A figura com quem seus pais
conversavam não estava presente fisicamente. Ela vinha de um
espelho grande, que ocupava boa parte da parede à frente deles.
As bordas do espelho brilhavam com uma luz dourada, como se
estivessem encantadas. A pessoa refletida ali não era uma imagem
comum; era uma figura nítida, quase real, como se pudesse
atravessar o espelho a qualquer momento.
Essa não era uma simples conversa.
Ethan já havia lido sobre
magia com espelhos, mas nunca tinha visto, pois até o momento
ele apenas sabia levitar objetos e pequenos encantamentos bem
simples, como curar pequenos ferimentos, ou consertar algo
quebrado.
Embora existissem smartphones e videochamadas para
comunicação, ele sabia que alguns magos antigos ainda preferiam
os métodos tradicionais, como usar espelhos para se comunicar.
O
espelho não só servia como um canal para conversas, mas também
era um portal para outros mundos e dimensões.
Às vezes, até
armazenavam objetos mágicos ou transportavam pessoas para
outros lugares.
As vozes de seus pais ecoavam baixinho, e ele tentou ouvir
melhor.
Eles falavam sobre ele. Sobre Ethan. O coração do garoto
disparou ao ouvir seu nome ser mencionado repetidas vezes. A
tensão na voz de sua mãe era clara, e seu pai parecia igualmente
preocupado.
— Eu... acho que Ethan é o Emissor de Anargus, — a voz da
mãe saiu abafada, mas cheia de medo.
Ethan franziu a testa. Emissor de Anargus? Ele não sabia o que
aquilo significava, mas pelo tom de seus pais, não parecia algo
bom. Sua respiração ficou pesada.
Ele era apenas uma criança, mas
algo dentro dele já começava a perceber que havia mais em si
mesmo do que ele podia entender.
Algo... sombrio, poderoso.
— O que faremos se isso for verdade?
— perguntou seu pai, a
preocupação evidente em suas palavras.
— Temos que proteger ele. Não podemos deixar que ninguém
descubra até termos certeza.
Ethan recuou um pouco da porta, tentando processar o que
estava ouvindo. A ideia de ser algo que ele mesmo não
compreendia o assustava. Mas também despertava uma
curiosidade profunda.
O que significava ser esse "emissor"?
Por
que seus pais estavam tão preocupados?
E quem era aquela figura
misteriosa no espelho, que parecia saber tanto sobre ele?
Sentindo o peso daquelas palavras, Ethan voltou
silenciosamente para o quarto, sua mente girando.
Ele não fazia
ideia de que, a partir daquela noite, sua vida mudaria
completamente.
Anne, sua mãe, tinha o dom de controlar as flores, e ela passava
horas nos jardins, tecendo belos tapetes de flores com um gesto de
sua mão.
Ela desejava que Ethan tivesse uma infância tão serena
quanto as paisagens mágicas que ela criava. Mas a sombra de
dúvida que ela sentia sobre Ethan ser quem ela temia, a inquietava
de grande maneira e a dor que Ethan experimentava parecia
resistir a todos os encantamentos que ela tentava lançar.
As dores misteriosas que afligiam Ethan eram como agulhas
afiadas cravadas em sua pele. Cada dia era uma luta para ele, uma
luta para conter o poder que parecia querer explodir de seu
interior.
Seu relacionamento com os pais era complexo.
Embora eles o
amassem profundamente, havia uma tensão entre eles.
Ethan
agora sabendo da desconfiança de seus pais sobre esse tal
Emissário, não ousava questioná-los, e que também enchia sua
mente de dúvidas, a respeito de sua herança mágica.
Mas ele não
conseguia reunir coragem para fazer perguntas difíceis.
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Em um mundo de magos e super-humanos, a cada 300 anos uma criança herda o poder do deus do Caos. Ethan Howkins é a criança da vez. Após despertar seus poderes aos 10 anos, Ethan abandonado pelos pais, agora precisa controlar um poder capaz de destruir o mundo.
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