O Taiga
Olá, prazer, meu nome é Michael, também conhecido como Terceiro. Há três anos venho coletando fragmentos da história de um mundo que deixou de existir que, de alguma forma, ocorreu de ter um final sem um início propriamente dito.
Não consigo compreender como, mas sei que sou o único sabe de sua antiga existência.
Além deste mundo, deve haver outros em um aglomerado de universos, porém, sobre isso, posso tentar falar em outro momento.
Sobre o que vem a seguir, essas são anotações foram encontradas enquanto pesquisava sobre um possível multiverso e um suposto criador.
Elas tratam de um diário ou monólogo de uma pessoa comum do mundo agora inexistente.
Minha breve interpretação sobre essas escritas: acredito que antes do mundo deixar de existir, essa pessoa deixou de ser algo que poderia ter feito a sua existência durar por mais tempo.
Agora, deixarei vocês tirarem suas conclusões sobre as seguintes palavras.
Michael York
Terceiro
Taiga, o Mago, ou algo assim. Esse sou eu, um erro acumulado.
Minha vida se iniciou de forma comum. Tive meus pais, meus irmãos e amigos. Poucos duraram até os dias de hoje, mas é assim que as coisas devem ser.
Basicamente, não tenho lembranças da minha infância, talvez por querer esquecê-la já que sinto profundos arrependimentos de lá. Já minha adolescência, hehe, foi engraçada por muito tempo.
Perdi vários amigos de uma vez... Foi interessante ver as pessoas mostrando como elas verdadeiramente são. Sabe, nunca fui de me destacar muito, mas um dia, enquanto estava nesse grupo, surgiu algum problema que não descobri qual era e me empurraram para o meio desse fogo cruzado. Como o bode expiatório, fui lançado de lado por eles.
Antes de conhecer essas pessoas, já possuía ligação com outro grupo, prefiro chamar de servidor. Tinha amizades neste, uma pessoa que desenhava muito bem e um dono inativo. A maior parte do tempo passei sozinho, mas era bom o clima daquele lugar, por mais que fosse vazio. Um dia, sem nem perceber, esse servidor foi desfeito por seu dono inativo. Foi difícil me adaptar ficar de novo no mundo.
Talvez por essa dificuldade em me adaptar ao ambiente difícil, voltei para o grupo que haviam me expulsado anteriormente. Adivinha? É claro que fui expulso de novo. Posso ter caído, entretanto, levei uma pessoa comigo, o eu obviamente não a agradou. Quando nos encontramos ela mandou na lata:
“Vai à merda, Taiga!” e partiu para cima de mim. Sim, fugi, pois sei que brigar não é o meu forte.
Passaram meses desde esse incidente, minha habilidade com a arma e a faca aumentou. Foi muito tempo sozinho. Mantive contato apenas com minha prima, Gris, a pessoa mais importante para mim.
Encontrei um servidor um dia que estava vagando por aí. Fiquei admirado com aquele lugar, tanto que quis começar a viver nele.
Passei alguns meses nesse lugar. Fiz grandes amigos. Um deles era chamado de “Fuchis”, um outro era Sokags e mais tarde conheci um tal de Titto. Com o Fuchis fiz um bolo para seu aniversário. Com o Sokags era mais uma relação de irmão mais velho experiente guiando o mais novo e inexperiente caçula.Com o Titto cheguei a me casar de brincadeira. Fui feliz em cada momento que tive com eles, além de outras pessoas que conheci.
Um dia, pensando em dividir essa minha felicidade com alguém, contatei minha prima, ela veio e gostou do lugar tanto quanto eu. No mesmo dia que ela chegou, outra pessoa chegou junto, um tal de Pass-Game e com o tempo, os dois começaram a se conversar. Fiquei preocupado com ela, já que não conhecia o garoto. Depois rolaram desentendimentos entre eu e ele, mas, com o tempo, deixamos as diferenças e passamos a conviver.
Até então tudo estava bom, o tempo passava junto com as memórias felizes que compartilhávamos. Descobri que falei errado o nome do Fuchis por muito tempo e que na verdade era “Fuchs”. A Gris ficou mais próxima de Titto e de um cara chamado Fyser.
Como disse, estava tudo bem, até aquele dia... Aquele maldito dia em que decidir sair para resolver pendências com a minha família. É impressionante como as coisas mudam rapidamente, precisou de três dias, apenas três dias que separaram meu céu do meu inferno.
Fyser, que era como melhor amigo de Gris, descobriu uma doença terminal e que já estava em um estado avançado. Pouco tempo o restava e, para seus amigos não precisarem vê-lo morrer, decidiu sair do servidor. Suas palavras de despedidas foram “Não fiquem tristes por acabar, fiquem felizes por ter acontecido” E então partiu. Claro, minha prima ficou arrasada com essa notícia, se isolando de todos.
Descobri essa história toda quando voltei e, quando me dei conta, estava procurando por Gris. Encontrei-a ao lado de um rio, encolhida e com o rosto escondido pelos seus joelhos. Fiquei a observar de longe por algum tempo, até tomar coragem e me aproximar. Me sentei ao seu lado e esperei algo acontecer. Apenas o barulho calmo da água preenchia o silêncio.
