verdade, eu só quero criar o clube por conta de um certo alguém e sem você, Carol, não vai fazer sentido. Então, quero esperar a sua resposta antes de tudo. – diz Pedro enquanto olha Carol de cima, ainda arrumando seu cabelo. – Vou esperar você sentir que está preparada.
- ... – Carol observa os olhos de Pedro, em silêncio.
- Tá, tá, tá, chega desse papinho meloso! Ô p###a, se você só me criou pra ficar de vela, vou ter uma vida triste assim, caramba! – diz Khefera com palavras que quebram a quarta parede.

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