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BHESDA: O Triunvirato

CAPÍTULO 4: Uma Estudante Reservada #5

CAPÍTULO 4: Uma Estudante Reservada #5

May 30, 2025

Depois de algum tempo, os preços foram discutidos, a loja foi vasculhada por todos os cantos e, finalmente, a decisão foi tomada. Cada um com seu VR escolhido, prontos para levar para casa — como se fossem uma chave que abriria uma nova porta em suas vidas. Todos estavam eufóricos, mas havia algo mais em mim, uma sensação de… desconforto.

Tirei os olhos do VR exposto e olhei para o grupo. Eles estavam tão certos de tudo aquilo, mas eu ainda me sentia como uma forasteira tentando fazer parte de um mundo que não entendia completamente. Não sabia se estava nervosa pelo jogo em si ou pelo peso de me juntar a algo tão grande. Talvez fosse a pressão de ser uma novata em um universo com tantas regras não ditas. E, no entanto, mesmo com toda a confusão mental, não conseguia negar o quão empolgante aquilo parecia.

— Então, todo mundo pronto? — Naoki perguntou, indo até o balcão para pagar. Sua voz estava cheia de entusiasmo.

— Pronto como nunca! — Tanizaki gritou, com aquele brilho no olhar que sempre surgia quando falava sobre qualquer coisa relacionada a jogos.

Fiquei quieta, observando a interação. Eles eram tão à vontade uns com os outros. Tinham uma dinâmica, uma energia compartilhada que eu tentava entender, mas, ao mesmo tempo, me sentia um pouco afastada. Eu queria poder me soltar como eles. Queria entrar naquela vibração sem me sentir tão… estranha.

Saímos da loja juntos, na direção da estação de metrô. As ruas de Akihabara estavam vibrantes com o movimento de pessoas indo e vindo. O sol já começava a se pôr, tingindo o céu de laranja e rosa. Eu sentia como se tivesse sido transportada para um novo mundo, mas estava ali, caminhando ao lado deles, e, por mais estranho que fosse, começava a me sentir… mais à vontade.

O caminho até a estação foi tranquilo, mas a expectativa no ar era palpável. O grupo estava empolgado, discutindo teorias sobre o que esperar do jogo, os reinos que iriam explorar, os monstros que pretendiam derrotar. Mesmo sem saber muito sobre o jogo em si, a conversa estava me arrastando. Algo dentro de mim começava a mudar, ainda que fosse um pequeno passo.

Na estação de metrô, os outros estavam rindo, conversando sobre o que fariam quando chegassem em casa. A energia deles contagiava o ambiente. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia aquele típico frio na barriga, a sensação de que meu lugar ainda não estava completamente ali.

— Pessoal, todo mundo se reunindo pra foto! — Yokodera chamava, preparando a câmera do celular para enquadrar todos numa selfie. — Todo mundo segurando o VR e gritando “BHESDA!”

— BHESDA!! — Todos gritaram animados. Eu me juntei à foto fazendo um sinal de paz com as mãos, porque era tudo que eu mais desejava naquele momento. O sorriso tímido era obviamente explícito no meu rosto, e todos pareciam super empolgados.

Depois da foto, começaram a pegar seus números para criar um grupo dedicado à jogatina que viria. Marcaram dia e horário para entrarem pela primeira vez e prometeram não testar o novo dispositivo até o momento combinado. Eu acabei entrando no grupo sem muitas opções, mas ele já estava silenciado de prontidão.

Aos poucos, todos foram embora. Daiki tinha que ir para o trabalho, Yokodera e Kenji seguiram juntos, já que pegavam o mesmo metrô. Kunikida tinha planos com sua namorada, e Kishibe precisava se encontrar com a família. No fim, sobramos eu e Naoki, que prometeu me ajudar a chegar em casa.

— E aí... se divertiu? — Ele parecia ter esperado ficarmos a sós para perguntar isso.

— Até que sim... — Eu segurava a barra da saia com vergonha.

— Eu falei que ia gostar. — Ele sorria como sempre: olhos fechados, dentes à mostra e uma simpatia própria no rosto. Dava pra perceber que era um vício — ao menos, um vício bom de se ter por perto.

— O Daiki faz engenharia? Como ele estava na nossa sala de aula? — No silêncio, aguardando nosso trem, não pude deixar essa dúvida escapar.

— Às vezes ele invade a sala quando não tem o que fazer. Ele pode parecer meio bruto, mas é inteligente pra caramba. Sempre que está com a gente, é porque provavelmente está tendo aula de uma matéria que já passou.

— Uau... ele deve ser bem dedicado.

— Haha, por isso que te chamamos. Quando o professor pediu o trabalho em grupo, esquecemos que ele não era da turma e ficou faltando uma pessoa pra completar. — Ele ria sem graça pela falta de percepção do grupo. — E foi por isso que chamamos você.

— Naoki... por que... por que vocês estão agindo assim comigo? — E chegamos aos finalmentes.

— Assim como? — Ele parecia fingir inocência, mas dava pra ver que era sincero.

