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Vamos criar um clube, Pandinha!

FEVEREIRO (PARTE 4)

FEVEREIRO (PARTE 4)

Mar 23, 2025

À noite, Carol está em seu quarto novamente vendo suas anotações de infância. Pegando um dos cadernos, uma foto cai. Pegando-a, Carol fica cabisbaixa:

 

- Desculpa... – murmura Carol.

 

Enquanto ela está tendo momentos de reflexão, Pedro está, bem, da mesma forma tendo um momento de reflexão:

 

- Como cacete esse bicho tem tanta vida caramba!? – grita Pedro.

- Calma, Pedro! A gente consegue! Segue a call que dá certo! – diz Castus no Skype.

 

Os dois morrem e tem de começar de novo a missão no jogo. Três horas depois desse fracasso:

 

- *suspiro* Que merda... Caramba, já são onze horas. – diz Pedro.

- Esse foi difícil para um caramba. Foi quantas horas pra derrotar essa cobra maldita? Umas 7? – diz Castus.

- Por aí. – diz Pedro.

- *bocejo* Acho que já vou dormir. A gente se vê amanhã, valeu! – diz Castus.

- Valeu. – diz Pedro.

 

CASTUS_O_GRANDE saiu da chamada.

 

- *bocejo* Acho que também vou dormir. – diz Pedro. – Uh? Ah! Que merda! Esqueci a atividade! Como caramba vou programar isso?

 

No fim, ele dorme fazendo a atividade. No dia seguinte, Pedro acorda em cima do teclado do computador quando seu celular toca.

 

- Uh?... Ah! P***a, acabei dormindo! Que horas são?! – diz Pedro desesperado.

 

Olhando o celular, era uma mensagem do desesperado Castus pedindo para ajudá-lo com a atividade:

 

- Tsc! Tinha que ser... Dá tempo de me arrumar ainda. – diz Pedro.

 

Saindo de casa às pressas e chegando atrasado para a aula, Pedro leva bronca do professor. Seus colegas olhando para ele o dava calafrios, mas vendo que Castus estava levando bronca junto a ele, o fazia se sentir aliviado.

Na sala do primeiro ano de redes ocorria um evento canônico de todo ano: a escolha de seu representante de sala. A aluna Estela Freud é escolhida como representante e Jackson Yomes vice. Logo as fofocas começaram sobre o acontecimento. Linda, tentando se enturmar com a turma, conversa com o pessoal e as perguntas sobre Carol e Pedro:

- Quê? Como assim? – diz Linda sem entender.

- Alguém viu os dois saindo do terraço juntos, o que você acha que eles estavam fazendo, hein? – diz um dos colegas.

- Sei lá, os dois são bons amigos então acho que só foram conversar. – diz Linda, entendendo a insinuação que tentara se esquivar.

- Não brinca, os dois com certeza estão de se pegando. – diz uma das garotas.

- B-bem, só eles sabem. – diz Linda.

- Eu queria ter a sorte de namorar ela, pena que escolheu logo o “Ares” do segundo ano. – diz um dos caras.

- “Ares”? – diz Linda confusa.

- Não sabia? Tem um rumor que diz que aquele cara destruiu a sala 3 ano passado. Parece que depois do que aconteceu mais da metade da turma saiu da escola. – diz uma garota.

- Uou, então é por isso que ele não me disse. – diz Carol.

- Hein??? – o grupo se assusta.

- Osu! – diz Carol.

- P-Pandarim, eae! – diz um dos garotos.

- Quando forem fofocar sobre alguém confirmem antes que ela não está por perto. Esclarecendo sua dúvida sobre o Pedro, ele é o único com acesso ao terraço e pedi autorização pra subir lá para desenhar, então, como um tipo de supervisor, ele teve que ficar lá junto comigo. – diz Carol.

- E-entendi... – diz o garoto.

- Então, até mais! – diz Carol indo para sua carteira.

- ...Ela dá medo. – diz uma das meninas.

 

Jackson ficou observando a conversa do grupo de longe. No intervalo do almoço, Carol está indo em direção ao terraço. No meio do caminho, se depara com Pedro:

 

- Osu! – diz Pedro.

- Osu! – diz Carol.

 

Que merd* de cumprimento é esse?!

