Depois daquele dia no pátio, Laura e Isadora começaram a se aproximar de um jeito natural , quase sem perceberem. Era como se a presença uma da outra fosse se encaixando aos poucos na rotina da escola.
Isa passou a acompanhar Laura até a sala antes da aula, mesmo que sua própria turma ficasse em outro corredor. Nunca dizia muito, mas seu sorriso constante falava por ela. Na hora de sair para ir ao recreio, Isadora sempre aparecia por perto, encostada na parede ao lado da porta da sala de Laura, como se aquilo já fosse parte do combinado – embora nenhuma das duas jamais tivesse falado sobre isso.
Laura, aos poucos, passou a esperar por essa presença. Quando saía da sala e a via ali, do outro lado do corredor, o coração batia um pouco diferente. Não era pressa, nem ansiedade. Era uma paz tímida, quase como uma brisa.
Naquele tempinho que tinham juntas no recreio, as conversas fluíam com leveza quase mágica . Falavam sobre o que gostavam de fazer, que música ouviam, seus hobbies e até sobre pequenas coisas do dia a dia que só ganhavam importância porque eram compartilhadas entre as duas.
Isa contava que adorava desenhar. Seus cadernos estavam sempre cheios de rabiscos e ideias inacabadas, e ela mostrava alguns com certa timidez – embora seus olhos brilhassem de orgulho quando Laura elogiava seus traços. Além disso, fazia artesanato, escrevia letras de música e tinha playlists cheias de artistas indie, vozes suaves e batidas calmas que combinavam com seu jeito.
Laura, por sua vez, confessava que não levava jeito nenhum para desenhar – e isso a fazia admirar ainda mais quem desenhava bem. Mas ela também fazia artesanato e tinha verdadeira paixão por música. Preferia as instrumentais, especialmente as clássicas. Seus olhos sempre se iluminavam quando falava de “Experience”, de Ludovico Einaudi, como se aquela melodia tivesse um lugar secreto dentro dela. Também adorava filmes e séries asiáticas, e às vezes contava cenas de seus favoritos com empolgação e afeto nos detalhes.
Isa ouvia tudo com atenção, às vezes perguntava mais, às vezes só sorria, absorvendo cada palavra como quem guarda pequenas preciosidades.
E, assim, entre uma conversa e outra, as duas construíam um lugar só delas. Um espaço tranquilo, cheio de descobertas e silêncios confortáveis. Nada precisava ser forçado estava tudo crescendo no tempo certo.
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