— Eu não faço parte do grupo de vocês. Na verdade, acho que pra maioria da sala, com exceção dos professores, eu sou praticamente invisível... — Eu apertava a alça da mochila, com raiva e tristeza ao mesmo tempo. Nessas horas, sentia saudade de casa. — O que fez vocês quererem sair comigo?

— Hm... — Ele ficou pensativo. Enquanto buscava uma resposta, colocou as mãos atrás da cabeça e encarou a paisagem. — Ah, porque você parecia uma garota legal.

— Só isso?

— É.

— Entendi.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo o som do vento que repercutia por aquelas instalações e, ao longe, o barulho de outros vagões chegando para receber novos passageiros. O clima noturno era agradável e, por mais que estivéssemos em silêncio, nossas presenças não pareciam desconfortáveis.

— ...E porque o Yokodera queria o seu número. — Naoki quebrou o silêncio da pior maneira possível.

— O QUÊ?!

— Hahaha! Eu tô brincando. Ele gosta de uma garota do curso de Belas Artes. — A vermelhidão no meu rosto era aparente. A fúria nos meus olhos era tal qual a de um berserker oriundo de uma tribo viking, e as chamas da minha ira equivalentes aos ciclos infernais citados por Dante em sua tragédia. Pela primeira vez, expus sentimentos tão intensos desde que me camuflei em uma menina doce e educada. Eu queria arrancar a pele de Naoki com uma pinça.

— VOCÊ QUER ME MATAR?! — Dei um cascudo nele e soltei alguns xingamentos no meu idioma de nascença, enquanto ele ria da minha reação. Acho que é a primeira vez em 15 anos que volto a me parecer com meu pai.

— Hahaha, calma! Assim eu vou acabar caindo! — Ele ria enquanto minhas bochechas deixavam de parecer dois tomates. — Mas a verdade é essa mesma. A gente se conhece desde o colegial e fez o possível pra todo mundo entrar na mesma faculdade pra continuar junto. — Ele parecia mais reflexivo, encarando o céu estrelado. — Sempre defendemos que, enquanto estivéssemos juntos, as coisas seriam divertidas. E nem todo mundo tá junto desde sempre — o Kunikida, por exemplo, é o mais novo do grupo. Mas, mesmo sendo unidos, nunca deixamos de querer conhecer mais pessoas, porque essa união é o que faz tudo ser divertido. Afinal, qual a graça de jogar sem ter um amigo pra tirar sarro quando você erra o especial?

Ele sorria pra mim de novo. Seu jeito positivo de falar era cativante. Dava pra entender por que parecia ser o “líder”. Não cheguei a perguntar, mas dava pra ver que ele era mais novo do que eu — e ainda assim parecia bem mais maduro. Aquele discurso me motivava a tentar mudar um pouco meu modo de agir. Até porque... eu já fui como eles. Já fui brincalhona, divertida, sociável... O ensino médio foi uma mácula enorme na minha vida, e sinto que, por causa dele, perdi parte das minhas origens.

— E sei lá... — Ele continuava. — Você não parecia muito feliz no seu mundinho.

— Como assim?

— Não sei. Eu conheci várias garotas como você. Todas gostavam de ficar quietas no seu canto, lendo seus livros e fingindo que ninguém as conhece. — Ele suspirava, olhava pra baixo e depois encarava meus olhos. — Mas, no fim... a grande maioria delas não gosta de ficar sozinha de verdade.

Meu rosto ficou vermelho novamente com o contato visual. Tentei desviar o olhar e apenas aceitei em silêncio o que ele dizia.

— Como eu disse... você parecia uma garota legal, então... só quis que se sentisse incluída. — Naoki era um garoto estranho. Extremamente energético quando estava com os amigos — barulhento, brigão, exaltado. Mas, sempre que éramos só nós dois... ele parecia tão calmo, tão sereno... e fácil de estar perto.

— O-obrigada...

Um barulho cortou nossa conversa: era o vagão que estávamos esperando. Ele chegava com aquele som grave que se encerrava no agudo dos trilhos recebendo aquele enorme veículo de ferro.

— Bem. Esse é o seu. — Ele dizia, se preparando para se despedir. — Agora é só pegar ele, parar na terceira estação e, dali, acho que você sabe se guiar sozinha. A não ser que queira que eu vá com você.

— Eu pretendia chamar um táxi. Então, não tem problema.

— Então tá. Boa noite, Valentine! A gente se vê na aula. — Ele sorria.

— Boa noite, Naoki. Obrigada pelo dia. — Fiz uma reverência enquanto as portas se fechavam e ele acenava do lado de fora, com seu sorriso característico. Eu retribuí com um sorriso que fazia tempo que não expressava.

Ao sentar no metrô, descansava quase sem energia alguma. Mas me sentia aliviada, me sentia feliz. Hoje foi um bom dia, e acho que estou ansiosa para revê-los de novo.

Quando cheguei em casa e deitei na cama, antes de dormir, fiz uma última coisa para encerrar o dia:

“Dessilenciar.”

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#slice_of_life #isekai #VideoGame #game #rpg #Bhesda #vr #akihabara

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