O garoto continuou, sua voz ganhando um tom sombrio:
— Dizem que todos os homens que viveram nesta casa acabaram loucos, mas o jardineiro não acreditava nessas histórias de maldição e fantasmas.
Ele comprou a casa por um preço muito barato, mesmo com a esposa avisando que não era uma boa ideia.
— Então, aconteceu numa noite qualquer, — começou o garoto, olhando para a casa antiga enquanto contava a história.
— Era uma noite tranquila, sem vento, e todos estavam dormindo.
De repente, um fogo começou a se espalhar pela casa. Minha mãe disse que a cidade inteira foi acordada pelo cheiro de fumaça e pelos gritos de Elizabeth e das filhas, Catarina e Berenice.
O fogo consumia rápido, como se algo estivesse alimentando as chamas por dentro. O garoto fez uma pausa, dramatizando o momento.
— Elizabeth conseguiu tirar as meninas da casa antes que o fogo as pegasse. Elas correram para a rua, gritando por socorro, mas Malcon... ele ficou para trás.
Dizem que ele estava no andar de cima, e quando percebeu o fogo, já era tarde demais. Ele tentou sair, mas o teto desabou parcialmente e as chamas o cercaram.
— Quando finalmente conseguiram tirá-lo da casa, ele estava gravemente queimado, — continuou o garoto.
— Os braços dele, que antes cuidavam de flores e faziam esculturas de arbustos, estavam em carne viva, queimados pelas chamas.
Parte do rosto também ficou marcado para sempre pelo fogo. Mas, por algum milagre, ele sobreviveu.
Elizabeth e as filhas escaparam ilesas, mas depois disso... nada foi o mesmo. O garoto abaixou o tom de voz, quase como se estivesse contando um segredo sombrio.
— Depois desse incêndio, Elizabeth e as meninas foram embora, deixando Malcon sozinho na casa destruída.
Ele nunca se recuperou totalmente, nem física nem mentalmente. Dizem que ele nunca mais foi o mesmo.
— Um momento. – Diz Ethan. Você não disse que eles desapareceram?
Mas você acabou de dizer que elas foram embora. O garoto sorriu coçando a cabeça.
– hahaha é mesmo eu disse. Ethan ergueu os olhos, encarando as janelas vazias.
As sombras projetadas pelas paredes pareciam mover-se levemente, como se a casa estivesse viva, espreitando. — Então, ele ainda mora lá? — perguntou Ethan, intrigado.
O garoto acenou com a cabeça. — Sim, de vez em quando o vemos na frente da casa.
Mas ninguém fala com ele. Ele é meio assustador.
— Será que ele me deixa morar aí? — perguntou Ethan, sorrindo.
O garoto arregalou os olhos, chocado.
— O quê? Você não ouviu o que acabei de dizer?
A casa é mal-assombrada!
Ethan apenas virou o rosto fechando os olhos, com um sorriso confiante.
— Eu ouvi, mas não tenho medo de fantasmas e maldições.
Se algum fantasma mexer comigo, eu acabo com ele.
— Sua voz era casual, mas havia uma firmeza por trás de suas palavras.
O garoto, ainda incrédulo, olhou para Ethan como se ele fosse louco.
— Você é louco, — murmurou, antes de começar a se afastar para se juntar às outras crianças que brincavam mais adiante.
Ethan observou o garoto ir embora e, sem hesitar, saltou o portão enferrujado.
O som do metal velho ecoou pelo lugar enquanto ele aterrissou no outro lado.
O garoto se vira em direção a Ethan de novo.
— Esqueci, qual seu nome... Ué sumiu?
Diz o garoto.
Ethan já do outro lado do portão responde.
— Ethan e o seu?
—hummmm?
Como é que?
Como você?...
Diz o garoto confuso.
Hum, Vitor meu nome é Vitor.
É sério que você vai morar aí, não tem casa?
Perguntou o garoto.
E esse bebê?
Longa história respondeu Ethan, sim vou morar aqui, esse é meu irmão David.
Ethan se vira e caminha em direção a casa enquanto Vitor observa.
Ethan parou por um momento e olhou para David, que dormia tranquilamente em seus braços.
Ele sentiu o estômago roncar, e sem dizer nada, continuou em direção à porta da casa, sentindo o olhar de Vitor em suas costas.
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Em um mundo de magos e super-humanos, a cada 300 anos uma criança herda o poder do deus do Caos. Ethan Howkins é a criança da vez. Após despertar seus poderes aos 10 anos, Ethan abandonado pelos pais, agora precisa controlar um poder capaz de destruir o mundo.
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