Até finalmente ser quebrado por suas palavras em tom triste:
“Você já sabe o que aconteceu, não é?”
“Sim, o Fuchs e o Titto me disseram tudo. Deve estar sendo muito difícil para você.”
“Difícil? É, deve ser mesmo... Sabe, Taiga, ele era importante para mim. Acho que não existe outra pessoa que pode cobrir esse espaço deixado no meu peito.”
“Não acho que seja verdade... Ele escolheu isso, você poderia aceitar e continuar, por mais que seja doloroso.”
“Você tá mentindo...”
“Eu não-”
“VOCÊ TÁ MENTINDO ASSIM COMO TODO MUNDO!!! Assim como ele, assim como o Titto e os outro. Ele me disse que não iria embora enquanto eu estivesse aqui, mas, mesmo assim... Por que?...”
“Gris... A gente tá aqui pra te ajudar, todo mundo. É difícil pra todos e eu entendo que é pior pra você, mas, mesmo assim, tem que continuar, sem desistir.”
“Pra todos? Isso é uma piada?! E pra você, como você consegue dizer que me entende, sendo que sequer sentiu a perda de alguém importante?!”
“...”
“Você é só um mentiroso que só se importa consigo mesmo... Eu tenho nojo de você.”
Ela se levantou me olhando com desprezo e iria embora se eu...
“Gris, eu assumo, sou realmente uma pessoa que só se importa comigo mesmo, um péssimo amigo, amante e lutador. Sou horrível em tudo que faço. Porém, pelo menos hoje, quero que funcione algo.”
“...”
“A dor de perder alguém é incomparável e às vezes até incompreensível. De qualquer forma, os desejos do passado nos assombram. O Fyser desejou algo e esse desejo foi para principalmente você. Alguém que ele sabia que não iria querer ver chorar por sua morte. Me responde, qual foram as últimas palavras que ele lhe disse?”
“...Não chora por eu estar partindo. Sorria ao lembrar de cada momento que passamos juntos.”
“Infelizmente aconteceu o que havia de acontecer, o tempo ou deus ou sei lá o que pode ser injusto, grite o quanto quiser, se debata ou quebre algumas garrafas, mas siga o que você escutou de quem era importante pra você. De uma forma ou de outra, nada vai mudar, independente do que fizer, porém, pelo menos honre os desejos deles.”
“ Mas... não dá pra continuar sem ele aqui...”
“Você tem coisas que muitos invejariam. O Titto, o Pedro, a Fryer, Haru, Akai e Fuchs. Eles desejam que você volte para eles, assim poderão carregar junto a você essa dor.”
“...Você não...”
“Eu não quero carregar o fardo dos outros.”
“Então por que veio aqui?”
“...Por que é só com você que me importo. E assim como os outros, quero te ajudar a cumprir o desejo de seu amigo.”
“...”
“Volte pra eles. Estão te esperando para dar um fim nessa melancolia. Vá chorar e berrar junto deles.”
“...Obrigado, Taiga.”
Pelo menos era isso que eu queria ter dito, mas a realidade foi ter deixado ela ir sem mais uma palavra.
Acreditei que, com o tempo, as feridas dela iriam se curar.
Algumas semanas após minha volta, Gris avisou que sairia do servidor. Eu meio que entendia o motivo, mas nem quis sequer me despedir.
Depois de mais algumas semanas melancólicas, surgiu uma nova figura: Yomes. Ele prometeu que iria mudar a situação daquele triste lugar.
Fazendo uma proposta ao dono inativo, ele conseguiu se tornar administrador máster. Não sei dos detalhes, mas prefiro acreditar que era uma proposta irrecusável.
De início, pareciam dias melhores. Até que em uma segunda que jamais esquecerei, o novo dono do servidor decidiu tirar o cargo de “oficial” de Titto, Fuchs, Akai e Souls. Todos agora eram apenas residentes. Como um mero telespectador, já estava entendendo o que estava acontecendo.
Fuchs alertou um grupo pequeno de pessoas que estava acontecendo algo estranho. Não o vi mais depois disso.
Akai começou a juntar algumas pessoas para se rebelar contra Yomes caso algo mais grave acontecesse. Sua casa estava vazia quando fui visita-lo.
Souls se escondia das pessoas e de Yomes, parecia paranóico e louco.
Titto foi o único dos ex-oficiais a continuar agindo normalmente.
Larry Isak, um garoto que conhecia há um tempo, sabia um pouco da Guerra das Comidas, um evento que ocorreu há bastante tempo. Ele aparentemente fazia parte da rebelião, o que o fez querer que eu entrasse para a luta, já que no evento fui um dos destaques entrando no final e fazendo um belo estrago. Eu rejeitei, mas já sabia que uma hora ou outra iria acabar envolvido no conflito.
Os novos oficiais seriam anunciados e eu, como um belo espectador, fui assistir a queda da minha moradia.