Bem, deixando essa questão de lado, os dois andam enquanto conversam um pouco e finalmente chegam ao terraço. Carol, novamente, arranja um local no chão para se assentar. Pedro até tenta fazê-la sair do chão, mas ela insiste em ficar ali. Ele fica encucado com essa teimosia, até chegar numa conclusão: Só tem um banco. Percebendo que, caso alguém que contém a chave do lugar aparecesse, como um zelador ou professor, eles seriam mal interpretados, ele pensa em uma forma de resolver esse “problema”.

 

- HM! É isso! – diz Pedro.

- Que foi? – diz Carol.

- Não é nada, só vou sair ali rapidão. Não deixa ninguém entrar aqui, viu? – diz Pedro.

- Tá. – diz Carol que volta a desenhar.

 

Pedro sai do terraço rapidamente, indo em direção à sua sala. Chegando lá, uma pessoa vai falar com ele:

 

- O-oi, P-Pedro Busch, né? – diz um garoto.

- É, esse é meu nome, bonito né não? – diz Pedro.

- Você nem deve se lembrar de mim, não é? – diz o garoto.

- Sendo sincero, não e nem quero. – diz Pedro. – Então, com sua licença, tô com pressa.

- S-sei... Mesmo que não se lembre, obrigado... Pelo que fez... – diz o garoto.

-... "Que bizonho." pensa Pedro.

 

 Sabendo que teria cadeiras sobrando naquela sala, Pedro pega uma e carrega até o terraço. Chegando:

 

- Ô Panda! Voltei! – diz Pedro.

 

Pedro escutou uma voz masculina vindo do terraço.

 

- Tsc! E ainda falei que não era pra deixar ninguém entrar aqui. – diz Pedro enquanto abre a porta.

- Você ao menos entende o que ele é?! – disse a tal voz masculina.

- Sim, sei, vocês chamam ele de “Árvore” ou algo assim. – diz Carol. 

– Que se fo** o nome, ele é realmente perigoso! – diz o cara.

 

Pedro reconhece a voz, se enfurecendo ao ver o rosto da tal pessoa:

 

- O que tá fazendo aqui? – diz ele com uma expressão de desprezo e ódio.

- Eae Pedro! – diz o cara.

- Sai daqui. – diz Pedro em tom ameaçador.

- Calma aí, cara, a gente só tava conversando! – diz meio nervoso.

 

Pedro vai para perto do garoto, pegando em sua camisa e puxando-o para perto de si. 


- Sai daqui. – diz Pedro, furioso.

- T-tá bom, eu saio, eu saio! – diz o cara.

 

Pedro o solta. O garoto vai embora, deixando o clima entre Pedro e Carol pesado.

- P-Pedro? – diz Carol, assustada com o que acabou de ver.

- *suspiro* Tsc! – Pedro fica cabisbaixo. – Não era pra não deixar ninguém entrar aqui?

- M-mas! – tenta se explicar.

- Cala a boca. – diz Pedro.

 

Ela ficou em silêncio para não piorar a situação. Ele se virou e foi pegar a cadeira que havia buscado. Colocando na sombra de qualquer jeito e indo se sentar no banco, sem dizer nenhuma palavra mais. Carol, ainda perplexa, entende o gesto de Pedro. Sentando-se, ela continuou desenhando.

 

- “O que diabos foi isso? Isso realmente me assustou, fazia um tempo desde que via uma briga desse nível. Aquele olhar chegou a lembrar minha mãe.” – pensa Carol. – “Então o que disseram sobre ele é verdade... Achei que o Peixe-Boi nunca ficaria bravo desse jeito... Mas eu sempre falo com ele do jeito que quiser, a Khefera também e nunca nem sequer demonstrou um pingo dessa raiva toda...”

 

Alguns instantes antes...

 

- “Desenhar plantas não é um bom treino. Preciso desenhar outra coisa...” Se o Pedro tivesse aqui daria pra ele me dar umas ideias... – pensa e fala Carol.

 

Alguém abre a porta:

 

- “Deve ser o Pedro” – pensa Carol.


Um cara saiu da porta, ele logo olhou para Carol sentada no chão:

 

- Então não era mentira. – diz o cara.

- “Q-Quem é esse cara?!” – pensa Carol.

- Ei, garota, onde que o Pedro tá? – diz o cara.

