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Segredos de Suspensyst

Silêncio no laboratório, parte 2

Silêncio no laboratório, parte 2

May 01, 2025

— Ele estava treinando de novo? Por que não usa essa força de vontade para ajudar nos trabalhos da vila? — perguntou uma jovem de trança longa, braços cruzados e expressão irritada.

— Deixa ele. Quando crescer, vai desistir dessa ideia boba de virar explorador — disse Jonathan, entrando na vila. — Afinal, só nobres e influentes conseguem acesso às academias.

— Mas foi você quem colocou essa ideia na cabeça dele. Disse até que podia ajudá-lo a entrar — rebateu ela, com arrogância.

— E posso. Mas a academia só aceita garotos como ele com núcleo azul sólido ou superior aos doze anos. Faltam dois anos, e ele ainda nem saiu do estágio preto. Uma evolução pode levar até um ano inteiro.

— Sabe que ele vai se decepcionar com você, né?

— Eu sei que garotas amadurecem mais rápido, mas não acha que está nova demais pra dar sermão em um adulto? Ainda mais em um especializado em combate?

— Humph! — respondeu, virando as costas.

A menina se chamava Liz. Desde pequena, achava que sabia mais que todos. Tinha cabelos e olhos pretos, altura mediana para seus nove anos, e era acompanhada por outras três meninas, seguindo o garoto nas costas de Jonathan.

O sol se punha. Moradores acendiam tochas nos toscos postes de madeira, já que não podiam comprar os de verdade. Desde os tempos antigos, acreditava-se que a luz espantava as criaturas da escuridão, por isso todos retornavam antes do anoitecer completo.

— Philipe, todos já chegaram? — perguntou Jonathan ao outro vigia, que conversava com algumas moças.

— Claro que sim, olha o horário! — respondeu, ríspido.

— Ótimo. Vou levar o garoto pra casa — disse, revelando a criança adormecida em suas costas.

— Tudo bem — respondeu Philipe, abrindo caminho.

— Me arrependo de ter alimentado suas esperanças, Beta... — murmurou Jonathan, suspirando.

Beta, o menino nas costas do guerreiro, tinha apenas dez anos e há pouco fora apresentado à dura realidade. Desde os sete, ouvia fascinado as histórias de seu amigo — um pouco mais velho para um "amigo de infância" — sobre dungeons, florestas e guildas.

As histórias eram incríveis, mas mascaravam as tragédias: mortes de companheiros, encontros com a própria morte, a constante tensão em ambientes hostis...

Tudo mudou quando Beta descobriu os "núcleos", e que qualquer um poderia desenvolvê-los. Achou que, ao evoluir, poderia se tornar um aventureiro da noite pro dia.

Era seu primeiro sonho: explorar o mundo, enfrentar monstros e ter histórias para contar. Mas a realidade não era gentil com sonhadores.

Apesar do esforço, Beta não conseguia sair do estágio inicial. Isso até era esperado: é preciso purificar o corpo antes de evoluir. Mas mesmo no início, qualquer garoto sente ao menos uma pequena mudança — sinal de que o núcleo está ativo.

Infelizmente, Beta começou cedo demais. O recomendado é iniciar os treinos durante a puberdade, caso contrário, o progresso pode ser comprometido. Jonathan sabia disso. Talvez tenha omitido de propósito, como uma forma de protegê-lo.

Ele não queria que Beta conhecesse o lado sombrio do mundo: a crueldade das pessoas, a ameaça constante dos monstros e, acima de tudo, o peso da perda de alguém querido. Queria manter o garoto seguro.

Assim se encerrava mais um dia. Todos dormiam em suas casas, enquanto os vigias patrulhavam a vila até o amanhecer.

★

Na Vila Élfica, os melhores cientistas e pesquisadores foram enviados por Hambar para um laboratório subterrâneo secreto, localizado bem abaixo da cidade. A missão era clara: estudar e descobrir mais sobre a misteriosa criatura recentemente capturada.

