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RebelHearts - A Melodia de Corações Roubados

Prólogo — Qing

Prólogo — Qing

Jun 10, 2025



"𝚀𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚘 𝚎𝚚𝚞𝚒𝚕𝚒́𝚋𝚛𝚒𝚘 𝚎́ 𝚚𝚞𝚎𝚋𝚛𝚊𝚍𝚘 𝚎 𝚘 𝚏𝚕𝚞𝚡𝚘 𝚍𝚘 𝚖𝚞𝚗𝚍𝚘 𝚍𝚎𝚜𝚟𝚒𝚊𝚍𝚘, 𝚊𝚕𝚐𝚘 𝚍𝚎𝚜𝚙𝚎𝚛𝚝𝚊. 𝙾𝚞 𝚟𝚘𝚌𝚎̂ 𝚙𝚊𝚐𝚊 𝚎 𝚛𝚎𝚌𝚘𝚖𝚙𝚘̃𝚎 𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚛𝚘𝚏𝚊𝚗𝚘𝚞... 𝚘𝚞 𝚎𝚕𝚎 𝚟𝚒𝚛𝚊́, 𝚎𝚖 𝚜𝚒𝚕𝚎̂𝚗𝚌𝚒𝚘, 𝚝𝚘𝚖𝚊𝚛 𝚍𝚎 𝚟𝚘𝚕𝚝𝚊 — 𝚗𝚊̃𝚘 𝚒𝚖𝚙𝚘𝚛𝚝𝚊 𝚘 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚒𝚜𝚜𝚘 𝚟𝚊𝚒 𝚝𝚎 𝚌𝚞𝚜𝚝𝚊𝚛.",

Hora da morte: 21:45h.,
ㅤ

21:45. 21:45. 21:45.ㅤ

A voz do médico ecoava em sua mente, distante como se Qing não estivesse na mesma sala que ele. Seu coração batia tão forte que às vezes tinha a sensação de que parava por alguns segundos, antes de voltar, bombeando sangue numa velocidade que fazia seu corpo adormecer. Não sabia quanto tempo estava ali, sentado ao lado do corpo morto de seu pai, carregando entre os dedos a única lembrança que restava dele: seu diário.

A guitarra parecia ter o peso do mundo em suas costas. Os olhos verdes fixos no diário em suas mãos. Seus olhos ardiam com uma força absurda, porém nenhuma lágrima vinha. O sentimento de negação estava presente em cada pensamento em sua mente.

Isso não podia estar acontecendo.

Não era como se Qing não soubesse que isso ia acontecer. Mas, tudo havia sido tão repentino. Tinha tantas coisas que ainda queria viver e aprender com seu pai. Agora o que podia pensar era em como queria ter passado mais tempo ao lado dele. Como queria poder ter sentado e lido cada página de seu diário, ter se interessado mais. Feito mais. Os dedos trêmulos agora folheavam as páginas do diário, o gosto do arrependimento amargando sua boca.

Folheou as páginas, parando em uma que parecia ter sido lida e relida muitas vezes — as bordas amassadas, o papel quase transparente em alguns pontos, como se o tempo e os dedos tivessem insistido em tocar aquela história. Seu dedo deslizou sobre uma frase em uma letra esgarranchada e escrita com tanta força que parecia ter rasgado algumas partes do papel no processo:

"Quando o equilíbrio é quebrado e o fluxo do mundo desviado, algo desperta. Ou você paga e recompõe o que profanou... ou ele virá, em silêncio, tomar de volta — não importa o quanto isso vai te custar."

— Você não vai querer fazer isso — a voz interrompeu seus pensamentos, o fazendo erguer o olhar.

A figura à sua frente era intangível e podia ver entre ela os equipamentos hospitalares.

Um dos fantasmas do hospital, pensou.

— Você não dita o que eu faço — Qing retrucou, a guitarra já em mãos enquanto as notas pareciam dançar a sua frente.

Qing não pensou duas vezes: os dedos se movimentaram sobre as cordas do instrumento, tocando uma música desconhecida para ele mas que cheirava à esperança. Cada nota que tocava fazia as luzes do hospital piscarem. O tempo ao seu redor pareceu desacelerar e tinha a sensação de estar levitando.

Qing atingiu um nível tão profundo na música que jurou ter sido transportado para outro lugar. As paredes pálidas e geladas da sala de preparação começaram a vibrar, como se respirassem junto com ele, pulsando ao ritmo de sua música. Os batimentos da terra, das almas, do universo pareciam ecoar ali — e as sombras, antes imóveis, agora dançavam nas frestas de luz, ganhando vida própria.

O teto tremeluzia, as lâmpadas piscavam de maneira irregular, projetando manchas de brilho e escuridão sobre os móveis, como se a realidade estivesse se desfazendo. Pequenas faíscas de som pairavam ao redor de Qing, como se as notas tivessem se materializado no ar, girando em espirais lentas.

A temperatura oscilava, alternando entre um frio congelante e um calor intenso. Cada acorde parecia abrir uma nova rachadura invisível, expandindo os limites do quarto e preenchendo o espaço com algo intangível, que Qing mal conseguia compreender.

De repente, o ar parecia denso demais, carregado de um murmúrio quase imperceptível, como sussurros de vozes antigas ecoando de outras dimensões. Foi quando um estalo o fez parar de tocar. Sentiu o chão tremer sob seus pés, o olhar desesperado caindo sobre o diário em cima da cômoda. As mãos largaram a guitarra sobre a cadeira sem pensar, e num ímpeto, ele agarrou o objeto como se pudesse segurá-lo contra o caos.

Antes que pudesse dar outro passo, o chão tremeu de novo, violento, e num solavanco, foi lançado contra a parede. O ar escapou dos lábios num arfar de dor, enquanto o calor percorreu seus dedos — o diário fervia em suas mãos, como se pulsasse com algo vivo. O soltou, e no momento que o fizera, o fogo começou. As chamas rastejavam pelas bordas das páginas, as curvando e enrolando, enquanto faíscas se desprendiam, subindo em espirais até o teto. Uma fumaça densa e negra tomava conta do ambiente, o barulho do papel queimando fazia os instintos e Qing gritarem.

Das chamas, um olhar surgiu. Olhos azuis como o próprio mar. No meio do fogo Qing não soube descrever se o julgava ou derramava lágrimas. Um calafrio percorreu seu corpo quando os olhos encontraram os seus e sumiu com uma intensidade tão grande que havia deixado a sensação impregnada em seu corpo.

O fantasma que a minutos atrás o repreendeu havia sumido, seu pai continuava morto e agora de seu diário, restavam apenas cinzas que logo se dissolveriam no ar.

Foi aí que Qing se deu conta.

Algo havia dado errado.

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