- “Ah, ele está apenas procurando o Pedro. Deve ser um amigo.” – pensa Carol. – Ele foi fazer alguma coisa lá embaixo.

- Isso facilita as coisas. – diz o cara.

 

Ele se aproxima de Carol:

 

- “Q-que merda que tá acontecendo aqui?” E-ei, não sei quando ele volta, então seria melhor procurá-lo antes de – diz Carol que é interrompida pelo cara.

- Eu tô atrás de você, Pandinha. – diz o cara.

- Não tô entendendo. – diz Carol.

- Sei que você e aquele cara tem algo. Apenas tô te ajudando a se livrar dele. – dizia o cara enquanto mexia nos cabelos Carol.

  - “E-esse cara me dá uma sensação de perigo...” – pensa Carol. – Tira essa mão de mim!

 

 

Carol dá um tapa na mão do cara, fazendo-o se afastar:

 

- Ô p***a! Por que fez isso, caramba?! – diz o cara.

- Cala a boca, idiota! Quem é você pra dizer o que o Pedro é?! – exclama Carol.

- Você ao menos sabe o que aquele lixo fez para estar andando com ele?! Seria melhor ficar comigo do que com ele! – diz o cara.

- Não sei o que ele fez e nem quero saber! Se foi algo ruim, que se dane! – diz Carol.

- Você é idiota por acaso?! Ele destruiu uma turma inteira sozinho e você acha de boa ficar com esse tipo de pessoa? – diz o cara.

- Burro! Não tem como uma pessoa só fazer isso! – diz Carol.

- Você que é a burra aqui! Ele fez isso, eu estava lá! – diz o cara.

- Uh? Você estava lá? – diz Carol.

- Sim. Foi um inferno! A sala estava totalmente unida até ele começar a falar e destruir tudo que havíamos construído. Você ao menos consegue entender o que ele é para aquela sala?! – diz o cara.

 

Voltando ao atual momento...

 

- “Não sei o que teria feito se ele não tivesse chegado... Se o que aquele cara falou for verdade, então o Pedro é... Para a tal turma, o mensageiro do caos? Fazer uma turma ser desfeita, isso é realmente possível para apenas uma pessoa?”. – pensa Carol.

 

Ela passa a olhar de canto o rapaz sentado no banco, inquietamente ele mexe a perna repetidas vezes. Carol decide falar:

 

-Obrigado pela cadeira... E desculpa.

 

O garoto não respondeu. O silêncio que deixava o clima ainda mais pesado pendurava. Passram cinco minutos até finalmente ele parar de mexer a perna:

 

- Quem deve se desculpar sou eu. Deixei a porta destrancada mesmo sabendo que tem um monte de curioso.

- Mesmo que tivesse trancado, acho que aquele cara ainda iria vim aqui. Parece que ele tentou abrir a porta com uma chave antes. – diz Carol.

- Tsc! Eu não me importo com ele... – diz Pedro mexendo novamente a perna.

- “Nem consegue disfarçar.” – pensa Carol.

- Ei, Carol. – diz Pedro.

- Hm? – Carol olha para Pedro que para de mexer a perna.

- Não sei o que ele te disse, mas tenho uma ideia do que tenha sido. Meu primeiro ano deveria ser mágico, mas, como se tivesse pagando por todos os pecados que cometi na vida, o que aconteceu foi o contrário que queria. Em um dia de êxtase meu, acabei extravagando todo meu ódio para cima daquela sala. Por fim, quase toda a turma saiu da escola por conta daquilo. – diz Pedro.

- Apenas você... – diz Carol.

- É, somente eu. Queria manter aquilo no passado, mas, no fim, essa droga nunca vai me deixar em paz. – diz Pedro. – Acho que será melhor você não andar comigo, pelo visto se continuar, vou acabar te envolvendo em problemas. Desculpa por ter te chamado para entrar no clube. A ideia era ter pessoas que gosto a minha volta, mas, por ser quem sou, não terá como.

- ...E você vai continuar sofrendo por conta de passado. – diz Carol.

- Se for somente eu, tudo bem. – diz Pedro. – Bem, quando esse almoço terminar, você não precisa mais participar do clube... na real, não precisa mais falar comigo.

- Espera, nunca mais falar com você? – diz Carol.