— Descobriram algo relevante? — perguntou um elfo designado por Hambar, entrando no laboratório com seriedade.

— Não há registros dessa criatura no Munkiridion — respondeu um dos elfos, folheando rapidamente o grosso livro de couro.

— E o sangue dela não corresponde a nenhum dos tipos associados a monstros conhecidos — acrescentou outro, enquanto extraía um líquido negro do braço da criatura com uma seringa.

O laboratório era amplo, limpo e repleto de corredores e salas bem equipadas. Cientistas e estudiosos elfos transitavam de um lado para o outro, em uma mistura de euforia e medo diante da criatura desconhecida — e do mistério de sua existência não registrada por tanto tempo.

— Aqui fala sobre os esqueletos Zhantarys, aranhas azuis, formigas demoníacas, zumbis da terra... todos os monstros conhecidos. Mas nenhum se compara a isso — disse um dos estudiosos.

— Continue procurando. Hambar quer respostas — ordenou o elfo recém-chegado, virando-se de costas.

Todos estavam tão imersos em análises — extraindo sangue, dissecando partes do monstro, focando em outras pesquisas — que ninguém percebeu um detalhe crucial: a criatura não estava morta. Apenas desacordada.

— Senhor, talvez devêssemos remover um dos seus olhos par— — começou a sugerir um dos cientistas, antes de ter a garganta cortada em um instante.

O grito abafado e o som do corpo caindo deixaram todos em alerta. Por um momento, o laboratório inteiro parou. O elfo se contorcia no chão, engasgando-se com o próprio sangue, até a criatura erguer-se repentinamente da mesa cirúrgica.

Mas não foi esse o momento que fez todos entrarem em desespero. O verdadeiro terror veio ao ver que o monstro estava de pé... mesmo sem nenhum órgão em seu interior.

O pânico se espalhou. Elfos corriam desesperados, empurrando-se pelos corredores, tentando se trancar em salas adjacentes. Os primeiros a fugir tiveram mais sorte. Já os que hesitaram, ou os que correram para ver o que estava acontecendo, foram brutalmente assassinados: alguns degolados, outros dilacerados, devorados vivos ou até mesmo torturados.

A criatura era diferente de tudo que conheciam. Viva, mesmo sem órgãos, e ainda mais assustador: inteligente. Calculista. Perseguia sistematicamente os que tentavam se esconder. Apenas os que conseguiram escapar do laboratório sobreviveram — ao custo de trancar todas as rotas de fuga, deixando para trás companheiros que ainda podiam ter chance de sobreviver.

— A-alguém chame o Hambar! — gritava um dos sobreviventes, ajoelhado na grama em frente à entrada bloqueada do laboratório. — VÃO LOGO, PORRA!

— Como se já não bastasse o problema da água... agora temos um monstro preso na nossa vila — dizia um pesquisador, rindo de nervoso, encostado em uma árvore.

— A água é o menor dos nossos problemas — disse outro, trêmulo, encostado na parede. — Perdemos cientistas com núcleos de consciência no estágio laranja escuro... alguns no bege. Eram minas de ouro vivas. Isso vai nos afetar diretamente.

— Não necessariamente. Eles anotavam tudo: fórmulas, remédios, avanços... podemos apenas replicar — retrucou o primeiro.

— Qual o seu núcleo? — perguntou o que estava encostado na árvore.

— Roxo claro. Por quê?

— Eu sou lilás sólido. Apenas núcleos do mesmo estágio daqueles cientistas conseguem replicar com precisão os remédios e experimentos essenciais para a vila...

— Podemos, por favor, focar em como vamos matar aquela coisa? — interrompeu outro, em crise de pânico, ouvindo os gritos abafados vindos do interior do laboratório.

— Precisamos informar o Hambar. Foi ele quem mandou trazer essa coisa pra cá — disse um dos cientistas, tentando se recompor.

Apenas quatro cientistas e dois pesquisadores sobreviveram à carnificina. Tremendo de medo, seguiram até a vila, e mais adiante, até a casa do líder.

