Ambos ficam
imóveis, como se o tempo tivesse parado por um momento.
Ethan,
no entanto, não se move, não recua.
Ele apenas encarou a criatura
de volta, sentindo o poder do caos pulsar dentro de si, pronto para
qualquer coisa que aquela entidade decidisse fazer.
A criatura
rosnou baixinho, seus olhos ainda fixos em Ethan, que apenas
sorriu de forma desafiadora.
Ethan permaneceu em pé, encarando
o
fantasma grotesco, enquanto seus olhos ainda estavam
entreabertos com um toque de deboche.
Ele respirou fundo antes
de perguntar:
— Então, você é o fantasma do primeiro dono dessa
casa?
— Sua voz estava firme, mas carregava um tom casual, como
se estivesse apenas puxando conversa.
O fantasma, surpreso, inclinou a cabeça para o lado e
perguntou:
— Você consegue me ver?
— Seu tom era uma
mistura de surpresa e curiosidade.
— Sim, respondeu Ethan, com um leve sorriso.
— Sou um
mago.
Nós podemos ver fantasmas, se quisermos, é claro.
O fantasma gargalhou, uma risada estridente que ecoou pela
casa, parecendo sacudir as paredes.
— Hahaha! É a primeira vez
que converso com um vivo, e a primeira vez que alguém me vê.
Ethan balançou a cabeça em negação, rindo levemente.
— Não,
não... Provavelmente algum outro mago ou bruxa já te viu antes,
mas preferiram te ignorar.
O fantasma fez uma pausa, pensativo, antes de soltar um —
Hum.
Ethan então, com o tom mais sério, ordenou: — Deixe esse
senhor em paz.
Mas o fantasma apenas gargalhou novamente, sua risada dessa
vez foi mais cruel.
— Não mesmo. Por que eu faria isso?
Aliás...
você parece muito mais interessante que esse velho.
Acho que vou
perseguir você!
O sorriso do fantasma se alarga de maneira
sinistra.
Ethan revirou os olhos, cruzando os braços com uma expressão
de desdém.
— Quero ver você tentar.
De repente, o choro de David ecoou pela casa, interrompendo o
momento.
Ethan olhou para dentro, e logo voltou sua atenção para
o fantasma.
O sorriso do fantasma se ampliou ainda mais, até
formar uma expressão medonha de orelha a orelha.
— Que sorriso
horrível — pensou Ethan, mas antes que pudesse reagir, o
fantasma desapareceu, atravessando a parede em direção ao bebê.
Ethan correu atrás dele, com o coração acelerado.
Ele chegou à
cozinha a tempo de ver o fantasma prestes a se lançar sobre David.
Mas, de repente, a criatura sombria que habitava dentro de David
emergiu com um rugido ensurdecedor, que assustou as crianças
brincando lá fora.
Em um movimento rápido e voraz, ela devorou
o fantasma, engolindo-o por completo antes de soltar outro
rosnado aterrorizante. A criatura então voltou ao seu estado de
repouso, adormecendo novamente dentro do bebê.
Ethan ficou parado por um momento, tentando processar o que
acabara de acontecer.
Seu coração ainda estava disparado, mas ele
rapidamente pegou David no colo que estava chorando e o
acalentou.
— Calma, calma... já passou, está tudo bem agora
— sussurrou, balançando o bebê enquanto ele começava a se
acalmar.
De repente, uma voz firme ecoou da porta da cozinha.
—
Quem é você e o que está fazendo na minha casa?
Ethan se virou, ainda segurando David nos braços.
Na porta,
estava o jardineiro.
Agora, com o fantasma devorado, o homem
parecia lúcido, livre de sua tormenta.
Mas a pergunta ainda ecoava
na mente de Ethan:
— Espera aí... o monstro comeu o fantasma?
Ele olhou para David, ainda nos braços, com uma expressão de
confusão e surpresa.
— Você é surdo, garoto?
Eu perguntei quem é você e o que faz na minha casa! — repetiu o jardineiro,
irritado.
— E, a propósito, o que aconteceu com minha casa?
Ethan respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos.
Ele começou a contar ao jardineiro tudo o que havia descoberto.
Explicou como o garoto, Vitor, lhe contara sobre o estado mental
deteriorado do jardineiro, sobre o incêndio que consumiu parte da
casa, e sobre o fantasma do primeiro dono que assombrava o local.
Sobre David e ele.
Conforme a história se desenrolava, o rosto do jardineiro
demonstrava ceticismo.
Ele claramente não acreditava em uma
palavra do que Ethan estava dizendo.
— Pare de contar mentiras,
garoto.
Fantasmas?
Deuses?
Monstros dentro de bebês?
Sobre
incêndios eu posso ver que minha casa pegou fogo.
Tirando isso,
você acha que eu vou acreditar nessas bobagens?
— disse o
jardineiro, cruzando os braços com uma expressão de descrença.
Ethan franziu a testa, sentindo sua paciência se esgotar.
— É a
verdade! — Ele deu um passo à frente, sua voz carregada de
firmeza.
— Quer ver?
Com um movimento rápido das mãos, Ethan murmurou um
feitiço “ELEVERTO” e fez os móveis da sala levitarem.
Alguns
deles se despedaçaram no ar, e o jardineiro ficou boquiaberto ao
ver os pedaços flutuando.
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Em um mundo de magos e super-humanos, a cada 300 anos uma criança herda o poder do deus do Caos. Ethan Howkins é a criança da vez. Após despertar seus poderes aos 10 anos, Ethan abandonado pelos pais, agora precisa controlar um poder capaz de destruir o mundo.
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