- Isso, dessa forma você não precisa se preocupar com aquele tipo de pe-

- Não tá nada bem desse jeito! – diz Carol se levantando.

- Hm? – Pedro finalmente olhou para ela.

- Você é idiota por acaso?! Não me importa o seu passado, eu... Eu não quero ficar sem vim para o terraço e ficar sem te ver! - diz Carol.

- ...- Pedro fica em silêncio.

- Não consigo nem imaginar de como serão os próximos dias se não falar com você. Não sei o porquê, mas me sinto confortável com você por perto. – diz Carol, desviando o olhar para as pontas de seus próprios pés.

- Você não sabe do que está falando, tem muita gente que me odeia. Só por falarem comigo algumas pessoas são isoladas. – diz Pedro.

- Essa parte tá de boa, até porque não tenho nenhuma pessoa muito próxima. – diz Carol. 

- E se acontecer o que aconteceu hoje? – diz Pedro. – Como pôde ver, não sou uma boa pessoa para se estar junto.

- E daí? Eu... também não. – diz Carol baixando o volume de sua voz. – Mas, de qualquer forma, a gente não pode deixar de se falar, dá pra dizer que não posso deixar de conversar contigo.

- Esse seu jeito de falar o que pensa é bem raro, hein? – diz Pedro. – Isso é o que? Capricho? Pena?

- Não, deve ser por... gostar de falar com você... – diz Carol, meio envergonhada. – E-esquece o que eu falei.  

- Hm... Pera, gostar? – diz Pedro. – É só por conta do clube, é isso, né?! Até porque menos com menos só dá mais na matemática!

- Ei, você me chamou de menos, maldito? – diz Carol em tom ameaçador.

- Só tô falando que é impossível um dos dois gostar um do outro, somos farinha do mesmo saco, entende? – diz Pedro.

- S-sim, eu entendi. – diz Carol.

 

Os dois trocaram olhares e se viraram rapidamente. O silêncio constrangedor substituía o ar pesado de antes. Eles não conversaram até perto do fim do almoço, quando saíram do terraço. Chegando ao corredor que se separam, trocaram olhares novamente e se viram novamente:

 

- B-bem, até amanhã então! – diz Pedro.

- Até... – diz Carol.

 

Carol chega na sala e Linda tenta falar com ela, só que... Bem, ela tá meio desesperada para resolver qualquer mal-entendido que Pedro possa ter tido:

 

- Você tem coragem pra se declarar desse jeito. – diz Linda.

- Não era pra isso acontecer, caramba! E agora, o que eu faço~ - diz Carol.

- Relaxa, vocês são farinha do mesmo saco, então com certeza ele vai entender. – diz Linda.

 

Na sala de Pedro, Castus enche o saco perguntando se ele tinha esbarrado com o Paul (o carinha que Pedro quase enfiou a mão), até perceber o rosto estranho dele. Uma expressão que nunca havia visto seu amigo fazer:

 

- O que aconteceu? – perguntou. - Você já recebeu várias confissões, não é? – diz Pedro.

- Até que sim, por quê? Não me diga que... Caramba, então você nunca havia estado do outro lado. – diz Castus.

- Tsc! Não deveria te contar mesmo. – diz Pedro.

- Ei, calma ai! Você quer saber se realmente é uma confissão, né? – diz Castus.

- Pior que acertou em cheio. – diz Pedro.

- Pelo jeito, deve ter sido algo sutil. Você tá confuso e não sabe o que fazer se for verdade. – diz Castus.

- Cirúrgico novamente. Ela meio que disse que gostava de falar comigo e que fica confortável quando tô por perto. – diz Pedro.

- Então não é uma confissão, pelo menos as que fizeram declarações pra mim nunca falaram algo sobre “confortável”. Como que ela é? – perguntou.

- Bem, como posso dizer, ela é muito inexpressiva... Não, não é essa a palavra certa. Ela não reage muito as coisas. Acho que apática é a palavra certa.

- Entendi... Então deve ser só uma forma de dizer que ela te acha alguém importante e confiável. – diz Castus.

- Entendi... Ufa! Não sei o que faria se realmente fosse uma declaração. – diz Pedro.

- Claro, você é tão sensível quanto uma porta. – diz Castus.

- Obrigado pela parte que me toca. – diz Pedro.

- De nada! – diz Castus. 

anto05941
Pedro J. Busch

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