— Meu deus... — suspirou sua esposa, levando as mãos ao rosto ao vê-los ensanguentados.

— Onde essa coisa está? — perguntou Hambar, cerrando os punhos até estalarem os ossos.

— N-no laboratório... nós a trancamos lá — disse um dos elfos, nervoso.

Hambar se aproximou lentamente, seu olhar perfurando a alma do elfo, a aura assassina o fazendo cair de joelhos.

— Me responda com sinceridade... vocês não trancaram os outros lá dentro apenas para salvarem suas próprias vidas, certo?

— N-não... o monstro era r-rápido demais. Escapamos com... sorte.

— Que ótimo — disse Hambar, com uma expressão fria. — Reunirei os melhores arqueiros. Vocês virão conosco.

— Q-quer que a gente entre lá de novo? — perguntou um deles, rindo de nervoso.

— Vocês conhecem aquele lugar. Precisamos dos pontos cegos para evitar outra chacina.

Pouco tempo depois, arqueiros élficos com núcleos de consciência vermelhos ou superiores formavam uma linha de ataque diante do laboratório. Um dos cientistas foi escolhido para acompanhar Hambar e guiá-los.

As portas metálicas foram desativadas. O som de sua abertura ecoava em meio à tensão geral. Um corpo caiu para fora, decapitado, com membros arrancados e o abdômen completamente dilacerado por garras. Mais adiante, o chão estava coberto de sangue e pedaços de corpos espalhados pelos corredores.

— Fiquem atentos — alertou Hambar, deixando escapar o medo na voz.

— V-você tem certeza disso...? — perguntou o cientista, tremendo.

— Prefere deixá-la aí até que escape e destrua o vilarejo?

O silêncio foi a única resposta. Eles entraram.

O chão já não parecia firme, coberto pelo sangue dos companheiros. As botas se afundavam lentamente em poças vermelhas. O grupo caminhava em silêncio, com as luminárias falhando e lançando sombras distorcidas nas paredes.

À medida que se aproximavam da sala onde a criatura havia despertado, os corpos se tornavam mais numerosos e as cenas mais grotescas. Muitos foram claramente torturados. Alguns ainda respiravam, mas sem chance de sobrevivência. Soldados vomitavam, incapazes de conter a náusea.

A mente de Hambar girava: como uma criatura podia ser tão cruel, tão metódica?

Eles avançaram até as últimas salas. Uma estava aberta, a outra fechada. Com receio de uma armadilha, Hambar separou o grupo para que ambas fossem invadidas ao mesmo tempo.

A sala aberta estava escura, vazia. Mas ao ligarem a luz, encontraram um cientista escondido sob uma mesa.

— M-ME TIREM DAQUI! — gritava.

— Calma — disse Hambar, segurando seus ombros. — Sabe onde está a criatura?

— N-não...

— Muito bem. Vocês dois, escoltem esses cientistas para fora. E vocês? — perguntou ao outro grupo.

— O... monstro... senhor — respondeu um soldado, assustado.

A criatura estava empalada por uma mesa metálica, prensada entre um armário e a parede. Suas garras seguravam os restos do cérebro do último elfo que tentara enfrentá-la. Mais de trinta e cinco cientistas estavam mortos. Apenas sete sobreviveram.

— A criatura... está em chamas — disse um elfo, confuso.

— Eu sei — respondeu Hambar, observando a luz do sol entrar pela janela e iluminar o corpo do monstro. — Suas mortes não foram em vão — ajoelhou-se, prestando respeito.

— O que faremos agora, senhor?

— Daremos a notícia — respondeu, fechando os olhos com um suspiro pesaroso. Sabia que o pânico se espalharia. — Nesses momentos, eu queria ter um núcleo de percepção branco...

E assim, ele se levantou, saindo do pesadelo que acabara de testemunhar, seguido por seus homens.

‡

daviraimundomenezes
Løser

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