No horário de almoço do dia seguinte, os dois se encontram e tem um clima estranho, mas depois de alguns minutos eles voltam a se falar sem problemas.
Passam-se alguns dias, no intervalo da manhã, Carol diz para Pedro que está preparada para desenhá-lo.
O dia finalmente chegou, o horário de almoço mais importante para o clube de artes estava para acontecer. Eles se encontram e vão direto para o terraço com conversas muito distantes do que o de costume. Chegando, Carol prepara seu arsenal de desenho enquanto Pedro tenta achar uma boa pose:
- Ei, Peixe-Boi, essa dai não combina contigo! – diz Carol.
- Então o que eu faço? – diz Pedro.
- Faz uma pose que seja natural. – diz Carol.
- Como assim? Seja mais específica, Panda comilona! – diz Pedro.
- Sei lá, algo como o que você pode fazer. – diz Carol.
- Hmmm... Ah, já sei! – diz Pedro.
Ele vai em direção ao banco e se senta com os braços apoiados, como se fosse dormir.
- Acho que essa é a mais natural de todas. – diz Pedro.
- Entendi, você é muito preguiçoso. – diz Carol.
- Tsc! Faz logo isso dai! – diz Pedro.
Cala a boca, Peixe-Boi! – diz Carol.
Passam-se 20 minutos e Carol para um pouco de desenhar:
- Ei, Pedro, vamo fazer uma pausa. – diz Carol.
- ... – ele fica em silêncio.
- Pedro? – tenta chamá-lo.
- ...Zzz... – tá tirando um cochilo.
- Como que alguém consegue dormir desse jeito? – reclama Carol.
Observando Pedro, ela tem um momento que nunca havia tido antes, algo como admirar uma arte:
- “Ué? Por que ele parece que está brilhando? É tão... bonito?... Entendi, então o tempo está a favor da feição dele. Os raios solares deixando as sombras de uma forma perfeita. Esse amarelo realçando a cor da pele, o vento balançando seu cabelo bagunçado e o rosto sem nenhum tipo de intenção aparente... Isso daria uma bela pintura.” – pensa Carol.
- Uh! – Pedro acorda.
- Huh! “Ele percebeu que estava olhando pra ele?! Nossa, devo estar com um rosto estranho agora, o que diabos deu em mim?” – pensa Carol, envergonhada.
- ... Eh~... – Pedro olha pra Carol com cara de sono.
- ...P-Pedro? – diz ela.
- ...Layla?... – diz Pedro.
- Quem? – diz Carol, confusa.
- ...Só... – diz Pedro.
- Que merda cê tá falando? – diz Carol.
Ele volta a dormir.
- Que porcaria foi essa? – diz Carol. – Bem, é melhor continuar.
No fim do intervalo, Pedro acorda deitado no banco:
- ... Espera... AH! Eu dormi?! – diz Pedro.
- Parecia uma pedra. – diz Carol.
- Desculpa aí, conseguiu fazer o desenho? – diz Pedro se levantando.
- Consegui sim. E que tipo de técnica é essa de não se mexer enquanto dorme? – diz Carol.
- Simples, eu sou um ninja! – diz Pedro.
- Entendi, por isso esses olhos de morto. – diz Carol.
- E o desenho, como ficou? – diz Pedro.
- Bem, você quer ver? – diz Carol.
- Agora não, preciso de um tempo pra voltar para o mundo. No próximo intervalo você me mostra. – diz Pedro.
- Tá, então até lá, o intervalo já tá acabando. Vou indo na frente, bye-bye. – diz Carol saindo do terraço.
- Tchau... – diz Pedro enquanto vê ela entrando na porta. - ...E eu achando que iria acordar no colo de uma garota, tenho que parar de sonhar acordado.
Carol volta para sua sala e, lembrando-se do nome que Pedro falou, decide perguntar a um grupinho de pessoas:
- Osu! – diz Carol.
- Eae, Pandarim. – diz uma das pessoas.
- Algum de vocês pode me tirar uma dúvida? – diz Carol.
- Dependendo do que seja. – diz outro.
- Algum de vocês sabe quem é Layla? – diz Carol.
- Layla? Vocês sabem? – diz um dos garotos.
- Não sei, e você? – diz outro.
- Não... – diz outro.
- Foi mal aê. – diz um cara.
- Tá, obrigado. – diz Carol.