“Queridos residentes de meu servidor, hoje, venho anunciar meus mais novos ‘tenentes’: Pass-Game, talvez vocês o conheçam a algum tempo. Andrews, um amigo de longa data meu. Fryer, que alguns de vocês devem a conhecer. E por último mas não menos importante, Gris, que todos sabem quem ela é.”
Naquele momento pensei “Gris?! Ela aqui?!”. Para mim, Pass não era um bom oficial, pelas merdas do passado e por ser apenas um moleque. O Andrews, bem, eu não faço ideia de quem seja. A Fryer, bem, seria mentira se dissesse que a conheço bem.
Alguns dias se passaram e o Pass estava fazendo um bom trabalho na medida do possível. A Gris sumiu depois do anúncio. Da mesma o Andrews não apareceu mais. A Fryer mantinha contato com o Fuchs de alguma forma. Através do Larry, Fuchs me mandou uma mensagem: “A Fryer está diferente” essas foram as últimas palavras de Fuchs direcionadas a mim.
O Titto começou a investigar o paradeiro de Gris e fui o único a saber disso. Não o vi mais no servidor após essa última conversa.
O Akai realmente planejava uma revolta, descobri isso quando visitei sua casa novamente onde existia um cômodo muito deslocado, o que revelava uma sala secreta.
Era óbvio que tinha algo errado com aquele lugar, mas, a ignorância é uma benção, todos fingiam estar tudo bem. Mas... E daí? O que apenas eu poderia fazer? A rebelião já era conhecida, então se me juntasse seria um alvo fácil e lutar sozinho também não é do meu feitio.
Decidi tentar seguir a maré e ignorar as ações imbecis do Yomes.
Porém, o dono do servidor não me via como apenas mais um no meio de muitos outros, e sim, a maior ameaça que se tinha. Ele me chamou pra conversar a sós, algo que nunca havia ocorrido, nem com o Pedro.
“Olá, Taiga.” Sem olhar para mim, ele continuou “Por que não vamos a um lugar mais reservado?” Eu apenas concordei.
Fomos para próximo de um penhasco próximo a cachoeira. Eu já desconfiava de algo, mas não entendia qualquer motivo disso.
“Nunca conversamos, apesar de eu estar no comando a meses.”
“Vá direto ao ponto, odeio gastar tempo.”
“Se é assim que você deseja, então tudo bem. Caro Taiga, você é bem conhecido apesar de ser recluso. Seus feitos na Guerra das Comidas são reprisados até hoje. Suas estratégias simples mas colocadas de forma complexas e acertadas era de cair o queixo.”
“Onde você quer chegar com isso?”
“Você, Taiga, é a maior ameaça para meu governo. Tive a hombridade de deixa-lo por último achando que você iria me divertir um pouco, mas acho que errei na minha decisão.”
“O Titto, Fuchs e Akai foram os primeiros?”
“Exato.”
“Não faz o menor sentido eu ser uma ameaça para você, Yomes, estou fazendo o que todos os outros fazem. Dá pra me deixar viver a merda da minha vida inútil de paz sem se intrometer?!”
“Acha que eu vou cair nesse seu papinho? Você mantém contato com o Larry, um dos membros da rebelião.”
“Então amigo de ladrão também é ladrão. Entendi seu simplório pensamento, está tentando se auto intitular maior que os outros já que é idiota o suficiente para não reconhecer seu lugar.”
“Você ama provocar quem é maior e melhor que você.”
“Você é uma piad-”
Yomes deu um soco forte em meu estomago, fiquei caído cuspindo sangue por alguns segundos, achei até que algum órgão meu havia explodido com o golpe.
“Morra, Taiga, O Mago.”
Ele me chutou e fiquei pendurado no penhasco com apenas um braço.
Me olhando nos olhos, ele sabia que tinha em suas mãos a minha vida.
“Como se sente ao ver a tal piada com sua vida em mãos?”
“...A piada se acha demais... Quem decide onde vou morrer sou eu, não você, idiota.”
Ele se distancia e, com um forte chute, quebra as pedras em que eu estava me segurando.me derrubando para o meu triste e solitário fim. Diante da morte e já aceitando o meu destino, pensei: “Poderia ter feito tantas outras coisas, brigado menos, ter passado mais tempo com meus amigos e, principalmente...Gris, eu poderia ter te ajudado... Desculpa.”
Taiga, o Mago
Esse é, de alguma forma, o relato da morte dessa pessoa. Meus estudos sobre o multiverso ainda estão muito atrasados, mas, com esse “diário” acho que consigo comprovar algumas coisas. Minhas pesquisas se baseiam nesse tipo de coisa, esse diário tem apenas este nome e não se parece com algum tipo de piada ou história inventada. Creio que muitos vão me chamar de idiota, mas realmente estudo esse tipo de coisa a pouco mais de 6 anos.
Universos são fictícios, então por que essa realidade também não poderia ser?
Estou postando na internet pois sei que existem pessoas talentosas que podem acabar me ajudando dando algumas sugestões.
Caso eu descubra algo mais sobre essa coisa de universos ou mundos diferentes, tentarei atualizá-los.
Obrigado por ler até aqui, até um outro dia, finalizo a ligação: Loxius Terceiro.

Comments (0)
See all