Ela se vira e anda em direção a sua carteira, até ser parada por Jackson, o vice-representante de classe:
- Oi? – diz Carol.
- Layla, você queria saber dela, não é? – diz Jackson.
- Você sabe quem é ela? – diz Carol.
- Mais ou menos, ela se formou ano passado. – diz Jackson.
- Hmm... Então será que foi ela? – fala baixinho.
- Se isso tiver relação com aquele tal de Pedro, quero que saiba de algo. – diz em tom sério.
- O que? – fala como quem não se importa.
- Não posso afirmar porque são só boatos entre os representantes das turmas, mas aparentemente ele era como um stalker dela, então toma cuidado. – diz Jackson.
- Stalker... Heh, impossível, ele não parece ser esse tipo de pessoa. – diz Carol.
- Pelo que eu saiba, a maior parte desses boatos foi espalhado por pessoas que gostavam da antiga turma três. Então talvez sejam apenas boatos falsos, mas é melhor se precaver. – diz Jackson.
- Tá bom, obrigado pela informação. – diz Carol.
- De nada. – diz Jackson que vai em direção a representante.
- “Ele é estranho, mas parece ser uma boa pessoa.” – pensa Carol enquanto olha pra Jackson.
Ela se senta e passa a pensar nesses boatos, o que é e o que não é mentira. Até porque Pedro não costuma falar do passado, mas era natural, já que a própria também não fala do seu tempo no fundamental.
“Se todos os boatos fossem reais, ele não seria odiado por todo mundo? Mas ai tem a dúvida de sempre que o vejo está acompanhado de alguém de sua turma ou do conselho estudantil.” Murmurava Carol.
Nem tudo precisa de lógica para acontecer. Você entende isso, não é? PPP Ppp pp PPP
Pedro acorda assustado:
- Que foi cara? Você tá bem? – diz Castus.
- Ah, não foi nada, só tive um sonho estranho. “Isso não acontecia a quanto tempo?” – pensa Pedro.
- Hmm, tem algo te incomodando, né? – diz Castus.
- Não sei... – diz Pedro.
- Bem, se precisar conversar, eu tô aqui. – diz Castus.
- Ficou todo emotivo do nada. – diz Pedro.
- É a primeira vez que te vejo pálido desse jeito. – diz Castus.
- Então é realmente a mesma coisa... – diz Pedro. – Bem, não precisa se preocupar, se tem algo me incomodando eu resolvo, até porque eu sou um gênio!
- Sei. – diz Castus.
No intervalo da tarde, Carol procura por Pedro, finalmente o achando.
Os dois, após terminarem seus lanches, se dirigem a sala 3. Talvez por estar junto a Carol, Pedro não sentia o mesmo medo de caminhar por aquele corredor. Só de estar perto dela, o resto não importava.
“Isso é aquele tal sentimento... Nostálgico?” Pensava.
“Já senti isso uma vez, é aconchegante e confortável... E se... Eu tentasse... Esquecer aquilo... Poderia... Chegar mais perto... De você.” Tentou aproximar sua mão a de Carol.
Esquecer o passado é impossível. Você não vai se livrar dessa forma, vai apenas machucar mais os outros. PPP Ppp pp PPP
“É impossível deixar aquilo para trás...” Afastou-se um pouco dela.
Carol percebeu o comportamento de Pedro:
- Acha melhor irmos para o terraço? – diz Carol.
- ... Huhum. – concordando com a cabeça.
- Me espera aqui então. – diz Carol.
Parado e olhando as pessoas do corredor, ele lembra de seus dias de novato, o início mágico que foi. Até todo o problema surgir. Sem Carol, aquele lugar se tornava escuro e sombrio, angustiante e sufocante.
Como o sol que iluminava a escuridão do amanhecer, ela volta e Pedro para de olhar para as outras coisas.
“Devo olhar para ela... Somente para ela.”
Chegando ao terraço, ela mostra o desenho e ele, como um exímio não conhecedor de artes fica maravilhado.
- Terra chamando Pedro, Terra chamando Pedro... Ei! – grita Carol.
- Ah! Foi mal, ficou muito bom, de verdade! – diz Pedro.
- ... Mas, sabe, acho que eu tenho que dar uma resposta, não é? – diz Carol.
- Bem, sim. – diz Pedro.
- ... É que, bem, eu não... – diz Carol.
- Você tem um motivo para não querer se comprometer com a arte de novo. Eu sei disso. – diz Pedro.
- ... – Carol fica em silêncio.
- Você pode me dar uma resposta definitiva amanhã. – diz Pedro.
- Tá bom... – diz Carol.
- Você tá livre depois da aula? – diz Pedro.
- Acho que sim, se não me passarem algum trampo chato. – diz Carol.
- Vamos tomar milk-shake. Por minha conta. – diz Pedro.
- ...Vai ser naquele lugar de sempre? – diz Carol.
- Não, vai ser no que a gente foi no primeiro dia que nos falamos. – diz Pedro.
- “Vai ter um gosto de nostalgia” Você pensou isso, né? – diz Carol.
- Exato. – diz Pedro.
No fim da aula, é, infelizmente Carol tem que limpar a sala. Pedro aparece e fica zoando ela, até ela falar pra ele ajudar, algo que era por brincadeira, mas ele entra na sala, pega uma vassoura e começa a varrer:
- Por que você tá fazendo isso? – diz Carol.
- Não quero perder a oportunidade de te ajudar em algo. – diz Pedro.
- “Não faz o menor sentido.” Vão ficar me enchendo o saco se te virem aqui comigo. – diz Carol.
- Tá, então só vou esperar mesmo. – diz Pedro.
- ...Me ajuda. – diz Carol.
- Sabia que essa sua bipolaridade é irritante? – diz Pedro. – Espera, você só não quer que eu vá embora, né?
- Cala a boca! Só quero terminar logo isso! – diz Carol. – E também me deixa brava te ver sem fazer nada enquanto estou trabalhando.
- Saquei, beleza. Vamos por a mão na massa! – diz Pedro.
- Tô afim de repensar na minha decisão. – diz Carol.
Alguns minutos depois os dois finalizam a limpeza. Saindo da escola, algumas pessoas ficam observando eles, claramente pensando que estavam juntos fazendo sapecagens até tarde, se confundindo com a realidade.
No milk-shake, eles têm uma conversa digna de velhinhos que ficam sentados na calçada à tarde. O sentimento do início do mês volta com o vento, as luzes noturnas iluminando as ruas nessa noite calorosa, os céus sem nuvens com poucas estrelas, mas com cada uma tendo seu brilho virtuoso e, obviamente, o milk-shake com gosto de nostalgia. Chegando ao ponto de ônibus, eles ainda têm um tempo até o próximo chegar.
Se sentando, se instaura o silêncio estranho. Até parecia que nunca mais iriam se vir depois daqui. Pedro, com um sorriso atípico, pergunta:
- Esse motivo... É algo difícil de lidar, não é?
- ...Huhum. – Carol concorda com a cabeça.
- “Por que? Por que parece tanto que ela nunca mais vai voltar para perto de mim?” – pensava Pedro.
- “Tenho que decidir o que quero... Mas... Eu já decidi, então, porque tô tão hesitante assim?” – pensava Carol.
Os minutos passavam e nenhuma palavra sequer.
“Eu... Realmente quero isso?...” ela se perguntava.
“Não tem algo que posso fazer?...” ele se perguntava.
O tempo não espera ninguém e é imutável, entretanto sua percepção sim é moldável e, para os dois, esse tempo que passaram juntos acabou rapidamente. Eles sentiam que precisavam fazer algo para mudar o destino, mas, mudar por qual motivo?
Para Pedro estava claro, porém, o que ele queria dependia da vontade de Carol. “O que eu quero?” se perguntava diversas vezes. O sentimentalismo humano deixa as pessoas piores, esse era o lema desses dois, então, por que se questionar tanto? Obviamente eles criaram um vínculo que não queriam desfazer, por mais que, de qualquer forma, poderiam continuar a se falar.
Talvez por perceberem que quando o tempo voa além do que entendem, não queriam desperdiça-lo com seus sentimentos de culpa e angústia.
Um ônibus é ouvido ao longe. Carol se levanta e Pedro a olha. De costas, ela respira fundo e diz:
- Adeus, Pedro.
Sentindo um aperto no peito, ele não consegue dizer uma palavra sequer. A luz aparece no fim da rua, como se fosse o cronômetro de sua vida.
Carol, por sua vez, segura os sentimentos a muito tempo guardados. Era algo herdado de sua irmã, sempre afastando suas emoções em um canto escuro de sua própria mente. Por algum motivo, eles queriam escapar desse lugar.
Quando Pedro escuta a buzina do ônibus , ele se levanta rapidamente.

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